Silvio Fróes (1946-2015).

Réquiem para um botafoguense

Lucas Fróes

A voz emulando um tom infantil, para dizer os maiores impropérios, transformava absurdos em comédia. O Rio de Janeiro é a extensão da Bahia e vice-versa. O pior detrator é aquele que conhece bem sua terra, porque é justamente o que mais gosta de falar mal.

– É tudo filho de puta!

O vocabulário bem particular não deixava dúvidas.

– Nem com banqueta e três-oitão!

O bordão era sobre alguém muito teimoso, que não larga o osso de jeito nenhum. Desbocado desse jeito, vai gostar de ser apresentado a Hermes & Renato.

“Realmente, é minha cara. Gostei muito, principalmente dos diálogos”.

O negacionismo risonho lhe obliterava os cinco sentidos ante a violência carioca. Ele nunca via porrérima nenhuma. Se algo aconteceu no bairro, não é porrérima nenhuma. E se os disparos foram na sua própria rua, também não foi porrérima nenhuma.

Pronto, Tio Silvinho virou o Tio Porrérima.

Mas não o confundam com as Tias. Ele parece até que viu todo mundo sair do armário. Diverte-se explicando que Fulano é tia, que Beltrano também é tia e que Sicrano, esse então, é tiésima. E ainda tem aquela bicha tão antiga que já não é nem tia, nem avó. É Bisa.

Viva Clóvis Bornay! Viva Cauby Peixoto! Viva Padre Pinto!

Para fazer valer a longevidade da família é preciso alguma parcimônia. Ele agradece, mas não quer que interfiram na plena posse dos seus sentidos hedonísticos.

– O médico disse que pode tudo, só não pode respirar.

Respirar até pode, só não deve beber, fumar e torcer para o Botafogo. Mas suas roupas e seu telefone celular exalam cheiro de fumaça, como se também fumassem junto com ele.

É um amante da vida! Barravento, Modern Sound, Braseiro, Jobí ou qualquer boteco em que se possa beber um chopp encostado no balcão. A cerveja, insiste, não faz mal.

– É o meu hidratante.

Poucas pessoas cuidaram tão bem da hidratação! Seja qual for a estação do ano, hidratar é preciso.

Tampinha da Guanabara, Filósofo de Bolso, Dustin Hoffman de Copacabana.

Ninguém cresce nunca! Quase sete décadas de experiência não amenizam a ansiedade de debutante. Não pode esperar um segundo, o que dirá até amanhã. Fala pelos cotovelos, escreve pelas cartas e pelos bilhetes deixados de madrugada.

“Maluf foi preso. Beijos.”

Pena que a novidade não é mais atual.

Piloto de carrinho de rolimã na Ladeira dos Aflitos, torcedor de Fórmula 1 até o último domingo. Pior para Rubinho, que mereceu ter a pronúncia do nome ironicamente alterada, por conta das pataquadas na pista. Pena que a tevê não fazia a mesma tradução das conversas pelo rádio entre piloto e equipe.

– Rubino, seu filho de puta, a Ferrari vai pagar o conserto do carro com um cheque de seu pai!

Pelouro, apelido de craque requisitado na época da Cidade da Bahia em preto-e-branco. Branco e preto como o seu Alvinegro da estrela solitária.

Há certas coisas que só acontecem ao Botafogo, diz a antiga máxima de Carlito Rocha, o mítico ex-presidente do clube, que não desgrudava do cachorro Biriba. O Botafogo é um time que já entra em campo vestido de zebra. É fácil ganhar uma aposta dos botafoguenses, eles quase nunca riem por último. Nessa hora, estão mais acostumados ao chororô. Pelo telefone, atirando para todos os lados, é melhor mudar de assunto.

– Lula quer levar o Pão de Açúcar pra São Bernardo do Campo!

O exagero cômico e a blague contra os paulistas são muito anteriores ao nouveau antipetismo.

Em 1968, a trincheira era outra e o perigo iminente. Era preciso estar atento e forte. A banqueta e o três-oitão não eram só metáfora. Se safou pulando o muro da UFRJ, antiga Universidade do Brasil, enquanto os estudantes que não tiveram a mesma sorte foram levados ao campo do Botafogo e espancados pela escória dos belenguins, em um conhecido episódio dos Anos de Chumbo, estopim para a Sexta-Feira Sangrenta do dia seguinte.

Justo no campo do Botafogo! Há coisas que só aconteciam em 1968.

– Andar com esses livros naquela época era pior do que ser pego com cocaína hoje em dia.

Livros escritos por um grande, e hoje lamentavelmente esquecido, “comunista” baiano.

De lá para cá, muita farsa e tragédia. Seis a zero pra um lado, seis a zero pro outro, além de um 6 x 1 de lambuja; Maurício tirando o Botafogo da fila, com um empurrãozinho em Leonardo; Túlio, o artilheiro comediante, marcando gol impedido. E ainda Loco Abreu fazendo a camisa alvinegra virar celeste, além de Seedorf jogando a saideira.

Sepultado com a bandeira do Botafogo, no dia em que o time voltou para a 1a. divisão, os três dias de luto que o clube decretou, em homenagem a Sandra Moreyra, coincidiram de também lhe servirem. Há coisas que só acontecem aos botafoguenses.

Morrer dormindo é a melhor morte, quem vai não sofre nada. Quem fica tem a tarefa e o alento de lembrar. Mas para fazer jus ao que ele sempre foi, o ideal seria que morresse falando. Se bem que, pra quem falava até enquanto dormia, sonhando em alto e bom som, talvez esse tenha sido o desfecho ideal.

Lucas Fróes é jornalista. Sobrinho querido de Silvio Fróes, o botafoguense de fato até dormindo.


Botafoguense de carteirinha.

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

De Brizola a Temer, PT soberbo de sempre

Tratada muito adequadamente de carta-bomba, a mensagem do vice-presidente Michel Temer à presidente Dilma Rousseff reflete o clímax de uma práxis histórica do PT em que a indisposição ao diálogo e à concessão são a marca principal.

O partido que, na sua origem, cultivava a veleidade do isolacionismo e da superioridade política, que não aceitava alianças, somente apoios, que não assinou a Constituição, hoje está para ser empurrado abismo abaixo com seus maiores nomes, inclusive, e principalmente, a presidente da República.

Os motivos e os sinais estão, todos, na carta, de cujo explosivo conteúdo vale destacar a parte que significa o desprestígio devotado ao vice-presidente, ditado pelo desprezo aos que, não sendo petistas, não são “iguais”.

O “vice decorativo” – chutado para longe até em caso de reuniões protocolares, como a que Dilma teve, justamente, com o ocupante do posto correspondente ao dele nos Estados Unidos – chegou ao ponto do não-retorno depois de ter tido, por longos anos, uma discreta postura institucional.

Convidado a socorrer a presidente quando as chamas já estavam altas, Temer viu boicotada no palácio e no partido a articulação com que pretendia superar problemas relativos à ocupação de cargos no governo e à pauta congressual, deixando profunda dúvida sobre a capacidade de avaliação da conjuntura de tão elevados próceres.

Não é surpresa essa tresloucada empáfia do PT, ainda mais que se encontra no usufruto do poder. Fora dele, era pior, sendo exemplo histórico o boicote à participação de Leonel Brizola em diretrizes da campanha de 1998, quando foi o vice na chapa de Lula. “Não nos ouviam”, queixou-se, depois, estupefato, o velho líder trabalhista.

Miragem no deserto das ruas

“O PT — em especial o ex-presidente Lula, vem incentivando sua militância a ocupar as ruas para defender o governo”, assegura o respeitado jornalista Felipe Betim em El País, conforme repercute o site Bahia em Pauta.

Se não for blefe, é delírio. Será um esforço vão. A deterioração do quadro e os exemplos anteriores de “manifestações” dão conta plenamente de que não é nas ruas que Lula e o PT encontrarão guarida.

Wilson Simonal, saudade descomunal, de rimar com o nome de um dos melhores intérpretes do Brasil em todos os tempos!

BOM DIA!!

(Gilson Nogueira)

DO EL PAIS

É provável que em uma roda de conversa na qual o assunto em questão fosse o vice-presidente Michel Temer alguém se saísse com pelo menos uma das seguintes análises de sua personalidade: “ponderado”, “político de bastidor”, “pouco afeito a arroubos”, “cauteloso”, “plácido”, “formal”, “sóbrio”, “homem que confirma, mas não faz o lance” e “alguém que caminha ao lado do mais forte”. Em um perfil de 2010, publicado na revista Piauí, pouco antes de Temer virar vice-presidente, seu sorriso metálico foi definido pela jornalista Consuelo Dieguez como seu “traço de expressão mais eloquente”.

A imagem de Temer comumente feita por analistas, jornalistas, políticos e cientistas sociais, contudo, não guarda semelhanças com a persona política que ficou evidente através do conteúdo da carta enviada por ele (e vazada talvez nunca saibamos ao certo por quem) à presidenta Dilma Rousseff. Só que se o fato for tratado apenas como algo atípico, não estará se levando em conta o histórico de decisões de Temer, nem o fato de que, apesar de ser tido como alguém que trabalha por trás das cortinas, ele é um homem de 75 anos, ambicioso, que nunca teve votações muito expressivas e que agora tem a possibilidade, mais real do que nunca neste momento, de acabar com a faixa de presidente da República atravessada no peito. Alguns interpretam que ele já a vestiu, de fato, há algumas semanas, diante de seus últimos passos, que culminaram com a exposição da missiva.

Para um interlocutor próximo a Temer, a carta – que ele disse ter sido vazada em parte pelo Governo e, depois, na íntegra pelo vice – não deixa dúvidas: o peemedebista já comprou a tese do impeachment de Dilma, construiu um discurso constitucional sobre o assunto e não arreda mais pé. “Ele não é de arroubos, nem de jogar para plateia. Quando decide, decide e pronto”, disse.

Dois episódios anteriores foram fundamentais para entender essa leitura. Em 2002, a chamada banda do Senado do PMDB, representada por Renan Calheiros, apoiou a candidatura de Lula. Grandes caciques do partido seguiram o movimento. Temer, da Câmara, ficou com os tucanos, colocando Rita Camata como vice de José Serra (PSDB). Em 2005, no pior momento do chamado mensalão, o PMDB se aproximou do ex-presidente e, em 2007, Michel Temer foi fundamental para que o partido passasse a integrar oficialmente o Governo. Segundo o interlocutor do vice, ao lado desses dois episódios, estaria, agora, a carta.

Se faltam a Temer rompantes políticos, sobram-lhe os de poeta. Capaz de recitar versos de Castro Alves de cabeça, o vice-presidente lançou, em 2013, o livro de poemas Anônima Intimidade.

Se faltam a Temer rompantes políticos, sobram-lhe os de poeta. Capaz de recitar versos de Castro Alves de cabeça, o vice-presidente lançou, em 2013, o livro de poemas Anônima Intimidade. “Escrever é expor-se./ Revelar sua capacidade/ Ou incapacidade./ E sua intimidade./ Nas linhas e entrelinhas./ Não teria sido mais útil silenciar?”, escreveu na poesia Exposição. Para alguns, os arroubos de escritor seriam um sinal, ainda que folclórico, de outro traço de Temer: a vaidade, que também escapuliu, só que de outro modo, em entrevista desta terça-feira a Jorge Bastos Moreno, de O Globo. Nela, ele justifica suas últimas ações indagando: “O que o Supremo não pensaria de mim?”, em referência às declarações do Ministro Jaques Wagner de que “assim como nós, Temer não vê lastro jurídico” no pedido de impeachment. Desse modo, o papel de constitucionalista, que ele tanto cultiva, poderia ser colocado em dúvida. A carta, portanto, seria um modo de se defender.

Legítimas ou não, as ações de Temer serviram de brecha para reações. Uma delas veio de um dos políticos mais interessados no posto de Presidente da República, o senador Aécio Neves (PSDB). Segundo O Estado de S. Paulo, o tucano criticou, também nessa terça-feira, o tom “fisiológico” usado por Temer no documento. “Talvez fosse mais apropriado discutir na carta mais questões do País que assuntos de caráter pessoal e interno. Acho que houve ali um destaque excessivo para nomeação ou ausência de nomeações.”

Com 1,70 metros, magro e de postura ereta, a figura de Temer passa exatamente a imagem que tantos têm dele: uma pessoa sóbria, pouco dada a extravagâncias. Pai de cinco filhos, é casado com Marcela, 42 anos mais nova que ele, com quem tem um menino de 5 anos, o Michelzinho. No perfil publicado na Piauí, ele foi definido por Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Integração Nacional do Brasil, como alguém que é “ousado apenas nas conquistas amorosas”. A fama de austero talvez seja um dos motivos do porquê do significado da carta ainda não ser uma certeza.

“Com essa carta ele ainda está indo para cima do muro, não é uma total tomada de posição. O que acontecer a partir de agora, aconteceu, afinal, essa é a única chance de ele ser presidente do Brasil em todos os tempos, mas ele não é o cara que criou o impeachment. As coisas vão caindo no colo dele e ele vai agindo”, comenta o psicanalista Tales Ab’ Sáber, que já escreveu livros trançando os perfis políticos e psicológicos de Rousseff e do ex-presidente Lula. Para uma fonte ligada ao PT, a carta não é, de fato, um atestado definitivo pró-impeachment. Os sinais de que um movimento mais brusco e muito significativo estava por vir, contudo, não são de hoje.

Primeiro foi o comentário feito a jornalistas de que o Brasil precisava de alguém capaz de “reunificar a todos”, em agosto. Depois, em setembro, a opinião, expressa em uma palestra ao empresariado de São Paulo, de que a presidenta dificilmente chegaria ao final do mandato se sua popularidade continuasse em 7%, 8%. Por fim, mais recentemente, o fato de ele ter ignorado o plano proposto por Renan Calheiros, batizado de Agenda Brasil, de recuperação da economia, e ter lançado, pela Fundação Ulysses Guimarães, o documento Uma Ponte Para o Futuro com propostas econômicas para o país.

Segundo essa mesma fonte, o que Temer está tentando fazer é criar ao seu redor a imagem de que ele seria essa figura capaz de unificar o Brasil. “Esquece-se, no entanto, de que Rousseff não é Collor, que o PT ainda tem forças para atrair a esquerda em um discurso pró-legalidade, que o Governo conta com apoio de uma maioria de governadores, que declarações importantes, como a dada por Roberto Setubal – presidente do Itaú Unibanco, que disse em agosto defender a permanência de Dilma no cargo – contam muito.” Além disso, ainda há o PMDB, com suas divisões internas e turbulências.

Esquece-se, no entanto, de que Rousseff não é Collor, que o PT ainda tem forças para atrair a esquerda em um discurso pró-legalidade, que o Governo conta com apoio de uma maioria de governadores”

Em seu site, o cientista político Rudá Ricci, publicou texto em que a carta é tratada como uma reação a um movimento positivo ao redor do Governo – iniciado já no final da semana passada com apoio de instituições políticas e sociais. Para ele, esta terça seria o dia para se ter “alguma noção do poder de fogo do lado de lá”, referindo-se a Temer. Se a reação ficasse apenas na carta, tudo não passaria de um “blefe da oposição”. Como resposta, no final do dia, a bancada pró-impeachment obteve uma vitória ao colocar uma maioria de deputados anti-Dilma na comissão que avaliará o processo de impedimento – vitória que, no entanto, já foi suspensa pelo STF para que se possa analisar manobras pouco ortodoxas usadas por Eduardo Cunha (PMDB) na votação.

Por enquanto, contudo, nem o Governo bateu a porta na cara de Temer – em um movimento que pode indicar a ação dos ministros Jaques Wagner, da Casa Civil, e Edinho Silva, da Comunicação –, nem Temer bateu a porta na cara do Governo. Apesar do teste de forças, avalia a fonte ligada ao PT, ainda há portas abertas. Não à toa, está previsto para esta quarta-feira um encontro entre a presidenta e o vice. Para o cientista político Claudio Couto, contudo, a missiva é só mais uma amostra da confusão do Governo. “Ainda que a com a entrada de Jaques Wagner a situação política tenha melhorado, o Governo é muito inábil politicamente, não soube lidar e nem usar a figura do próprio vice-presidente”.

Recentemente, em um almoço de Temer com vários personagens políticos, uma pessoa o cumprimentou chamando-o de “presidente”. Claro, o epíteto usado pode não passar de uma referência à presidência do PMDB, também exercida por ele. Mas se, como disse Consuelo Dieguez, o sorriso do vice-presidente é um índice de sua eloquência, há que se ficar atento aos seus dentes nos próximos dias. Talvez eles sejam a melhor medida do que pretende Michel Temer.

DO BAHIA JÁ (CULTURA)

ROSA DE LIMA

Diógenes Rebouças no livro de Symona

A Coleção “Gente da Bahia” editada pela Assembleia Legislativa lançou mais uma preciosidade com texto da jornalista Symona Gropper (305 páginas com fotos e ilustrações, EGBA, 2015) sobre a biografia de Diógenes Rebouças, arquiteto autor de importantes obras em Salvador – Estádio Octávio Mangabeira (Fonte Nova), Escola Parque do Centro Educacional Carneiro Ribeiro (Caixa D’água), Avenida Contorno, Hotel da Bahia, Escola Politécnica da UFBA, Escola de Arquitetura da UFBA, Edificio comendador Urpia, etc – e que atuou com uma arquitetura integrada à cidade, sem agredí-la como é comum nos dias atuais.

Disse na inicial que o livro é uma preciosidade porque pouca gente conhece a personalidade Diógenes Rebouças e sua importância para a arquitetura baiana e para a cidade do Salvador, sua visão humanista e o amor que tinha pela capital, cidade que adotou como sua. Diógenes nasceu em Amargosa e conheceu a cultura do cacau quando sua familia mudou-se para Itabuna, onde iniciou os primeiros estudos.

O livro de Symona, bem escrito, de fácil leitura, traz depoimentos de arquitetos que conviveram com Rebouças, de seus familiares, de amigos e isso reforça o traço de sua trajetória profissional, de um homem avesso a qualquer tipo de estrelismo, reservado por natureza, tímido, mas de uma personalidade forte, opiniões firmes sobre os projetos que criou, defendeu e executou.

O diálogo inicial de abertura do livro com Mário Leal Ferreira, do EPUCS, sobre o local onde deveria ser construido o Estádio da Fonte Nova, ele que chega a capital a convite de Leal Ferreira, revela sua personalidade de homem determinado, de uma pessoa que além de ter opinião própria a sustentava com vigor, não aleatoriamente, mas, diante da lógica e da realidade.

Diógenes Rebouças cresceu aos poucos, o projeto da Fonte Nova foi a vitrine. Conseguiu seu lugar ao sol na história da arquitetura baiana graças ao trabalho em obras para a Bahia e Sergipe, sempre feitos com muita categoria e pioneirismo.

Não foi uma figura de fácil convivência no trabalho, em seu escritório, e nos locais onde ensinava. Era aquele tipo durão, introspectivo, detestado por muitos e amado por poucos.

Terminou o curso de pintura na Escola de Belas Artes em 1937 e recebeu o título de professor de desenho e pintura, mas saiu da EBA sem concluir o curso de arquitetura. Nunca se formou. Em 1952 recebeu o título de arquiteto da UFBA, segundo a autora, “quase um título honorífico para viabilizar uma prática que já existia”.

Diógenes se transformou numa figura mitológica da arquitetura baiana. Era considerado o primeiro arquiteto moderno da Bahia, urbanista e artista plástico, além de engenheiro agrimensor e professor.

“Diógenes era polivalente. Conseguia fazer arquitetura das mais diversas tipologias e escalas”, constata Nivaldo Andrade em depoimento a Symona.

“Tímido, fechado, de comunicação dificil, Diógenes não tinha a mesma relação com todos os alunos, nem dava a todos a mesma atenção”, comenta em depoimento, Paulo Ormindo, o qual cita que Rebouças criou duas categorias no alunado a dos ‘preteridos” e dos “peixinhos de Diógenes’.

Por que personagem tão contorversa, amigo de grandes empresários e de governadores, com vida familiar de poucos amigos, de dificil trato profissional e no ensino, obteve tanto destaque na arquitetura baiana?

Entende-se por sua genialidade, pela forma como trabalhava ajustando os projetos à topografia da cidade sem nocauteá-la, por sua dedicação aos projetos que executou de corpo e alma, por ser um perfeccionista. Se não gostava de um desenho (naquela época não havia computadores) rasgava imediatamente.

Um dos seus alunos mais próximos e depois colaborador, Helidorio Sampaio, conta que Diógones costumava repetir a seguinte expressão: – Heliodorio, papel aceita tudo. O projeto de arquitetura, o desenho pode ser rasgado e jogado fora. Mas depois que você faz a obra, ela está lá para o resto da vida, certa ou errada. Se for feita com erros, estará sempre lá, espiando nossos equívocos.

Diógenes era muito seletivo e critico com os arquiteots. De sua geração não gostava de ninguém, classificava-os de “desprezíveis”, segundo informa Ronan seu confidente.

Durante pelo menos 20 anos, só Diógenes era escolhido para as grandes obras na Bahia. Entre os anos 1940 e 1960, ele reinou absoluto e deixou a sua marca de forma indelével para a capital biana – cita a autora e completa: não houve qualquer outro arquiteto a ter tanto poder como ele. Nenhum projeto arquitetônico ou urbanístico se fazia na Bahia sem passar pela sua avaliação. E todos os projetos que não fez, ele indicou quem os fizesses.

É essa história que Symona Gropper oferece aos leitores em capítulos bem estruturados e de fáeis leituras: o homem – as peripécias familiares com Dulce, Delza, Diozinho, Ronan e outros; o arquiteto e urbanista – o Epucs, a Avenida Contorno, o escritório, o Hotel da Bahia, a Escola Parque, projetos; o professor – sedutor critico, vozeirão, MAM-BA, UFBA; o artesão plástico – dicumentarista da Bahia; e uma galeria de suas pinturas.

Isso, Diógenes produziu várias pinturas da cidade do Salvador dos anos 1940 e pouco mais, de locais que hoje sequer existem mais, como a Rua do Colégio, a antiga Igreja de São Pedro e a Sé Primacial com vista para a Baía de Todos os Santos.

Para quem deseja conhecer a cidade do Salvador um pouco mais, na essência, esse é o livro.

dez
10
Posted on 10-12-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-12-2015


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

Um grupo de seis homens aborda uma estudante dentro de um ônibus na Índia. Eles estupram a jovem que morre dias depois no hospital. Revoltadas, as mulheres da Índia vão às ruas protestar e engajam a população, detonando uma onda mundial de indignação contra esse tipo de violência. Esse é o mote do filme India’s Daughter (Filha da Índia) que, censurado em seu país, será exibido no dia 10/12 (quinta-feira), no Colégio Salesiano, no bairro de Nazaré, às 16h. A sessão será seguida por um debate com Viviana Santiago, Especialista de Gênero da Plan, e Dinsjane Pereira, Coordenadora de Proteção Especial da SEMPS, com mediação da Marta Alencar, da FIEMA. O filme tem duração de uma hora e classificação indicativa de 18 anos.

Dois dias depois, no domingo dia 13/12, 50 jovens das escolas públicas Alfredo Magalhães, Euricles de Matos e Azevedo Fernandes, irão fazer um Passeio Pedagógico, passando por pontos turísticos do centro de Salvador, para distribuir a cartilha da campanha “Quanto Custa a violência sexual contra meninas?” com informações sobre como identificar um abuso e o passo a passo da denúncia. Estes estudantes são Jovens Mobilizadores e fazem parte do projeto Turismo e Proteção a Infância em Salvador que tem como objetivo mobilizar a sociedade civil, as redes de proteção a criança e ao adolescente e o trade turístico sobre a importância de proteger nossas crianças da exploração sexual comercial.

“Estas ações são importantes para refletir sobre o tema da violência contra as mulheres. O filme traz à tona importantes questionamentos quanto à cultura do estupro, o que precisa ser debatido em toda a sociedade”, explica Viviana. “Envolver jovens nesta mobilização de conscientização também é extremamente positivo, pois quanto mais cedo uma menina e um menino compreenderem esta cultura, maiores são as chances dela ser desconstruída o quanto antes”.

A distribuição da cartilha e a exibição do filme estão acontecendo em diversas cidades do Brasil como ações da campanha “Quanto Custa a Violência Sexual contra as Meninas?”, promovida pela Plan International Brasil, organização humanitária internacional pelos direitos da criança e do adolescente, que faz um alerta para o País. “A maioria dos estupros não é cometida por desconhecidos na rua. Por aqui, os abusos geralmente acontecem dentro de casa e são realizados por conhecidos das meninas. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mais da metade dos casos acontece com meninas menores de 13 anos”, afirma Anette Trompeter, diretora nacional da organização.

A campanha “Quanto Custa a Violência Sexual contra as Meninas?” pretende promover e qualificar o debate sobre a violência sexual contra as meninas que já chega a mais de meio milhão de casos por ano no Brasil. Para isso, além de peças de comunicação e ações em mídias sociais, contará com uma rede de organizações de todos os setores na realização de iniciativas pelo Brasil, desde a exibição do filme India’s Daughter (Filha da Índia) e debates sobre a violência sexual contra meninas, passando pela elaboração de materiais informativos sobre a identificação de abuso e violência sexual, como denunciar estes crimes e procurar a rede de atendimento para meninas que sofreram com este crime. Mais informações sobre a campanha na página do Facebook.

O estupro é considerado um dos crimes menos notificados do Brasil, apesar de ser tratado como hediondo pela justiça. Cerca de 50 mil casos de estupro são denunciados todos os anos no Brasil, mas estima-se que isso represente menos de 10% do total de casos. Aquelas que passam por essa situação deixam de denunciar com medo de represálias, com vergonha de se expor, e até mesmo com receio de serem culpadas ou tachadas pela violência sofrida.

O cenário é ainda pior quando se considera o universo infantil. Uma série de situações previstas como crime no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em que adultos se aproveitam da fragilidade das crianças para ter satisfação sexual, não é entendida da mesma forma por parte da população.

India’s Daughter (Filha da Índia)

Salvador – BA

Quando: 10/12 às 16h.

Onde: Colégio Salesiano

Praça Conselheiro Almeida Couto, 374 – Nazaré

Ingressos: Gratuito, para maiores de 18 anos

Turismo Pedagógico

Vivendo a história da Bahia – Visita guiada ao Centro da cidade de Salvador

Quando: 13/12, a partir das 7h

Roteiro:

07h – Saída do Rio Vermelho

07h30 – Pelourinho

08h30 – Bairros da Vitória e Graça

09h – Porto da Barra

09h30 – Farol da Barra – Visita ao Museu Náutico

11h – Mobilização no Farol

11h30 – Retorno para as escolas

Sobre a Plan

A Plan International é uma organização não-governamental de origem inglesa ativa há 76 anos e presente em 70 países. No Brasil desde 1997, a Plan possui, hoje, mais de 20 projetos que atendem, aproximadamente, 75 mil crianças e adolescentes. Sem qualquer vinculação política ou religiosa e sem fins lucrativos, está voltada para a defesa dos direitos da infância, conforme expressos na Convenção dos Direitos da Criança, da Organização das Nações Unidas. Assim sendo, a organização trabalha em prol da proteção e contra a violência e abusos de todo tipo, contra a pobreza, a desigualdade e a degradação do meio ambiente e por uma boa alimentação, saúde e educação. A Plan parte do princípio de que assegurar o direito de crianças e adolescentes é um dever e não uma escolha. Para isso, capacita as comunidades a fazer valer esses direitos. Mais informações sobre a Plan Brasil em www.plan.org.br.

Sobre a Catalize

A Catalize, produtora de causas, é uma empresa de comunicação para a transformação social. Em 2014, sua equipe criou a campanha Repense, de conscientização sobre o potencial terapêutico da cannabis. Usando diversas ferramentas de comunicação e engajamento, ela criou uma mobilização social que levou o governo e o Conselho Federal de Medicina a aprovarem o uso de derivados da planta para a epilepsia. A campanha foi finalista da edição 2014 do prêmio Faz Diferença, do jornal O Globo, recebeu o prêmio Architects of the Future da Fundação abc* (Miami) e a porta-voz da campanha recebeu o prêmio Trip Transformadores 2015.

Apoio :: Taturana Mobilização Social | www.taturanamobi.com.br ::

A TATURANA é um negócio social que atua na difusão de obras audiovisuais brasileiras. Desde 2013, realiza ações de mobilização social e articula circuitos alternativos de exibição e atividades socioculturais para filmes, como os documentários Elena (2013), Ilegal (2014), Sem Pena (2014) e A Lei da Água (2015). Essas ações já mobilizaram milhares de espectadores em circuitos alternativos e centenas de rodas de conversa, e têm como objetivos: Democratizar o acesso ao cinema brasileiro; Formar público para a cultura audiovisual; Engajar pessoas em causas socialmente relevantes; Ocupar espaços públicos e de interesse público com atividades socioculturais.

Mais informações para a imprensa com:

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Luiz Soares – Ramal 20 – (11) 98752-4637 – luiz@lead.com.br

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