CRÔNICA

Pai Menininho da OAS e uma mensagem do além

Janio Ferreira Soares

Semana passada apareceu uma mancha na tela do celular que minha função me obriga a ter.

Diferentemente dos aparelhos dos demais secretários, o meu ainda é do modelo que apenas chama (quando muito necessário) e recebe (na maioria, quando absolutamente não). Trimmm!

Observando-a com a tecla da imaginação ativada, descobri que a nódoa tem a forma de uma sola de sapato em movimento, talvez sugerindo uma fuga para algum lugar onde eu, como se fora um Jorge da Capadócia, igualmente possa me proteger de quaisquer sinais ou ondas magnéticas que tentem meu corpo alcançar. Salve, Ben Jor!

Velho cada dia mais incréu (e, na opinião de mulher e filhos, em vias de uma eterna rabugice tanto on, quanto off-line), dessa vez creio firmemente ser essa marca uma espécie de “se ligue” enviado por alguma entidade Sioux (ou Apache, ainda não sei) deveras chateada com tantos rsrsrs, kkkks e fotos de pratos em restaurantes circulando nos céus de seus antepassados, cuja mensagem subliminar é: “continue assim, valente guerreiro da beira do rio, resistindo bravamente às tentações de dedos deslizando em telas de vidro e aos convites desses grupos de caras-pálidas que vivem divulgando suas aventuras por aí. Desse modo você terá a eterna proteção de Tupã e ninguém ficará sabendo onde velho Touro Safado do sertão vai quebrar de baiana quando o Carnaval chegar”. (A propósito, sempre que alguém me convida para participar de uma coletividade qualquer, logo me lembro de Groucho Marx, que dizia não frequentar clubes que o aceitavam como sócio).

De segunda a sexta me acordo por volta das 5 da manhã e antes das 7 começa meu calvário diário diante das primeiras ligações de neguinho querendo saber das novidades, como se o período noturno fosse farto em acontecimentos incomuns aos óbvios.

Respiro fundo, conto até 10 e só então desisto da tentação de dizer: “rapaz, a primeira notícia é que Edgar e Júlio passaram a noite toda latindo, acuando um cururu que saiu da toca para comer uns ingênuos besourinhos fascinados pela nova luz de led do quintal. Em seguida foi a vez de um bacurau meio rouco passar uns bons minutos piando pousado na inútil cerca elétrica que ilude minha filha, e, pra finalizar, umas 3 da manhã um casal de saruê começou um ritual de acasalamento em cima do forro do meu quarto, só parando quando eu quase furei o gesso cutucando-o com um cabo de vassoura. Satisfeito, seu inconveniente?”.

Mudando um pouco de assunto, mas continuando com o celular como protagonista, depois de ler as mensagens trocadas por Léo Pinheiro (o poderoso ex-presidente da OAS) com alguns políticos, cheguei a conclusão de que, até pela estampa, ele atuava como uma espécie de Pai Menininho S/A, cujo terreiro virtual vivia lotado de acionistas das mais variadas crenças e tonalidades partidárias, todos, sem exceção, em busca de suas bênçãos e de seus mil-réis.

É por essas e outras que o nosso Preto Velho Benedito já dizia que, afora os habituais absurdos, a felicidade também mora na Bahia, dadivosa e outrora terra abençoada pelos deuses, rica em minerais, em cacau, em carnaúba e no famoso jacarandá, sem falar nos preciosos jatos do negro petróleo a jorrar inacreditáveis prosperidades.

A canção termina assim: “na ladeira tem, tem capoeira, zum, zum, zum, zum, zum, zum, capoeira mata um”. Esperteza também, viu, meu rei?

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, no lado baiano do Rio São Francisco.

BOA TARDE!!!


Kakay:lingua solta para atacar Lava Jato


…Buñuel:o domesticador de ratos e cobras

ARTIGO DA SEMANA

Kakay e o Manifesto: Vaidade e insulto contra a Lava Jato

Vitor Hugo Soares

Luis Buñuel, o cineasta dos absurdos mais impensáveis, faz um registro emblemático que me parece sob medida para ilustrar esta semana da entrevista surreal, à BBC Brasil, do advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, na terça-feira. Seguida, ontem (15), do Manifesto, assinado pelo criminalista e mais de 100 colegas, publicado nos espaços mais nobres e mais caros dos principais jornais do País, sob o título “Carta Aberta” em repúdio aos “abusos na Operação Lava Jato”.

Na linha de tiro, nos dois casos, as cabeças do juiz Sérgio Moro e do procurador geral da República, Rodrigo Janot. Os dois referências nacional e internacional (ao lado da Polícia Federal) na condução, apuração, prisão e ágil condenação de poderosos implicados no Petrolão – maior escândalo de corrupção e ladroagem, no país, envolvendo agentes públicos e privados: Políticos de alto coturno, gestores governamentais e executivos das maiores empreiteiras, metidos no saqueio que abala, quase de morte, a Petrobras, empresa nacional de maior orgulho dos brasileiros.

O trecho referido está no livro de memórias “Meu Último Suspiro”. No capítulo em que Buñuel fala das coisas de que mais gosta e das que mais detesta. Cito-o, a seguir, depois da espantosa (para quem ainda se espanta com alguma coisa no Brasil) entrevista de Kakay e da leitura do arrazoado que ele assina com outros colegas e parceiros.

O cabeça do “movimento” é defensor de 11 políticos e grandes empresários investigados pela Operação Lava Jato. Na conversa com a BBC Brasil, digna de obra do realismo fantástico, o advogado fala via celular, pachorrentamente sentado em um banco às margens do Rio Sena, em Paris.

Com a palavra o realizador de “O Cão Andaluz”: “Gosto das cobras e sobretudo dos ratos. Durante toda a minha vida vivi com ratos, exceto nos últimos anos. Eu os domesticava inteiramente e a maioria das vezes cortava-lhes um pedaço do rabo (é muito feio um rabo de rato). O resto é um animal apaixonante e muito simpático. No México, quando chegava a ter uns 40, ia soltá-los na montanha”.

Amaldiçoado seja quem pensar mal dessas coisas, diriam ironicamente os franceses. No entanto, em se tratando de absurdos, jamais diga que já viu ou ouviu tudo. Mesmo sendo um adepto fanático dos filmes do diretor de “A Bela da Tarde ou um habitante da Bahia dos “maiores absurdos”, no dizer do lendário ex-governador Otávio Mangabeira, atualmente lembrado na placa que dá nome ao estádio da Fonte Nova, em Salvador.

Honraria dividida com a Cervejaria Itaipava, que, estranhamente, virou sócia do espaço sagrado do futebol baiano, depois da reconstrução da “arena” para a Copa do Mundo. Obra multimilionária entregue às empreiteiras Odebrecht e OAS, no governo petista de Jaques Wagner, atual ministro chefe da Casa Civil do enrolado Governo Dilma. Uma história de inúmeros detalhes ainda submersos, cuja panela fervente começou a ser destampada, com a revelação de parte do conteúdo das conversas gravadas no celular de Léo Pinheiro (então diretor presidente da OAS), atualmente preso e condenado no bojo da Lava Jato atacada duramente por Kakay e seus seguidores.

Quer mais? Então sigamos para uma parada em Paris, da surrealista entrevista de Kakay. Conversa estranha, às vezes desconexa nas arengas despropositadas e frases mal alinhavadas (como é próprio dos anos de mando petista e de seus parceiros). Aparentemente surgida do nada, ou mais provavelmente fruto de alguma situação conjuntural, objetiva e factual, ainda a ser revelada em seus escuros bastidores e desvãos. Talvez caso de desespero profissional, político ou de imensos e insondáveis interesses financeiros ameaçados.

O fato é que a entrevista e a “Carta Aberta” são peças de virulenta hostilidade contra representantes da lei, da justiça e do poder público, considerados ética, técnica e profissional exemplares pela sociedade brasileira. Fala e escrito recheados de tiradas maliciosas, suposições condenáveis, afirmativas inverídicas ou com as marcas venenosas das meias verdades. Sem falar no escandaloso e quase infantil exibicionismo de tola vaidade pessoal.

Kakay se jacta de episódio do qual foi protagonista recentemente, no Rio de Janeiro, enquanto bebia com amigos no restaurante carioca Jobi, no bairro do Leblon. Diz que se surpreendeu na hora da conta: “Estava paga por um grupo de 10 dez amigos que me disseram “olha só você faz um enfrentamento contra esse povo aí da Lava jato”. O enfoque central da entrevista e do “manifesto” falseia fatos, ao afirmar que o Brasil vive, “sem a menor dúvida,” um momento de “criminalização da riqueza”, em que “a Justiça tenta, a qualquer custo, jogar a sociedade contra quem tem algum tipo de poder”. Nada, ou quase, sobre a corrupção e os poderosos – apanhados em fraudes, arranjos criminosos e roubal heira da grossa – já investigados, presos e condenados com a agilidade e severidade que os crimes praticados exigem. Afinal, a lei existe para todos e não só para ladrões de galinha.

A BBC pergunta ao criminalista se todos os seus clientes são inocentes, e ele não se acanha na resposta: “Não tenho a menor dúvida. Estão todos soltos e por isso estou aqui em Paris”. Chega! Quem quiser mais consulte a BBC Brasil e os jornais e meios onde saíram entrevista e manifesto. Chega! Fico por aqui, porque o resto é ainda mais insultuoso e impróprio para menores. Além disso, tenho a incômoda sensação de que os ratos de rabo cortado, de que fala Buñuel, começam a ficar impacientes nas montanhas do México, a caminho do Brasil.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta.E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

BOM DIA!!!

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Ministro virtual

Depois de sumir de solenidades públicas e ser captado por trás das vidraças do Planalto naquelas tomadas que as televisões fazem a quilômetros, o ministro Jaques Wagner reapareceu… no tweeter!

Não respondendo a algumas perguntas que a imprensa especializada tem a lhe fazer, mas para transitar sobre a dissimulação. “Mente quem afirma” que ele esteja sob investigação, escreveu, com jeito de indignado, valendo-se de não estar mesmo sendo investigado.

Se alguém o afirmou, não é essa a questão, e sim o fato de o ex-governador da Bahia ter sido flagrado num terreno que o desabona no campo da ética, ainda que não tenha – se assim for – cometido um crime.

D

jan
16
Posted on 16-01-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-01-2016


Gabriel Renner, no jornal Zero Hora (RS)


DO EL PAIS

SANDRO POZZI

De Nova York BRST

O Walmart, a maior rede de hipermercados no mundo, vai fechar suas lojas menos rentáveis para se adaptar à nova realidade do comércio. A medida afetará um total de 269 unidades em todo o mundo. A maior parte do ajuste em sua rede de lojas afetará os Estados Unidos, com o fechamento de 154 unidades. O resto será no mercado internacional, especialmente na América Latina.

A estratégia é concentrar-se nos grandes hipermercados e nas lojas pequenas que também podem ser usadas como centros de distribuição de compras feitas pela Internet. O ajuste afetará 16.000 empregados, dos quais 10.000 trabalham nos EUA. O Walmart já está em processo de fechamento de lojas no Brasil, onde seu negócio está sob intensa pressão por causa da recessão e do efeito da taxa de câmbio.

O Walmart opera 11.600 lojas em todo o mundo, das quais 4.600 estão nos EUA. O impacto do anúncio, por conseguinte, representa menos de 1% da área total e do faturamento. No mercado norte-americano, atinge 3%. As 60 lojas que foram fechadas no Brasil representam 5% das vendas nesse mercado. A estas se somam 55 lojas, em sua maioria pequenas, em outros mercados da América Latina que o CEO não especificou.

“A gestão ativa desses ativos é essencial para a saúde da empresa”, explica McMillon, “por isso o fechamento das lojas é necessário”. O executivo já antecipou em outubro que estava cogitando como redistribuir a rede de lojas para alinhá-la à nova estratégia. 95% dos estabelecimentos que serão fechados nos EUA estão a 15 quilômetros de outra unidade do Walmart que continuará aberta. Além disso, a empresa espera abrir mais de 300 novas lojas.

“Vamos continuar crescendo por sermos muito disciplinados”, disse ele na apresentação do ajuste. A multinacional controlada pelos herdeiros de Sam Walton terminou o último exercício como a empresa com o pior desempenho do S&P 500, com uma redução de quase um terço do seu valor. Um desempenho que contrastou com a Amazon, que duplicou a sua capitalização na Bolsa. O Walmart, de fato, está no meio de uma complexa transição para se modernizar.

O Walmart é a maior corporação do Fortune 500, com vendas que nos primeiros meses de 2015 rondaram os 354,1 bilhões de dólares (cerca de 1,4 trilhão de reais). Um quarto das vendas é feita fora dos EUA. Durante os últimos dois anos, a empresa reformou lojas e passou a oferecer produtos de qualidade em seus supermercados para atrair um público com renda mais alta. Também aumentou o salário mínimo dos empregados.

Não é a única rede comercial nos EUA que está reavaliando sua carteira de lojas para se concentrar em estabelecimentos mais rentáveis, o que está repercutindo nos grandes centros comerciais, que os usam como âncora para atrair clientes. As lojas de departamento Macy’s anunciaram nesta semana que fecharão mais 36 lojas. A Sears também considera fechamentos adicionais.

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