DO EL PAIS

Manuel Planelles

De Paris

Os 195 países reunidos há duas semanas na Cúpula de Paris finalmente chegaram a um acordo contra o aquecimento global, o primeiro “pacto universal da história das negociações sobre o clima”, segundo descreveu o presidente francês, François Hollande, ao apresentar o texto final na manhã deste sábado. Um texto que foi debatido nas últimas horas e que busca limitar o aumento da temperatura média do planeta, fixa um teto para as emissões de gases de efeito estufa e estabelece um sistema de financiamento para que os países com menos recursos possam se adaptar aos efeitos das mudanças climáticas.
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Após reunir o plenário, no qual foram dados os últimos retoques ao documento, o ministro do Exterior francês, Laurent Fabius, anunciou o acordo sobre as mudanças climáticas, com um largo sorriso e uma atitude contundente. Os presentes se levantaram de seus assentos para um longo e sonoro aplauso pelo marco alcançado.

A reta final para se chegar ao acordo histórico teve início na manhã deste sábado com a apresentação, por parte de Hollande e Fabius, do texto final. Foi o resultado de uma intensa noite de negociações marcada pelo embate entre os países desenvolvidos e a China e a Índiasobre o nível de envolvimento das economias emergentes nesse acordo. O texto preparado por Fabius, encarregado de liderar as negociações como anfitrião da cúpula, parecia contar com alto grau de apoio. Mas fontes da delegação europeia chegaram a indicar que ainda não era “100% certo” que ia ser aprovado

Por volta das 18h (15h em Brasília), pouco antes do início do plenário, os países que tinham se pronunciado a favor do texto do acordo já formavam uma maioria. O G77, que agrupa 134 nações em desenvolvimento ou emergentes, entre elas a China, se declarava “satisfeito” com o projeto. Momentos antes, dezenas de outros países, como a Índia e a Arábia Saudita, já tinham anunciado seu respaldo, assim como os Estados Unidos e a União Europeia.

O texto final do acordo de Paris tem como objetivo principal impedir que o aumento da temperatura média do planeta até o fim do século, por causa das mudanças climáticas, passe 2oC, em relação aos níveis pré-industriais. E também estabelece que devem ser feitos esforços para que o aumento “não supere 1,5o C”. Além disso, busca criar um sistema de financiamento de 100 bilhões de dólares anuais para ajudar os países com menos recursos a se adaptarem aos efeitos das mudanças climáticas.

Em uma primeira leitura, as principais ONGs ambientalistas consideraram que o compromisso climático proposto é uma reviravolta “histórica” que torna irreversível a transição a uma economia de baixo carbono. Apesar disso, consideram que a partir de agora será necessário pressionar os governos e as empresas a cumprir o acordo e aumentar suas ambições.

Hollande também lançou um claro apelo aos representantes dos 195 países: “A França lhes pede que adotem o primeiro acordo universal da história das negociações climáticas”. “É muito raro na vida ter a oportunidade de mudar o mundo, e vocês estão tendo”, acrescentou o presidente francês, que foi acolhido com aplausos.

Tanto Hollande como Fabius, que foi quem manteve conversações com os ministros durante os últimos dias, apelaram à responsabilidade dos negociadores. “Não foram satisfeitas as exigências de todos”, argumentou o presidente. Mas não vamos ser julgados por uma palavra, “mas pelo conjunto do texto”. Está em jogo nossa credibilidade coletiva.

“Estamos quase no final de nosso caminho”, disse Fabius. “O mundo inteiro está segurando o fôlego e conta com todos nós”, acrescentou. “É o melhor equilíbrio possível”, afirmou ele sobre o texto final do acordo. Fabius admitiu que não pode agradar aos 195 países, que em muitos casos têm seus interesses contrariados, mas que cada um poderá voltar à “casa com a cabeça erguida e com conquistas importantes”.

“O mundo inteiro está segurando o fôlego e conta com todos nós”, concluiu o ministro francês de Relações Exteriores, que foi interrompido por aplausos em sete vezes. Entre os presentes durante a apresentação do texto estavam o Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, – que se encarregou de coordenar os negociadores de seu país durante a cúpula – e também o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon.

No texto final apresentado por Fabius, a meta estabelecida é de que o aumento máximo da temperatura média do planeta não supere os 2o C em relação aos níveis pré-industriais, e abre-se a possibilidade de baixar esse objetivo a 1,5o C. Cientistas ressaltaram que, após décadas de emissões de gases de efeito estufa, já não é possível conter o aquecimento do planeta. O que se busca agora é tentar que o aumento da temperatura não passe da barreira dos 2o C, para evitar consequências catastróficas. Para isso, é necessário limitar as emissões desses gases, principalmente o dióxido de carbono.

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 13 dezembro, 2015 at 0:39 #

Festejar, mas não tanto.

“Acordo de Paris: 3ºC, marketing e pedaços de grotesco”

“Entrando na parte concreta do acordo, naquela que vincularia os países a acções concretas, completa-se a desilusão: das propostas concretas de datas e metas de emissões e de cortes de emissões concretos, que estiveram no acordo em versões anteriores, nada sobra. As propostas de acção voluntárias apresentadas por 185 dos 196 países presentes na COP-21, perfazem um aumento de temperatura de até 3,7ºC até 2100. Faltam ainda os outros 11 países, alguns dos quais com importantes emissões. Com estas temperaturas, metade das Ilhas do Pacífico desaparecerão. Os litorais um pouco por todo o planeta ficarão submersos. Colheitas perdidas, secas de décadas, desertificação extrema, florestas a desaparecer, degelo total. Isto na melhor das hipóteses. Estas propostas voluntárias implicam um aumento de emissões em 7% ao ano até pelo menos 2030. É esta a base concreta, embora não seja sequer obrigatória. O acordo tem natureza obrigatória mas as Contribuições Propostas Nacionalmente (INDC em inglês), isto é, aquilo que seriam as medidas concretas, não o são. Não há metas para os países, estes decidirão o que fazer. Fala-se de um mecanismo de monitorização e reforço destas propostas de ação, mas nada ficou definido.”

http://www.esquerda.net/artigo/acordo-de-paris-3oc-marketing-e-pedacos-de-grotesco/40080


Taciano Lemos de Carvalho on 13 dezembro, 2015 at 0:48 #

E mais:

“A nível de omissões, as palavras do acordo falam por si:

Energia – referida 2 vezes (1 renovável, 1 nuclear)
Combustível – referida 0 vezes
Fóssil – referida 0 vezes
Carvão – referida 0 vezes
Petróleo – referida 0 vezes
Transporte – referida 0 vezes
Agricultura – referida 0 vezes
Comércio – referida 0 vezes

As principais fontes de emissões não estão sequer expressas no acordo. A força dos lobbys do petróleo, do carvão, da mineração, dos agrotóxicos, do comércio bloquearam o acordo de que precisávamos.”

Isso acima ainda em:
http://www.esquerda.net/artigo/acordo-de-paris-3oc-marketing-e-pedacos-de-grotesco/40080


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