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Postado em 03-11-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 03-11-2015 00:02


DO CORREIO24HORAS

por Donaldson Gomes

Os trabalhadores da Petrobras, em greve desde a semana passada, tem um ponto na pauta de negociação sem relação com melhorias nos salários. A turma quer que a estatal reveja o plano de negócios apresentado no meio deste ano, que prevê uma série de desmobilizações e vendas de ativos financeiros. O problema para eles é que esses processos têm como efeitos colaterais as demissões de trabalhadores terceirizados, que representam parte significativa da força de trabalho que atua na empresa. Aqui na Bahia, desde o início do ano, foram demitidos mais de 1,2 mil pessoas por conta da suspensão de contratos de exploração e na redução do pessoal administrativo, de acordo com o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUB) na Bahia, Leonardo Urpia. Até o final do ano, a estimativa é de mais 300 demissões, o que deve elevar o número de baixas a 1,5 mil. “Só nesta semana, soubemos de mais 10 desligamentos, e a perspectiva é de novas baixas”, afirma. Por isso, os representantes dos trabalhadores consideram fundamental discutir o plano de negócios. “Já aprovamos a greve na Bahia e vamos parar a qualquer momento”, diz. Em seis estados, já pararam.

Cofip está minguando

Outra fonte de preocupação para os trabalhadores da empresa é o Centro Financeiro da Petrobras (Cofip), instalado no Stiep, que concentra as áreas financeira, tributária e contábil e emprega mais de 400 pessoas, entre terceirizados e funcionários de carreira. Os trabalhadores dizem que a estatal retomou os planos de transferir a operação da Bahia para o Rio de Janeiro. Nos últimos 30 dias, segundo a FUP, foram demitidos 60 trabalhadores da área na Bahia. “Existe um processo claro de desmobilização. A empresa tentou fazer isso em 2013 e não conseguiu por conta da pressão que foi feita pela sociedade”, lembra. O Cofip funciona na Bahia desde 2008 e, na época da implantação, foi comemorado como uma conquista do estado. A Petrobras informou através da assessoria de imprensa que não pretende se pronunciar a respeito do assunto.

Conta apertada

Além do desgaste causado pela operação Lava Jato, a estatal enfrenta dois desafios de natureza econômica. O primeiro é comum a todo o setor de petróleo no mundo: o preço do barril. Muitos projetos futuros da companhia, dentre eles o pré-sal, só se viabilizam com o petróleo mais caro. “Tem muita coisa que foi planejada com o petróleo entre US$ 90 e US$ 110?, diz Leonardo Urpia. A cotação do produto na última sexta-feira era de US$ 48. Além disso, a estatal sofre com o dólar valorizado. “A empresa tem 75% de sua dívida em dólar, como é comum na indústria do petróleo. O que não é comum é a cotação da moeda passar tão rapidamente dos R$ 3 para os R$ 4”, lamenta. Em meio ao cenário, o clima entre os trabalhadores, principalmente os terceirizados, é de suspense em relação ao futuro. Tem gente com mais de dez anos na empresa que já perdeu o emprego. Outros, também com tempo na casa, que estão vendo a porta da rua se abrindo cada vez mais.

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