DO PORTAL TERRA BRASIL

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, concluiu nesta sexta-feira, 30, que o inquérito sobre o esquema de corrupção na companhia estatal Eletronuclear deve ser separado do processo da Petrobras. Na prática, a medida tira das mãos do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal no Paraná, as investigações sobre o caso que surgiu no âmbito da Operação da Lava Jato. Com a medida, os autos relacionados à estatal do setor elétrico deverão ser encaminhados à Justiça Federal no Rio de Janeiro, onde se localiza a sede da Eletronuclear.

A informação foi obtida com exclusividade pelo Estado. Relator da Lava Jato no STF, Teori já havia determinado a suspensão do processo por meio de liminar concedida no começo de outubro, a pedido da defesa de Flavio Barra, executivo da empreiteira Andrade Gutierrez. Na oportunidade, os advogados de Barra alegaram que o caso não tinha relação com o esquema na Petrobras.

A situação é similar à dos processos da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e do ex-ministro Paulo Bernardo. Os dois foram citados em depoimentos colhidos na Justiça Federal do Paraná em meio às investigações da Lava Jato. No entanto, o esquema apurado relaciona-se a fraudes em contratos de serviços prestados no Ministério do Planejamento por uma empresa de São Paulo.

Por causa disso, Zavascki concordou com a tese de que o caso não se relacionava ao inquérito da Lava Jato e concluiu que não deveria mais relatá-lo no STF. Desse modo, pediu que o processo fosse redistribuído a outro ministro – Dias Toffoli acabou sorteado. Isso fez também com que as investigações em primeira instância deixassem de ser comandadas por Moro.

Em 22 de setembro, o plenário STF aprovou a decisão de Zavascki por 8 votos a 2. Os ministros também decidiram repassar as provas contra Gleisi para o novo ministro relator e determinaram que o caso em primeira instância passasse a tramitar na Justiça Federal de São Paulo, onde os crimes teriam ocorrido.

A assessoria da Procuradoria-Geral da República avalia que a decisão do ministro do Supremo sobre a Eletronuclear deve ser submetida ao plenário da Corte. Falando em tese, o ministro Marco Aurélio Mello tem entendimento diferente. “O declínio da competência da relatoria suscita a redistribuição. Portanto, a investigação em primeira instância deve ser encaminhada para o Rio de Janeiro”, disse ele ao Estado.

PMDB. O caso do esquema da Eletronuclear envolve o senador Edison Lobão (PMDB-MA), ex-ministro de Minas e Energia. Ele foi citado pelo dono do UTC, Ricardo Pessoa, que fez acordo de delação premiada. Em um dos seus depoimentos, Pessoa afirmou que teve um encontro Lobão, em 2014, e em que ele pediu R$ 30 milhões para campanhas eleitorais do PMDB.

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Comentários

jader on 30 outubro, 2015 at 22:13 #

jader on 30 outubro, 2015 at 22:22 #

luis augusto on 31 outubro, 2015 at 6:49 #

Lamento que o título “Tijolaço”, coluna histórica, paga, no Jornal do Brasil, com que Leonel Brizola tentou romper o cerco que lhe foi imposto pela mídia, sob o comando pessoal de Roberto Marinho, seja usado para defender o quadro atual do Brasil.

Aquela, sim, foi um guerra declarada não contra um simples político, mas o legítimo representante de uma corrente que foi a única a, no poder, com Getúlio e Jango, propiciar avanços e conquistas reais e sólidas para o povo brasileiro – um levado ao suicídio, outro, deposto e exilado.

Quero dizer aos senhores que nem os IPMs de 64, feitos com toda truculência e arbitrariedade, provaram o mínimo deslize de Brizola, menino que começou a vida como engraxate e que passou pelos cargos de prefeito e governador, duas vezes, de forma absolutamente limpa e brilhante.

Brizola, nunca é demais recordar, morreu, em junho de 2004, rompido com o primeiro governo de Lula. Não é possível que sua honrada memória esteja sendo, agora, associada a esse pântano em que o país está afundando.


Taciano Lemos de Carvalho on 31 outubro, 2015 at 15:24 #

Luís Augusto.
Sou outro a lamentar a atual orientação do “Tijolaço”, usado hoje para defender, e justificar, o quadro atual do Brasil. Um quadro de horror no aprofundamento do entreguismo e do privatismo que Brizola tanto combateu. E, claro, de roubalheira sistêmica, como bem demonstrou o Mensalão, e agora reafirmado pela Lava-Jato, Nuclebras e outras escândalos.
Hoje tijolaços são lançados para defender, com desfaçatez, políticas que aumentam cada vez mais as “perdas internacionais”, processo que foi tema diuturno nas declarações e lutas do velho político do PDT. Acho que o Gaúcho antevia que a nossa Pátria poderia chegar, ao que chegou agora, — se continuasse a trilhar o caminho que vinha fazendo— a queimar quase 50 por cento do orçamento da União para saciar a agiotagem dos grandes banqueiros internacionais.
Quando ainda em meados de dezembro de 2002, Lula de lá dos Estados Unidos, depois de se encontrar com “o companheiro Bush”, anunciou que o presidente do Banco Central do Brasil seria Henrique Meirelles, homem, e ex-presidente, do Banco de Washington, Brizola mandou um Tijolaço denunciando, condenando, discordando, e quase que rompendo com o futuro presidente Lula. De lá até junho de 2004, quando morreu Brizola, o Tijolaço a cada dia ganhava mais força contra o que estava ocorrendo no governo do ex-operário.
Já que estamos falando em Tijolaço, fato estranho foi o sumiço do site do PDT daqueles artigos escritos por Brizola e que criticava duro o governo de Lula. Sumiço ocorrido logo após o partido cair nos cargos, e nos braços, do PT.
Morto Brizola em 2004, rapidamente se revelaram alguns ansiosos por boquinhas aqui e ali. Sofreram resistência internas, mas em 2007 o partido tombou e caiu de cara (ou sem cara) e alma no governo do PT. A boquinha pesou. E pensando bem, tem gente que adora até uma boquinha em alguma Liderança.
Quanto à Liderança, se quiserem eu até desenho.


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