A antológica música de Dorival Caymmi voa da Bahia para a Califórnia. Vai dedicada à querida, inteligente e antenada Cloe Sorensen, que de férias da Universidade de Santa Bárbara (CA) visitou Salvador recentemente.

E ficou surpreendida e alegremente encantada, ao ver o tio avô cantar na sala do apartamento (presentes a mãe Gabee, a tia Margarida, o avô Oscar e a amiga Saraya) a deliciosa música de seu Dorival.

Com beijos, saudades e gratas recordações.

BOA TARDE!!!

(Hugo e Margarida)

jan
31

DO ESTADÃO

Ricardo Galhardo – O Estado de S. Paulo

Desgastado pelo cerco do Ministério Público, Lula considera que só um sucesso da atual gestão poderá minimizar danos causados à sua imagem

Um aspecto curioso chamou a atenção de pessoas que conversaram com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última semana. Embora tenha entrado na mira da Operação Lava Jato e do Ministério Público Estadual por causa de um apartamento tríplex no Guarujá, Lula só falava de economia, principalmente das expectativas quanto à reunião da presidente Dilma Rousseff com o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, realizada na quinta-feira.

A alguns destes interlocutores Lula explicou o motivo da fixação com a economia. Ciente dos danos que as suspeitas de envolvimento com empresas investigadas na Lava Jato têm causado à sua imagem, o petista só vê chance de recuperar a reputação em curto ou médio prazo se Dilma corrigir o rumo da economia e chegar ao fim de seu mandato com índices razoáveis de aprovação. Nas palavras de um aliado, “Lula agora está nas mãos da Dilma”.

O entorno de Lula avalia que tanto o ex-presidente quanto o PT estão de mãos atadas diante da ofensiva da Lava Jato e do MP paulista contra o petista. A decisão de abrir mão do tríplex no Guarujá seguiu orientações jurídicas e, no entender de assessores do ex-presidente, é absolutamente legal.

O PT, por sua vez, não pode fazer mais do que manifestar publicamente solidariedade ao ex-presidente diante do que considera como “agressões”, mas não tem poder real para interferir no processo. Na reunião da Executiva do partido na última terça-feira, em Brasília, um grupo de dirigentes defendeu uma resolução política que trouxesse uma defesa explícita de Lula, mas o próprio ex-presidente abriu mão. O desagravo deve ficar para o aniversário do PT, nos dias 26 e 27 de fevereiro, no Rio de Janeiro.

Aliados ofereceram a Lula uma série de alternativas de defesa que passavam de alguma forma pelo Palácio do Planalto. Lula recusou. Segundo pessoas próximas, ele sabe que Dilma vê na Lava Jato a possibilidade de deixar uma marca positiva de seu governo e não está disposto a cruzar esta fronteira.

Embora tentem passar uma impressão de segurança jurídica em relação ao apartamento do Guarujá, auxiliares do ex-presidente começaram a dar sinais de dúvida na última semana. Aqueles que até a semana passada classificavam as acusações contra Lula de tentativas de criminalizá-lo politicamente hoje usam a expressão “criminalização jurídica”.

Aliados de Lula empenhados em reverter a situação esbarram em outra barreira: tanto o apartamento do Guarujá quanto o sítio usado pelo petista em Atibaia, cuja reforma teria sido paga pela Odebrecht, são assuntos estritamente pessoais, que nada têm a ver com questões partidárias ou governamentais como foi, por exemplo, o mensalão. Isso aumenta a dificuldade para abordar os temas.

Zelotes

Esse ponto fica ainda mais complicado quando se trata das investigações da Operação Zelotes contra Luís Cláudio, filho caçula do petista, cuja empresa, a LFT Marketing Esportivo, recebeu R$ 2,5 milhões da Marcondes & Mautoni, empresa investigada por fazer lobby pela suposta compra de uma medida provisória no governo Lula.

O ex-presidente evita o assunto até com auxiliares mais próximos e poucos ousam questioná-lo sobre o tema. No PT, prevalece a versão de que Lula não sabia do contrato e entregou o filho à própria sorte.

Recentemente, um aliado próximo de Lula esteve com Mauro Marcondes, dono da Marcondes & Mautoni, para levantar informações. O empresário garantiu que jamais conversou com o ex-presidente sobre a contratação da empresa de Luís Cláudio.

Mesmo assim, a legião de políticos que gravita em torno de Lula se sente “no escuro” e imobilizada enquanto vê o cerco se fechar em torno do principal símbolo do PT.

Pesquisas internas do partido deixam clara a erosão provocada pelas denúncias na imagem de Lula. Mas também mostram que frases infelizes do ex-presidente como “não tem uma viva alma mais honesta do que eu” e, principalmente, o mau desempenho do governo Dilma Rousseff têm efeito igual ou pior do que as denúncias.

Apesar da avalanche de acusações, o entorno de Lula mantém a confiança de que, ao cabo das investigações, o petista sairá limpo. Com isso, parte da erosão seria estancada.

O mesmo otimismo não se repete quanto ao governo. Lula e boa parte do PT admitem em conversas reservadas que Dilma não “aprendeu a governar” e ainda age como ministra.

Por isso a fixação do ex-presidente com a reunião do Conselhão de quinta-feira. Para Lula, seria a chance de Dilma para dar uma guinada na política econômica e aproveitar o arrefecimento do pedido de impeachment para tirar o governo do atoleiro e chegar a 2018 em condições de permitir a Lula possibilidades de voltar ao Palácio do Planalto. Em conversa recente, o petista teria dito a Dilma que ela “precisa ser a presidente, e não a ministra”.


DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

O Carnaval é a cura para todos os males

Ao anúncio do secretário da Fazenda, Manoel Vitório, de que o reajuste salarial será zero em 2016, os “representantes” do funcionalismo ameaçam com a convocação da “mesa central de negociação”, peça do mobiliário político-sindical cujos efeitos não passam do terreno da demagogia.

“Alimentos, remédios, combustível, escola particular, plano de saúde, energia” – descobrem agora os luminares da Fetrab – sofrem aumentos com a inflação e “incertezas” na economia. Estão “apreensivos”, porque, se alguma compensação haverá, só na próxima data-base, daqui a um ano, se for o caso.

Interessante é como reagem “as entidades” diante de quadro tão tenebroso: depois do “protesto no cortejo do Bonfim”, articulam “nova manifestação para a segunda de carnaval, durante a saída do bloco popular Mudança do Garcia”.

Wagner ensaia retorno à ribalta

Enquanto isso, o ministro Jaques Wagner deu as caras e, claro, foi cercado pela imprensa. A notícia diz que ele “declarou” e coisa e tal, mas o correto seria informar que ele “reapareceu”, aproveitando a origem judaica para “prestigiar” um ato em memória das vítimas do holocausto.

Sem saída, usou o escândalo do dia para isentar-se de si mesmo e defender o ex-presidente Lula, personalidade absolutamente inocente da República, acusado na história do tríplex porque é um “objeto de desejo” da oposição. “Ele já disse que o apartamento não é dele”, argumentou, singelamente, o ex-governador da Bahia.

Foi um inteligente aquecimento após semanas de sumiço, pois lhe conferiu certa naturalidade para comparecer à reunião do “conselhão” e, mais que isso, discursar em primeiro lugar.

Foram, como de hábito, palavras vazias, em que ninguém jamais acreditou pelo conteúdo e, agora, mais ainda, pela credibilidade do autor. Mas ninguém perde por esperar. A vida real vai recomeçar com o fim do recesso do Congresso

Tony Bennett & Bill Evans, voz e piano na medida para uma lua cheia!!!

BOM DOMINGO!!!

(Gilson Nogueira)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Goleada argentina

De acordo com pesquisa do Instituto Paraná, apenas 15,5% dos brasileiros confiam em Dilma para conduzir o Brasil rumo à estabilidade econômica. Na Argentina, diz o Instituto Poliarquia, o governo Macri conta com a confiança de 62,8% da população.

Uma goleada.

jan
31
Posted on 31-01-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-01-2016


Aroeira, no jornal O Dia (RJ)

jan
31


Neymar, na festa da Bola de Ouro 2016 MICHAEL BUHOLZER AFP

DO EL PAIS

O atacante Neymar foi denunciado pelo Ministério Público Federal pelos crimes de sonegação fiscal e falsidade ideológica em negociações com o Santos, em contratos de publicidade e na transferência para o Barcelona, em 2013. A informação é da revista Veja, que traz na edição deste sábado detalhes sobre a acusação. O pedido foi assinado pelo procurador-chefe do MPF de São Paulo, Thiago Lacerda Nobre. Também foram denunciados o pai do atleta, Neymar da Silva Santos, o atual presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, e o ex-mandatário do clube espanhol, Sandro Rosell. A Justiça analisará a denúncia nos próximos dias e pode transformar os citados em réus.

Segundo a Veja, há indícios de falsificação de contratos, em processos costurados para que o jogador recebesse dinheiro como pessoa jurídica e escapasse de pagar os 27,5% de impostos sobre pessoas físicas. Neymar e seu pai teriam criado empresas somente com o intuito de receber por elas o salário a que o atleta tinha direito no Santos e pagamentos por contratos de publicidade. Dessa forma, eles teriam conseguido abater mais de 50% de impostos. Em seis anos, três empresas foram abertas para realizar negócios em nome do atleta: a Neymar Sport e Marketing, a N & N Consultoria Esportiva e a N & N Administração de Bens. A denúncia aponta que nenhuma delas tinha “capacidade econômico-financeira, gerencial ou operacional” para administrar a carreira do craque, já que eram formadas por apenas dois funcionários, que trabalhavam como seguranças, e tinham como sócios o pai e a mãe de Neymar. Para o procurador, “fica muito claro que Neymar e seu pai constituíram as empresas com o único objetivo de receber por elas os valores dos contratos e assim pagar menos impostos”. Entre 2010 e 2013, o jogador recebeu 43,78 milhões de reais do Santos, mas somente 8,1 milhões entraram como salário. O resto foi pago pelo clube como ‘contrato de imagem’. Só em 2011, as empresas de Neymar fecharam contratos de publicidade que renderam quase 75 milhões de reais.

A negociação de Neymar com o Barcelona também consta na denúncia do MPF. Em 6 de setembro de 2011, o clube catalão fez um contrato com a N & N Consultoria e concedeu um ‘empréstimo’ de 10 milhões de euros para a empresa, que não tinha funcionários nem capital ativo. O dinheiro foi depositado no dia 15 de fevereiro do ano seguinte. Outros 30 milhões de euros também foram repassados à N & N em 2013 e 2014 como ‘indenização’. Para o MP, as operações eram “mera simulação” para esconder os 40 milhões de euros que Neymar recebeu como adiantamento para fechar com o Barcelona. Em depoimento ao procurado, o pai do jogador teria admitido que cobrou 10 milhões de euros adiantados para seu filho fechar com o clube espanhol.

Se no Brasil a situação começa a se complicar cada vez mais, na Espanha, o cerco também está se fechando para o jogador, seu pai e os dirigentes do Barcelona envolvidos na transferência de 2013.

Em janeiro, a Justiça espanhola intimou o brasileiro a depor, na condição de investigado, no caso que apura a suposta fraude no processo de transferência do Santos para o Barcelona. O juiz José de la Mata, da Audiência Nacional espanhola, atendeu um pedido do Ministério Público para intimar o atleta e outros envolvidos para que deponham nos dias 1º. e 2 de fevereiro sobre irregularidades na transação entre o time brasileiro e o espanhol. Além do atleta, serão ouvidos o pai dele, Bartomeu e Rosell. O camisa 11 do Barça foi convocado para depor no dia 2 de fevereiro às 10h (hora local espanhola) na sede da Audiência Nacional, principal órgão do Judiciário espanhol. Rosell e Bartomeu deverão comparecer ao local no dia anterior, às 10h e às 11h30, respectivamente. A Justiça também intimou representantes do FC Barcelona, do Santos, da empresa N&N Consultoria Esportiva e Empresarial e dois ex-dirigentes do Santos, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro e Odilio Rodrigues Filho. Também irá depor o vice-presidente financeiro do Barça, Javier Faus, mas na qualidade de testemunha.

CRÔNICA

A peleja de Rui x Neto no Carnaval da Bahia

Janio Ferreira Soares

Ano passado, em igual época momesca, escrevi um texto falando dos surpreendentes desempenhos do governador Rui Costa e do prefeito ACM Neto no Carnaval 2015, quando os dois travaram uma acirrada disputa para ver quem se saía melhor no quesito “eu nasci com o samba, no samba me criei e do danado do samba eu nunca me separei”. Na ocasião, dentro de suas aptidões físicas, o bom senso prevaleceu e graças a Omolu, Ogum, Oxum, Oxumaré – e todo pessoal que desceu pra ver Filhos de Gandhi -, eles navegaram somente por ritmos apropriados às suas habilidades pélvicas. Evoé, mestre Gil!

Num rápido resumo da querela, Neto, mais experiente na muvuca, preferiu se coligar com seu new brother Igor Kannário, enquanto Rui, numa sábia atitude retrô, elegeu o fricote do bom e velho Luiz Caldas e quase azunhou o carpete no embalo de “eu queria ser uma abelha pra pousar na sua flor” (qualquer dúvida, o You Tube taí). Resultado do primeiro round? Na minha modesta experiência de ex-passista de frevo parado e lenço molhado cravaria um empate técnico, já que o governador levou a melhor na escolha musical, ao tempo que o prefeito foi na mosca na sua intenção de enviar o seguinte recado à sua nova galera: “aí, do gueto, eu uso cabelo de ladinho e calça de sarja Lacoste, mas tô pro crime, papai!”. Corta pra 2016.

Faltando poucos dias pra começar a furupa, percebe-se no Corredor da Vitória, Lapinha, Caminho de Areia e demais bairros que compõem a canção, uma enorme expectativa de como será esse segundo confronto, cujo esquenta já começou com as recentes trocas de farpas a respeito dos cachês das atrações do último réveillon e dos artistas que desfilarão sem cordas, além de outras mumunhas. Sendo assim, nesses tempos de grana curta e ânimos mais exaltados que cordeiros mal pagos, tenho uma sugestão que poderá dar uma bela movimentada na festa e até, quem sabe, se transformar numa ótima alternativa para os sem condições de brincar num bloco ou curtir num desses camarotes que prometem que as noites vão ser boas e de tudo vai rolar, só que, no lugar do blues de BB King…. trá, trá, trá, trá. Simbora!

Nos mesmos moldes dos eventos de MMA, seria montado um octógono em frente às arquibancadas do Campo Grande e lá teríamos, não esses violentos combates cheios de sangue, mas uma saudável competição de dança entre Rui e Neto, que resolveriam ali, ó, na quebrança, quem seria o dono do pedaço. Antes, porém, um parêntese.

Como toda disputa que se preza, essa também teria algumas preliminares, e aqui já sugiro uma que iria agradar tanto ao folião quanto o leitor destas páginas, que seria o duelo entre o deputado Federal José Carlos Aleluia e o presidente do PT da Bahia, Everaldo Anunciação, que teriam uma oportunidade de ouro para resolver, na base do molejo, as contendas travadas quinzenalmente em artigos e réplicas neste quadrilátero de papel – onde letrinhas de distintas procedências diariamente se transformam em variadas opiniões. Ao grande combate.
Com certas regras instituídas para que a competição não vire um samba do político doido, ambos seriam obrigados a se vestir de acordo com a coreografia escolhida. Assim, caso Rui optasse por, sei lá, a Dança da Manivela, poderia ressuscitar aquele velho macacão sujo de graxa da época do Polo Petroquímico e faturar preciosos pontos. Do mesmo modo, se Neto escolhesse a Dança da Bicicletinha, seguramente entraria no tablado trepado numa incrementada Houston Mini Boy aro 12 (evidentemente sem as rodinhas, que ele não é besta), que seria fundamental para sua performance. “Toca o gongo, percussão, que o bicho vai pegar!”. Bom Carnaval e pegue leve.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.


Publicitária Nelci Warken é presa pela PF na Tripo X para
explicar compra de apartamentos no condomínio do Guarujá


…onde a OAS fez reforma de triplex depois de assumir
empreendimento imobiliário iniciado pela Bancoop.


ARTIGO DA SEMANA

Triplex do Guarujá: Lula no bloco da Triplo X

Vitor Hugo Soares

“A situação está cínica / os mais pior vai pras Crínicas”

Adoniran Barbosa, no antológico “Samba no Bixiga”.

Estamos às vésperas de um carnaval de crise braba: tenso e estressado sim, mas jornalisticamente animado, atraente, relevante e referencial – como raramente (ou jamais) se viu por estas bandas do Atlântico Sul. A folia começa a chegar às ruas (em Salvador e no Rio de Janeiro, principalmente), mas o País e a sociedade seguem vidrados e embalados no passo ágil, decidido e cada vez mais surpreendente, ditado de Curitiba pela batuta do juiz Sérgio Moro, no comando da Lava Jato.

Na quarta-feira (27), por exemplo, amanheceu desfilando em várias cidades, o inesperado Triplo X, bloco novo (extensão do original curitibano), compacto e com todas as suas alas bem afinadas. Indiferente aos alaridos e ameaças do “manifesto” do criminalista Kakay, subscrito por pouco mais de 100 colegas advogados. Ridículo espantalho gestado na barriga dos grandolas envolvidos no Petrolão, maior escândalo de corrupção da história do Brasil. Responsável por esfrangalhar a credibilidade e praticamente deixar de tanga (para usar metáfora carnavalesca) a Petrobras.

No meio da farra acontece de tudo. Até mesmo o que para outras repúblicas e outras culturas possa parecer inimaginável. A exemplo da utilização de máquinas picotadoras de papel (clandestinamente e operando a plena carga dia e noite) para destruir documentos com prováveis indícios e provas (suspeita a PF) de estranhas e vergonhosas transações realizadas, à sombra do poder político e administrativo instalado no país há mais de 12 anos, em conluio com negociantes e seus operadores (vários já presos e condenados) que misturam público e privado sem o menor pudor.

No bojo das informações da Polícia Federal, na quarta-feira (27), sobre a deflagração da vigésima segunda etapa da Lava Jato, surgiram os espantosos áudios da conversa telefônica, grampeada com autorização da Justiça, do empresário Ademir Awada com a filha Carolina (a Carol), sobre o “trabalho pesado” dos dois na destruição de documentos. Um diálogo digno de “Histórias de Cronópios e Famas”, o genial livro de contos surrealistas do argentino Julio Cortazar.

Tudo se dá em meio às mais deslavadas e francas “conversas de família”. Aí são tramadas e executadas as maiores e piores patifarias, misturadas com prosaicas e aparentemente inocentes trocas de afetos, preocupações familiares ou pedido de compras de shortinhos, macacões, vestidos e de “uma garrafinha” de vinho especial.

Em um trecho da conversa (que a mãe também escuta em uma extensão do telefone), a filha confessa suas atribulações com a demora em conseguir reativar uma máquina, na qual ela “trabalhava em casa e que parou de funcionar de repente em função da sobrecarga”. O pai conta, da outra ponta da linha, que quase ocorreu o mesmo problema com ele, “ao triturar aquela mala cheia de documentos, filha!”.

Awada, com mandado de prisão expedido pela Justiça, era um dos procurados pelos agentes da PF na Operação Triplo X, cujo alvo é investigar suspeitos de abrir empresas offshores e contas no exterior, para ocultar e disfarçar o crime de corrupção com pagamento de propina. O empresário estava fora do Brasil na hora das “batidas” (sem o japones da Federal) na quarta-feira. Visitava o Panamá, onde operam as maiores “lavanderias” internacionais do setor offshore. Retornou na quinta-feira e foi direto para Curitiba, onde se entregou e está preso.

Seguramente tem muito a contar sobre suas ações e suas máquinas de moer documentos. O juiz Moro e a PF suspeitam, seriamente, de que unidades imobiliárias da Bancoop/OAS foram utilizadas para repasse de propina, no megaesquema de corrupção instalado na Petrobras. Um dos apartamentos está no nome da empresa Murray, uma offshore aberta pela Mossak. Uma linha de investigação, revela o jornal espanhol El Pais, “aponta que o esquema ocultava os reais donos das offshores”.

As unidades investigadas ficam em condomínio no Guaruja, de construção iniciada pela Banccop (a cooperativa dos bancários já presidida pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso pela Lava Jato), antes de passar ao controle da empreiteira OAS. As investigações apontam que um dos apartamentos pertence à OAS (o Triplex), que depois de regiamente reformado e com elevador privado, seria destinado à família do ex-presidente.

O próprio Lula e a ex-primeira dama, Dona Marisa, foram vistos em visitas por lá, mais de uma vez, segundo confirmaram uma empregada e o porteiro do condomínio, em depoimentos arrasadores ao Jornal Nacional, na quinta-feira. O Instituto Lula e o ex-presidente negam propriedade e presenças no Triplex do Guarujá. “Amaldiçoado seja quem pensar mal dessas coisas”, diriam os franceses com ironia.

“Você queira ou não queira, nêgo, nêga / o Carnaval chegou”, como no frevo de Caetano Veloso. O fato é que a nova etapa da Lava Jato jogou de vez o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva na folia deste Carnaval de 2016 e do maior escândalo da história do Brasil. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Fantástica composição! Incrível interpretação ao vivo!!!.

O mestre Edu Lobo na melhor forma! Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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