DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

O encontro entre Aécio e Temer

A excelente Dora Kramer, do Estadão, relata a seguinte história na sua coluna de hoje:

“Há cerca de 40 dias, o vice-presidente Michel Temer, e o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, tiveram uma conversa sobre um eventual governo de transição. O encontro aconteceu na casa do senador Romero Jucá, em condomínio nos arredores de Brasília.

O assunto não prosperou, inclusive porque nesse meio tempo entrou em cena o fator Eduardo Cunha. O vice-presidente quase foi pego de calças curtas em pleno exercício da ‘conspirata’ por um dos agentes de sua equipe de segurança que, preocupado com o sumiço, conseguiu falar com ele por telefone, mas não obteve a localização exata do chefe.”

No meio do caminho, há sempre um Cunha. Não precisava haver também um agente de segurança.

O clip musical de Vandré vai dedicado em memória de dona Jandira Soares ( minha mãe) fã incondicional do artista e que adorava esta maravilhosa canção. Pedia ao filho primogênito (tão fã quanto ela) para tocar o disco na vitrola até quase furar o vinil . Às vezes uma manhã ou uma tarde inteira.

Esquecer, quem há de?, diria o sábio cronista Sylvio Lamenha.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU EM O GLOBO

Por Silvio Essinger

RIO – Na música brasileira, os destinos às vezes se cruzam das formas mais impressionantes. Um exemplo: no ano de 2000, no hospital, uma das últimas visitas que Wilson Simonal recebeu pouco antes de morrer foi do seu oposto ideológico: Geraldo Vandré. Em comum, estava o fato de que, naquela época, tanto o cantor “alienado”, que lutava para se livrar da acusação de ser dedo-duro a serviço dos militares, quanto o artista que foi perseguido pela ditadura por causa da canção “Pra não dizer que não falei das flores” (também conhecida como “Caminhando”), eram cartas fora do baralho, figuras fantasmagóricas da MPB, apesar de enorme popularidade que tiveram até o começo dos anos 1970.

— A diferença é que, enquanto Simonal não teve opção, Vandré escolheu se retirar — explica o jornalista mineiro Jorge Fernando dos Santos, que lança amanhã no Rio (na loja Bossa Nova & Companhia, em Copacabana) “Vandré: o homem que disse não” (Geração Editorial), biografia não autorizada do cantor e compositor que completou 80 anos em 12 de setembro como um dos personagens mais misteriosos da cultura nacional do último século.

Surgido para o grande público em 1966, quando sua “Disparada”, interpretada por Jair Rodrigues, empatou em primeiro lugar com “A banda”, de Chico Buarque, no II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, o paraibano Geraldo Vandré voltaria à carga dois anos depois com “Caminhando”, canção abraçada pela juventude universitária de esquerda, que, indignada com o segundo lugar obtido no II FIC, vaiou a canção vencedora daquele edição, “Sabiá”, de Chico e Tom Jobim.
Capa do livro de Jorge Fernando dos Santos – Reprodução / Reprodução

Censurada a sua música pelo governo militar (que se encaminhava para endurecimento do AI-5), Vandré fugiu do país e só voltou em 1973, mudado. E aos poucos foi se retirando da vida pública. Praticamente parou de compor música popular (veio com o poema “Fabiana”, em homenagem à Aeronáutica, de que se aproximou ao longo dos anos), negou entrevistas (até mesmo para biógrafos) e, nas poucas vezes em que falou à mídia, disse que sua história “é secundária”. Sua última aparição pública foi no ano passado, quando subiu ao palco da cantora americana Joan Baez, que interpretava sua “Caminhando”.

— Não se tem o direito de negar a história de Geraldo Vandré — defende Jorge Fernando, que em 1979, ganhou um concurso de textos sobre Vandré promovido por um jornal e que acabou, aí, se decidindo a ingressar no jornalismo.

BIOGRAFADO NÃO DEU ENTREVISTA

Autor de livros diversos, ele sempre pensou em escrever uma biografia, mas faltava o personagem. Até que em 2013, depois de ir a Foz do Iguaçu (onde Vandré morou), teve o clique e começou as pesquisas. Fez algumas entrevistas com pessoas próximas, vasculhou dados e esbarrou na recusa do artista a ser entrevistado. Ele diz que outros trabalhos biográficos (como o livro “Geraldo Vandré — Uma canção interrompida”, que o escritor Vitor Nuzzi lançou de forma independente e com tiragem limitada a 100 exemplares), “adiantaram bem o trabalho”, bem como teses de mestrado.

— Paralelamente à história do Vandré, reconstituí a saga política do Brasil desde os anos 1930 — conta Jorge Fernando, para quem “Caminhando” “é a crônica de uma época”. —Vandré dizia: ‘Fiz uma canção com dois acordes para ganhar o festival’. A música acabou se transformando num hino, e não era um hino.

Das páginas de “O homem que disse não” sai o compositor de uma obra intensa, poética, mas com pouco recurso a metáforas. Um músico com grande influência da cultura nordestina, que leva a viola para o festival. E que atinge o ápice de sua obra com “Disparada”, composição regravada por artistas que vão da dupla caipira Tonico e Tinoco à cantora e atriz italiana Ornella Vanoni.

— Vandré estava muito à frente daquele povo da música popular no momento dos festivais — avalia o autor. — As pessoas acham que a música dele é muito simples. Na verdade, as melodias são, mas as harmonias e os ritmos são rebuscados. O Vandré é um esteta, muito poético e direto, como é a boa música do Nordeste. Ele é um compositor que viveu a transição do bolero para a bossa nova e depois se voltou para as raízes dos cantadores, da música caipira, ao fazer a trilha para o filme “A hora e vez de Augusto Matraga” (1965, de Roberto Santos).

Desvelando os problemas psicológicos que Vandré sofreu no exílio, Jorge busca no livro desfazer “o mito de um Vandré torturado, martirizado, que sofreu lavagem cerebral”. E garante:

— Atrás da aparente loucura existe um homem extremamente lúcido que acompanha tudo. Inteligente, egocêntrico, que não se submete.

O escritor chegou a mandar um exemplar do livro, com dedicatória, para que a irmã do artista a entregasse a ele. Mas não tem certeza de que o recluso personagem o leu.

— Segundo amigos e parceiros, ele continua escrevendo poemas que não mostra para ninguém. Tudo o que sei é que o Brasil precisa descobrir a obra de Geraldo Vandré — diz.

“Vandré: o homem que disse não”

Autor: Jorge Fernando dos Santos.

Editora: Geração Editorial.


Rui Costa, ACM Neto e o ministro de Dilma
sobrevoam Salvador no período das chuvas

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Do vidro fumê à distância do engarrafamento

O Ministério Público, guardião da transparência, não deveria permitir que veículos que o sirvam usem nos vidros filtros escuros, que se destinam, principalmente, a esconder seus ocupantes, garantindo-lhes privacidade a bordo de um bem que é tão público quanto o próprio MP.

Claro que essa é uma crítica extensiva aos Poderes constituídos, pois não será surpresa se os passageiros de outros carros oficiais ditos “de representação” estejam também ocultos pela película fumê. A verdade é que, no cargo, a pessoa se sente um pouquinho dona de tudo.

O que nos resta aqui é lamentar a extinção de mais uma marca da Bahia de antanho, quando até o governador circulava pela cidade de vidros absolutamente transparentes, com a placa preta 001 e ainda com bandeiras do Estado tremulando sobre os para-lamas dianteiros – uma liturgia mágica para quem assistia.

Era uma cena um tanto comum, permitindo ao cidadão, eventualmente, se lhe conviesse, acenar para o poderoso, que passava lépido e refestalado, respondendo com sorrisos ao afago popular.

Hoje, em razão de um trânsito caótico que eles mesmos não souberam prevenir com seus maravilhosos planos diretores urbanos, a solução dos governantes é o voo de helicóptero, até que os ares estejam conflagrados.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Leilão dos bens de PRC (Paulo Roberto Costa) e Alberto Youssef animou Rodrigo Janot a enviar a Teori Zavascki um parecer no qual reitera ser a favor da venda dos bens de Fernando Collor.

Há duas semanas, Teori determinou a devolução de veículos de luxo do senador por demandarem cuidados especiais. Collor ficou como fiel depositário de seus próprios bens.

BOM DIA!!!

nov
04


Luaty, fotografado em abril deste ano/Sergio Afonso/Arquivo


DEU NO PÚBLICO (DE PORTUGAL)

O ativista luso-angolano Luaty Beirão deixou nesta terça-feira a clínica onde estava internado e regressou ao Hospital Prisão São Paulo.

A notícia foi publicada na página do Facebook do músico e ativista e confirmada à agência Lusa pela mulher e pelo advogado do músico, que fez greve de fome durante 36 dias, terminada há uma semana.

“Visitei-o no hospital no domingo e este era um passo que já esperava, normal nesta fase. Mas foi um pouco mais cedo do que eu esperava”, disse à Lusa advogado Luís Nascimento.

Luaty Beirão junta-se agora aos 14 ativistas igualmente detidos e acusados de prepararem uma rebelião contra o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

Depois de 36 dias em greve de fome, durante os quais perdeu 23 quilos, o músico está num processo de realimentação, com acompanhamento de um médico e de um nutricionista.

“Ingere uma refeição sólida, muito leve, por dia, neste programa de dez dias. Está evoluindo bem”, explicou a mulher Mónica Almeida, citada pela Renascença.

O início do julgamento, que envolve os 15 dissidentes do regime de Eduardo Santods detidos e outras duas arguidas em liberdade provisória, está agendado para 16 de Novembro, no Tribunal de Cacuaco, nos arredores de Luanda.

nov
04
Posted on 04-11-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-11-2015


Mariano, no portal de humor gráfico A Charge Online

DO EL PAIS

Afonso Benites

De Brasília

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados abriu oficialmente nesta terça-feira o processo de cassação do mandato do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). É a primeira vez que um parlamentar que preside o Legislativo se torna alvo da comissão responsável por analisar o decoro de deputados federais. Investigado em dois processos Judiciais, Cunha é suspeito de guardar uma fortuna no exterior e de ter se beneficiado de recursos desviados da Petrobras. Na Câmara, porém, a quebra de decoro teria ocorrido porque ele foi acusado de mentir durante um depoimento na CPI da Petrobras.

Como é o presidente e tem a caneta para decidir os rumos da Câmara, Cunha iniciou uma série de manobras que podem protelar as decisões contra ele. A primeira dela foi enviar para o Conselho duas representações que estavam paradas na Mesa Diretora havia cinco meses. São denúncias feitas pelo PCdoB contra os deputados Alberto Fraga (DEM-DF) e Roberto Freire (PPS-SP) por agressão verbal e física, respectivamente, contra a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). “É uma clara tentativa de confundir o conselho”, disse Feghali que, em maio foi agredida pelos dois deputados durante uma discussão no plenário da Câmara.

Indagado sobre a razão para abrir os processos do PCdoB somente agora, o presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA) respondeu: “É impossível explicar o inexplicável. O Conselho fez o que lhe cabia”, afirmou. A Mesa Diretora não explicou por que enviou os pedidos somente agora, no mesmo momento em que Cunha passa a ser investigado.

A segunda estratégia do peemedebista e de seus aliados é acusar seus acusadores. Na próxima semana, deve chegar ao Conselho a representação feita pelo líder do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva (SP), contra o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). Alencar lidera um dos dois partidos que acusou Cunha de quebra de decoro ao mentir na CPI da Petrobras.

Para terminar seu contra-ataque, deputados próximos a Cunha relataram ao EL PAÍS que ele tem estimulado qualquer movimentação contra outros parlamentares para “lotar o Conselho de trabalho” e, desta maneira, dificultar as análises claras de cada processo. Sem contar que, se um trabalho poderia ser concluído em 90 dias, cinco ou seis acabam ocupando mais tempo dos parlamentares.

Nesse sentido, a Câmara recebeu nesta terça-feira dois pedidos de cassação do mandato do deputado Sibá Machado (PT-AC). Representantes do Movimento Brasil Livre, grupo que defende o impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT), e duas advogadas entraram com denúncias de quebra de decoro contra Machado, que é o líder do PT na Câmara. Eles o acusam de incitação à violência e de injúria porque, no último dia 27, chamou um grupo de manifestantes acampados no gramado em frente ao Congresso Nacional de vagabundos e que iria tirá-los de lá no “pau”.

Apesar de as representações serem assinadas apenas por cidadãos sem mandatos eletivos, a entrega oficial do documento foi acompanhada por uma comitiva de deputados dos Democratas, partido de oposição à Rousseff e que tem apoiado incondicionalmente Cunha.
Passo a passo

Com a representação oficialmente aberta, agora o próximo passo é definir o relator do caso. Nesta terça-feira, o presidente do Conselho, o deputado Araújo, sorteou três possíveis nomes de parlamentares aptos a relatarem o processo. São eles: José Geraldo (PT-PA), Vinícius Gurgel (PR-AP) e Fausto Pinato (PRB-SP). Agora cabe a Araújo escolher quem relatará o caso, o que deve ocorrer nesta quarta-feira.

A tendência é que Pinato, que é o segundo vice-presidente do Conselho, seja escolhido. A análise de pessoas próximas a Araújo é que os outros possíveis relatores poderiam fazer um trabalho parcial. Geraldo é filiado ao PT, um partido que Cunha considera seu adversário, Gurgel é muito próximo ao presidente da Câmara.

Após o anúncio do relator, ele terá dez dias para apresentar um relatório preliminar sobre a aceitação ou não da denúncia. Depois, Cunha terá dez dias para se defender e testemunhas podem ser ouvidas. Todo o processo levaria no máximo 90 dias.
Um para cada cinco

Dados da Câmara mostram que a cada cinco denúncias apresentadas no Conselho de Ética, apenas uma resulta em pedido de cassação ou outra punição (entre elas suspensão ou advertências por escrito). Nos últimos 12 anos, 118 representações foram apresentadas no órgão que zela pelo decoro parlamentar. Em 23 casos os membros do conselho sugeriram punições e em 95 ocasiões o relatório foi pelo arquivamento ou pela improcedência do processo.

A maior onda de pedidos de cassações ocorreu em 2005, ano em que se descobriu o mensalão petista e o conselho sugeriu que dez deputados perdessem os seus mandatos. No ano seguinte, outra onda de solicitações por perdas de mandatos, cinco casos, mas que foi precedida por uma enxurrada de pedidos de arquivamentos, 65. Naquela ocasião, em 2006, ocorreu a operação Sanguessuga da Polícia Federal e constatou-se que ao menos 68 parlamentares estariam envolvidos em um esquema de desvio de recursos do Ministério da Saúde. Até os desvios desbaratados pela operação Lava Jato, que ainda estão sendo investigados, já renderam denúncias e cassações, foram duas no ano passado (os deputados André Vargas e Luiz Argôlo).

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