DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Juca encena luta contra moinhos de vento

O ministro Juca Ferreira assumiu pessoalmente a candidatura a prefeito dentro do PT. E o fez na festa do Bonfim, a qual, sendo, como se viu, vulgar e desprezível para uso eleitoral pelos monstros sagrados da política local, pode ainda servir de palanque a expressões mais modestas, mesmo fazendo parte do primeiro escalão da República.

A participação inaugural ocorreu de forma espetaculosa, correspondente à sua área. Juca definiu o supostamente principal adversário – o prefeito ACM Neto – como o imperador da Antiguidade que teve a ousadia de marchar sobre a Grécia, o que permite a conclusão: se ele vier com esse papo de cultura, vai ver o que é bom pra tosse.

Na verdade, isso pouco interessa. O postulante entra na cena para marcar posição, credenciar-se para um futuro qualquer, aproveitando a fase em que nomes melhores do PT não querem entrar na briga, como o senador Walter Pinheiro, apesar de presente em reiteradas listas do partido.

Nomes piores há, e se apresentam, pois sabem que é a grande oportunidade de aparecer e serem como o goleiro na hora do pênalti: não têm a obrigação de defender – no caso, de vencer a eleição. E ainda ajudariam o governador Rui Costa na estratégia de “pulverizar” os votos em busca do segundo turno,

Há um mérito social importante, contudo, na pré-campanha de Juca: ao recordar o que talvez não seja do conhecimento dos mais jovens – pois não se sabe a quantas anda o ensino da História Geral –, permite a comparação com a época atual, de tantas vicissitudes, em que, pelo menos no Brasil, não é improvável que se decrete em breve o óbito da esperança.

Juca falou de Xerxes I, da Pérsia, que com seu portentoso exército dizimou o general Leônidas e seus 300 comandados no desfiladeiro das Termópilas. Era, 500 anos antes de Cristo, um tempo em que os reis e governantes encaravam o sanguinário campo de batalha, a lanças, espadas, escudos.

Hoje, cavaleiros e flechas que cobrem o sol, nem mesmo na mais quixotesca ficção. O que há, e de há muito, são poderosos que ocupam palácios com ar refrigerado e pensão completa, espaços com que o povo nem consegue sonhar, de tapetes vermelhos e garçons reverenciais – e deixam o corpo a corpo com a polícia.

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