DO G1/ O GLOBO

O empresário Mauricio Macri, ex-presidente do clube Boca Juniors e líder de uma frente de centro-direita, deve ser o novo presidente da Argentina, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas pelo jornal “Clarin” e por canais de TV. O jornal diz que o candidato é favorito em todas as pesquisas, com uma diferença que varia de 6 a 20 pontos.

Se vencer, Macri sucederá Cristina Kirchner, pondo fim a um ciclo de 12 anos de presidentes de centro-esquerda, que começou com Néstor Kirchner em 2003 e continuou com sua mulher em 2007.

As pesquisas de boca de urna, feitas nos centros de votação, indicam a tendência de vitória da oposição, mas não divulgam a porcentagem de votos pela proibição eleitoral que rege no país até a divulgação dos primeiros resultados oficiais provisórios.

A votação do primeiro segundo turno para eleições presidenciais na história da Argentina foi encerrada às 18 horas (19 horas de Brasília). Cerca de 32 milhões de eleitores eram esperados para optar entre o liberal Mauricio Macri e o peronista de centro Daniel Scioli, candidato governista.

Segundo as autoridades eleitorais, o dia transcorreu com normalidade, com um índice de participação de 74% dos eleitores convocados.

Os primeiros boletins oficiais sobre a votação devem ser divulgados a partir das 19h30 (20h30 em Brasília). A expectativa é de que o vencedor seja conhecido ainda neste domingo (22), segundo Alejandro Tullio, diretor da Dirección Nacional Electoral, órgão responsável pelas eleições argentinas.

O novo presidente tomará posse do cargo no próximo 10 de dezembro.
Mesário exibe cédulas eleitorais do segundo turno das eleições presidenciais argentinas, em Villa La Nata, Tigre, na província de Buenos Aires, no domingo (22) (Foto: AFP Photo/Alejandro Pagni)
Mesário exibe cédulas eleitorais do segundo turno das eleições presidenciais argentinas, em Villa La Nata, Tigre, na província de Buenos Aires, no domingo (22) (Foto: AFP Photo/Alejandro Pagni)

O dia dos candidatos
Mauricio Macri, candidato opositor e líder nas pesquisas, votou em meio a um caos de jornalistas e simpatizantes em uma escola de Palermo, bairro de classe média de Buenos Aires. No primeiro turno, em 25 de outubro, ele obteve 37% dos votos.

Já o candidato da frente governista, Daniel Scioli, compareceu a seu local de votação em Villa la Ñata, na periferia de Buenos Aires, onde havia mais jornalistas que eleitores. Com 34,1% no primeiro turno, ele contrariou todas as pesquisas que apontavam uma diferença de 8 pontos entre os candidatos.


O GRANDE ORLANDO, NA CANÇÃO DE CHARLES AZNAVOUR, É UM CONVITE PARA UMA VIAGEM DE RECORDAÇÕES E ENCANTAMENTOS NO EXPRESSO SAUDADE!!!

BOA TARDE!!!

(Gilson Nogueira)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Papo mais maluco

O TSE continua se esforçando para impedir a impressão dos votos. Giuseppe Janino enumerou ao G1 toda a dificuldade para se ter impressoras nas eleições de 2018. Mas o risco maior, segundo o Secretário de TI do tribunal, estaria na apuração:

“Onde há intervenção humana, há lentidão, prática de erros e possibilidade de fraudes. A impressão traz, em síntese, a volta das mesas apuradoras.”

Para azar de Janino, o G1 ouviu também o engenheiro Amílcar Brunazo Filho, que ajudou a elaborar o parecer tucano a favor da impressão nas urnas eletrônicas.

“Que papo mais maluco! E o software é feito por quem? É por gente, a máquina não funciona sozinha. Não é possível eliminar a intervenção humana. O TSE faz o software e não deixa a gente auditar.”

O editor deste BP passou a tarde de ontem no Terreiro de Jesus, sentado na Cantina da Lua (de Clarindo Silva), mítico e acolhedor reduto de boêmios da Cidade da Bahia, ambiente inspirador deste samba de João Bosco e Edil Pacheco.

Curti ali, entre as melhores lembranças da juventude vivida naquelas redondezas, a expectativa do jogo Vitória e Luverdense ( uma tarde bela e histórica na Fonte Nova ), cujo resultado de 3 a 0 reconduz o Leão baiano à série A do futebol brasileiro. Foi muito bonito antes , durante e depois em Salvador.

Lembrei muito de seu Alaôr, meu pai, alma rubro-negra e boêmia, que deve deve ter festejado imensamente lá em cima. Vai em sua memória esta composição de Edil Pacheco , bamba do bairro da Saúde ( onde os Soares também moravam) a menos de 500 metros da Fonte Nova.
E um lembrete para o domingo; Na Cantina da Lua ainda tem samba.

“Resistimos”, me garantiu ontem Clarindo Silva.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

CRÔNICA
A língua { e a árvore)

Gilson Nogueira

Capeliiiiiinnnnhááá!!! Assim, caprichando na voz fanhosa ( se não for desse jeito, não vende), o vendedor do picolé mais famoso da Cidade da Bahia, produto mais falsificado que boneca Barbie por estas bandas, berço da brisa mais gostosa do mundo, corta o silêncio da tarde calma de novembro. Ele está tentando vender seu “peixe”. Da janela do meu apartamento, observo que, salvo um porteiro ou outro, ninguém compra o que o batalhador de cada dia carrega em sua caixa de isopor , na cor branca, pendurada no ombro. É a dureza geral do povão, admito, até na hora de aliviar a sede.
No embalo do passado, que resiste pouco aos empurrões do futuro, surgem o amolador e sua gaita de plástico. O homem faz o brinquedo deslizar nos lábios procurando alguma cliente disposta a descer do seu conforto, quando não manda a empregada, para dar aquela caprichada na tesourinha predileta ou naquela faca velha de cabo de madeira que faz a diferença na cozinha na hora de cortar a carne de sol.
Na guerra entre o passado e o presente, os sorvetes vendidos nos mercadinhos de bairro e as Tramontinas que cortam até pensamento levam corações nostálgicos a relembrar memoráveis torneios de futebol em um campo da Graça que já recebeu a seleção brasileira, times de outros estados e equipes centenárias da capital do berimbau, na disputa do troféu de campeão do Estado da Bahia.
O futebol era inocente, havia o drible e a bola de couro deslizava no gramado como se fosse uma caneta nas mãos de Jorge Amado.No instante em que lembro a bicicleta com o pé trocado que o monstro Neymar tentou transformar em gol, no Estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, na vitória do Brasil, por 3 x 0, contra o Peru, ecoa o som do triângulo do mercador de taboca.
Certamente, um sujeito alto, lembrando aquele carregando um bacalhau do tamanho do Elevador Lacerda, nas costas, ainda visto no rótulo da garrafa do óleo de fígado de bacalhau da Emulsão de Scott.Dentro da lata de, no mínimo, um metro, com a delícia das crianças do meu tempo lá dentro, o tocador do triângulo da taboca cruza a esquina e segue em defesa do seu sustento.
Para quem não é de apreciar hábitos cotidianos da metrópole, no trânsito das novidades e dos absurdos colossais, como a destruição do canteiro central da Avenida Paralela para a passagem de um metrô burro, Salvador poderá causar espanto. “O que é isso???”, pergunta o turista deslumbrado.
Fica a lembrança de Neymar fagueiro, domingo passado, em Ilha de Maré, curtindo a Baía de Todos os Santos, antes da partida que deixou a pátria de chuteiras em terceiro lugar na tabela de classificação das Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo, de 2018, na Rússia, e, hoje, na foto, estampada no Correio, de boné branco, ao lado de uma bailarina do Faustão, dando língua. Para quem, bicho, você, que é ídolo da meninada, faz a brincadeira?
PS Após colocar o ponto final na crônica, um vento forte derruba uma árvore quase centenária defronte ao Hospital Santo Amaro.Que horror!!! Faltou conservação, Prefeitura?

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Um problema cultural

A crise hídrica migrou do Sudeste para o Nordeste. A região vive a pior seca dos últimos 50 anos, o que aumenta a dependência do Bolsa Família. Para Carlos Carneiro, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Piauí, essa relação viciada vem servindo de obstáculos a alternativas que melhorariam a situação.

Leiam o que ele disse ao Estadão:

“O agricultor de subsistência não planta mais, porque vai ter a cesta básica dele. E ele não tem a cultura de plantar para ganhar com isso. É preciso mudar essa mentalidade.”

Há séculos é preciso mudar essa mentalidade.

nov
22
Posted on 22-11-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 22-11-2015


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online


Mulher passa por grafite da campanha em Buenos Aires
/ Mario Tama (Getty Images

DO EL PAIS

Carlos E. Cué

De Buenos Aires

Quase tudo é volátil na Argentina. Se há poucos meses se discutia qual seria a força mantida pelo kirchnerismo depois de 12 anos, agora ninguém contesta que sua época passou, que os argentinos apostaram na mudança e que, quem quer que ganhe as eleições deste domingo, o liberal Mauricio Macri (da aliança Cambiemos) ou o peronista Daniel Scioli (da Frente para a Vitória), a guinada vai ser evidente. O voto de 32 milhões de argentinos decidirá a intensidade dessa mudança, não apenas pelo vencedor –todas as pesquisas indicam Macri–, mas também pela distância entre ambos.

Toda a discussão política, cultural e social na Argentina gira em torno de uma ideia: o que ela é e o que pode ser. O país está tomado por uma espécie de nostalgia do futuro, de um destino de grandeza que nunca chega. A ideia de que um país de 40 milhões de habitantes que produz alimentos para 400 milhões poderia estar muito melhor dá munição aos antikirchneristas. Mas os kirchneristas argumentam que a Argentina nunca esteve tão bem como agora, com maior presença do Estado, com melhor redistribuição, com mais emprego.

Na Argentina se discute sem dados sobre o presente –todas as estatísticas são contestadas–, sobre o futuro –por motivos óbvios– e sobre o passado, que alguns mitificam e outros rejeitam. Alguns dos intelectuais e artistas de maior prestígio do país, entrevistados pelo EL PAÍS para estas eleições, fornecem pistas sobre o estado de ânimo de um país que não para de se questionar sobre seu lugar no mundo, para chegar a uma conclusão sobre a qual quase todos estão de acordo: a Argentina é plena de individualidades brilhantes, mas não consegue se organizar para trabalhá-las em conjunto. Mais ou menos o que acontece com sua seleção de futebol.
mais informações

“A Argentina que conhecemos nos anos sessenta se perdeu”, afirma Beatriz Sarlo, uma das intelectuais mais respeitadas do país, muito crítica em relação ao kirchnerismo, com visão de esquerda. “Era caracterizada pelo pleno emprego, por baixos índices de pobreza. A Argentina dos anos sessenta proporcionava na escola primária um nível de alfabetização que permitia encarar o mundo do trabalho sem problemas e uma relativa ascensão social. Os argentinos de mais de 40 anos não conheciam um país com 20% ou 30% de pobreza”, diz.

Outros, como Aldo Ferrer, que foi ministro da Economia no início da década de setenta e apoiou o kirchnerismo, são mais otimistas. “O país saiu da pior crise da história econômica argentina, a de 2001, recuperou a governabilidade, a solvência fiscal, desendividou-se, construiu um sistema bancário sólido. É preciso considerar que o país teve seis golpes de Estado entre 1930 e 1983. Isso é coisa do passado. Estamos no melhor momento de nossa experiência histórica”, declara.

Juan José Sebreli, um dos intelectuais mais conhecidos, fala em decadência. “Começa logo após a Segunda Guerra Mundial, por razões econômicas, políticas e sociais e várias outras. Depois de 50 anos, não é crise, é decadência. Um estado falido que chega ao ápice com o kirchnerismo”. Sebreli recomendou votar em Macri, o que também fez o escritor Marcos Aguinis, que explica a ideia do individualismo: “A Argentina não apenas tem muitos recursos naturais como continua a ter uma grande quantidade de pessoas capacitadas, mas que se manifestam de forma individual. Temos até um Papa. Mas como conjunto é difícil fazermos funcionar”. “Macri não é um político, não tem carisma, e talvez esses defeitos possam ser um benefício, porque o político é alguém que está acostumado a mentir, buscar o poder para enriquecer”, diz Aguinis.

Até pessoas que apoiam Macri, como Rodolfo Terragno, veterano político e intelectual da União Cívica Radical, confessam que ele não é a opção ideal, mas a única forma de derrotar o kirchnerismo. “Estamos diante de uma eleição que, fazendo comparação com a comida servida nos aviões, é em boa parte massa ou frango. Não se pode dizer que não, que quer outro prato. Muita gente não gosta, mas é preciso se conformar.”

Ricardo Forster, intelectual de referência da situação e membro do Governo, afirma que “o kirchnerismo não desaparecerá” e ainda confia na vitória de Scioli, mas admite, com surpresa, o sucesso do rival: “Macri conseguiu passar o teto da centro-direita argentina. O Cambiemos conquistou setores da classe média baixa, e até setores populares. Conseguiu que esses setores escolham um modelo de sociedade que provavelmente lhes trará enorme prejuízo”.

O escritor Mempo Giardinelli, próximo ao kircherismo, nega a decadência: “Essa nostalgia do passado só é sentida pelos setores mais privilegiados. Mas a verdade é que a Argentina de quase todo o século XX foi um país muito injusto e desigual. Hoje, em termos de equidade social, e ainda com tudo que há por fazer, não tenho dúvida de que estamos num dos melhores momentos de nossa história. Outro intelectual kirchnerista, Alejandro Dolina, faz a mesma desmitificação do passado: “Estamos em bom momento, mas na verdade nunca tivemos o melhor momento. Talvez a história argentina não registre senão lágrimas em todas as suas páginas. Nem mesmo o pior dos opositores acha que estamos afundando, embora diga isso. Não é assim. Comparar com o passado real, o passado de varíola, de pessoas que morriam de tuberculose aos 40 anos, que não aprendiam a ler ou que andavam sem sapatos, talvez não seja tão romântico”.

Diante da provável vitória de Macri, a reação é muito diversa. Intelectuais como Enrique Valiente Noailles se animam e creem que o país decidiu mudar: “A Argentina se fartou de si mesma, de viver num ambiente que produz seu próprio monóxido de carbono. Há uma sensação de paralisação profunda do destino da Argentina. Cansou-se dessa fenda que não se fecha nunca entre o que a Argentina é e o que pode ser”.

O mundo da cultura esteve muito próximo do kirchnerismo. Um dos atores mais conhecidos e respeitados, Leonardo Sbaraglia, está muito preocupado com a chegada de Macri e faz uma autocrítica: “Não se construiu um substituto à altura do que foram Néstor e Cristina. Não digo que do lado do kirchnerismo tudo sejam rosas, mas é possível continuar lutando. Macri é um lobo em pele de cordeiro”. Sbaraglia já pensa na estrutura de resistência ao macrismo: “Todo o tecido social, solidário, de luta ideológica, foi reconstruído desde 2001. Não acredito que o povo argentino deixe por isso mesmo, como fez com o menemismo nos anos 90”.

O historiador Felipe Pigna também fala sobre essa resistência: “Note o cuidado que o candidato da direita tem de dizer que não vai mexer nos planos. Isso é uma vitória do povo, os argentinos conseguiram isso. Como dizia Maquiavel, a única forma para os políticos fazerem o que têm que fazer é meter medo no povo. Não há segredo, eu que me canso de ler a história mundial, é sempre o mesmo. Que os candidatos em todo o arco político tenham medo do povo me parece muito interessante”.

O kirchnerismo entrou na fase autocrítica com a aproximação da derrota. “Se há alguma falha está na inteligência de Cristina Kirchner, que é tão inteligente que considera que não precisa de assessoramento nem formar quadros, e não soube formar um sucessor”, afirma José Pablo Feinmann, filósofo de referência do Governo. Ele acredita que Scioli e Macri são “duas caras do capitalismo, uma das quais [Scioli] se apresenta como uma cara do capitalismo humanitário, distribucionista e latino-americanista”, e por isso o apoia. Os cientistas também têm estado muito próximos do kirchnerismo, que investiu muito em ciência. Um dos mais reconhecidos, o biólogo molecular Alberto Kornblilhtt, diz que “não foi a revolução socialista ou o fim da pobreza”, mas foram governos muito bons que “estiveram à esquerda da média dos argentinos”.

Outros são muito mais críticos. O intelectual José Nun, que foi ministro da Cultura da primeira fase do kirchnerismo, agora é muito duro: “A pobreza é similar à que antecedeu a crise de 2001, as reservas do Banco Central são similares às dessa crise. As medidas que vêm sendo tomadas deixam uma carga tamanha a quem assuma a Presidência que, de um modo ou de outro, vai haver ajuste e desvalorização, com características distintas”.

Dante Caputo, ex-ministro das Relações Exteriores de Alfonsín, resume os últimos anos de seu país: “A história da Argentina se escreve com um Governo que gera ilusões, e depois frustrações, e que leva a governos que são opostos ao que defraudou a ilusão. Isso vai e volta, esse movimento pendular, essa obsessão por Foucault que a Argentina tem é desesperadora.”

O prêmio Nobel da Paz em 1980 e membro fundador da teologia da libertação, Adolfo Pérez Esquivel, também é crítico, apesar de ter anunciado que votará em Scioli porque o prefere a Macri: “Nós não lutamos para isso. Lutamos por uma sociedade livre, mais justa, uma democracia participativa. Não para governos autoritários, onde a pobreza, a marginalidade e a falta de respeito ao direito das pessoas e dos povos aumentam. Arriscamos nossas vidas, nossas famílias, passamos pelas prisões e pelas torturas, e não foi para chegar a uma situação de mediocridade como a que temos agora”, afirma.

O neurologista Facundo Manes fala, inclusive, de um “cérebro argentino”, uma forma de pensar que impede o país de progredir: “Nós argentinos somos pessoas resilientes, superpreparadas para enfrentar as crises, criativos, mas nos falta mais trabalho em equipe. Temos que mudar a inclinação mental que temos, o ‘roubam mas fazem’, o ‘só o peronismo pode governar’, o ‘só importa o que é urgente’. Acho que a educação é parte de uma sociedade que precisa se reinventar”, diz.

O cantor Andrés Calamaro fala dessa sensação do que poderia ter sido: “A Argentina era uma economia promissora no mundo, havia as condições internas e internacionais para exportar produção agropecuária, mas estamos falando de anos anteriores à Segunda Guerra Mundial. Existe uma sensação de destino desperdiçado, quase uma maldição argentina. Talvez não tenhamos aprendido com os nossos erros porque são funcionais para o benefício de alguns poucos”.

Apesar de tudo, tanto os de um lado como os do outro acreditam que a Argentina está melhor do que em 2001, sua última grande crise, e de alguma forma confiam que seguirá em frente, um sentimento muito presente entre os argentinos. O humorista Liniers, autor de Macanudo, umas das tiras cômicas mais seguidas do país, resume esse otimismo cético característico de seus compatriotas: “A Argentina é tão generosa em descontroles… nos últimos 50 anos teve crises econômicas, golpes ditatoriais, violência de todos os pontos de vista, e nos agarramos ao humor. Sim, sou hiperotimista. Porque acho que aprendemos a lição importante, que era a da democracia. O povo que vive aqui é simpático, desopilante, diferente, às vezes generoso, às vezes raivoso, mas interessante”. Esses argentinos que tanto debatem sobre si mesmos decidem hoje o futuro de seu país.

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