DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

A herança de Márcio Thomaz Bastos

O Antagonista apurou que o PT nos faz de otários. Quando Maria Thereza abriu mão da relatoria do caso para que Dias Toffoli pudesse escolher outro relator, Dilma Rousseff ganhou tempo. Agora, a estratégia fica clara com a devolução do processo para a ministra petista.

Maria Thereza virou ministra efetiva do TSE em 2014 com aval de Dias Toffoli e está no STJ desde 2006, nomeada por Lula na vaga da OAB por indicação de Márcio Thomaz Bastos.

É mestre e doutora em Direito Processual Penal pela Faculdade de Direito da USP, professora na mesma faculdade e advogada em São Paulo. É associada ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.

No TSE, Maria Thereza normalmente vota com Luciana Lóssio e Dias Toffoli em ações de interesse do PT.

Foi numa articulação com o mesmo Dias Toffoli que Maria Thereza arquivou uma vez a ação de impugnação do mandato de Dilma, da qual é relatora. Quando o caso foi a plenário, acabou derrotada ao lado de Luciana Lóssio, a ministra da cobertura. Depois disso, Maria Thereza tentou se aproximar de Gilmar Mendes e chegou a sugerir seu nome como relator. Uma bela encenação.

Leny Andrade, “Considerando”, de Edu Lobo e José Carlos Capinan, música e letra a prova de temporais.

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

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Magistrado experiente

Na nota em que busca, com razão, baixar a temperatura da briga entre procurador e juiz, o MPF aproveita para dar seu voto de confiança a Vallisley de Souza Oliveira, que estranhamente retomou a titularidade da 10a Vara e o comando da Zelotes no dia do depoimento de Luís Cláudio Lula da Silva à PF.

“Trata-se de um magistrado experiente na área criminal, que, inclusive, já atuou na Zelotes no início das investigações”, diz a nota do MPF.

O Antagonista também dá seu voto de confiança a Oliveira, mesmo sabendo que ele arquivou o caso de Erenice Guerra em 2012. Confiamos desconfiando, bem entendido.

PT e Lídice é aliança improvável

Fala-se num apoio do PT à candidatura da senadora Lídice da Mata (PSB) à Prefeitura de Salvador, mas isso é improvável até por referência histórica: somente uma vez o PT não lançou um nome na capital, em 1992, apoiando, a contragosto, outro partido.

Por coincidência, foi a própria Lídice, que militava no PSDB e cuja popularidade, decorrente da chapa ao governo do Estado dois anos antes, convenceu os petistas, que na época não tinham maior expressividade eleitoral e viram uma chance real de vencer e compartilhar o poder.

A experiência, no entanto, não foi das mais agradáveis, nem do ponto de vista administrativo nem do político. A prefeita realizou uma gestão exclusivista – e fraca –, o que desprestigia qualquer argumento de que uma aliança daquela natureza poderá repetir-se.

A senadora recompôs-se com o governo petista após a separação na campanha ao governo em 2014, da qual participou constrangida, obediente à decisão nacional do partido, que tinha o candidato presidencial Eduardo Campos, tragicamente falecido.

Lídice chegou a bater duro no PT enquanto a campanha ainda tinha sentido. O candidato Rui Costa estava fraco nas pesquisas e ela desejava, portanto, viabilizar-se como alternativa da “esquerda”.

Com a história como a conhecemos hoje, Rui quer Lídice na disputa pela Prefeitura dentro da mesma estratégia de dispersão que o leva a estimular a deputada Alice Portugal, o deputado Sargento Isidório e, naturalmente, um nome do PT. Se alguém for ao segundo turno contra Neto, maravilha.

nov
06
Posted on 06-11-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-11-2015


Clayton, no jornal O Povo (CE)


Neruda (direita) com Salvador Allende.
/ FUNDACIÓN SALVADOR ALLENDE

DO EL PAIS

Winston Manrique Sabogal

De Madri

Um documento oficial do Ministério do Interior do Governo do Chile reconhece pela primeira vez que é bem possível que Pablo Neruda tenha sido assassinado. Segundo o documento, ao qual EL PAÍS teve acesso, o poeta e Prêmio Nobel de Literatura de 1971 não morreu “em consequência do câncer de próstata de que padecia”, mas é “claramente possível e altamente provável a intervenção de terceiros”. Neruda morreu em 23 de setembro de 1973, um domingo, às 10 e meia da noite na Clínica Santa María, de Santiago, no Chile. Nesse dia, segundo “está comprovado no processo”, diz o documento oficial, aplicaram-lhe uma injeção ou o fizeram ingerir algo que teria precipitado a sua morte, seis horas e meia depois. Tudo isso, poucas horas antes de o Nobel partir em um avião rumo ao México, onde, como diz o texto do ministério, possivelmente iria liderar um Governo no exílio para denunciar a atuação do general Augusto Pinochet, que havia dado o golpe de Estado em 11 de setembro.

Essas são as principais conclusões do documento que o Programa de Direitos Humanos do Ministério do Interior do Chile enviou ao magistrado Mario Carroza Espinosa, encarregado da investigação da morte de Pablo Neruda (1904-1973). O documento, com data de 25 de março de 2015, integra a parte confidencial do processo número 1.038-2011. Trata-se da principal revelação incluída na nova biografia de Neruda, escrita pelo historiador alicantino Mario Amorós e intitulada Neruda. El Príncipe de los Poetas. O livro será publicado pelas Ediciones B na próxima quarta-feira na Espanha e no dia 23 no Chile.

Embora seja verdade que o juiz Carroza Espinosa tenha reconhecido a este jornal a série de coincidências e as provas testemunhais e documentais que levam o Governo a dar um parecer de alta probabilidade de assassinato, o magistrado não estará cem por cento seguro enquanto não tiver as provas científicas que corroborem o fato: “Nós sempre seguimos essa linha de que houve algo estranho nos últimos dias. Neruda tinha câncer, mas não estava agonizando nem em fase terminal. Ainda assim, em 23 de setembro seu mau estado de saúde se acelerou de repente e ele morreu em seis horas”. Mas há um penúltimo achado, e o juiz aguarda: “Estou à espera do resultado de uma última prova científica revelada em maio. Trata-se de uma bactéria, o gérmen do estafilococos aureus, achado no corpo do poeta. Ainda estou recolhendo antecedentes”. Essa bactéria não está presente nos tratamentos do câncer, é um microorganismo que alterado pode ser altamente tóxico e acelerar a morte em qualquer pessoa.

Em decorrência do relatório e teoria do Programa de Direitos Humanos do Governo, diz Carroza Espinosa, foram iniciadas novas diligências, como a da ficha de ingresso de Neruda na clínica, e foram obtidos outros elementos.

Atestado de óbito de Pablo Neruda.

O chofer do poeta

O caso Neruda foi aberto em 2011, quando o motorista do poeta, Manuel Araya, denunciou o assassinato. Na época, o Partido Comunista do Chile apresentou uma queixa. Foi pedida a exumação do cadáver, o que foi feito em 8 de abril de 2013. A investigação científica foi entregue a uma equipe de especialistas internacionais, que em 9 de novembro desse mesmo ano afirmou em um parecer que não havia encontrado agentes ou substâncias estranhas, provenientes de envenenamento, no corpo do poeta. “Chegamos a uma conclusão técnica e científica que deve ser completada com a investigação judicial. A verdade final será determinada pelo juiz Mario Carroza. O que nós observamos é que “não encontramos restos de veneno’, mas isso não significa que não tenha sido envenenado, e outra equipe com outras técnicas pode achar restos”, afirma o médico-legista espanhol Francisco Etxeberria, que participou da investigação de 2013. Em março de 2015 o Governo chileno entregou seu relatório de “altamente provável intervenção de terceiros”, que está na parte confidencial do processo, e em maio uma nova prova científica detectou o gérmen do estafilococos aureus, sobre o qual a entrega do resultado tem como prazo março de 2016.

Etxeberria, acadêmico da Faculdade de Medicina da Universidade do País Basco, que também participa desta segunda prova pericial, com médicos forenses e especialistas internacionais de países como Estados Unidos, Canadá, Espanha e outras nações europeias, assegura que o juiz Carroza Espinosa aceitou essa nova hipótese levando em conta a concatenação de coincidências e perseguições vividas por Pablo Neruda depois do golpe de Estado de Pinochet, em especial naquele domingo de sua morte. “Nesse dia ele está sozinho na clínica, onde já estava havia cinco dias, seu estado piora, telefona para sua mulher, Matilde Urrutia, para que vá imediatamente para lá porque diz que lhe aplicaram algo e não se sente bem. Por fim, morre pouco depois, para surpresa de todos, em uma clínica boa, e se estabelece a suspeita”, recorda Etxeberria. Quanto à nova prova, o médico acrescenta que “embora seja verdade que o gérmen do estafilococos aureus seja mais ou menos comum, se for alterado e aplicado em altas doses pode produzir a morte de uma pessoa”.

O que a equipe científica analisa agora é algo inédito na ciência forense, explica Etxeberria: “Tentaremos identificar o DNA desse estafilococos aureus. Ou seja, estabelecer se é o comum da época e da zona, ou se foi manipulado. Há antecedentes disto em arsenais militares que alteraram a cepa. O que procuramos é muito difícil: se era um estafilococo alterado, tentaremos identificar o arsenal ou o país onde pode ter sido manipulado”. Além disso, recorda Etxeberria, há o antecedente da morte do ex-presidente chileno Eduardo Frei em janeiro de 1982, quando passou por uma cirurgia de hérnia de hiato. Dias depois, sua saúde piorou e ele morreu rapidamente, e falava-se de envenenamento. Sobre esse fato, o juiz Carroza Espionsa diz: “No governo militar trabalharam com substâncias químicas em laboratórios para eliminar pessoas, e o presidente Frei é uma das vítimas. O que se supõe é que isto pode ter sido iniciado tão logo começou o golpe de Estado, porque dias depois morreu Neruda, e no seu caso pode ter sido o gérmen”.

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