Ulysses: o gosto de lamber as palavras…


…presente na carta de Temer a Dilma

ARTIGO DA SEMANA

Temer e a crise: do MDB de Ulysses à carta a Dilma

Vitor Hugo Soares

“Gosto das palavras. Se fosse poeta, seria parnasiano ou simbolista. A mim cabe a crítica a Flaubert: Lambe as palavras como a vaca lambe a cria”.

(Ulysses Guimarães, ex-deputado federal e presidente imbatível da Constituinte de 1988, fundador e guia do MDB (atual PMDB) até a morte (ou encantamento no fundo do mar). Principal inspirador político de Michel Temer e, provavelmente, maior estimulador do gosto do vice-presidente do Governo Dilma Rousseff pela escrita de missivas.)
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Para não enganar ninguém (prós, contras ou ainda vacilantes no meio do jogo político e de poder cada vez mais pesado, neste dezembro do enterro de 2015, que ainda promete gente nas ruas neste domingo, 13). Deixo claro na frase introdutória de Ulysses, que a intenção é falar ainda da carta de Michel Temer (PMDB) à presidente Dilma Rousseff (PT).

A surpreendente missiva, que gerou um dos fatos mais significativos, esmiuçados e comentados da imprensa brasileira nas últimas décadas, ainda guarda nos subentendidos, muita pólvora e nitroglicerina concentradas. Basta uma faísca descuidada de qualquer lado e tudo corre o risco de ir pelos ares outra vez.

Apesar dos aparentes cuidados pessoais, institucionais e diplomáticos (algodão entre cristais) tomados pelo autor da carta e sua destinatária no delicado encontro a portas fechadas em Brasília.

Depois Dilma pegou o avião para Buenos Aires, aonde chegou muito atrasada para a festa da posse do liberal empresário e ex-prefeito da capital, Maurício Macri, na Presidência da Argentina. Ainda assim, a tempo de sentir no ar o cheiro forte de enxofre espalhado pela esquentada ex-colega (“companheira e amiga”) Cristina Kirchner, ao deixar a Casa Rosada. Até a faixa presidencial recusou-se a passar para o adversário vencedor. Atitude hostil e temperamental, raramente vista na história do país às margens do Rio da Prata.

Dilma só aguentou duas horas na companhia do novo chefe da nação argentina. Saiu do Congresso (local da posse) direto para o aeroporto, onde pegou o avião presidencial de volta à Brasília, para reassumir o cargo que deixara protocolarmente nas mãos do vice, no dia seguinte ao encontro reservado, entre os dois, para analisar alguns complicados “pontos nos iis” da carta.

Temer, por sua vez, partia para os braços da galera do PMDB e outros descontentes com o governo petista de Dilma Rousseff no Rio Grande do Sul. Nos domínios territoriais do MST “do comandante Stedile” (na definição do ex-presidente Lula), estado até recentemente considerado um dos bastiões do PT no governo local.

Na volta da Argentina, Dilma guardou silêncio absoluto sobre a carta e sobre a reunião com o seu magoado vice. Temer falou. Na saída do Palácio do Planalto, diplomaticamente como é de seu feitio, disse aos jornalistas: ”Eu e a presidente combinamos de manter uma relação mais fértil possível”. Em Porto Alegre, falando para aliados e empresários, ele foi mais expansivo: “Conversamos, eu e a presidente e, digamos assim, acertamos os ponteiros. Ela compreendeu as manifestações que fiz de caráter pessoal. Se fosse um instrumento político, teria feito outra escrita”.

Para os que estudam ou conhecem os signos básicos da comunicação e do poder, nada mais é preciso dizer ou explicar, por enquanto. “As palavras voam, os escritos permanecem”, diz Temer, citando o famoso brocardo em latim, que usou na introdução da sua missiva. Esta é a chave da questão e o que precisa ficar claro, desde já, no choque PMDB-PT que estremece todos os alicerces do combalido segundo mandato do periclitante Governo Dilma.

Que ninguém se iluda: apesar de tudo que já foi dito e feito, há ainda munição de sobra nas entrelinhas da carta. Suficientes para muitos tiroteios e implosões posteriores. Não tanto pelo que está explícito no “desabafo” do vice, jogado para escanteio. Mas, principalmente, pelos subentendidos da missiva, escrita no capricho, como nos velhos tempos de grandes arroubos amorosos, tragédias de governos e memoráveis combates políticos.

Se de um lado está o PMDB, e suas vertentes mais improváveis, e do outro, no ambiente palaciano, circulam personagens dados a encrencas, como os ministros Jaques Wagner, da Casa Civil, e Edinho Silva, da Comunicação do Palácio do Planalto, (citados implicitamente na carta do vice), a explosão permanecerá sempre na dependência, apenas, do primeiro curto circuito. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista. Editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@tera.com.br



BOM DIA!!!

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

O Chacrinha do impeachment

Luiz Edson Fachin é o Chacrinha do Supremo: ele veio para confundir, não para explicar, e assim rasurar a Constituição Federal, da qual deveria ser fiel guardião.

Ao dizer que iria estabelecer um novo rito de impeachment, ele extrapolou os limites da sua competência.

Ao pedir que todo mundo se manifestasse, ele causou apenas cacofonia. Essa história, defendida pelo inefável Luís Inácio Adams e pelo tortuoso Renan Calheiros, de que o Senado não está obrigado a aceitar a decisão da Câmara e pode anular o pedido de impeachment é, por exemplo, inconstitucional.

O artigo 86 da Constituição é cristalino:

“Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.”

Cabe, portanto, somente à Câmara decidir se acata ou não o pedido de impeachment e, posteriormente ao trabalho da comissão eleita para analisá-lo, se admite ou não a acusação contra Dilma Rousseff. O Senado entra em fase posterior, para julgar se a presidente é culpada ou não.

O resto é buzina do Chacrinha.


Elmar Varjão em foto de arquivo:em Natal RN), na entrega
do projeto da OAS para construção da Arena das Dunas.

Da revista Época

A Polícia Federal prendeu temporariamente nesta sexta-feira (11/12) o presidente da OAS, Elmar Varjão, e o membro do conselho de administração do Grupo Galvão, Mario de Queiroz Galvão. Além dos dois, também foram detidos o executivo da Galvão Engenharia Raimundo Maurílio de Freitas e o executivo Alfredo Moreira Filho, executivo da Barbosa Mello, o que a empreiteira nega.

As prisões ocorreram no âmbito da Operação Vidas Secas, que apura as suspeitas de desvio de R$ 200 milhões em dois lotes da transposição do Rio São Francisco.
saiba mais

Como são temporárias, as prisões têm prazo de cinco dias, podendo ser prorrogadas por mais cinco ou convertidas em preventiva por determinação da Justiça.

A prisão de Varjão ocorre quatro meses após o ex-presidente da OAS, José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Leo Pinheiro, ser condenado a 16 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema de corrupção na Petrobras. Como Leo Pinheiro foi preso em novembro do ano passado, já é o segundo presidente da empreiteira preso por suspeita de envolvimento em esquema de desvio de dinheiro em um ano e 24 dias.

As investigações da Polícia Federal também atingem em cheio o Grupo Galvão. Mario de Queiroz Galvão foi preso nove meses após seu irmão e então presidente do conselho de administração do grupo Dario de Queiroz Galvão Filho ser detido pela Lava Jato, em março deste ano. No dia 2 de dezembro deste ano, o juiz Sérgio Moro condenou Dario a 13 anos e dois meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Após serem detidos e denunciados na operação, Leo Pinheiro e Dario Galvão se afastaram de seus cargos, suas empresas entraram em recuperação judicial e diminuíram suas carteiras de contratos. No caso da OAS, o cargo de presidente foi assumido por Elmar Varjão.
Operação

Conduzida pela Polícia Federal em Recife, a investigação deflagrada nesta manhã apura as suspeitas de desvio em um contrato de R$ 680 milhões do Ministério da Integração Nacional com o consórcio formado por OAS, Galvão Engenharia, Barbosa Mello e Coesa. As investigações mostraram que essas empresas receberam verba do ministério para as obras e repassaram cerca de R$ 200 milhões para as empresas de fachada dos doleiros Alberto Youssef e Adir Assad, já condenados na Lava Jato por lavarem dinheiro e operarem o pagamento de propinas no esquema de corrupção na Petrobras.

Iniciada no ano passado, a operação partiu de informações do Tribunal de Contas da União (TCU) e Controladoria-Geral da União (CGU). Após um compartilhamento de informações com a Operação Lava Jato, a PF constatou uma movimentação de dinheiro do Ministério da Integração para contas das empreiteiras e, posteriormente, para empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef.

Ao todo cerca de 150 policiais federais cumpriram nesta manhã 32 mandados, sendo 24 de busca e apreensão, quatro de condução coercitiva e quatro de prisão temporária nos Estados de Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e em Brasília.
Respostas

A OAS classificou como “desnecessária” a prisão de Varjão. A empresa afirmou em nota que prestou à PF todas as informações solicitadas e disse que sempre esteve à disposição das autoridades.

Em nota, a assessoria do Grupo Galvão informa que a empresa ainda não tomou conhecimento dos detalhes da investigação e que “tem o compromisso de colaborar com o poder público para que tudo seja esclarecido da melhor forma possível”.

O Ministério da Integração Nacional informou que “não comenta investigações em curso”.

O criminalista Antonio Augusto Figueiredo Basto, que defende Youssef, afirmou que ainda não teve acesso às investigações do caso e que “a defesa de Alberto Youssef só vai comentar depois de estudar o processo”.

O criminalista Miguel Pereira Neto, defensor de Adir Assad, disse que ainda não tomou conhecimento dos detalhes da investigação que deu base à Vidas Secas, missão da Polícia Federal. “Depois que tivermos acesso aos autos é que poderemos nos manifestar”, disse.

O advogado Leonardo Bandeira, responsável pela defesa da Barbosa Mello, afirmou que nenhum diretor ou executivo da empresa foi preso ou conduzido para depor e que nem a empresa nem seus executivos foram alvos de buscas nesta manhã. Segundo o defensor, “a empresa ainda está tomando conhecimento do caso”.


DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Pinheiro não deve fidelidade ao PT

Alguém na imprensa local está muito interessado na saída do senador Walter Pinheiro do PT, fazendo de qualquer acontecimento pretexto para a insinuação.

A mais recente trata da “janela” aberta pelo Senado para que, a partir da promulgação, detentores de mandatos possam mudar de partido sem o risco de incorrer em infidelidade.

Estão esquecendo a decisão, em maio, do Supremo Tribunal Federal, pela qual a fidelidade partidária não é exigida de senadores, governadores, prefeitos e presidente da República.

Há até dois exemplos: as senadoras Kátia Abreu e Marta Suplicy, que trocaram, respectivamente, o PSD e o PT pelo PMDB. Ou seja, deve haver outro motivo para Pinheiro continuar petista.

Porta aberta

A propósito, a denominação de “janela” para a proposta de emenda constitucional chega a ser um ato falho da classe política.

Transmite a nítida ideia de que se trata algo escuso – e é mesmo, porque, ao abandonar o partido pelo qual foi eleito, o deputado ou vereador trai seu eleitor.

Pessoas civilizadas e honestas não pulam janelas, a não ser numa emergência procedente. Que tal mudar essa designação para porta?

dez
12
Posted on 12-12-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-12-2015


Myrrya, para o jornal A Crítica (AM)

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