DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIZ AUGUSTO GOMES)

Biombo de notas não esconde Wagner

A imprevidência do ministro Jaques Wagner talvez não esteja tanto na sua ida para a Casa Civil quanto na reação ao ter apontadas as relações perigosas mantidas com o empresário Léo Pinheiro, condenado a 16 anos com base no processo da Operação Lava-Jato.

Do ser falante sobre cujos ombros se pôs o destino do governo Dilma Rousseff, do homem que derramava sobre repórteres os conceitos que norteariam o reequilíbrio político e a retomada da atividade econômica, resta alguém que, sob graves acusações, esconde-se atrás de notas.

Dizer, como tem feito, que não responde às denúncias por desconhecer os termos das citações de seu nome, simplesmente, não convence. Seria preciso repudiar com veemência e clareza, diretamente, o que está nos jornais – do recebimento de propina ao tráfico de influência.

Vale realçar que não é de agora o comportamento do ex-governador da Bahia quanto à Lava-Jato, no mínimo, estranho para uma autoridade da República, como em março, quando afirmou que “daqui a pouco muita gente vai dizer pra acabar logo essa investigação que o país precisa voltar à normalidade”.

Afora o fato de que ele foi o primeiro e único a fazer tal abordagem, seria bom saber que tipo de normalidade desejava o então ministro da Defesa para o Brasil – certamente não é este em que se desvia dinheiro público e se sacrifica o patrimônio nacional para abastecer pessoas e campanhas eleitorais.

Da “máquina eleitoral” ao tacho de melado

Parece consensual que, ao chegar à Casa Civil, Wagner vislumbrou, para futuro mais adiante ou, talvez, quase imediato, a possibilidade de credenciar-se no PT como candidato a presidente da República.

Era algo com que sonhava há muito tempo, até mesmo na colocação que fazia de si mesmo na estrutura partidária, fora das múltiplas “tendências” internas, embora se posicionasse de fato ao lado da majoritária CNB, de Lula e Dirceu.

Mas essa será uma unidade difícil de ser conquistada em torno de seu nome, não por causa das denúncias, e sim em razão da ira interna que provocou com a estratégia do “PT lambuzado”.

O ex-ministro Tarso Genro acha que Wagner “deveria ser menos metafórico e mais politizado nas declarações”. Genro é da corrente Mensagem ao Partido, a segunda maior, que há pouco mais de três anos, no auge do julgamento do mensalão, propôs a “refundação” do PT.

Agora, é o ex-ministro Patrus Ananias quem lança a ideia de “o partido fazer uma reavaliação, um exame de consciência, uma autocrítica construtiva”. Patrus usou palavras incisivas, enquanto Wagner, solertemente, debitou o quadro ao “uso de metodologias do passado”.

A afirmação mais esclarecedora sobre o caráter de Wagner, no entanto, coube a Valter Pomar, líder da “tendência” Articulação de Esquerda. Lembrou que num encontro nacional, em 1998, foi justamente ele a dizer que o PT “tinha que aprender a ser uma grande máquina eleitoral” – essa mesma na qual está “lambuzado”.

O futuro dirá

Wagner também disse, no passado, sobre o escândalo da Petrobras: “Não sei qual é a dimensão nem a quem atinge”.

Como a lista continua crescendo, podemos todos dizer em uníssono: “Nem nós!”

Blindagem geral

O termo “blindagem” voltou à ordem do dia. Vão tentar “blindar” o homem a quem cabia “blindar” Dilma.

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