DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Lewandowski para presidente

Se, em algum desvão que ainda não está muito claro nesse tenebroso labirinto, for o caso de depor a presidente Dilma Rousseff, que se o faça, mas antes é indispensável que sejam também cassados o vice-presidente Michel Temer, seu aliado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e, claro, o presidente do Senado, Renan Calheiros.

Estaria assim quebrada quase toda a cadeia sucessória presidencial, restando-lhe apenas, como uma espécie de elo perdido, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, nome certamente menos suspeito que os demais para conduzir, em 90 dias, nova eleição direta de presidente da República.

Essas considerações não vêm à toa. Fazem-se necessárias para a abordagem do mais expressivo fato dos últimos dias: as declarações do ministro Jaques Wagner, que de tão envolventes são capazes de convencer o público nacional, que ainda não o conhece – mesmo o da imprensa –, apesar de sua antiga participação na cena nacional.

Recorde-se que, além da recente passagem pelo Ministério da Defesa, Wagner já foi ministro do Trabalho e das Relações Institucionais – quando se gaba de ter sido fiel a Lula no escândalo do mensalão, sem tê-lo advertido para as reformas e providências cuja necessidade justamente agora consegue enxergar.

Jaques Wagner para presidente

Esquecido do passado silencioso, Wagner aproveita a súbita ribalta à qual foi alçado por falta de opções para exercer uma qualidade na qual é muito bom: a conversa melíflua Mas são palavras que não resistem à mais simples análise.

Sobre os efeitos da Operação Lava-Jato, atribui-os não ao esquema de corrupção montado na Petrobras pelo PT e os aliados PMDB e PP, mas ao financiamento privado de campanhas eleitorais, que chama de “ferramentas que já eram usadas”, embora as falcatruas correspondam apenas ao período de seu partido no poder.

Os “métodos de exercício da política” que hoje condena foram plenamente utilizados por mais de dez anos, inclusive nas duas vezes em que se elegeu governador da Bahia e fez o sucessor, sem que visse, então, os defeitos que passou a abjurar depois de entornado o caldeirão.

Wagner, em reverberante entrevista, reconheceu a impopularidade de Dilma, a impossibilidade de retomada do crescimento em 2016 e, ainda, que o PT “se lambuzou no melado”. Como o ente masculino do poema, falou “a verdade”, que “é seu dom de iludir“.

Visivelmente, tenta descolar-se de uma realidade em que está mergulhado há décadas, pensando, diante do caso quase perdido em que se encontra, em fazer o contraponto e erguer-se dos escombros como o nome que sobrou para 2018.

jan
06
Posted on 06-01-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-01-2016


Miguel, no Jornal do Comércio (PE)

jan
06

DO EL PAÍS

Rodolfo Borges

De São Paulo

Em 2015, Dilma Rousseff amargou a deflagração de um pedido de impeachment na Câmara, um desentendimento público com seu vice-presidente, a demissão de um ministro da Fazenda e sua menor taxa de aprovação em cinco anos. Após um ano como esse, de caos e imobilidade, os quase dois meses de recesso no Congresso Nacional, quando os parlamentares não têm sessões nem a Justiça trabalha, chegam em tom de trégua e alívio na guerra política, represada até o mês que vem. É por isso que a gestão do PT pretende aproveitar essa janela de calmaria em Brasília para apresentar um plano de estímulo econômico, capaz de dar algum impulso à economia que enfrenta sua pior recessão em ao menos 25 anos, mas sem esquecer a promessa de ajuste, que deve envolver mudanças nas regras de pensões, impostos e leis trabalhistas.

Na esperança de destravar a economia enquanto não precisa domar a própria base no parlamento, Dilma prepara um plano para apresentar no fim do mês ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, mais conhecido por Conselhão, o grupo composto por líderes empresariais e sindicais criado por seu antecessor e esquecido pela presidenta desde julho de 2014. A ideia é apresentar uma agenda pós-ajuste fiscal — ainda que o Governo não tenha conseguido finalizá-lo em 2015 — e incluir no pacote medidas com ao menos verniz de reformas estruturais. É com essa agenda que o substituto de Joaquim Levy na Fazenda, Nelson Barbosa, parte para o Fórum Econômico Mundial, em Davos, no próximo dia 20.

Caberá a Barbosa convencer os investidores estrangeiros, como já tentou sem muito sucesso no dia de sua posse, de que, apesar de sua proximidade com Dilma, pretende dar continuidade à política de ajuste conduzida a duras penas por seu antecessor. A tarefa é dupla: foi incumbido também de promover a retomada do crescimento em um país cuja economia deve encolher mais de 2% pelo segundo ano consecutivo.

Segundo o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, a equipe econômica pretende retomar a confiança de trabalhadores, empresários e de investidores estrangeiros, mas “não estamos mais em tempo de pacotes”. “Não tem coelho na cartola”, disse a jornalistas nesta quarta-feira, em Brasília, o ministro, destacando que o Governo vai “buscar o equilíbrio macroeconômico, o equilíbrio fiscal, abrindo trilhas para uma retomada do crescimento”.

A missão econômica do Planalto é multifacetada e tem de disputar espaço na agenda com a crise política e com os interesses do ano eleitoral. O Governo tentará retomar, a partir de fevereiro, a batalha para aprovar a indigesta CPMF, mas para isso depende de dois apoios frágeis: o do PMDB, até agora principal aliado do Governo, que realiza em março a convenção que pode selar seu desembarque da gestão Dilma Rousseff, e o do próprio PT.

A tentativa de reaproximação com os peemedebistas, em particular o vice-presidente Michel Temer, está sendo capitaneada por Jaques Wagner. É dos nomes do PMDB que depende a prova de fogo mais elementar, a do impeachment, cujos capítulos também voltam a se desenrolar em fevereiro. Enquanto tenta colocar seu Governo de pé — o que pode exigir algumas concessões à agenda liberal apresentada recentemente pelo vice Temer —, a presidenta Dilma sofre pressões do PT por uma agenda econômica mais progressista, ou pelo menos algo capaz de amenizar o impacto das derrotas que os petistas devem sofrer nas urnas em outubro, devido ao desgaste do partido.

Uma mostra da resistência na legenda da presidenta apareceu nesta terça-feira. O senador Paulo Paim (PT), que, a exemplo do que fizeram colegas de partido, ameaça deixar a sigla, divulgou uma nota para criticar os planos de reforma trabalhista e da previdência anunciados pelo Governo, que classificou como “barbárie”, e convocou uma mobilização popular. “Propor a idade mínima de 65 anos para efeito de aposentadoria para homens e mulheres, desvincular o salário mínimo dos benefícios previdenciários, querer aprovar projetos como o da ‘terceirização’, que não respeita a atividade-fim, e, ainda o famigerado ‘negociado sobre o legislado’, que permite que a negociação prevaleça, desrespeitando a lei, nem a ditadura e os liberais do passado o fizeram”, critica Paim. O senador promete convocar audiência pública sobre o assunto na Comissão de Direitos Humanos, presidida por ele, na primeira semana de trabalho do ano.
Incertezas

Ainda que faça todos os cálculos e movimentos corretos, contudo, o Governo seguirá 2016 assombrado pela Operação Lava Jato, que mudou o tabuleiro político mais de uma vez em 2015 — na jogada mais decisiva, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), rompeu com o Palácio do Planalto após ser atingido em cheio pelas investigações. Para este ano, a maior expectativa recai sobre a forma como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), hoje o grande fiador da presidenta no Congresso, será afetado pela operação, e de que maneira reagirá em caso de revés.

Não por acaso, a consultoria Eurasia pôs o Brasil entre os dez maiores riscos globais do ano, ao lado de Arábia Saudita, China, Turquia e Estado Islâmico. Os analistas da Eurasia consideram que, apesar das pressões e do tumultuado processo iniciado na Câmara e paralisado após intervenção do Supremo Tribunal Federal, Dilma escapa do impeachment, mas que o Governo seguirá sem força para implementar as reformas necessárias para ajustar suas contas — o mesmo deve ocorrer, segundo a consultoria, em um possível Governo Temer.

O quadro não parece muito animador, mas economistas ligados ao PT se esforçam para construir uma narrativa mais otimista. Em nota distribuída pela agência de notícias do PT, Marcio Pochmann, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e presidente do IPEA, o principal órgão de pesquisa econômica do Governo, na gestão Lula, diz que”o quadro é difícil”, mas que consegue enxergar “um horizonte do ponto de vista econômico para a recuperação”.

Pochmann prevê “um ano de menor inflação, de menor queda do PIB, um ano de maior expansão das exportações em relação às importações, um ano de contas públicas equilibradas”. Para o economista, “2016 será o ano em que o Brasil estará melhor preparado para poder retomar a recuperação econômica”. Pelo histórico, é difícil acreditar que 2016 será pior que 2015 para o Governo Dilma, mas o que o Planalto conseguirá fazer a partir dessa constatação é uma questão que começa a ser respondida em fevereiro, quando a crise política romper a represa.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Muito barulho por nada

Michel Temer fala. Dilma Rousseff fala. Lula fala. Eduardo Cunha fala. Jaques Wagner fala.

Mas quem vai decidir o que acontece com todos eles é a Lava Jato.

BOA TARDE DE REIS!!! TODOS A LAPINHA E À LIBERDADE PARA VER O TERNO PASSAR. E CANTAR COM O PASTORIL.

BOA TARDE DE REIS

(Vitor Hugo Soares)

jan
06
Posted on 06-01-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-01-2016


Aroeira, no jornal O Dia (RJ)

jan
06

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIZ AUGUSTO GOMES)

Deu soma zero na equação do “impeachment”

Não se poderia esperar exemplo de altruísmo de lado nenhum da política brasileira, e por isso não é surpresa que PSDB e PMDB não tenham conseguido se entender sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Os tucanos, que já não contavam com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, mais interessado em que tudo fique como está para disputar a presidência em 2018, concluíram que entregar o poder ao vice Michel Temer seria pior ainda para seus planos.

Para eles, só interessaria uma cassação da chapa inteira pelo TSE, o que propiciaria novas eleições no prazo de 90 dias. Mas aí é o PMDB, sem candidato e um tanto desmoralizado como legenda, que não quer nem pensar no assunto.

de Te

Os Cariocas,”Eu Te Amo”, de Chico Buarque e Tom Jobim, tocando ( e cantando ) o coração!

BOM DIA!!!

jan
06

DO EL PAIS

Ewald Scharfenberg

De Caracas

Pouco antes das 13h30 de terça-feira, em Caracas, Henry Ramos Allup, dirigente do partido Ação Democrática (AD), prestou juramento a si mesmo –depois de ser eleito com os votos da maioria oposicionista– como novo presidente Assembleia Nacional venezuelana. Assim começou uma nova era política na Venezuela, uma dimensão desconhecida na qual um Parlamento com maioria de dois terços da oposição se prepara para desafiar o debilitado Governo de Nicolás Maduro. Allup disse que em seis meses a Assembleia implementará um mecanismo “para mudar o Governo”.

Poucos minutos depois da posse de Allup viu-se a primeira demonstração de ódio que, se espera, dominará as sessões do legislativo a partir de agora. O resto da mesa da Assembleia –que inclui o democrata-cristão Enrique Márquez como primeiro vice-presidente e Simón Calzadilla, do Movimento Progressista, de centro-esquerda– prestou juramento entre vaias e assobios da bancada revolucionária e seus apoiadores. O chefe desse bloco, o ex-ministro da Educação e deputado Héctor Rodríguez, apresentou constantes moções de ordem a Ramos Allup. No final, os representantes chavistas abandonaram o plenário em protesto contra o que consideraram violações do regimento interno da Assembleia.

O que exasperou os deputados situacionistas foi a intervenção do chefe da bancada da oposição, Julio Borges, do partido Primero Justicia (PJ), na qual mencionou como primeira tarefa da agenda parlamentar a adoção de uma Lei de Anistia e Reconciliação Nacional para beneficiar quase centena de presos políticos. De acordo com a facção pró-governo, uma intervenção desse tipo não tinha lugar em uma sessão inaugural.

Ramos Allup, que lamentou a deserção dos deputados chavistas, também fez o que parece ser a maior e mais explícita advertência contra o regime: afirmou que no prazo de seis meses a Assembleia implementará um mecanismo “para mudar o Governo”.

O dirigente socialdemocrata chegou à presidência da casa, como foi registrado, com 109 votos do bloco de oposição e não os 112 oficiais que constituem a maioria de dois terços dos assentos, de um total de 167. Assim foram notados os efeitos da medida cautelar concedida na semana passada pelo Supremo Tribunal de Justiça para suspender a posse dos deputados eleitos pelo Estado de Amazonas –três da oposição e um da situação–, em resposta aos recursos de impugnação interpostos pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), situacionista, contra os resultados das eleições parlamentares de 6 de dezembro em três circunscrições regionais.

O Supremo Tribunal ainda está estudando o mérito da questão. Se decidir a favor das impugnações introduzidas pelo chavismo, poderia determinar a repetição das eleições nas circunscrições eleitorais afetadas, onde a oposição fez nove deputados em 6 de dezembro, contra apenas um da situação.

Em meio às tensões, no entanto, conseguiu-se na terça-feira a conformação do Parlamento, um processo que parecia incerto até a véspera pelas ameaças de confrontos e violência de rua.

Tanto o Governo como a oposição convocaram seus militantes a tomar as ruas do centro de Caracas para apoiar suas respectivas bancadas. Os chamamentos prometiam criar o caldo de cultura para uma batalha campal.

No entanto, horas antes da cerimônia o presidente Nicolás Maduro pediu a seus seguidores que permitissem a constituição “tranquila e em paz” da Assembleia Nacional, e às Forças Armadas que garantissem a ordem durante a sessão de abertura do Parlamento. O pedido explícito de Maduro na véspera da cerimônia, transmitida por redes nacionais de rádio e televisão, desativou o potencial conflito.

O presidente Maduro anunciou que tinha entrado em acordo com as autoridades militares para limitar a mobilização dos simpatizantes do chavismo a uma área a oeste do palácio presidencial de Miraflores, enquanto foi reservada à oposição a área a leste da Assembleia Nacional. “Se vocês querem se mobilizar, podem fazer isso em paz”, disse aos manifestantes da oposição, que, por causa de incidentes, desde fevereiro de 2014 estavam proibidos de marchar no município de Libertador, da área metropolitana, correspondente ao centro-oeste- da capital. “Se quiserem sair, podem fazê-lo num perímetro estudado, com espaço suficiente para que o caminho até a Assembleia não fique obstruído, sempre que seja em paz”.

As ruas do centro de Caracas amanheceram tomadas por efetivos militares e tropas de choque. As forças de segurança organizaram três barreiras a serem atravessadas para ter acesso ao Palácio Federal Legislativo, sede da Assembleia Nacional.

As previsões não impediram alguns surtos de violência nos arredores. Repórteres dos veículos de comunicação digital El Pitazo e La Patilla foram agredidos. Na região de La Hoyada, membros dos grupos chavistas incendiaram bandeiras do Primero Justicia.
Uma sessão histórica

A jornada parlamentar não foi presidida por dois enormes retratos: um de Hugo Chávez e outro do rosto reconstituído de Simón Bolívar.

O governador do Estado de Miranda e duas vezes candidato presidencial de oposição, Henrique Capriles Radonski, esteve no recinto pela primeira vez desde 1999.

A ex-deputada da oposição María Corina Machado pôde participar de um evento na Assembleia Nacional desde que foi proibida de entrar em abril de 2014.

A Assembleia Nacional é dirigida de forma inédita por um político não chavista. Desde as marchas de protesto de fevereiro de 2014 não era permitido que manifestantes da oposição marchassem no centro de Caracas.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

MP da leniência salva financiadores, diz procurador

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, membro da força-tarefa da Lava Jato, falou ao Valor sobre a MP da leniência editada por Dilma Rousseff.

Para Lima, o texto deixa claro que “não é do interesse do governo que o combate à corrupção avance sobre o sistema de poder econômico que sustenta a atividade político-partidária atual”.

Ele disse também o seguinte:

“O Poder Executivo não só manietou a CGU, colocando-a sob o tacão da AGU, como também avisou todos os agentes econômicos que, caso necessário, o governo federal fará tantas mudanças legislativas quanto necessárias para manter tudo como dantes”.

“A pretensão verdadeira do governo, sob o ‘nonsense’ de dizer que não se deve punir as empresas, mas sim os seus dirigentes apenas, é exclusivamente a de salvar o capital dos estimados financiadores das caríssimas campanhas eleitorais.”

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