DO EL PAIS

Marina Rossi

O Movimento Passe Livre, que reivindica o transporte gratuito e esteve na origem das manifestações históricas de 2013, voltaram às ruas nesta terça-feira em São Paulo para protestar contra a última alta das tarifas de transporte público na cidade, de 3,50 para 3,80 reais. Tudo aponta que os militantes do MPL buscam maneiras para ampliar e endurecer suas táticas, incluindo bloqueios temporários de ruas estratégicas, para tentar impedir que a mobilização se esvazie sem alcançar a meta de revogar o aumento, como aconteceu no ano passado.

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Se a primeira manifestação contra o reajuste, na última sexta, seguiu o mesmo roteiro do ano passado – início sem distúrbios, envolvimento de black blocs e repressão policial -, uma nova estratégia surge agora para endurecer o movimento. Desde a semana passada, o MPL vem incentivando e organizando trancamentos, que consistem em fechar vias e terminais de ônibus, impedindo a passagem dos carros, por determinado tempo. O mesmo recurso foi usado pelos estudantes secundaristas no ano passado, quando perceberam que somente ocupar as escolas não estava tendo efeito esperado contra a reorganização proposta pelo Governo Alckmin (PSDB), que fecharia ao menos 92 colégios. Os secundaristas partiram então para levar cadeiras das salas de aula para bloquear vias importantes da cidade.

O primeiro trancamento ligado à mobilização contra a tarifa ocorreu na sexta-feira passada, pela manhã no Terminal Lapa, na zona oeste. Nesta segunda-feira, a ação foi repetida: o Terminal Bandeira, no centro, e o Pinheiros, na zona oeste, ficaram trancados por um tempo durante a manhã. Nesta terça-feira foi a vez do Terminal Santo Amaro, na zona sul. O trânsito ao redor ficou completamente travado para carros e ônibus, que não podiam entrar e nem sair dos terminais. A polícia não reprimiu e, após um tempo de bloqueio, os manifestantes liberaram as vias.

Apesar de divulgar e incentivar essas ações, o MPL não quer para si a responsabilidade pelos bloqueios. Por isso, tem convidado simpatizantes locais a realizar bloqueios perto da área onde vivem. A discrição ocorre por questões “táticas” e de “segurança”, dizem eles. Outro motivo é conceitual: a palavra “liderança” é repelida pelo MPL, que se diz um movimento horizontal, sem líderes. Um dos índices dessa estratégia de se posicionar como protagonista está na página no Facebook do MPL, que permanece sem atualização alguma desde o dia 19 de dezembro como se nada estivesse acontecendo.

Haddad e ano eleitoral

No front político, o prefeito Fernando Haddad se vê mais sozinho em sua decisão pelo aumento do que em 2015. No ano passado, após o primeiro ato do MPL contra o reajuste, o petista convocou membros da Juventude do PT para conversar sobre transporte público e o aumento, na época, de 3 para 3,50 reais. O MPL não foi convidado. A ideia era tentar enfraquecer a mobilização do Passe Livre atraindo integrantes da juventude e grupos ligados ao partido, como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Estadual dos Estudantes (UEE).

Neste ano, a reportagem apurou que mesmo dentro da Prefeitura, entre os mais próximos ao prefeito, há muitos que encaram a medida, que Haddad diz ser inadiável, como “suicídio eleitoral” para o petista, que deve buscar reeleição em meio a baixos níveis de popularidade. Até a CUT, tradicionalmente alinhada ao PT, publicou uma nota em seu site apoiando as manifestações contra o reajuste, que também ocorreu para trens e metrô, sob comando do Governo Geraldo Alckmin (PSDB). A UBES, UNE e UEE estavam presentes no ato de sexta.

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