Piloto André não resistiu à queda do avião
Foto:reprodução do Facebook/Correio

DO CORREIO24HORAS

Da Redação

O piloto que se acidentou na tarde deste sábado (31) no mar da Barra morreu no Hospital Português depois de ser socorrido à unidade médica. André Textor estava na aeronave que perdeu o controle quando fazia acrobacias sobre o mar. O rapaz chegou a ser reanimado ainda na areia da praia, quando foi retirado da aeronave.

O resgate do piloto durou cerca de 40 minutos. Duas equipes do Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer) estiveram no local prestando socorro. Embarcações da Marinha também foram encaminhadas ao local para auxiliar.

A Polícia Militar também foi chamada para ajudar a conter os curiosos, que atrapalhavam o serviço de resgate.

A apresentação aconteceu em comemoração ao Dia do Aviador e o mês da Asa. A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que a aeronave PR-ZVX, modelo Slick 540, é civil, assim como o piloto, e se e apresentava no evento, organizado pela base aérea de Salvador. Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB) lamentou a morte e disse que já começou as investigações para apurar o acidente.

Os três aviões da Esquadrilha Textor Air Show chegaram a Salvador na manhã de hoje para a apresentação. O avião se chocou contra o mar após uma série de acrobacias e rapidamente a aeronave afundou. Depois do acidente, a apresentação foi suspensa.

O Textor Air Show é uma empresa familiar e conta com os pilotos gaúchos Beto, André e Tiago Textor, pai e filhos. Eles usam os aviões Cozy, RV-7 e Pitts. O grupo, sediado em Goiás, faz apresentações aéreas por todo o país – a página deles cita mais de 350 demonstrações em todo o país.

Antes da apresentação, o irmão de André, Tiago, usou as redes sociais para chamar o público. “Borá! É agora, show aéreo no Farol da Barra, Salvador Bahia!!! Vai ser duka!”

O avião que caiu no mar da Barra foi o RV-7. A família está no setor há mais de 60 anos. “Somos a única esquadrilha de Demonstração aérea da América Latina com três aeronaves de modelos diferentes, o que eleva significativamente o grau de dificuldade dos voos”, diz texto de apresentação da empresa.


ARTIGO DA SEMANA

Lula aos 70: labirinto, sobrevivência e temor

Vitor Hugo Soares

“Porque el tiempo passa/ Nos vamos poniendo viejos/ Y el amor
(Porque o tempo passa/ nós vamos ficando velhos/ E o amor
No lo reflejo como ayer/ En cada conversación/ Cada beso cada abrazo
(não o reflete como ontem/ Em cada conversação/ Cada beijo, cada abraço
Se impone siempre un pedazo/ De temor”
(se impõe sempre um pedaço/ De temor
(Versos da letra de Años, música composta pelo artista cubano Pablo Milanês, sucesso no Brasil e na América Latina nos anos 70/80 ).

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Fotografia produzida e distribuída, pelo Instituto Lula, depois da festinha comemorativa dos 70 anos do ex-presidente Lula, em São Paulo, terça-feira (27) à noite – com a presença da atual ocupante do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff -, é emblemática do vendaval que sopra na vida do fundador e maior líder do PT, nestes dias tormentosos de fim de outubro .

Imagem significativa pelo que expõe, mas, principalmente, pelo que fica oculto ou mal disfarçado. Retrato irretocável de melancolia do poder em desalinho. Reflexo evidente do inferno astral e do labirinto pessoal e político enfrentado na semana do seu aniversário, por Luís Inácio Lula da Silva. Até bem pouco tempo um dos líderes mais aclamados e acatados (temido também por muitos adversários) de seu País e da América Latina).

Habitualmente tido e visto na condição de um quase intocável, Lula agora tropeça, bambeia e acusa os golpes. Isso ficou claro na quinta-feira (29), nas palavras e gestos do seu discurso na abertura da reunião do diretório nacional do PT, em Brasília. Três dias depois de ter ingressado no clube “dos setentinhas”, para usar a expressão de Chico Buarque de Holanda no vídeo de parabéns, gravado com açúcar e com afeto, que ofertou ao líder e amigo em tempo de dissabor.

A imagem produzida na casa de festejos nas vizinhanças do Instituto que leva o nome do homenageado, seu entorno e circunstâncias, mal conseguem disfarçar a realidade inexorável de “Sua Excelência o Fato”, no dizer de Charles de Gaulle. São simbolicamente expressivas as palmas contidas de Dilma (posta à distância do homenageado, na composição do registro fotográfico); o sorriso enigmático da ex-primeira-dama, Marisa Letícia; e o abatimento do próprio Lula, segurando o netinho de braços abertos em frente do bolo com a vela alusiva aos 70 anos.

A foto deixa a estranha impressão de que, na festa, pairava no ar a sombra “do pedaço de temor”, de que fala a famosa canção de Pablo Milanês. Soube-se mais tarde que, depois da comemoração, na saída da casa de festejos paulistana, às 23h, Luís Claudio Lula da Silva, um dos filhos do ex-presidente, foi abordado por agentes da Polícia Federal.

De um deles, Luís Cláudio recebeu a intimação para prestar depoimento na PF, semana que vem. O filho de Lula é investigado pela Operação Zelotes e sua empresa de materiais esportivos foi um dos alvos, entre os vários mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF, por suspeitas de atividades ilegais. Uma nora do aniversariante foi acusada, também, por um delator da Lava Jato, de receber propina.

Neste ponto, provavelmente, a razão principal da faca nos dentes de Lula, durante o seu discurso de anteontem, em Brasília: “É tudo muito incerto no país. Tem 19 pedidos de impeachment, denúncia contra o presidente da Câmara, denúncia contra o presidente do Senado, contra o filho de Lula . Eu tenho ainda mais três filhos que não foram denunciados e sete netos. Porra, não vai parar nunca isso. E ainda tenho uma nora que está grávida”, disse o ex-presidente em trecho do discurso reproduzido no El País.

No fim, por coragem ou por bravata, disse estar preparado para apanhar mais, nos próximos três anos. “Vou sobreviver”, avisou em recado a quem interessar possa. A conferir. Ainda assim, quanta diferença de outros aniversários de Lula, quando ele festejava comendo bolo com os vizinhos e amigos no ABC e agendas superlotadas.

Ou daquele 27 de outubro de 2002, quando disse, logo após votar no segundo turno da eleição que o tornaria presidente do Brasil: “Este é o momento mais feliz da minha vida”. Lula fazia então 57 anos. Chefes de estados e grandes empresários ligando sem parar. O cantor, compositor e então futuro ministro de seu governo, Gilberto Gil, telefonava, direto de Paris, dando parabéns e votos de sucesso e longa vida. Esta semana, aos setentinha, os vídeos de Dilma Rousseff e de Chico Buarque e as velas sopradas na tensa festinha foram os destaques. E, pela imagem divulgada, os “pedaços de temor”, da canção cubana, em volta da mesa.
Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.b
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David Crosby – Laughing

Eu pensei que eu conheci um homem que disse
Ele sabia que um homem que sabia o que estava acontecendo
Eu estava enganado, só mais um estranho que eu sabia

E eu pensei que eu tivesse encontrado a luz
A guia-me pelas minhas noites e toda essa escuridão
Eu estava enganado, só reflexões de sombra que eu vi

E eu pensei que eu ja vi alguém
Parece que finalmente conhecer a verdade
Eu estava enganado, só uma criança rindo no sol, no sol

Postado por Vangelis em sua página no Facebook. Vale a pena visitar. Bahia em Pauta recomenda,
com prazer. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

out
31

DO EL PAIS

Gil Alessi

De São Paulo

Preso há mais de 130 dias acusado de envolvimento no escândalo da Petrobras investigado pela operação Lava Jato, o empreiteiro Marcelo Odebrecht entregou nesta sexta-feira uma carta ao juiz federal Sérgio Moro. Convocado para prestar depoimento – o primeiro na presença do magistrado -, o herdeiro de um dos maiores impérios industriais do país optou por entregar por escrito um documento com perguntas e respostas, rebatendo algumas das principais acusações feitas pelo Ministério Público Federal. Contra ele pesa a suspeita de participação em esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa que lesou os cofres públicos.

Ao invés de responder oralmente aos questionamentos de Moro e do Ministério Público, o empresário pediu a palavra para dizer que estava sendo vítima de uma “publicidade opressiva” e de um “pré julgamento”, caracterizado por vazamentos de dados pessoais à imprensa. “Apesar dessa minha manifesta e publica intenção de contribuir e colaborar com a investigação”, afirmou Marcelo, “em retribuição a isso, o que vi: prisões preventivas, uma sobre outras, buscas e apreensões, interceptações telefônicas,bloqueio de bens e quebras de sigilo fiscal e bancário”. Odebrecht chegou a dizer que os telefones de suas filhas menores de idade foram grampeados, fato prontamente desmentido por Moro.

O empresário criticou a dificuldade que sua defesa tem de acessar alguns documentos do caso. Quando o magistrado perguntou quais dados estavam sendo negados a seus advogados, o depoente respondeu dizendo que “seria importante” para ele nestas considerações “seguir uma linha de raciocínio “. Ele não respondeu à pergunta do juíz.

A maioria dos pontos refutados por Odebrecht em seu texto tem como base mensagens de e-mails e notas encontradas em seu celular e em seu computador, apreendidos pela Polícia Federal. Parte destes documentos serviu de base para alguns dos pedidos de prorrogação de sua prisão preventiva, já que no entendimento dos procuradores o executivo estaria tentando atrapalhar as investigações e até mesmo deixar o país. No entanto, quando o juiz indagou sobre acusações que não haviam sido respondidas na carta de Marcelo, o depoente se resumiu a dizer que “tudo o que eu conheço está nas minhas perguntas e respostas, entregue a vossa excelência”. Entre as perguntas sem resposta citadas por Moro estava o motivo de uma transferência de 21,8 milhões de dólares de uma conta da Odebrecht em Nova York para outra na Suíça.
“Respostas por escrito”

Em um lembrete escrito no aplicativo bloco de notas de seu telefone – apreendido pela PF -, Marcelo escreveu “trabalhar para parar/anular (dissidentes/PF)”. Para os procuradores foi um indício que o empresário estaria tentando influenciar os rumos da investigação. No documento entregue a Moro, o empreiteiro afirma que a nota em questão era um lembrete “feito apenas para acompanhar o assunto [que havia sido citado em uma reunião da empresa tendo como base reportagens da imprensa]”, e que segundo ele não tem “qualquer relação com as ilações feitas pelo MP no sentido de que eu estaria manipulando as investigações”. Na carta, ele aproveita para desqualificar o trabalho feito pelo Ministério Público: “A interpretação da anotação é propositadamente deturpada”.

Mais adiante, Odebrecht comenta um email enviado para ele por um executivo da Braskem, subsidiária da empresa. Na mensagem, o remetente cita um sobrepreço de 20.000 a 25.000 dólares por dia por sonda. A interpretação do MP foi de que a mensagem deixa clara a prática de prejudicar o erário. Já na explicação de Marcelo, “sobre preço não se trata de superfaturamento, mas de uma modalidade contratual usual neste mercado”.

O empresário também nega que a construtora tenha pago propina para obter contratos (“ Jamais orientaria esse tipo de conduta ilegal”), e diz que a Odebrecht não participou de nenhum cartel de empreiteiras para prejudicar a Petrobras. “Nunca tratei de assuntos relacionados à Petrobras, nem sobre qualquer licitação específica, com qualquer um deles [diretores de outras empreiteiras]”.

Uma das principais acusações contra a empresa envolve informações repassadas pelo Ministério Público suíço. De acordo com os documentos, empresas subsidiárias da Odebrecht fora do Brasil foram usadas para pagar 17,6 milhões de dólares (59 milhões de reais) a ex-dirigentes da Petrobras em contas secretas na Europa. Na carta entregue a Moro, Marcelo admite que a empreiteira tem contas no exterior, “já que existe atuação relevante [da Odebrecht] fora do Brasil”, mas diz não ter conhecimento sobre os supostos pagamentos feitos a funcionários da estatal.

O empresário, que comanda um império que faturou 32,2 bilhões de reais no ano passado, estava na mira da Lava Jato desde o início das investigações em abril. Em novembro de 2014, quando o foco da operação se voltou para os corruptores (as empresas), foram presos diversos executivos de empreiteiras, mas a Justiça não conseguia chegar à Odebrecht, considerada a ‘joia da coroa’, e possível chefe do cartel, segundo a PF. O suspense terminou em junho deste ano, quando a Justiça dispunha de documentos que comprometiam Odebrecht ou ao menos exigiam explicações detalhadas sobre algumas operações. Com apoio de um corpo muito bem pago de advogados que o orientaram, a defesa começou nesta sexta.

Ao final de suas considerações na tarde de hoje, Odebrecht se dirigiu a Moro e disse que segue “acreditando na Justiça, na Justiça de vossa excelência”.


DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Josaphat: um governo que jamais chegou

Justamente homenageado em várias instâncias da vida política, jurídica e cultural baiana pelo seu centenário, transcorrido anteontem (28), Josaphat Marinho tinha, no entanto, a natural ambição humana, e no seu caso era chegar ao governo do Estado que tanto o laureara na vida pública.

Iniciando a carreira na UDN, em 1947, como deputado estadual constituinte, em oposição ao período ditatorial do presidente Getúlio Vargas, Jospahat distanciou-se da origem ao ingressar no PL, o antigo Partido Libertador, pelo qual se elegeu senador em 1962.

O golpe militar de 1964, que o colocou na oposição a tantos correligionários do passado, frustrou-lhe a possibilidade de disputar o governo dois anos depois. O novo poder instalou-se duramente na Bahia e impediu sua reeleição em 1970, mesmo havendo duas vagas, conquistadas por Heitor Dias e Rui Santos.

Derrotado, Josaphat permaneceria mais de 20 anos sem mandato, mas sem abandonar a luta difícil contra a ditadura, num tempo em que o pavor esmagava a sociedade e era temerário confiar no colega de escola ou de trabalho para falar de assuntos políticos.

A ditadura denunciada com coragem

Um exemplo memorável de sua atuação foi o discurso, em 1974, em ato promovido na Associação dos Funcionários Públicos, na Rua Carlos Gomes, para agregar a oposição. Entre militantes de todas as idades, preocupados com o que lhes poderia acontecer por estarem ali, Josaphat deu a senha.

Relembrou a reação de um político no período varguista ao ser indagado sobre a natureza do regime. E repetiu a resposta: “Se me mostrarem um copo e disserem que é chapéu, eu direi que é um copo. Se me mostram uma ditadura e perguntam se é democracia, eu digo que é uma ditadura.

E prosseguiu, já aí diante do delírio de gritos e aplausos da plateia: “Podem conceber o mais mavioso dos vocábulos para descrever a truculência que abastarda a nação, e eu resistirei na definição de que é uma ditadura! Ditadura!”

Talvez o carlismo não voltasse com ele

Em 1986, com a redemocratização do país – processo longo, iniciado pela anistia em 1979 e seguido da primeira eleição direta de governador, em 1982 –, Josaphat, então filiado ao PSB, lançou-se candidato ao governo, mas a oposição já estava decidida em torno de Waldir Pires.

Josaphat recebeu o apoio de Antonio Carlos Magalhães, a cujo partido, o PFL, teve de filiar-se tempos depois em razão de a direção nacional do PSB ter determinado o fim da aliança.

A derrota acachapante nas urnas atestou a barca furada em que entrara. ACM sofreu um golpe que já esperava, tanto que aceitou Josaphat como único recurso eleitoral, como tentara um ano antes, com Edvaldo Brito para a Prefeitura de Salvador, conquistada facilmente por Mário Kertész.

Os fatos que se seguiram são sucintamente conhecidos: o vencedor, Waldir Pires, renunciou no meio do mandato para ser o vice na chapa de Ulysses Guimarães na eleição presidencial de 1989, assumindo o governo o vice-governador Nilo Coelho para um desempenho que resultou na volta do carlismo.

Como não podem os olhos ser fechados à história nem o cérebro à imaginação, especula-se da perspectiva de hoje – talvez já de algum tempo – se, ressalvadas a honestidade, a respeitabilidade e a independência de ambos, não teria sido mais proveitosa à Bahia a vitória de Josaphat.

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31
Posted on 31-10-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-10-2015


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

É uma piada

A julgar pelas perguntas e respostas entregues pelos advogados de Marcelo Odebrecht ao juiz Sergio Moro, o empreiteiro não mandava na sua empresa, não participava das decisões cruciais, não tinha nenhum controle sobre as finanças e não sabia de nada sobre os contratos com a Petrobras.

É uma piada. Que tem ainda mais graça para quem conhece o moço de perto e sabe como ele é centralizador no limite da obsessão.

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