Claudio Leal: em nome do pai e do tio, autores falecidos,
jornalista agradece no lançamento do livro.

Amantes do cinema, agitadores e agentes culturais, somados a dezenas de servidores do Centro Administrativo da Bahia, participaram, na tarde da última segunda-feira, 9, no Salão Nestor Duarte, da Assembleia Legislativa da Bahia, a reedição do livro “Um cinema chamado saudade”, dos pesquisadores Geraldo Leal e Luís Leal Filho. O crítico de cinema e professor da UFBa, André Setaro, que concluiu o prefácio do livro poucos meses antes de seu falecimento, escreveu que o trabalho é mais do que um simples inventário das salas de exibição cinematográficas que existiram numa Salvador ainda não uniformizada pelos complexos de salas atuais existentes nos shoppings centers.

Para Setaro, “Um cinema chamado saudade” é um registro surpreendente da proliferação de casas de espetáculos em vários pontos da velha província “Cada bairro tinha o seu cinema. Para os cinéfilos mais antigos, a leitura do livro proporciona uma espécie de viagem numa máquina do tempo”, afirmou. Marcelo Nilo, presidente da Assembleia Legislativa, lembrou que o livro é o 157º lançamento da sua gestão na presidência do Legislativo baiano.

Agradeceu à família dos pesquisadores e afirmou que sente grande satisfação em possibilitar “às novas gerações o contato com esta realidade saudosa dos cinemas de outrora. Lembro da primeira vez que fui ao cinema assistir a um filme, no famoso Cine Jandaia”, disse o presidente. O presidente afirmou que o resgate histórico, que muitas vezes provoca a sensação de saudade, é a essência do programa Assembleia Cultural, “uma poderosa ferramenta de fomento e preservação da nossa cultura, num momento em que os traços do que já foi conhecido como baianidade estão sendo diluídos pela chamada indústria cultural. É dever do parlamento moderno incentivar a leitura, preservar vultos e obras ilustres, além de apoiar novos talentos das letras”, afirmou Nilo.

O jornalista Claudio Leal agradeceu, em nome da família, à Assembleia Legislativa pela reedição do livro; e também o trabalho de editoria que está resgatando importantes obras que contam a história da Bahia. “Esse relançamento se torna ainda mais importante quando está em discussão a restauração do Cine Jandaia. A cidade está pedindo o restauro de um dos seus mais importantes espaços culturais”, afirmou Leal.

NOSTALGIA – “Um cinema chamado Saudade” é a reedição de uma obra escrita após minucioso trabalho de Luís Leal Filho, somada às memórias do seu tio, Geraldo Leal, que proporcionam ao leitor um agradável passeio pela linha do tempo da sétima arte, um resgate do cenário cinematográfico da Salvador de tempos passados, quando havia salas de projeção nos bairros, os chamados Cinemas de Rua, a vedete da época. Os autores agraciam os amantes da arte, tanto os que tiveram a oportunidade de vivenciar o período, quanto aqueles que não tiveram e, a partir dos detalhes descritos, conseguem viajar na máquina do tempo literária construída por Geraldo Leal e Luís Leal Filho, ambos falecidos, irmão e filho do ex-deputado Luís Leal, também falecido recentemente. “Um cinema chamado saudade” traz descrições criteriosas e fidedignas de cada sala, com destaque para as particularidades decorativas, a perspectiva da tela em relação às cadeiras, aspectos pitorescos e curiosos, como a grandiosidade do Cine Teatro Jandaia.

Com arquitetura clássica e requintada e intitulado por muitos como “palácio”, o Jandaia foi a casa de espetáculos mais famosa do Nordeste na década de 1940. Por ser uma obra construída com base em pesquisas e memórias, ficou a cargo de Luís Leal Filho, precocemente falecido, unir os fotogramas das vivências do seu tio Geraldo Leal às informações que livros, filmes, jornais e revistas.

O resultado pode ser traduzido através das palavras do jornalista João Carlos Teixeira Gomes, o Joca: “É o resgate profundo de uma época desaparecida, que retorna à vida pelo sortilégio da palavra, prolongando no verbo a magia da imagem morte”. O Jandaia pertencia a sua família.

(Com a colaboração da jornalista Maria Olívia Soares)

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Comentários

Rosane Santana on 12 novembro, 2015 at 14:27 #

Onde o livro está sendo vendido?


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