Governadores em Brasilia: hora de passar o chapeu.

DO EL PAÍS

Ana Carolina Cortez

De São Paulo

Não é apenas a presidenta Dilma Rousseff que vem enfrentando problemas para fechar as contas públicas no azul. Nesta segunda-feira (28), governadores de onze Estados e do Distrito Federal se reuniram com o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, para pedir socorro do Planalto e garantir recursos num futuro próximo para o pagamento até das despesas mais básicas, como gastos com saúde, como no caso do Rio de Janeiro, e com o salário de servidores, como no Rio Grande do Sul. Com o argumento de que a crise econômica que o país enfrenta afetou demais a arrecadação também nas esferas estaduais e municipais, essa “delegação” de governadores entregou uma lista com sete reivindicações a Barbosa.

A lista foi concebida horas antes, durante um almoço articulado pelo governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), em sua residência oficial. Estiveram presentes os governadores do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB); de Goiás, Marconi Perillo (PSDB); de Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB); de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB); da Bahia, Rui Costa (PT); Rio Grande do Sul, José Ivo Sartoti (PMDB); Piauí, Wellington Dias (PT); Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT); Pernambuco, Paulo Câmara (PSB); e o vice-governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSDB).

Segundo Rollemberg, um dos pedidos mais importantes feitos ao ministro nesta tarde foi a celeridade na regulamentação de uma lei já aprovada no Congresso Nacional, que trata de um novo indexador para a dívida que os estados têm com a União, tornando esses débitos mais baratos. “Isso vai mudar tanto o estoque quanto o fluxo das dívidas dos estados, garantindo mais fôlego para o caixa dos estados”, afirmou o governador do DF logo após a reunião com Barbosa.

“O ministro disse que o Governo vai regulamentar nos próximos dias a lei aprovada no Congresso”, complementou, sem apresentar mais detalhes sobre o tema. Rollemberg pediu, ainda, que a União autorize novos empréstimos aos Estados, medida que foi congelada por causa do ajuste fiscal promovido pela União.
Repasses pelo SUS

Para resolver parte dos problemas enfrentados no setor da saúde por diversos Estados – sendo o Rio de Janeiro o caso mais emblemático – os governadores pediram a Barbosa permissão para que sejam eles, e não mais a União, os responsáveis por cobrar as operadoras de planos de saúde os valores devidos aos hospitais públicos. Essa dívida é decorrente do atendimento, por hospitais custeados pelo governo, de pacientes que têm planos de saúde com empresas privadas. No Rio de Janeiro, hospitais públicos reduziram o atendimento por falta de repasses de recursos do Governo e o Estado chegou a decretar emergência e a situação das unidades de saúde só foi regularizada, ainda que parcialmente, com a ajuda financeira do Ministério da Saúde.

Rollemberg não informou, contudo, se as reivindicações foram bem recebidas pela Fazenda. A única promessa mais concreta do dia foi a criação de uma “delegação” de governadores permanente. “O próximo encontro está agendado para 1º de fevereiro. “Com isso, podemos criar uma agenda positiva de curto, médio e longo prazo para o Brasil”, declarou Rollemberg.

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