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Postado em 20-01-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 20-01-2016 00:12

DO PORTAL DE NOTÍCIAS TERRA BRASIL E DO JORNAL “PÚBLICO” (DE LISBOA)

O cineasta italiano Ettore Scola, realizador de filmes como “Um dia inesquecível” ou “Tão amigos que nós éramos”, morreu ontem (19), em Roma, aos 84 anos.

Nascido em 1931, Ettore Scola é considerado um dos últimos grandes mestres do cinema italiano. Ele dirigiu obras que tiveram a participação de atores como Marcello Mastroianni, Sophia Loren, Vittorio Gassman e Nino Manfredi.

Em 2011 Scola tinha posto fim à sua carreira cinematográfica mas em 2013 apresentou no Festival de Veneza Che strano chiamarsi Federico/Que Estranho Chamar-se Federico um filme-homenagem ao seu amigo Federico Fellini com imagens de arquivo. Numa entrevista que deu ao jornal Il Tempo, em 2011, afirmava que dizia adeus ao cinema “sem se arrepender de nada” depois de uma carreira de mais de 50 anos e mais de 30 filmes realizados. O realizador de grandes clássicos italianos rodados nos estúdios Cinecitta em Roma, a par de Federico Fellini, Roberto Rossellini e Vittorio de Sica, explicou na altura já não se sentir sincronizado com a indústria cinematográfica.

“A minha experiência no mundo da realização já não é o que costumava ser: descontraída e feliz. Hoje há lógicas de produção e distribuição com as quais eu não me identifico”, contou nessa entrevista o realizador, acrescentando que no cinema é fundamental ter-se liberdade de escolha. “Estava a começar a sentir-me obrigado a respeitar regras que não me permitiam sentir livre”, afirmou nessa entrevista de 2011.

Estava desiludido, acreditava que já não havia lugar para a criatividade como antigamente. “A crise económica ainda veio agravar mais a situação. Tendo em conta a minha idade, sei que fiz o que devia. Não me arrependo de nada. Trabalhei sempre com uma grande liberdade. Numa certa altura, chega o momento em que o melhor a fazer é retirar-me”, acrescentou.

Ettore Scola nasceu a 10 de Maio de 1931, em Treviso, Itália. Depois da Segunda Guerra Mundial foi viver para Roma, onde estudou Direito. Contudo, o gosto pela escrita criativa e pelo cinema foi mais forte e, em 1953, iniciou a sua carreira na indústria cinematográfica como argumentista, depois de ter trabalhado como humorista em algumas revistas. Durante cerca de dez anos, Scola contribuiu com material para inúmeros filmes de Dino Risi e de outros realizadores, tendo colaborado frequentemente com Ruggero Maccari, destacando-se desta parceria a comédia Il Magnifico Cornuto (1964), com Claudia Cardinale. Em 1964, estreou-se como realizador com o filme Se permettete parliamo di donne.

O sucesso internacional chegou em 1974 com Tão Amigos Que Nós Éramos, um retrato da sociedade italiana no pós-guerra, dedicado ao seu amigo, ator e realizador Vittorio de Sica. Dois anos depois, Ettore Scola venceu o galardão de Melhor Realizador no Festival de Cannes, com o filme Feios, Porcos e Maus.

Na lista dos clássicos, está ainda Um dia Inesquecível (1977), protagonizado por Sophia Loren e Marcello Mastroianni. O filme foi indicado para o Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

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