OPINIÃO

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Lula perdeu o teste com a classe média

Não é que o ex-presidente Lula desconheça a realidade e o modo como a população o enxerga hoje, tanto que entra sorrateiro nos hotéis. Apenas não tem outra saída senão defender-se com a disposição que lhe restar, porque a omissão será necessariamente mais perigosa.

Das manobras de bastidores, da pressão para exercer o máximo de influência no governo, Lula emergiu, nestes últimos dias, para um desesperado corpo a corpo a distância, repetindo um discurso que já não tem mais cabimento.

Esse negócio de referir-se a um inimigo imaginário único que chama de “eles” para, na verdade, atingir setores diversos que o rejeitam, não cola. “Eles” odeiam os pobres, “eles” odeiam “a Dilma” porque é mulher. Como se diz, tenha dó.

“Eles” querem, com a presidente Dilma, “destruir um mandato que mal começou”. Ora, o mais desinformado dos brasileiros sabe que Dilma foi presidente da República de 2011 a 2015 e, junto com ele, é a maior responsável pela situação do país.

Aliás, por obra e graça da mesma conversa mole de Lula, só que naquele tempo ele surfava sobre números melhores da economia internacional, que não chegaram a nos afetar como agora, e podia oferecer um cala-boca aos miseráveis e necessitados.

O ex-presidente refere-se também a “políticos inconformados” com o resultado da urnas como insufladores do quadro atual, mas não explica por que a oposição não lhes dedicou a mesma estratégia nos anos em que ele e Dilma, três vezes, venceram a eleição.

Ao contrário, com políticos igualmente medíocres, como José Serra, Geraldo Alkmin e Aécio Neves, a oposição temeu-lhe a “popularidade” adquirida da conjuntura e do trabalho de terceiros e acovardou-se desde a primeira grande corrupção, o mensalão, da qual Lula não pode se eximir.

Dez anos depois, chegamos aos dias atuais, em que o último recurso do antigo líder messiânico é contar com a ignorância popular para a qual muito contribuiu nos seus anos de poder, inclusive com a demissão de Cristovam Buarque do Ministério da Educação.

Mas Lula pode fazer uma avaliação definitiva: seu processo de ascensão foi lento. Só venceu em 2002, após três pleitos, e no segundo turno, por ter enfim incorporado o apoio de uma verdadeira classe média, que fez, digamos, um teste – desastrado, como se vê.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 25 outubro, 2015 at 5:28 #

Perfeito Luís!

Faltou acrescentar FHC no rol dos medíocres. Mas tucanos tem afinidades com o jeito Lula de ser, nasceram de um engodo, fingiram estar chocados com Quércia e afanaram Ulisses, para tanto usaram o ingênuo Montoro, este sim detentor de votos. FHC, quando muito era um suplente de senador, Itamar, por força de composições para governar, o içou ao cargo que nem de longe lhe cabia. Herdou a glória e a cadeira, desta feita não havia Jânio e seu desinfetante.

Lula é apenas o safo oportunista.

Nós, somos os coniventes, cúmplices com nossa apatia paquidérmica. Sói uma nação de parvos aceitaria, como aceita, personagens tão bizarros como governantes.

Temos saída?

Talvez, mas certamente não com essas gerações mutiladas pelo golpe militar.

Perdemos o horizonte.

Perdemos o senso crítico.

A cada dia, com desilusão, percebo que somos apenas Petains.

Tim Tim!


luiz alfredo motta fontana on 25 outubro, 2015 at 5:39 #

Por oportuno, Josias de Souza, leitura obrigatória:

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Dilma assassinou a retórica do seu mentor Lula
Josias de Souza 25/10/2015 05:37

Nelson Rodrigues dizia que a morte é anterior a si mesma. Começa antes, muito antes da emissão do atestado de óbito. É todo um lento, suave, maravilhoso processo. O sujeito já começou a morrer e não sabe. Deu-se algo parecido com a retórica de Lula. O morubixaba do PT ainda não se deu conta, mas sua retórica já morreu e, suprema desgraça, não foi para o céu. No momento, exerce a prerrogativa de escolher seu próprio caminho para o inferno.

Não foi uma morte natural. Ironicamente, a oratória de Lula foi assassinada pelo mito gerencial que ajudou a colocar no Palácio do Planalto. Matou-a, num processo lento e cruel, a ineficácia crônica de Dilma. Sem assunto, Lula perambula pelo país esgrimindo um discurso desconexo, que ofende a inteligência de quem ouve.

Lula já não dispõe da alternativa de atacar a herança maldita de FHC. Graças ao poder longevo, o PT agora lida com seu próprio legado. Enquanto conseguiu maquiar a gastança, Dilma manteve as aparências. Mas agora a irresponsabilidade fiscal apresenta a conta. Potencializada pelas ‘pedaladas’, a irresponsabilidade foi levada às fronteiras do paroxismo. Até o TCU notou.

Numa evidência de que a placa do seu cérebro ferveu, Lula pede o escalpo de Joaquim Levy em privado e apregoa a retomada do crescimento econômico em público. Finge não ver que os erros na economia são de madame e que o conserto do estrago vai tomar tempo, pelo menos dois anos —ao longo dos quais a inflação e o desemprego, ambos a caminho dos dois dígitos, transformarão Lula em cúmplice de uma ruína anunciada.

No momento, Lula promove um ciclo de encontros sobre educação. Treze anos depois da chegada do PT ao poder federal, ele trombeteia a perspectiva de destinação gradual de 10% do PIB e 75% dos royalties do pré-sal para a educação. Faz isso num instante em que o PIB derrete em meio a uma recessão a pino. E o triunfalismo do pré-sal dá lugar às lamúrias sobre a breca de uma Petrobras saqueada pela quadrilha de assaltantes-companheiros.

Com a morte de sua retórica, Lula tornou-se um orador desconexo. Enfia Lava Jato em todos os seus discursos. Até bem pouco, jactava-se de ter honrado a independência do Ministério Público e proporcionado autonomia operacional à Polícia Federal. Agora, num instante em que seu nome salta dos lábios dos delatores como pulgas no dorso de vira-latas, Lula critica a investigação e enxerga “quase um Estado de exceção” onde só existe uma democracia tentando conter seus usurpadores. Num rasgo de cinismo, Lula comparou os delatados do PT a Jesus Cristo, que teve de fugir de Herodes ao nascer e foi morto na cruz.

Dias atrás, Lula declarou que não gostaria de se candidatar novamente à Presidência em 2018. Talvez os fatos venham a confirmar a sensação de que o cabeça do PT está sendo delicado demais consigo mesmo. Depois que sua retórica foi assassinada por seu poste, Lula ganhou a aparência de um cadáver político na fila para acontecer.

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Caro Luís, bom ver tua percepção dos fatos em tão boa companhia!.


luiz alfredo motta fontana on 25 outubro, 2015 at 5:57 #

Caro Luís

Fujo um pouco do tema, mas não da lama, para inserir o artigo de Cláudio Humberto que desnuda uma certa heroína dos desavisados.

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REFORÇO NA BANCADA
SILÊNCIO DE MARINA FAZ DO REDE PUXADINHO DO PT
ELA DESCONVERSA SOBRE IMPEACHMENT E O GOVERNO ADORA ISSO
Publicado: 25 de outubro de 2015 às 00:00 – Atualizado às 00:44

SILÊNCIO DA ‘DONA’ DO REDE AVALIZA BARBEIRAGENS DO GOVERNO DILMA
O silêncio da ex-senadora Marina Silva, dona do recém-criado Rede, avaliza as barbeiragens da presidente Dilma. Com uma bancada de deputados formada por integrantes da base de apoio ao governo, incluindo quatro ex-petistas, o Rede acionou o Conselho de Ética contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, mas só se posicionará sobre “pedaladas” e impeachment após “análise rigorosa dos fatos”.

Políticos experientes suspeitam que a adesão de vários parlamentares governistas ao Rede foi produto de articulação do Palácio do Planalto.

Agora estão no Rede o ex-petista e dilmista Alessandro Molon (RJ) e Eliziane Gama (MA), ex-PT e ex-PPS.

Miro Teixeira, ex-PMDB/PT/PDT/PPS/Pros e agora no Rede, até se irritou na TV numa discussão sobre impeachment. Ele é contra. Leia mais na Coluna Cláudio Humberto.

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Eu completaria, certamente as boquinhas do maridão, o tal Vaz de Lima, estão garantidas.


luis augusto on 25 outubro, 2015 at 9:45 #

Caro Poeta, vou usar uma forma verbal que dizem que não existe, o imperativo na primeira pessoa do singular: seja eu razoável!

Agradeço de coração o “perfeito”, mas tenho de dizer que perfeito foi o Josias, de cuja companhia faço humilde parte, nomeado por você. Abraços. E passemos ao outro vetor.

Não incluí Fernando Henrique de caso pensado, mas não por falta de mediocridade, embora em dose bem menor em relação aos outros três.

É que nesse episódio histórico todo, ele, como ex-presidente, foi vítima dos candidatos do PSDB na omissão dos feitos de seu governo.

A mudança de discurso veio um pouco com Aécio, quando não havia mais tempo.

Quanto a Marina, sem contestar fatos familiares e políticos que você cita, não estou com saco (desculpem o termo) para acompanhá-la minuciosamente neste momento, ainda invocado com a não-construção da Rede naquela época.

Até escrevi sobre isso: o que seria perseguição do “sistema” era, na verdade, incompetência.


luiz alfredo motta fontana on 25 outubro, 2015 at 10:24 #

Caro Luís

O comentário sobre Marina foi ato atrevido meu que, não encontrando espaço adequado, abusei de tua generosidade. Penitencio-me sobre isto.

Já FHC teve participação ativa na estultice política do “deixem Lula sangrar”, por ocasião do Mensalão. Posou, o “gongórico entediado”, de “estadista” quando era apenas “escapista”.


Jader on 25 outubro, 2015 at 11:00 #

O Sapo barbudo está morto?!! Ainda assim todos vocês e a mídia nativa continuam morrendo de medo de 2018!!!!!!!!!!!!!!


Taciano Lemos de Carvalho on 25 outubro, 2015 at 11:37 #

Amanhã (26/10/2015) a reeleição de Dilma completa um ano. Veja como a carruagem virou abóbora

http://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2015/10/amanha-reeleicao-de-dilma-completa-um.html


luis augusto on 25 outubro, 2015 at 13:22 #

Fontana, você é como VHS, desses espíritos invejáveis ao qual todos almejamos sem poder.

E como diria Marco Aurélio Mello se um dia acordasse puto: “Temos um safo barbudo”.


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