DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Delcídio em delírio: “Lula é o favorito”

OPINIÃO

Ninguém menos que o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral, tem a imprudência de dizer que “nem mesmo a oposição” deseja a cassação, agora, da presidente Dilma.

A rasa avaliação, porém, não é o principal, e sim o motivo que a levaria a tal postura: em caso de nova eleição, “o ex-presidente Lula ainda é o favorito” – conceito que já adentra os limites do delírio.

De saída, o senador Delcídio passa ao largo de uma evidência: o caminho até agora mais concreto para o impeachment é a decisão do TCU sobre as contas de Dilma, caso em que assumiria o vice-presidente Michel Temer, do PMDB, e nada de eleição.

Esse seria o desfecho inevitável se não ocorresse o fator Eduardo Cunha – as graves denúncias, praticamente incontestáveis, contra a pessoa constitucionalmente ungida para as tarefas de acolher e presidir o debate sobre uma eventual cassação presidencial.

O PSDB está louco, sim, pela deposição constitucional da presidente, mas de preferência via TSE, com o cancelamento do registro da chapa Dilma-Temer, o que derrubaria os dois.

Uma nova eleição, no prazo de 90 dias, teria, então, um candidato tucano naturalmente forte, podendo ser o senador Aécio Neves, pelo maior recall, embora passível de sérias restrições para o melindre do momento atual.

A opção mais plausível seria o senador José Serra, cuja imagem traduz mais austeridade e seriedade que a do mineiro, descartando-se Geraldo Alckmin, que tem mais três anos de governo em São Paulo e por isso mesmo não quer o impeachment.

Improvável, definitivamente, é que Lula tenha a coragem de meter a cara nesses próximos meses. Talvez, embora também difícil, o fizesse no fim do mandato de Dilma, se superadas as dificuldades e adversidades do presente.

Numa campanha que contaria ainda com a firme pregação moral de Marina Silva, com sua Rede, a participação do ex-presidente certamente motivaria candidatos e eleitores. Fosse no tempo do voto em cédula, Pixuleco seria barbada.

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Comentários

Rosane Santana on 3 novembro, 2015 at 22:11 #

Caro Luis, a última pesquisa do Ibope demonstra, claramente, que ao contrário do que parece, Lula é, sim, fortíssimo candidato.


jader on 4 novembro, 2015 at 8:03 #

Concordo com você Rosane . A midia conservadora e muitos comentaristas deste blog morrem de medo do “namorado da Rose”. Com a palavra o grande político de MG Patrus Ananias :
http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/11/1701823-desafio-aos-pessimistas.shtml


Taciano Lemos de Carvalho on 4 novembro, 2015 at 8:44 #

O meu temor é que nas eleições de 2018 à direita também ganhe a Presidência da República. Ou com um aécio da vida ou com lula, também da vida. Não é nem temor, mas quase certeza. Mas como dizem que milagres existem…, não custa se rezar com os joelhos em cima de pedregulhos pois, assim, sabe Deus terá piedade de nós.


luiz alfredo motta fontana on 4 novembro, 2015 at 9:01 #

Caro Jader

Lá pelo início da era Lula no Planalto, referia-me, ao seu favorito, como “Lula I, o antes nunca visto”. O que pecava pelo ar imperial visto que republiquetas estariam mais conformes.

Como advento de Rose, a que sumiu em “okamotos” mistérios, face ao noticiado, sem nenhuma contestação, de que a dedicada conviva de viagens internacionais, entre outros passatempos, o chamava de “meu namorado”, passei a utilizar o epíteto “namorado” de Rose”, por vezes com a versão “namorado” da Rose.

Assim, confesso, é prazeroso perceber que tal expressão foi adotada com certa frequência em vossos comentários.

Agradeço.

Por outro lado, não compartilho da presunção que o “namorado” de Rose goze ainda de certo favoritismo eleitoral.

Explico porque:

Lula hoje está mais perto da inscrição de seu nome no rol de réus, quer da Lava Jato quer da Zelotes, do que de eventual lista de pré-candidatos em 2018.

O impasse havido face ao impeachment de Dilma, com os devidos vacilos e dúvidas da oposição, não tem similitude com às condições penais que possam abater, ou não, sobre o outrora ,”o cara”, na expressão cínica de Obama.

Parece haver uma certa arrogância intelectual, ao buscar esse improvável favoritismo, baseando-se na justificativa juvenil do “eu acho que”, do “parece ser”, do “sei lá porque”.

Abraços!


luiz alfredo motta fontana on 4 novembro, 2015 at 9:32 #

Caro Luís Augusto

Sombrio horizonte esboça teu artigo.

De um lado Serra, o outrora líder estudantil que em confissão num destes domingueiros canais livres confessou, em cândida constrição, que reverberava discursos inconsequentes durante sua militância na UNE, pelo simples fato de que ,eles, os discursos viscerais, eram o que, os que liderava, desejavam ouvir. Nada mais é necessário dizer sobre este insone personagem, que talvez tenha entrado para a história, não pela proibição do fumo em bares e casas noturnas, mas sim por ser, à época, graças ao capricho de FHC, o único que conseguiria perder para Lula.

De outro, a alusão à uma certa “firme pregação moral de Marina Silva”.

Como aceitar essa ficção?

Marina é a dileta criadora de Sibá, sua criatura, como suplente, não esqueçamos que Marina, à época, não estava sujeita à pressões exógenas no PT do Acre para curvar-se à eventual escolha, de suplente, alheia à sua vontade.
O que dizer então do agradecimento de Sibá à madrinha, ao nomear o marido desta, o tal Vaz de Lima, como assessor parlamentar no gabinete da senadora, que graças a ela, ocupava interinamente?

Há pregação moral com estes personagens? Marina, Vaz de Lima e Sibá?

Caro Luís, o mergulho na escuridão é maior, a ausência de luz no final do túnel parece evidente.

Resta, a “nosostros”, orar em desatino!


luis augusto on 7 novembro, 2015 at 10:48 #

Rosane, sei das pesquisas, elas estão sempre por aí, mas me reservo o sonho de esperar a hora do vamos-ver.

Deus me tire desta Terra (força de expressão…) se Lula, a quem dei três votos, voltar à presidência. Mas não é medo, como pensa Jader, é pena do Brasil e dos brasileiros.

A Taciano, digo que, de uma forma ou de outra, a direita vencerá a eleição, como venceu com Lula.

A Fontana, a satisfação pelo compartilhamento da tese e concordância com suas palavras em geral.

Debato-me entre a esperança no imponderável e o “sombrio horizonte”, pois, de fato, “a ausência de luz no final do túnel parece evidente”.

Abraços generalizados e um minipoema de amor: “Sei que não ouves meu grito/ mas o que tenho a te dar/ são beijos, no plural infinito”.


Arnaldo Ribeiro ou Israel on 26 novembro, 2015 at 15:24 #

OS SEMELHANTES SE ATRAEM, SEPARANDO O JOIO DO TRIGO: São orlas do caminho Daquele que nos disse:
(MT.13.30) DEIXAI-OS CRESC ER JUNTOS ATÉ A COLHEITA, E, NO TEMPO DA COLHEITA, DIREI AOS CEIFADORES: AJUNTAI PRIMEIRO O JOIO, ATAI-O EM FEIXES PARA SER QUEIMADO; MAS O TRIGO, RECOLHEI-O NO MEU CELEIRO:


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