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DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Nenhuma encenação poderá salvar Cunha

Nesse teatro por enquanto temerário que se monta em torno da Comissão de Ética do Câmara dos Deputados, somos impelidos a pensar que dê em absolutamente nada, que Eduardo Cunha permaneça na presidência da Casa e que por isso não haverá risco de pedido de impeachment para a presidente Dilma.

Defensores dessa tese justificam-na com a escolha do desconhecido deputado Fausto Pinato (PRB) para relator, pois se trata de parlamentar de partido sob rígido comando, aliado de Cunha, bastando o cumprimento dos ritos e regras, recheados de prazos e pareceres, para segurar a barra por uns bons quatro meses.

Que seja feita, portanto, a romântica ressalva: se Cunha não for cassado por causa de tecnicalidades jurídicas ou descaradas artimanhas políticas, será o caso de duvidar, definitivamente, de um futuro melhor para o país, pois a sociedade não percebe a gravidade de postar-se à margem da situação.

Contam os cunhistas, em sua expressividade construída nos porões da Câmara, que a absolvição de seu líder redundará em indignação, protesto, exacerbação, contestação, e só – e em poucos dias estará a vida seguindo em absoluta normalidade, fruto de cultura secular do jeitinho e do favorecimento.

Um sonho talvez distante é que as forças que restam na alta cúpula política do Brasil compreendam que “os prazos se esgotaram” e que estão sendo chamadas à realidade de o que fazer com Eduardo Cunha.

Certamente, o que não é possível é engolir um gângster, não no sentido da trama de assassinatos ou do tráfico de whisky, mas da evidente e reiteradamente manifesta falta de escrúpulo e vergonha – ao menos isso – para o exercício do cargo que é o segundo na linha de sucessão presidencial.

Tá em casa

E o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT), defendendo a preservação de Cunha?

Partido é um cheque em branco

O PRB – e dele não se podem dissociar a Rede Record e a Igreja Universal do Reino de Deus – não é um partido engajado. Tem seus próprios interesses muito bem definidos e, embora imbuídos do espírito cristão do diálogo, seus integrantes não hesitam em mudar de lado quando bem lhes aprouver.

Aqui, na Bahia, por exemplo, foi por longos anos da base do governador Jaques Wagner, da qual pulou para apoiar o prefeito ACM Neto e formar na oposição na Assembleia Legislativa. Igualmente, no plano nacional, por suas características únicas, pode arrogar-se independência surpreendente.

O PRB terá de avaliar se, com o fundo moral-religioso da mensagem que irrecusavelmente carrega, quererá misturar-se a um fariseu, além de tudo proprietário de igreja e de tesouros que não as traças, mas a esposa consumirá.

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