Dilma e Lula visitam juntos área das obras
de transposição do Rio São Francisco.

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO)

Ninguém sabia que se roubava no São Francisco

A história das obras de transposição do Rio São Francisco é uma sucessão de superfaturamento, distorção de editais, aditivos ilegais, descumprimento de cronogramas e erros de projeto, para citar alguns dos problemas levantados e comprovados, ao longo de dez anos, pelo Tribunal de Contas da União.

Ao contrário do que se poderia supor, que a fiscalização eficiente sustasse a sangria de dinheiro público e propiciasse a concretização de um empreendimento tão importante social e economicamente, a situação só se agravou com o passar do tempo.

Com conclusão prevista para 2012, obra agora é prometida para 2017, e o custo original de R$ 4,7 bilhões é estimado hoje em R$ 8,5 bilhões.

Portanto, não pode ser surpresa para ninguém que, em contratos que somam R$ 680 milhões, tenham sido desviados R$ 200 milhões, escandalosos 30% – ou, pensando bem, talvez esteja até abaixo da média esse percentual.

Em 2005, o TCU já determinava o “cancelamento de editais para projeto, execução e supervisão” por sido “detectado” (esse o verbo) “sobrepreço” de R$ 400 milhões.

No início da obra, em 2007, merece destaque a sucessão de contratos aditivos, muitos deles acima do limite legal, para “novos serviços”, como diz o tribunal, acrescentando R$ 127 milhões a um custo inicial de R$ 238 milhões.

No ano seguinte, um contrato que era de R$ 212 milhões foi para R$ 327 milhões, e assim continuou gestão após gestão do Ministério da Integração Nacional, com a participação “surpreendente” de empresas como OAS, Galvão Engenharia e outras do “petrolão”, sem falar no doleiro Alberto Youssef.

E assim transcorreu durante estes oito, nove anos, em que o custo foi subindo em compensação ambiental, desapropriações, mão de obra e outros itens. Apesar de espocarem periodicamente as denúncias, o barco foi adiante – mas não no rio, coitado, que está com sua navegabilidade mortalmente ferida.

Nossa solidariedade à pobre velhinha

Desconhecia-se que estivesse na cadeia a mãe do ator José de Abreu. Mas como a afirmação é do confiável ex-ministro Geddel Vieira Lima…

Fritando o porco na própria banha

O bom desse nome da operação da Polícia Federal, “Vidas Secas”, é que no futuro seus protagonistas não precisarão deixar a obra de Graciliano Ramos: poderão escrever suas próprias “Memórias do Cárcere”.

Imprimir Imprimir Enviar por e-mail Enviar por e-mail

Preso político

Em tempo: não confundir “o Graça”, que também foi prefeito, com essas figuras atuais. A cadeia de oito meses, em 1936, ele a puxou sob a acusação, pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, de ligação com o Partido Comunista do Brasil.

Da arte na investigação policial

O Brasil se supera em surrealismo: da Lava-Jato brotou a Vidas Secas.

Be Sociable, Share!

Comentários

luiz alfredo motta fontana on 13 dezembro, 2015 at 4:49 #

Transposição de recursos públicos, este o jeito petista de governar!

O estranho foi a demora em “flagrar” esse crime continuado.

Talvez Fachin, em sua virginal estréia nos tribunais, queira atualizar o rito, extirpando de vez a possibilidade prisão em fragrante. Uma excrecência que inibe a criatividade empreendedora.

Fachiniamente a flagrância deverá ser, doravante, definida como estado delituoso pelo interregno mínimo de 10 anos, sem solução de continuidade, especialmente quando envolver desvios de dutos oficiais.

Afinal, o excesso de procedimentos nos tribunais. deve-se, sem dúvida, ao extremo rigor de leis, num claro atentado ao direito petista de ser e agir.

Fachin é antes de tudo um libertário.


luis augusto on 13 dezembro, 2015 at 7:43 #

Aplausos de pé, Poeta.


Jader martins on 13 dezembro, 2015 at 9:55 #

Um julgamento escondido
Janio de Freitas, na Folha

Sem que figure na pauta, nem esteja sequer mencionada em uma das ações a serem julgadas na quarta feira, sobre procedimentos do Congresso em casos de impeachment, o Supremo Tribunal Federal decidirá também uma questão de grande influência. Até mais importante para o próprio país do que será para Dilma Rousseff e para seus algozes.

O Supremo pode estabelecer medidas que cessem, ou ao menos diminuam muito, a bestialidade vigente na Câmara. Nem seria difícil fazê-lo. As “lacunas na legislação do impeachment”, como alegam por aí, são no máximo frestas, que não resistem à leitura séria dos artigos específicos da Constituição, e um pouco de lógica. Não seria preciso decorrer daí o fim do problema de Dilma para que, depressa, a recuperação de alguma ordem desanuviasse o ambiente geral.

É para esta direção que apontam os breves comentários públicos do ministro-relator Luiz Edson Fachin sobre o principal a ser julgado. Nada, porém, insinua que a maioria do Supremo tenha a mesma visão. Chamado de “líder da oposição”, tamanha a incontinência de sua agressividade verbal contra Dilma, Lula e o PT, o ministro Gilmar Mendes disse que o tribunal precisa “deixar a questão para o Congresso”. Em sua concepção particular, a frase já significou engavetar por ano e meio a proibição, embora já com votos a aprová-la, de financiamento eleitoral por empresas.

Será apenas normal que Gilmar Mendes peça vista da ação e retenha a decisão até fevereiro, depois das férias a começarem no próximo fim de semana. E não será anormal que Celso de Mello, ou Carmen Lúcia, ou Luiz Fux, por exemplo, adote o pedido de vista e adie a decisão.

Em tal caso, a probabilidade é de um interregno mais quente do que o verão. Diz Nelson Jobim, como faziam os do seu velho tempo, que “os deputados vão voltar do recesso com a faca nos dentes”. É a ideia de que as bancadas voltam a Brasília como reflexos do que lhes impingem nas suas regiões eleitorais. O que requer dos oposicionistas, para resultados relevantes, propósitos agitadores elevados.

A movimentação de bastidores de Michel Temer e de alguns de seu grupo, pelos Estados, não vai desativar-se com o recesso. O plano é o oposto: agitar as ruas para preservar a pressão até fevereiro, e para pressionar os próprios parlamentares. Mas aos opositores do impeachment não resta nada diferente. O seu primeiro problema é que não contam com TV e imprensa para conclamações. O segundo é que os chamados movimentos sociais e os sindicatos não controlados por dinheiro patronal parecem o que há de mais preguiçoso até quando se trata do seu interesse. Caso, porém, o governo consiga despertá-los, como pretende, estará complementada a difusão do clima de efervescência mútua. E, quem sabe, frontal.

Em situação assim, mais do que continuar a fermentação, o potencial de circunstâncias violentas é alto, em qualquer tempo. Mas o Brasil vive tempos especiais de violência. Nesse sentido, a verdade é que em todos os níveis, em múltiplas formas de ação e por toda parte, nem as poucas políticas de contenção podem dizer-se com razoável controle sobre as manifestações da violência.

Estamos sujeitos a uma repentina explosão de violência só imprevista porque ninguém quer pensar nela. Assim também, só para os que querem surpreender-se é inesperável um estouro urbano de violência política. Os ânimos estão prontos.

Mas deixar Eduardo Cunha fora dessa equação seria, antes de tudo, injustiça. A menos que deixe de continuar isentado pela Lava Jato, por força de algum mau humor curitibano, Eduardo Cunha tem muito como contribuir para a deterioração ainda maior do sistema político. E, a depender dele, não deixaria de fazê-lo durante o recesso. É muito o que tem e o que sabe, e sabe usar.

Não há sinal de que isto entre em questão, mas o Supremo Tribunal Federal vai decidir também se o Brasil receberá um ambiente mais distenso ou novas formas de ameaça às instituições e à pretensão de democracia.


Taciano Lemos de Carvalho on 13 dezembro, 2015 at 11:50 #

“Não podemos dizer com exatidão quando o nosso rio da integração nacional se extinguirá. Mas a morte dele já é certa, caso não haja a revitalização do mesmo. Prova disso é que já estamos pescando peixes de água salgada no Rio São Francisco” (Do ex-governador de Sergipe, e prefeito de Aracaju, João Alves, em palestra de maio de 2015)

No lugar de revitalização temos a sangria. Inclusive de recursos públicos para os mesmos, isto é, os já manjados sugadores do dinheiro do povo)


Taciano Lemos de Carvalho on 13 dezembro, 2015 at 11:55 #

Quem ganha com esse projeto absurdo de transposição do Velho Chico?

Só as grandes empreiteiras e os grandes latifundiários que produzem para exportação.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • dezembro 2015
    S T Q Q S S D
    « nov   jan »
     123456
    78910111213
    14151617181920
    21222324252627
    28293031