DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Representação: o carcará Cunha e a major Dilma

Lima Duarte e José Wilker foram inimigos mortais na trama “Roque Santeiro”, exibida pela Rede Globo em 1985 – a novela que veio a ser depois de ter quase sido, no entanto impedida pela censura vigente dez anos antes.

Sinhozinho Malta, personagem de Lima, odiento dos males que lhe poderia causar o contracenante Roque, apelidou-o de “Carcará Sanguinolento”.

Alguns anos depois, estavam em novo folhetim global, “Fera Ferida”, em que um era o Major Bentes e o outro era o prefeito Demóstenes, dessa vez aliados nas artimanhas e tendo como adversário o enigmático químico Raimundo Flamel, vivido por Edson Celulari.

Diálogo entre Bentes e Demóstenes é memorável, quando o primeiro, referindo-se ao “intruso” na “pacata” cidadezinha de Tubiacanga, trata-o, justamente, de “Carcará Sanguinolento”.

Wilker, com aquele jeitão cínico que o caracterizava nas atuações e, às vezes, na “vida real”, observa, com suspeita compenetração, algo como: “Boa, Major, onde o senhor foi arranjar essa?”

O quadro de ficção é semelhante à trágica realidade atual, mas ao inverso. No primeiro ato, a presidente Dilma e o presidente Cunha eram irreconciliáveis, até que um roteirista qualquer os colocou novamente no mesmo texto.

Ante os apupos da plateia, os protagonistas resolveram assumir os verdadeiros papéis. Dizendo-se heroína, Dilma tachou Cunha de vilão. Cunha respondeu que era ela. Está para pegar fogo no teatro. Qualquer que seja o desfecho, o fracasso é inevitável.

Severino Quebra-galho

A propósito, nessa dramática tragédia, Wagner é o ponto. Fica dos bastidores, soprando. Mas parece que não estão prestando muita atenção nele.

Eu contra ele

Houve condenações a Dilma por ter encarado Cunha, mas foi a melhor coisa que poderia ter feito. Legitimidade por legitimidade, ela foi mais ela.

Cunha está no mais baixo lodo da política nacional. Dilma, acima dele, tem de capitalizar a rejeição ao desafeto.

Opondo-se tenazmente a ele, como fez, de novo, hoje, a presidente, que precisa do mínimo respaldo da opinião pública para se segurar, busca simpatia pela polarização.

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Comentários

Jader martins on 6 dezembro, 2015 at 7:07 #

Janio de Freitas na FSP:
Um poder marginal
06/12/2015 02h00

É pouca –se houver alguma– a percepção de que já estamos fora do regime democrático. É a realidade, porém. Está negada a validade do sistema jurídico, essencial no regime democrático, que tem por base o respeito aos direitos fundamentais e aos deveres a que estão sujeitos não só cidadãos em geral, mas também os ocupantes dos poderes constituídos.

A situação da atual Câmara dos Deputados foge aos seus deveres e responsabilidades constitucionais. Estar sujeita à condução de um parlamentar a quem são imputados vários atos criminosos já configura anomalia incompatível com a condição de Poder Legislativo. Assim conduzida, a Câmara dos Deputados sequer consegue que o seu Conselho de Ética opine sobre ser admissível, ou não, uma investigação superficial das acusações de delinquência e crime ao presidente da Casa.

O que se tem passado na Câmara, ao longo de todo este primeiro ano de nova legislatura, não são os meros artifícios com que casas legislativas contornam dificuldades cronológicas, impasses regimentais e acordos problemáticos. São manipulações só possíveis com o uso impróprio do poder funcional, são pressões, são ameaças, punições à resistência e recompensas indevidas. Em grande parte, à sombra do desconhecimento público, pouco e quase sempre mal abastecido, a respeito, pelos meios de comunicação outra vez cedendo espaço do jornalismo a práticas partidárias/ideológicas –o que parecia ser passado já distante no serviço noticioso brasileiro.

Foi esta e foram outras tolerâncias interessadas, com muita contribuição de parlamentares destacados, que levaram a Câmara à sua situação atual. Ou seja, expeliram a Câmara dos Deputados para fora dos seus deveres e responsabilidades.

Em paralelo, o Ministério Público cumpre um papel semelhante ao de testemunha indiferente, com a posse inconsequente da documentação que lhe foi presenteada pelo trabalho investigatório de promotores suíços. Talvez o que lhe seja permitido esteja muito aquém do mínimo conveniente, mas se um senador foi preso por palavras que, umas, provaram-se balelas, outras, não foram levadas a fato algum, documentos incriminatórios devem servir para algo mais do que se saber existirem.

O presidente da Câmara é o segundo na linha de sucessão, elevado a presidente se o vice-presidente posto em exercício precisar afastar-se, em intervalo ou em definitivo. Só isso já indica a dimensão do que a atualidade degenerada da Câmara representa, na sua marginalidade.

CORRETO

Se o preço era provocar um ato vingativo, o PT pagou-o. Não podia apoiar alguém como Eduardo Cunha no Conselho de Ética. Para aliar-se a ele é necessária uma qualidade especial: equivaler a ele.

OS ATRASADOS

No noticiário sobre o pedido de impeachment para Dilma, no Rio um jornal informou o aumento imediato da Bolsa. No dia seguinte, o senador Ronaldo Caiado, com a seriedade de representante da bancada ruralista, retomava o aumento como prova do apoio “popular” ao impeachment. Jornalistas e senador esqueceram que, ao ser comunicada por Eduardo Cunha a sua decisão, a Bolsa já estava fechada havia quase três horas.

A história de um golpe tramado no Senado para soltar Delcídio do Amaral não perde para a anterior. O golpe formidável teria falhado porque o ministro Edson Fachin, do Supremo, decidiu por votação aberta dos senadores, sobre soltarem o colega ou não. Mas, na verdade, quando a decisão de Fachin foi comunicada ao Senado, já a maioria dos senadores, muito antes, decidira por votos abertos. Renan Calheiros até gozou o recurso ao STF do excitado senador Randolfe Rodrigues.

Os relógios ficcionistas estão atrasados. Como os donos.

À ESPERA

Impeachment? Tudo indica que será preciso esperar as ações na comissão dos 65 para vislumbrar propensões. Até lá, pode haver opiniões e análises interessantes, opções políticas, e não muito mais. A deslealdade é a norma na Câmara atual. Logo, os números de quem está com quem são inverossímeis.


luiz alfredo motta fontana on 6 dezembro, 2015 at 7:57 #

Bolinho de Jesus!!!

Mãe – Joãozinho!!!
Joãozinho – Que foi mãinha??
Mãe – Cê tá de castigo!!!
Joãozinho – Que qui fiz?
Mãe – Cê pegou 5 reais da bolsa da tua irmã, sem pedir! Coisa feia!!!
Joãozinho – Eu nunca beijei o filho do açougueiro atrás da igreja!!!! Já a maninha!!!

Moral da história: Joãozinho tem futuro político!

E mamãe, segundo muitos, deve tolerar, até aplaudir, o “atire a primeira pedra” é salvo conduto da pilantragem nacional. Já a maninha vai ter de se explicar.

Que surja um impoluto ou somos todos venais!!!

Bordel geral admite até acarajé como “bolinho de Jesus!. Perdão Iansã!!!


luiz alfredo motta fontana on 6 dezembro, 2015 at 8:14 #

Ando nostálgico!

Tenho lembrado do “causo” contado por um velho professor e amigo, o Orlando, nascido em Potirendada, SP.

Reza a lenda, Adhemar de Barros, em campanha para o governo de São Paulo, pela segunda vez, já com a pecha de “rouba mas faz”, comparece em comício em São José do Rio Preto, SP.

No meio da fala, após uma estudada pausa, entoa:

– Se chove muito, culpam ao Adhemar!!!
– Se a seca castiga a natureza, culpam o Adhemar.
– Se há surto de sarampo, culpam o Adhemar!

Nova e solene pausa.

A voz agora soa dramática:

– Outro dia em Sorocaba, SP, uma senhora humilde e desprovida de recursos, deu a luz a trigêmeos!!!

Pausa entrecortado por “cruzes” e “ais” das senhoras presentes.

E finaliza irônico:

– Juro, por Nossa Senhora de Aparecida, que há mais de cinco anos, não coloco meus pés naquela aprazível cidade!!!

Pois é!!!
Perdemos o humor, restou-nos o cinismo!


luis augusto on 6 dezembro, 2015 at 9:41 #

Gangsterismo, repito, é a palavra que resume tudo.


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