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DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Barragens simbolizam o país: lama pra todo lado

Quanto mais passam os dias e se aprofundam as reportagens sobre o rompimento de barragens de rejeitos minerais em Minas Gerais, mais a nação se assombra ante nova demonstração de falta quase absoluta de governo no país.

O que teria sido, no primeiro momento, “apenas” a supressão de um pequeno distrito na distante, embora histórica, Mariana, revela-se progressivamente uma catástrofe ambiental e social sem precedentes.

Tendo à frente a consequência principal de mortes ainda não precisamente contabilizadas, a tragédia pode ser resumida na marcha incontrolável de milhões de toneladas de lama podre por 400 quilômetros do território brasileiro em direção ao litoral.

No caminho, a imposição do transtorno à vida de milhões de pessoas, incluindo a destruição de extensas áreas de agricultura e a poluição de rios e outros mananciais, o que significa uma crise gigantesca e repentina no abastecimento de água de dezenas de municípios.

Perguntar onde está, neste grave momento, a líder putativa da nação, democraticamente eleita que foi pela maioria absoluta da população brasileira, é, com o perdão da imagem, chover no molhado, pois ela está onde sempre esteve: buscando fórmulas de agarrar-se ao poder conquistado à base de prestidigitação.

A presidente Dilma Rousseff limitou-se a uma reação burocrática à desgraça de toda uma região. Nem deu as caras na televisão. “Pelas redes sociais”, diz a imprensa, “lamentou” a fétida descarga e “solidarizou-se” com as vítimas e suas famílias. A bem da verdade, faltou somente o sobrevoo da área sinistrada.

Nenhuma palavra sobre a empresa exploradora dos minérios, tecnicamente responsável pelas barragens, muito menos quanto à indenização dos prejudicados, item que, em qualquer sociedade digna desse nome, seria o segundo a ser tratado, depois do socorro, que também parece tardar.

Não engana ninguém o anúncio de “ações emergenciais”, liberação de FGTS dos pobres sobreviventes ou mobilização de “autoridades” para adotar as “medidas cabíveis”. O povo, mais uma vez, sozinho pagará suas despesas e chorará suas mágoas. A sujeira em que se encontra, resta o consolo, pode ser removida com água e rodo.

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 10 novembro, 2015 at 16:35 #

Mestre Luís, permita-me fazer uma pequena observação.

A líder putativa foi eleita democraticamente, acho. Pelo menos até que não se prove que houve dinheiro do crime (propinas e coisas tais da Lava-Jato) na campanha de 2014 para a Presidência da República.

Mas ela foi eleita não pela maioria absoluta da população brasileira. Do total do eleitorado apto a votar nas eleições de 2014, a líder putativa recebeu o apoio de pouco mais de 37 por cento dos eleitores. Encostou nos 38 por cento. Teve, portanto, aproximando 63 por cento do eleitorado contra ela. Aí computados os votos em branco, nulos, as abstenções e os 35 por cento de apoio ao candidato da outra direita, a do PSDB.

Claro que nem todo mundo que não foi votar no segundo turno estaria contra Dilma. Da mesma forma, aqueles que votaram em branco. Já quanto ao nulos, um aqui e outro na Bahia é que podem não representar voto de rejeição à Dilma e a Aécio. Vamos admitir, por exercício, que uns 3 por cento erraram o voto ou perderam o trem no dia do segundo turno, em outubro de 2014. Teríamos, então alguma coisa como 60 por cento de contrários à Dilma.

Mas ela achava, ou fingia achar, que tinha o apoio da maioria dos eleitores.

Como acabou revelando que mentiu na campanha (o que já vinha fazendo nos quatro anos do primeiro governo dela e nos oito de Lula) e passou abertamente a fazer tudo ao contrário do que prometera na campanha, o desgaste veio a cavalo, atropelando a tudo e a todos.

Um governante com 60 ou 63 por cento de contrários tem que ter cuidado especial. Não pode continuar brincando de governar por muito tempo. Se desgasta e cai aí para uma aceitação pública abaixo dos 10 por cento. E uma rejeição acima dos 80 por cento.


luis augusto on 10 novembro, 2015 at 20:48 #

Concordo. Foi uma imprecisão de minha parte. Mas ela foi, indiscutivelmente, a mais votada. Abraços, Tac.


Rosane Santana on 10 novembro, 2015 at 21:20 #

Meu caros, e eu na minha inocência nunca vi eleições em que candidatos falassem a verdade. ” Vou subir o preço da gasolina! Vou aumentar a tarifa de energia elétrica! Vou cortar benefícios da Previdência! Votem em mim. Se suavemente ou não, estou com George Orwell: ” todo o discurso político e’ uma fraude”. Discordo de que a mentira tenha sido a causa dos problemas de Dilma. Em minha opinião, o tom agressivo de desconstrução dos adversários, até mesmo violento, usado durante a campanha, especialmente contra Matina, virou-se contra a candidata por causa da vitória apertada, com margem estreita de votos. Implodiu-se pontes que seriam fundamentais para a governabilidade.


Rosane Santana on 10 novembro, 2015 at 21:30 #

Não tem mais mentiroso do que o atual prefeito de Salvador, ACM Neto. As maquetes apresentados ao publico, antes das intervenções que vem fazendo na cidade são hollywoodianas. As obras concluídas são uma coisa totalmente diferente. A prometida modernização do sistema de transporte, com frota totalmente nova, com ar condicionado e movido a biocombustível e’ uma das mentiras mais desavergonhadas da atual administração. ‘É só pegar um buzu.


Rosane Santana on 10 novembro, 2015 at 21:39 #

O PSDB de São Paulo jura de pés juntos que o metrô paulista e’ um dos mais arrojados do mundo. Experimentem tomar qualquer linha no horário de rush. A fedentina do Tietê e’ a cara do discurso modernizante dessa turma, da preocupação sanitária de Jose Serra.


Rosane Santana on 10 novembro, 2015 at 22:24 #

Correção, nota 1: implodiram-se.


regina on 10 novembro, 2015 at 22:26 #

Rosane Santana on 11 novembro, 2015 at 7:13 #

Esse vídeo, Regina, e’ uma prova.


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