Nova Miss América: desastre,drama,garra e superação

DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (DE PORTUGAL)

Quando Madeline Mitchell Gwin, a recém-coroada Miss América 2015, recebeu a coroa da vitória, o seu sorriso era feliz, como o de qualquer vencedora. Mas ninguém sabia que até chegar àquele momento tinha conseguido driblar a morte, depois de sofrer um desastre de automóvel que a deixou 12 dias em coma, com o corpo cheio de cicatrizes e muito perto de perder um braço. Tinha 20 anos e seis depois alcança aquilo a que se propusera quando estava deitada numa cama de hospital: deixar a cadeira de rodas, voltar a ser autônoma e ser considerada “a mais bonita” da América.

Faltavam apenas duas semanas para Madeline participar no concurso Miss Alabama 2008. Desde os seis anos que participava em concursos de beleza e ia a caminho de casa da mãe para lhe mostrar os vestidos que iria usar nas provas. Ao seu lado, ia o namorado. Durante a viagem, numa estrada remota, um veado surgiu numa curva e a Miss América não conseguiu freiar. Bateu numa árvore e caiu por uma ribanceira. “Só me lembro de estar de cabeça para baixo e de sentir o carro deslizar pela ravina”, contou ao Daily Mail, um mês depois de receber a coroa. Quando o automóvel parou, Madeline olhou para o lado e percebeu que o namorado não se movia – viria a perder a visão esquerda por causa do acidente, mas depois de uma semana conseguiu sair do hospital. O namoro de dois anos terminaria dois meses depois do acidente – e por causa deste.

Madeline foi socorrida por um camioneiro que percebeu que o carro que seguia à sua frente tinha sofrido um desastre. Foi o mesmo homem que apagou as chamas que começavam a consumir a parte da frente do carro.

Em consequência, a candidata a Miss Alabama ficou com um pulmão perfurado e com todas as costelas do lado esquerdo do corpo partidas. Quando a mãe de Madeline soube, desmaiou. “Ela não costuma atender números desconhecidos, mas nesse dia – contou-me depois – teve um pressentimento”, lembrou.

A recuperação foi lenta e dolorosa. Madeline passou 12 dias em coma e os médicos decidiram operar-lhe o braço direito – chegaram a considerar uma amputação. A atual Mrs. América tinha ainda o fígado lacerado e o fémur partido em 13 lugares. Durante o tempo em que esteve internada, a jovem lutou ainda contra uma pneumonia.

No entanto, mesmo depois de sair do hospital, Madeline teve de continuar a lutar: “Fui obrigada a viver em casa dos meus pais e fiz terapia intensiva. Fiquei dois meses numa cadeira de rodas e os médicos temiam que eu não voltasse a andar”, contou ao Daily Mail. Começou a sentir pena de si própria… “Temia que as pessoas me julgassem pelas minhas imperfeições e que o meu sonho de ganhar alguns dos principais concursos nunca viesse a ser concretizado”, confessou.

Madeline fez então uma jura: que haveria de ficar curada, voltar a andar e – apesar das trinta cicatrizes que lhe recordavam o dia fatídico – voltaria a participar em concursos. E que os venceria.

Um ano depois do acidente, Madeline regressou à universidade para concluir o bacharelato em Educação. Ganhou o peso que tinha perdido no hospital e começou a fazer exercícios para fortalecer os músculos. Voltou aos concursos. Tapava as cicatrizes com base, até que decidiu não as esconder. Em 2009, conheceu aquele que viria a ser o seu marido. Casou-se em 2013 e um ano depois teve um filho, o pequeno Kipton, a quem Madeline chama de “o meu pequeno anjo”. Conquistou o título de Miss Alabama – aquele a que ia concorrer quando sofreu o acidente – e no mês passado subiu a um palco para ser coroada Miss América 2015.

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