DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Urgente: MPF denuncia Bumlai, Baiano e Vaccari

Depois de ser indiciado pela Polícia Federal na sexta-feira 11, José Carlos Bumlai acaba de ser denunciado pelo Ministério Público Federal pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva. Outras dez pessoas foram arroladas na denúncia.

Assim como Bumlai, o MPF denunciou os executivos do Grupo Schahin (Salim, Milton e Fernando), o filho Maurício Bumlai e a nora Cristiane Bumlai, os ex-executivos da Petrobras Nestor Cerveró, Jorge Zelada, Eduardo Musa, além do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e do lobista Fernando Baiano.

O empresário amigo de Lula é acusado de intermediar empréstimo de R$ 12 milhões para o PT junto ao Banco Schahin, que em troca ganhou contrato de R$ 1,3 bilhão com a Petrobras para operação da sonda Vitória 10.000.

JOYCE, A CLASSE DA BOSSA QUE FALA NO FORTE DE COPACABANA, NO BOA TARDE DO BP!

BOA TARDE!!!

(Gilson Nogueira)


Dois meses de incompetência oficial no combate
aos incêndios devastadores da Chapada Diamantina

DO JORNAL A TARDE

Da Redação

O governo do estado da Bahia e da União terão até as 8h da próxima quarta-feira, 16, para garantir o fornecimento de material e pessoal para o combate ao incêndio que atinge a Chapada Diamantina há cerca de dois meses. Uma liminar exigindo a destribuição dos recursos foi deferida neste domingo, 13, pelo juiz federal Leonardo Poupério.

Se a medida não for cumprida até o prazo estabelecido, os governos receberão multa diária de R$ 10 mil, além da “responsabilização dos agentes que se recusarem a cumprir o determinado”.

A Ação Civil Pública (ACP), solicitada por defensores da Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE) e da Defensoria Pública da União (DPU), traz o pedido de urgência, após as defensorias tomarem conhecimento no sábado, 12, sobre o risco de o incêndio atingir casas na região de Lençóis.

Na liminar, o juiz Poupério solicitou a disponibilização de cinco veículos para deslocamento de tropas; 400 kits de combate a incêndio com materiais de proteção individual; apoio aéreo de pelo menos quatro helicópteros;30 brigadistas; além da manutenção das medidas até o fim da operação de rescaldo.

Assinaram a ACP em defesa da Chamada Diamantina Aline Khoury, Felipe Noya e Gil Braga, pela Defensoria Pública do Estado da Bahia, e Átila Dias, Charlene Borges e Érik Boson, pela Defensoria Pública da União. Os defensores públicos pretendem ir à região nos próximos dias para verificar a situação da comunidades e o cumprimento da liminar.

Combate

Na manhã deste domingo (13), brigadistas voluntários que atuam no combate aos incêndios receberam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Segundo o governo do Estado, foram investidos R$ 500 mil em materiais que inclui luvas, máscaras, foice, abafadores, mochilas costais, facões, foices, pás, enxadas e fardamento.

Atualmente, a operação coordenada pelo programa Bahia Sem Fogo na Chapada conta com 60 bombeiros militares, 40 brigadistas, 8 peritos, quatro veículos tracionados (4×4), três helicópteros e seis aviões modelo air tractors (capazes de transportar até 3,8 mil litros d´água).

a) disponibilizem 05 (cinco) veículos para deslocamento de tropas de combate a incêndio, com capacidade para transportar 14 (catorze) pessoas ou mais;

b) disponibilizem 400 (quatrocentos) kits de combate a incêndio, que contenham: um par de botas, um gandotar um calça, um bala dava, um par de luvas, u lanterna de cabeça, um óculos de proteção, ummascara de carvão, um abafador, um bomba costal, um cantil;

c) disponibilizem o apoio aéreo de no mínimo 04 (quatro) helicópteros (os três já existentes mais um) para deslocamento de tropas de combate a incêndio;

d) disponibilizem 30 (trinta) homens para trabalharem como brigadistas de combate a incêndio. As medidas deverão ser mantidas até o fim da operação de rescaldo, a ser Informada pela Chefia do Parque Nacional da Chapada Diamantina”

dez
14

DO EL PAIS

André de Oliveira

De São Paulo

Sabe quando as cenas do novo capítulo têm cara de capítulo anterior? Assim está o caso de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética. Nesta terça-feira (15) , o colegiado se reunirá no que será a sétima tentativa de discutir se diz “sim” ou “não” para o processo movido contra o presidente da Câmara. Repare: a acusação de que Cunha teria mentido na CPI da Petrobras e escondido dinheiro fora do país, nem começou a ser analisada. Por enquanto, a questão é só e tão somente decidir se o processo terá andamento. A paralisia e a sensação de déjà vu têm pesado tanto o clima que até o pronome de tratamento “vossa excelência”, o mais querido de Brasília, está sendo deixado de lado nas sessões do Conselho, que, na quinta-feira, até em tapa acabou.

O “vossa excelência”, se faz necessário explicar, é um must de Brasília. Impossível, por exemplo, chegar numa votação no Plenário, num julgamento do Supremo Tribunal Federal, numa Comissão Parlamentar de Inquérito e sair tratando os outros por “você”. Tanto é que nem nos arranca-rabos mais ferrenhos do DF, o uso do pronome de tratamento é dispensável. Já teve “vossa excelência é moleque”, “vossa excelência é um safado” e – em um dos episódios mais tensos dos anais da Justiça, protagonizado por Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa – “vossa excelência, quando se dirige a mim, não está falando com seus capangas do Mato Grosso”.

Não apenas um must, o “vossa excelência” é uma salvaguarda da seriedade brasiliense e, por isso mesmo, uma espécie de medida dos entreveros do Planalto Central. Se prescindido, perigo: a coisa é pra valer. É o que se viu nessa quinta-feira, em que os deputados Wellington Roberto (PR-PB) e Zé Geraldo (PT-PA) extrapolaram em muito essa medida, chegando, como se disse, de fato aos tapas. Ao ser acusado pelo petista de fazer parte da “turma do Cunha” que estaria lá para “bagunçar”, Roberto passou a gritar: “bagunceiro é você, bagunceiro é você”. No que poderia ser descrito como uma briga escolar, o “vossa excelência” foi para as cucuias, os dois trocaram safanões, precisaram ser contidos e a reunião acabou interrompida para que eles se acalmassem.

Este Brasil de agora está mesmo é com um quê de Brasil passado, quando o rei Chatô entrava em reuniões de peixeira na cinta

Brincadeiras à parte, com o episódio – só mais um dos que se avolumam nessa crise política com ares de roteiro de novela – o Brasil de agora aparece com um quê de Brasil passado, quando o “rei” Assis Chateaubriand, dono de um império midiático no século XX, retratado no recém-lançado filme Chatô, entrava em reuniões de peixeira na cinta, botava governos de joelho e interrompia telenovelas para gritar toda sorte de impropérios contra seus opositores. Alguém há de dizer e a bem da verdade é necessário ressaltar, muitas das instituições brasileiras vão bem, obrigado, mas é inegável que entre o cômico e o trágico as coisas estão com um ar de Sensacionalista – site de humor famoso no Facebook que satiriza situações cotidianas.

Na quarta-feira, por exemplo, no melhor estilo “aloprado com dólares na cueca”, maços de notas de 50 reais voaram pelas janelas do apartamento de Rômulo Maciel Filho, diretor-presidente da Hemobrás, estatal investigada pela “Operação Pulso”, da Polícia Federal. Ainda não se sabe quem foi o responsável pelo momento “quem quer dinheiro” das Torres Gêmeas recifenses – sim, assim é conhecido o par de prédios mais alto, polêmico e, há quem diga, de qualidade estética mais duvidosa, da capital do Pernambuco –, mas ele aconteceu coincidentemente durante o cumprimento de um mandato de busca e apreensão.

Reprodução

É possível, o autor da façanha já viesse tendo pesadelos com a aparição de um tal “japonês bonzinho” da Polícia Federal do Paraná – que na segunda-feira anunciará em entrevista coletiva uma nova denúncia referente à Operação Lava Jato – e, quando avistou a batida chegando, desesperou-se e deu asas à dinheirama. Aliás, o “japa da PF” virou gif, samba e meme que, segundo a revista Época, anda circulando em ao menos dois grupos de WhatsApp frequentados por deputados do PMDB e da bancada da bala. Na montagem, o “japa” – também conhecido como agente Newton Ishii, que ganhou fama ao ser citado na gravação que levou o senador Delcídio do Amaral para o xilindró – aparece através de um olho mágico às 6 horas da manhã. Os deputados se divertem: “se ele aparecer, não abra a porta nem pensar!!”. É provável que neste final de semana muitos políticos não estejam vendo graça na brincadeira. Nesta segunda, a equipe de Sérgio Moro vai falar sobre uma nova denúncia da Lava Jato, lembrando que o pesadelo de Curitiba não acaba, com ou sem impeachment de Dilma.

O cai não cai da presidenta tem deixado os nervos à flor da pele, como ficou claro na festa natalina de confraternização entre senadores da base e oposição, na casa do líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE). Foi 100% Brasil versão Chatô. É só escolher: Michel Temer saindo de encontro pós-carta bombástica à presidenta e sendo bajulado por todos, Fernando Collor de Mello (PTB) abrindo o coração e falando sobre seu processo de impeachment, Aécio Neves (PSDB) voltando pra casa lá pelas duas da matina carregado de docinhos para a mulher.

E claro: José Serra (PSDB), incorporando o próprio Chateaubriand, e sendo, nas palavras de Kátia Abreu, “infeliz”, “desrespeitoso”, “arrogante” e “machista”. O tucano, como narrou reportagem de O Globo achou que seria de bom tom atravessar uma conversa e chamar a ministra da Agricultura de “namoradeira”. Para ele, uma “brincadeira com intenção de elogio”, para ela, um comentário digno de ser respondido com uma taça de vinho na cara. “A reclamação de vários colegas senadores sobre suas piadas ofensivas são recorrentes”, escreveu Abreu em seu Twitter. No final, até a esquerda, que trata a ministra por “rainha da motoserra” e não perdoa a presidenta por sua nomeação, teve que dar o braço a torcer e vibrar com ela.

Comentário a partir do minuto 5:30

E por falar em Senado e machismo, o que dizer do senador Hélio José? Em seu discurso de filiação ao novo Partido da Mulher Brasileira, saiu-se com essa: “O que seria de nós se não fosse uma mulher para nos dar alegria e prazer?”. E não fica aí, segundo o site Congresso em Foco, pesa no currículo do senador uma acusação (já arquivada) de ter abusado sexualmente de sua própria sobrinha. De qualquer jeito, realmente, o espírito decoroso do “vossa excelência”, pelo jeito, anda bem longe das paragens do centro-oeste brasileiro.

Só que em meio à lavação de roupa suja tornada pública, reais voadores e vinho na cara, a face jagunço do Brasil Chatô anda passando despercebida. Em entrevista emocionada nessa quarta-feira, o neófito deputado federal Fausto Pinato (PRB-SP), relator destituído da comissão do Conselho de Ética que julga Eduardo Cunha, relatou meses de terror e medo em que esteve à frente da relatoria. “Cheguei a pensar que poderia morrer, sim. O que eu passei eu não desejo para ninguém. Me abordaram pedindo para eu pensar na minha família, dizendo que tenho filho pequeno, que tenho família”. Agora, ele só anda de carro blindado, é vigiado por seguranças e tem policiais militares dormindo em sua casa.

Quais demônios, ó Brasil, o “vossa excelência” não escondia? Caído ele, vão caindo também tantas outras convenções. Num último fôlego, porque chegamos ao final dessa semana vivos, rememoremos esse país à flor da pele: rejeito de mineração que sepulta um doce rio; aumento de casos de microcefalia causados pelo novo Zika vírus, transmitido pelo mesmo mosquito da Dengue com quem travamos batalha inglória há tantos anos; bomba nunca explicada no Instituto de um ex-presidente; banqueiros, políticos e empresários que passarão o natal no xadrez. E, no entanto, o brasileiro continua aqui: as mulheres em luta, os estudantes em luta, um país em aberto do qual ainda emergirá uma resposta, seja ela trágica ou não. Por ora, o absurdo é tão explícito que só se atendo ao cômico para lograr digerir.

Triste é o cara
(Djavan)

Triste é o cara
Que só sabe o que é bom,
Que não sai do leblon,
Que nunca ficou à toa.

Triste é o cara
Que não sabe perder,
Que não sai de você,
Que nunca se superou.

Triste é aquele
Que’ inda não conhece avaria
Nada sabe do blues
Ignora à luz do dia.

Triste é o cara
Que de amor não morreu.
Como nada perdeu,
Até hoje não se achou!

Um destino
Tão banal,
Uma vida igual
Concedeu, arregou,
Sob o pânico da dor.

Que besteira
Tudo é beira,
Na mangueira
E nego vive de amor.

Ilusão,
Amar é solução.
=======================
Dá-lhe Djavan:

“Triste é o cara que não sabe perder”…

BOM DIA !!!

(Vitor Hugo Soares)


..

fiamaria

Reportar Letra Repetida | Corrigir? Letra enviada por fiam

dez
14

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Câmara e Senado, Casas desiguais

O Supremo Tribunal Federal é o intérprete da Constituição, mas é também seu guardião, motivo pelo qual não poderá, quando o texto constitucional for claro, “interpretar” a carta magna ao sabor dos saberes jurídicos e eventuais interesses políticos de qualquer uma das excelências vitalícias ali postadas.

Caso, por maioria qualificada de dois terços, venha a ser admitido na Câmara o trâmite do impeachment, a carta magna determina que se faça o julgamento pelo Senado, onde serão necessários pelo menos 54 dos 81 votos para que Dilma seja afastada do poder, pelo prazo máximo de seis meses.

Se a presidente, durante essa fase, teria a desvantagem de estar fora do cargo, e assim, em tese, perder a maior capacidade de influenciar no resultado, por outro lado o Senado é uma Casa conservadora em relação à Câmara, e nele Dilma sempre teve, ao longo dos dois governos, base de apoio mais sólida.

Mídia quer vincular Dilma a Collor

É despropositada a comparação entre o quadro atual e o de 23 anos atrás, quando o presidente Fernando Collor renunciou ante a iminência da destituição, em plena manifestação de votos no plenário do Senado, num processo que não precisou de “rito”, como se pretende agora.

O caso Collor foi, se é que se pode dizer assim, atípico. O presidente não tinha sustentação partidária e estava pessoalmente envolvido em ilícitos. Havia um desejo incontestável da esmagadora maioria da nação, quase em fúria, provada nas ruas, por sua queda, o que não é a situação de Dilma.

O desagrado com a presidente só é denso na opinião da mídia e nas pesquisas, que, como se sabe, são manipuladas e gozam, pelos sucessivos erros em outras circunstâncias, de baixa credibilidade – há uma relação umbilical entre elas e os meios de comunicação.

A cara na tela

Se a votação de um impeachment é feita por proclamação oral de cada parlamentar, chamado nominalmente ao microfone, não faz sentido que etapas menos importantes, como a formação da comissão processante, sejam feitas por voto secreto.

dez
14


Manifestação pelo impeachment em São Paulo, na avenida Paulista.
/ S. Moreira (EFE)

DO EL PAIS

Gil Alessi / Gustavo Moniz / María Martín

São Paulo / Rio de Janeiro

Teve bonecos infláveis de Dilma com máscara de bandida, e o “Pixuleco”, representando Lula fantasiado de preso. Milhares de pessoas vestidas de verde e amarelo com faixas contra o Governo e o PT, hino nacional, e gritos de “Fora Dilma”. A bandeira nacional ficava por 50 reais em São Paulo. Em Brasília, até um enterro simbólico da presidenta num caixão foi improvisado. São as mesmas cenas vistas desde o final do ano passado, que parecem ter tido seu ápice no dia 15 de março, quando perto de um milhão de pessoas foram às ruas contra Dilma em todo o país. Mas neste domingo, dia 13 de dezembro, os movimentos pró-impeachment não conseguiram atrair o mesmo público de antes, talvez pelo período pré-natalino, o pouco tempo para organizar os atos –o pedido de impeachment foi deflagrado na Câmara há apenas 11 dias– ou porque muita gente está perdida em meio à crise política, que já não é privilégio somente do PT.

Ao menos 60 cidades registraram protestos, segundo o site G1. São Paulo, que costuma ser sempre o núcleo mais importante, teve menos manifestantes que nos atos anteriores, e também com menor duração. Segundo o instituto Datafolha, 40.000 pessoas passaram pela avenida Paulista neste domingo, bem abaixo dos 210.000 registrados no dia 15 de março, 100.000 em 12 de abril e 135.000 em 16 de agosto. Marcado para começar às 13h, já registrava um clima de fim de festa às 16h30. Por isso mesmo, os organizadores preferiram tratar o ato deste domingo como um “esquenta pelo impeachment”, ou seja, uma prévia de uma manifestação maior, já agendada para o dia 13 de março. “É a terceira que eu venho e só está diminuindo. No começo o pessoal vinha na empolgação. Hoje é muito mais fácil protestar no Facebook do que vir pra cá”, afirmou Solange Trujilo, que batia panela na Avenida Paulista. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que acolheu o pedido assinado por três juristas no último dia 2, havia sido poupado nos outros protestos. Neste, porém, ganhou um boneco inflável na Paulista, ao lado de Dilma e do Pixuleco.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fachin —que suspendeu a sessão da Câmara que escolheu uma chapa anti-Dilma para a comissão que analisará o impeachment após manobra de Cunha— também foi “homenageado” com um boneco. Tanto Rogério Chequer, líder do Vem pra Rua, quanto Kim Kataguiri, do Movimento Brasil Livre, fizeram questão de tentar desvincular o pedido do impeachment da atuação de Cunha: “O impeachment não é do Cunha e não é golpe, ele é nosso!”, gritou Chequer.

O deputado vem se desgastando por manobrar explicitamente a seu favor na Comissão de Ética, que tenta afastá-lo por ter mentido durante a Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras ao dizer que não tinha contas no exterior. Foi desmentido pela investigação da Operação Lava Jato, que descobriu até que a senha das contas que ele movimentava era o nome da sua mãe, Elza. Até agosto, diversos manifestantes iam às ruas com cartazes defendendo o deputado. Faixas com os dizeres “Somos todos Cunha” chegaram a ser vistos nos atos anteriores. Um dos grupos mais ativos pró-impeachment, o Movimento Brasil Livre, chegou a tirar foto com o presidente, ao lado de uma faixa “Para um Brasil livre de corrupção”.

Mas o esforço das lideranças neste domingo era marcar posição sobre a legalidade do pedido de afastamento da presidenta, apesar de ter sido acolhido por um representante de idoneidade duvidosa. O advogado Hélio Bicudo, que no passado foi ligado ao PT mas hoje é um dos responsáveis pelo pedido de impeachment aceito por Cunha na Câmara, discursou no carro do Vem pra Rua em São Paulo. “O Brasil não pertence ao PT, não pertence à Dilma ou ou Lula!”, gritou, para delírio da multidão que enfrentou o calor de mais de 30 graus na avenida Paulista. “A mudança que queremos será alcançada com base na Constituição”, disse o jurista, respondendo aos que relacionam o impeachment a um suposto golpe. “Lá na Carta Magna diz que as manobras de Dilma são motivo relevante para o impedimento. Nosso pedido não se sustenta só nas pedaladas, mas no descalabro em que ela mergulhou o país”, afirmou.

Outro jurista signatário do pedido, o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, também tomou o microfone no carro de som do Vem pra Rua para defender a legitimidade do impeachment. “Não queremos golpe, queremos Justiça”, disse ele. Reale Júnior apontou as pedaladas fiscais do Governo como sendo responsáveis pela crise econômica que atinge o país. Uma das lideranças do PSDB no Senado, José Serra, fez um discurso mais tímido do que o esperado pelos manifestantes, e não mencionou a palavra impeachment nem se referiu diretamente ao afastamento da mandatária. “O país precisa de uma solução responsável e democrática. No Congresso também acreditamos nisso”, disse o parlamentar, que defendeu as mobilizações de rua. A moderação de Serra reflete a situação do PSDB no Legislativo nacional: se por um lado os tucanos da Câmara já fecharam acordo com relação a apoiar o impeachment, no Senado a questão ainda é tratada com mais delicadeza.

A deputada Mara Gabrilli, também do PSDB, que confrontou Eduardo Cunha na Câmara, seguiu a mesma linha de Serra na Paulista: “Fico honrada e feliz de ver nosso povo na rua. O Brasil não é do PT. Estamos aqui para mostrar que temos esperança. Viva o povo brasileiro”.

Voluntários da campanha 10 Medidas Contra a Corrupção, projeto de lei do Ministério Público federal, colhiam assinaturas dos manifestantes para a iniciativa na avenida Paulista. Com uma prancheta repleta de nomes, a dentista Maria Labianca explicava que as 10 Medidas nada tem a ver com o impeachment. “As pessoas estão vindo espontaneamente nos procurar”, afirmou. Questionada sobre o grande volume de assinaturas coletadas no ato, ela disse que é porque “o PT representa a corrupção em sua forma mais genuína”.

Cartaz na Paulista pede intervenção militar. / Gustavo Moniz (EL PAIS)

No pequeno grupo que pedia intervenção militar no protesto na Paulista estava o caminhoneiro Flavio, que justificava sua faixa dizendo que “quem quer mudança de verdade quer intervenção militar. Esse negócio de impeachment é conversa pra boi dormir. O Collor foi tirado do poder e tá aí roubando até hoje”.

No Rio, o protesto, que aconteceu na orla de Copacabana, foi muito menor do que da última convocatória de 16 de agosto. Mais dispersos, com problemas logísticos —como o atraso e falhas nos carros de som— a marcha, marcada para começar às 13h30, demorou a se consolidar. Reuniu alguns milhares de pessoas, mas às 15h30 já se dispersou. Mesmo assim, os organizadores foram otimistas com o resultado que, segundo eles, tinha o objetivo de animar as ruas antes da chegada das festas de ano novo e carnaval, que paralisarão a cidade.

O lema dos cariocas foram os habituais contra Dilma e o PT, com vaias específicas contra o ex-presidente Lula, chamado de “cachaceiro ladrão” e “filho da puta”. Houve também menções nos carros de som à saída de Eduardo Cunha, que foram aplaudidas. Mas no asfalto as críticas ao presidente da Câmara eram moderadas. “Eu acho que ele é corrupto, mas isso não torna ilegítimo o pedido de impeachment”, disse a médica Fernanda Varas. “Não importa se é Cunha quem está na frente do processo de impeachment, o importante é que o processo avance. Nossa prioridade é o PT cair”, defendeu um dos líderes do Movimento Brasil Livre no Rio, Bernardo Santoro, em idêntico discurso ao de agosto.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, presidida por Paulo Skaf (PMDB) e localizada na avenida Paulista, aproveitou o protesto para divulgar sua campanha contra o aumento de impostos proposto por Dilma. Usando como símbolo um pato amarelo com os dizeres “Eu não vou pagar o pato”, a entidade distribuiu milhares de balões da iniciativa para os presentes, e coletou assinaturas para um abaixo-assinado contra a alta de tributos.
“Pobre e rico no mesmo barco”

A exemplo do que ocorreu nos protestos anteriores contra o Governo, a maioria dos manifestantes que tomaram a avenida Paulista eram brancos e de classe média. Paus de selfie, iPhones e as modernas câmeras GoPRO podiam ser facilmente avistadas. Os bonecos “pixuleco” e “Super-Moro” eram vendidos a 20 reais, enquanto que a bandeira do Brasil custava 50 reais. Luciano Santos, 37, negro e nordestino, foi de bicicleta ao ato para pedir a saída da presidenta. “Sou do Nordeste, e quando volto para lá eu vejo como o Governo se aproveita dos mais humildes para trocar votos por bolsa-esmola”, afirma, fazendo uma referência ao programa social Bolsa-Família, que segundo o Governo Federal foi responsável por tirar 36 milhões de pessoas da extrema miséria. De acordo com Santos, a manifestação não é um “ato da elite”. “Todos os brasileiros estão vivendo em situação precária, classe média, alta e baixa, estamos todos no mesmo barco”, afirmou.

Os jovens João Brum e Ligia Hansen foram pegos de surpresa pela manifestação. Contrários ao impeachment, eles pretendiam passear na Paulista de bicicleta, mas acabaram abreviando o passeio. “Olha ao redor: quantos negros você vê?”, indagou Brum, que completou afirmando que se tratava de um ato “da elite branca de São Paulo”. Ligia questiona os motivos do pedido de afastamento de Dilma: “Não existe fundamento legal para o impeachment”. Apesar de estar vestido com uma camiseta do revolucionário argentino Ernesto Che Guevara, o jovem disse que não foi hostilizado no protesto.

Pressão sobre o PMDB

Uma novidade foi evidente na marcha deste domingo no Rio: as críticas ao PMDB fluminense, que governa a Prefeitura e o Estado. Aliados de Dilma, o prefeito Eduardo Paes e o governador Luiz Fernando Pezão se mantiveram fiéis à presidenta durante as turbulências das últimas semanas, indo contra, inclusive, do vice-presidente, Michel Temer, também do PMDB, que abriu guerra à mandatária. Os manifestantes não perdoam que eles manobrem, junto com o líder da Assembleia Jorge Picciani, para manter os apoios de Dilma no Congresso, após a queda do líder da bancada peemedebista e principal aliado do Planalto, Leonardo Picciani.

Por outro lado, o deputado do PP, Jair Bolsonaro, o mais votado no Estado com quase 500.000 votos, foi aplaudido e chamado de “mito” durante a marcha. Um pequeno grupo pedindo a intervenção militar fechava a passeata em Copacabana.

dez
14
Posted on 14-12-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-12-2015


Caó, no portal de humor gráfico A Charge Online

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