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Postado em 11-12-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 11-12-2015 00:23

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Cunha não pode cair depois de Dilma

Uma razão meridiana norteia qualquer decisão que favoreça o impeachment da presidente Dilma: antes dela, necessariamente, é preciso tirar Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados e do próprio mandato parlamentar.

O contrário seria uma discriminação odiosa e injusta que clamaria por um cerco à Câmara para que a nação exigisse publicamente a cabeça daquele cidadão. Não sendo assim, às favas a democracia, a Constituição e o decoro.

O que se viu quarta-feira , no entanto, na reunião do Conselho de Ética, foi a disposição de evitar a qualquer custo que a letra da lei alcance Cunha, como estaria vigorando no plenário da Casa a disposição de trucidar Dilma, se não fosse a intervenção do STF.

Ação de Araújo é propícia à nulidade

Embora venha projetando desde o início a ideia de independência, com a determinação de tratar Eduardo Cunha como “um deputado como outro qualquer”, o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD), tem um comportamento que comporta interpretações em contrário.

Já há cerca de 15 dias, indagado sobre a viabilidade de Cunha permanecer na presidência, declarou textualmente: “Essa é uma pergunta difícil para eu resolver como presidente do Conselho de Ética, porque depois ele pode alegar que eu estou tomando partido, que eu estou contra ele”.

A frase, que não obteve a devida repercussão, é a própria imagem da suspeição, pois seu autor admite claramente, por lapso ou propósito, que uma declaração sua revelaria que ele é “contra” Cunha. Não cabe outra conclusão.

Mas foi quarta-feira, na sessão, que Araújo, aparentando uma firme disposição de derrotar os interesses de Cunha, mais pode ter contribuído para seus intentos, ao criar situações que resultariam em atropelos regimentais.

Um fato que saltou aos olhos, por estranho que é num cenário dessa natureza e importância, foi a chegada com atraso do deputado Paulo Azi (DEM), no momento em que Araújo ia proclamar o resultado de uma votação.

Sob protesto, o presidente acatou o voto de Azi, que empatava o placar, e negou que houvesse encerrado o processo, uma questão levantada pelo deputado Manoel Júnior (PMDB) e que poderá, mais adiante, ser motivo de nulidade da sessão.

À primeira vista, Araújo trabalhou contra Cunha, pois ele mesmo, no voto de minerva, decidiu que as votações no colegiado seriam abertas. Mas isso seria apenas um detalhe se, no futuro, uma decisão judicial pusesse a perder todo o esforço realizado até então.

Uma dupla do baralho

Araújo mostrou vocação para crupiê logo na abertura dos trabalhos. Questionado sobre a perspectiva de a presidência da Mesa da Câmara determinar a saída do deputado Fausto Pinato (PRB) da relatoria, como viria a acontecer, anunciou: “Tenho na manga dois deputados, que posso sacar”.

Referia-se a Zé Geraldo (PT) e Vinicius Gurgel (PR), que faziam parte da lista tríplice da qual saiu o nome de Pinato. Foi outra falha grave do presidente, ensejando aos partidários de Cunha contra-atacar com a exigência de novo sorteio de nomes, já que, necessariamente, o relator tem de ser escolhido numa lista tríplice. Acabou, como se sabe, sendo Marcos Rogério (PDT).

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 11 dezembro, 2015 at 0:35 #

Cada vez que Youssef colabora, mais chulé aparece. Agora foi a vez de Pezão e Sérgio Cabral Filho, o atual e o ex-governador do Rio pelo PMDB. O doleiro depôs ontem (10/12) e disse que a propina foi de R$30 milhões.

http://www.stj.jus.br/sites/STJ/default/pt_BR/noticias/noticias/Lava-Jato:-Youssef-confirma-propina-de-empresas-para-campanha-de-S%C3%A9rgio-Cabral-e-Luiz-Fernando-Pez%C3%A3o

Como a Lava-Jato é muito veloz:
STJ mantém o presidente e mais um executivos da Andrade Gutierrez na cadeia

http://www.stj.jus.br/sites/STJ/default/pt_BR/noticias/noticias/Lava-Jato:-STJ-mant%C3%A9m-executivos-da-Andrade-Gutierrez-na-cadeia


luiz alfredo motta fontana on 11 dezembro, 2015 at 8:08 #

Caro Luís

Repito aqui o que assinalei em comentário, dois dias atrás, sobre Araújo:
“O presidente da comissão de ética é um asno de todo gênero?
Talvez, mas o benefício da dúvida insta verificar se sua ação errática e amadora não teria sido adredemente negociada com o próprio Cunha.”

Seja qual fora o veredito, Araújo é um achado para a defesa de Cunha.

Mas, Fachin não seria o mesmo para Dilma?
Esqueçamos até a indicação, deixemos ao lado as referências, aqui e acolá, de seu passado de militância em prol de PT e MST, ainda assim, resta sua total inexperiência como magistrado, nunca exerceu esse mister, mal estreou a cadeira vetusta, talvez nem mesmo tenha se afeiçoado a inúmeros colaboradores que povoam o gabinete, todos regiamente pagos pela viúva.

Um magistrado virgem com o agravante de sua vocação a legislador revelada em suas declarações sobre a “criação” de um rito fachiniano.

Fachin e Araújo! Uma dupla nada sertaneja, sucesso em toda a mídia política.

Quanto a quem deverá escafeder-se em primeiro lugar, sugiro empate, juntos e de mãos dadas, a nação agradecerá em prece.


luiz alfredo motta fontana on 11 dezembro, 2015 at 8:42 #

Bomba! Bomba!

Cavalo não desce escada!

Alô Bahia!!!

Operação “Vidas Secas”

Desvio de dinheiro público nas obras de transposição do São Francisco!

O país da piada pronta:

“Transposição de recursos” é expertise do governo petista???


luis augusto on 11 dezembro, 2015 at 9:17 #

Fontana, eu assistia à sessão do Conselho de Ética e ia tendo minhas desconfianças. Mas foi quando vi seu comentário que resolvi adotar a tese. Abraços.


Taciano Lemos de Carvalho on 11 dezembro, 2015 at 12:38 #

Um texto que provoca reflexões. E calafrios: “Visões da crise: Estamos em contagem regressiva para o caos”

Do Blogue Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti

http://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2015/12/visoes-da-crise-estamos-em-contagem.html


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