DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Michel Temer é o maior envolvido por Delcídio

Não está sendo convenientemente analisado trecho da conversa grampeada do senador Delcídio Amaral que levou a sua prisão, decretada pelo Supremo Tribunal Federal e ratificada pelo Senado.

É quando o senador, numa referência direta ao vice-presidente da República, Michel Temer, confidencia que contava com seu apoio, inclusive junto a ministros do STF, porque “o Michel está muito preocupado com o Zelada”.

Fala-se de Jorge Zelada, sucessor de Nestor Cerveró na diretoria internacional da Petrobras, preso na Operação Lava-Jato sob a acusação de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.

Em nome dele foi descoberta conta secreta na Suíça com 12 milhões de euros. Sua agenda indica 15 encontros com o operador de propinas do PMDB, João Henriques, outro preso.

Um só negócio, a contratação do navio-sonda Titanium Explorer pela Petrobras, em 2009, rendeu o suborno de 31 milhões de dólares, dos quais 10 milhões foram destinados ao partido.

Assessoria diz que nada tem a temer

É inevitável que, um dia, afinal, se faça esse elementar trocadilho com o nome do vice-presidente Michel Temer, que, embora outras acusações tenha sofrido na vida, jamais enfrentou um situação em que sua honra estivesse, de fato, em xeque.

Não é preciso provas para que, pelo menos do ponto de vista político, levantem-se dúvidas sobre Temer. O senador Delcídio não forjaria em dados falsos um diálogo que o levou à cadeia apenas para comprometer o vice-presidente.

As palavras que pronunciou têm força de pura verdade. Temer deve estar “preocupado” com o que Zelada possa dizer, e por isso Delcídio teria argumento suficiente para levá-lo a conversar com “o Gilmar” – o ministro do STF Gilmar Mendes.

O vice-presidente, com a frieza que o momento requer, negou, por assessores, que haja “preocupação com possível delação de Jorge Zelada” que o envolva e garantiu que “jamais fez pedido ao ministro Gilmar Mendes sobre a investigação [ da Lava-Jato] no Supremo”.

Beque ganharia luvas gordas para jogar no time

Os detalhes do grampo perpetrado por Bernardo Cerveró, filho amoroso que não viu outro recurso para honrar o pai, resgatam na memória saudosista as antigas relações de trabalho no futebol, em que um craque renovava contrato com o clube em troca de uma camisa de jersey, sensação têxtil dos anos 50.

Não é a essa época tão antiga que queremos chegar, e sim a outra menos distante, quando o jogador recebia certo salário mensal, com o qual se viraria, mas no ato da assinatura ganhava as “luvas”, quantia substancial, com a qual podia pensar em fazer pequena mudança na vida, como dar entrada num carro ou numa casinha.

Pois não é que o senador Delcídio conseguiu fazer semelhante? Como queria ter o passe de Nestor Cerveró para colocá-lo, como um defensor vigoroso, na quarta-zaga de seu time, não se furtou de oferecer-lhe R$ 4 milhões de luvas e R$ 50 mil mensais. Embora seja isso grana pra cobertura em zona nobre.

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