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Postado em 17-01-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 17-01-2016 00:13

POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

A política reles por trás do Estado

A “brincadeira” do ministro da Saúde, Marcelo Castro, de “torcer” para que as mulheres peguem o zika vírus fora do período fértil e, assim, se imunizem contra o risco maior da microcefalia, é o retrato perfeito da condução do Estado no Brasil.

Sem outras qualidades apropriadas que não a de médico, Castro, deputado do PMDB do Piauí, assumiu o cargo em outubro, numa manobra para reorganizar a base da presidente Dilma na Câmara, o que, aliás, não deu em nada.

Indicado e prestes a ser empossado, Castro acenou à nação não com medidas que pretendesse adotar para melhorar o quadro da saúde. Apressou-se, isto sim, em defender o retorno da CPMF, e em caráter permanente, como imposto, revelando o foco no dinheiro.

Até a aviação entra no samba

O exemplo, lamentavelmente, não é único – antes se trata de uma prática regular, fazendo do conforto parlamentar do governo uma preocupação maior que as próprias tarefas de governar.

A questão é que agora, contando com a do ministro, três situações semelhantes ocorrem em curtíssimo período. Outra é a que envolve a Secretaria da Aviação Civil, criada com status de ministério em 2011, ainda sob a lembrança do apagão aéreo e grandes acidentes de anos antes.

Imaginava-se que a administração do órgão obedecesse a padrões técnicos quando a notícia veio a público: a presidente articula a nomeação, como ministro, de parlamentar do PMDB mineiro, para garantir na liderança do partido o deputado Leonardo Picciani, seu “aliado”.

Mas o exemplo vem “de cima”

Para coroar o descalabro administrativo sequencial, ninguém menos do que o ex-presidente Lula é apontado como o homem que deu ao senador Fernando Collor “ascendência” sobre a BR Distribuidora, para que colocasse ao bel-prazer nos cargos de direção aqueles que melhor lhe sugassem os recursos.

Na empresa estatal, segundo denúncia do procurador-geral da República ao Supremo Tribunal Federal, ao longo de seis anos funcionou “uma organização criminosa” que age “em favor de empresas privadas”, cobra “vantagens indevidas” e ainda estabeleceu um pedágio para quem quisesse montar bases de distribuição de combustíveis.

Os beneficiários desse modelo de gestão não foram, obviamente, os acionistas da companhia, muito menos o público consumidor, pois a corrupção impõe um sobrepreço compensatório aos produtos. No lucro mesmo, disse Rodrigo Janot, saíram o senador Collor e outros parlamentares do PTB e do PT, destinatários de propinas.

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“No momento não posso atender…”

Data: 16/01/2016
09:54:08

Ex-governantes que tiveram desempenho de estadistas criam institutos e bibliotecas para preservar-lhes a memória e servirem de referência à cidadania e, sobretudo, às novas gerações, além de promover iniciativas culturais e científicas visando ao desenvolvimento do país e da sociedade.

No caso do Instituto Lula, a nação aguarda que exerça, algum dia, tão nobres finalidades, deixando para segundo plano as operações de recebimento de recursos financeiros e o papel de alter ego do ex-presidente que dá, quase todo dia, explicações sobre atos passados dos quais deveria falar ele, pessoalmente.

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 17 Janeiro, 2016 at 22:02 #

Essa história do ministro da Saúde com a Zika faz lembrar um disparate de outro ministro, também da saúde, mas ainda no governo Lula, em 2003.

Humberto Costa, hoje senador petista pelo Estado de Pernambuco, tentou justificar a falta de UTIs no Ceará, onde muitos pacientes estavam morrendo na fila de espera.

Segundo Costa, o problema não era tão grande assim, pois os que estavam morrendo sem UTIs eram, geralmente, velhos acima dos 80 anos que, pela idade, morreriam em pouco tempo. Depois tentou se desculpar da asneira que falou.

Não se sabe se os pacientes o desculparam. Mas que continuaram morrendo por falta de atendimento, continuaram.


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