“Ela vai ser um grande exemplo”, prevê Chico Pinheiro

ARTIGO DA SEMANA

Sandra Moreyra: jornalismo no Brasil perde encanto

Vitor Hugo Soares

Quando li a confirmação da morte de Sandra Moreyra, na terça-feira, 10 de novembro, bateu amarga sensação de desalento. Veio acompanhada de recordações dos anos 70 e começo dos 80 (quando Sandra morava e trabalhava em Salvador) e de um célebre pensamento chinês: “Há pessoas cuja morte pesa menos que uma pena de passarinho. Há outras, porém, cuja partida pesa toneladas”.

Bota pesar neste caso. Na quadra desastrosa atual do País (no governo, na política, na economia, na ética, no campo social e também da atividade jornalística), baques representados por perdas assim, são inestimáveis. Isso ficará cada vez mais evidente com o passar do tempo, “senhor da razão” segundo também, a sabedoria milenar dos chineses. Podem anotar.

Na beira do túmulo, na hora do enterro, Chico Pinheiro – âncora dos noticiários da Rede Globo e apresentador do programa Sarau, no canal privado Globo News, falou palavras sentidas, justas e que considero proféticas em relação a Sandra Moreyra:

“Ela vai ser um grande exemplo. Ainda era de uma época mais romântica do jornalismo. Antigamente, as profissões sérias eram médico, engenheiro, advogado. Jornalismo era coisa dos mais românticos, boêmios. Ela me passa ainda essa memória, de alguém que se apaixona e vai atrás do que quer. Que esse exemplo fique para as novas gerações, que saibam o que é esse mistério que é o jornalismo, o que é levar a mensagem para ter um mundo melhor”, disse o colega de Sandra.

Ficará. Afirmo ao assinar embaixo das palavras de Chico Pinheiro. Não só pelo tempo da Globo, que ele acompanhou na linha de fogo, paixão, vinho, samba e boa mesa. E seguiu mais de perto em décadas de trabalho ao lado de Sandra. Escrevo isso pelo que vi e testemunhei pessoalmente na sua passagem pela Bahia. Bem antes dela ingressar na Rede Globo, onde explodiria em todas as potencialidades de seu talento e capacidade.

Sandra Moreyra começou no Jornal do Brasil, ainda muito jovem. Entramos no JB na mesma época. Ela na sede do Rio (na editoria do Caderno B). O autor destas linhas, na sucursal do JB na Bahia, então uma vitrine do jornalismo local e do Nordeste. O primeiro contato pessoal, no entanto, só aconteceu quando ela se transferiu para morar em Salvador

Na capital baiana ela deu a guinada decisiva para a TV. Na redação da Bandeirantes, integrante de uma equipe de seis profissionais brilhantes e pau para toda obra, onde cada um “precisava fazer de tudo”. Aí ela deu os primeiros e seguros passos que a elevariam à condição de uma das mais completas profissionais da televisão brasileira.

É deste período a experiência marcante que tive com Sandra Moreyra. Definidora do seu jeito apaixonado de exercer a profissão, e do seu exemplar sentimento ético, de justiça e de verdade. Era fim de novembro de 1982. O Rio e o Brasil prendiam a atenção da imprensa internacional por dois motivos: A I Conferência Mundial do Meio Ambiente e as eleições diretas para governos estaduais, que assinalavam a volta de Brizola aos palanques (depois de largo exílio) na disputa pelo governo fluminense, que empolgava o País. Nas apurações explodiu o escândalo da Proconsult, famoso por vários motivos reprováveis. Um deles, por se constituir na grave denúncia de ser a primeira tentativa de fraudar resultados de eleições em urnas eletrônicas no Brasil.

Pulo os detalhes, de amplo conhecimento público, que podem ser recuperados em consultas aos arquivos do JB ou pesquisa no Google. O que quero lembrar aqui, por inédito, é do telefonema que recebi em casa, num agitado fim de noite de novembro, depois do Jornal Nacional anunciar que a vitória do candidato Wellington Moreira Franco, sobre Brizola, estava prestes a se consumar, apesar de todas as pesquisas de boca de urna apontarem o contrário.

Na outra ponta da linha estava um querido amigo e colega (cujo nome omito porque ele segue em plena atividade). Ao seu lado, a voz apaixonada e inconfundível de Sandra Moreyra. “Estamos saindo agora da redação da Band. Soubemos, de fonte segura, que a vitória de Brizola nas urnas está prestes a ser golpeada pela fraude na apuração da Proconsult. Se ele não botar a boca no trombone já, a vitória lhe escorrerá pelos dedos. Pensamos em você e nos contatos que tem com amigos próximos no exílio de Brizola, para alertá-lo sobre os riscos. “Com urgência”, ouvi Sandra gritar ao lado.

Uma luz explodiu no cérebro. Pedi tempo. Em seguida, disquei para o jornalista Paulo Cavalcante Valente, “o exilado e amigo em quem meu pai mais confia”, segundo ouvira de Neuzinha (filha de Brizola), no Uruguai. Ele morava próximo ao apartamento de Brizola, em Copacabana. Contei a conversa e as informações que acabara de receber. “Meu Deus, o que posso fazer?”, perguntou.

Era a deixa que eu esperava. Pedi a Paulo Valente para ir depressa ao apartamento de Brizola levar a ele as informações. “Todos os correspondentes e melhores jornalistas do mundo estão no Rio, na cobertura da conferência mundial do clima e acompanhando às eleições. Fale para Brizola pedir, a seus assessores políticos e de imprensa, a convocação de uma entrevista coletiva com os jornalistas estrangeiros, para amanhã, o mais cedo possível. E bote a boca no trombone do mundo” , concluí.

Dito e feito. O resto é o que todo mundo já sabe, incluindo a confirmação da vitória de Brizola nas urnas. Nunca havia falado de público ou escrito sobre este fato. Faço-o agora, em nome da verdade dos fatos e da memória de Sandra Moreyra.

E repito, para encerrar, o que escrevi no Facebook e no blog que edito na Bahia: Ninguém que tenha convivido apenas um dia com Sandra Moreyra, a esquecerá. Quem teve a honra do convívio profissional tão próximo, além do privilégio da sua amizade, fica feliz com isso, ao tempo em que chora a sua partida. Morre Sandra Moreyra! Viva Sandra Moreyra!!!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

FORÇA , PARIS!!! BRUTALIDADE NÃO PASSARÁ E A FRANÇA VENCERÁ MAIS UMA VEZ.

BOM DIA!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Os 11 do Supremo contra os 595 do resto

Muito além do relator e de outros participantes do excelso colegiado, o voto do ministro Luiz Fux foi o que expressou a principal razão pela qual o Supremo Tribunal Federal, ainda em caráter liminar, suspendeu as doações ocultas, de origem desconhecida mesmo, nas campanhas eleitorais.

“Leis desse perfil comprovam (…) que, às vezes, o Parlamento não é o melhor protagonista para implementar uma reforma política sem a participação da jurisdição constitucional”, escreveu Fux, referindo-se à minirreforma recentemente aprovada no Congresso Nacional.

O que ele quis dizer é que o conjunto de 513 deputados e 81 senadores eleitos pelo povo torna-se ilegítimo quando flagrantemente opera em causa própria, criando uma legislação que, como anotaram outros ministros do SFT, viola os princípios da moralidade, transparência e igualdade nas eleições.

Mas a presidente Dilma também tem sua cota de responsabilidade, já que, sem condições de encarar o Congresso, sancionou a matéria, reservando a prerrogativa de veto somente para as medidas que, a seu ver, dificultem o “ajuste fiscal”.

Reforça-se no país outra peculiaridade muito marcante da democracia brasileira: enquanto o Executivo e o Legislativo esforçam-se para moldar a realidade a seu critério, é o Judiciário que, nos 11 homens e mulheres de sua mais alta expressão, resiste na defesa, pelo menos, dos interesses mais elementares da nação.

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Posted on 14-11-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-11-2015


Bruno, no jornal Vale Paraibano

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DO EL PAIS

Mais de 120 pessoas morreram e dezenas ficaram feridos em atentados em Paris registrados pouco antes das dez da noite desta sexta-feira (horário local) nos distritos 10 e 11 da capital francesa. A casa de espetáculos Bataclan foi um dos principais alvos dos ataques, com a ação de três homens armados que detiveram centenas de reféns. Ao todo, as autoridades francesas identificaram sete ataques. Como consequência, o Governo francês fechou as fronteiras do país, decretou estado de emergência e mobilizou o Exército.

À mesma hora do ataque no Bataclan, foram ouvidas pelo menos três explosões nas proximidades do Stade de France, onde jogavam uma partida amistosa as seleções de futebol da França e da Alemanha. O presidente François Hollande, que se encontrava no estádio, foi evacuado de helicóptero. Ele foi levado ao Ministério do Interior, onde foi criada uma célula de crise.

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