Deltan Dallagnoll e Lucas Mendes: gala no Manhattan Connection


Lucas Mendes:prêmio cobiçado do jornalismo


ARTIGO DA SEMANA

De lavar a alma: Dallagnol e Lucas no Manhattan Connection

Vitor Hugo Soares

Andava meio desligado do furdunço nas redes sociais desde o sábado do feriadão da Padroeira do Brasil, festejado na segunda-feira, 12, juntamente com o Dia da Criança deste ano bicudo de 2015, da crise triplicada (política, econômica e moral).

Difícil prever até onde irá, e com quais consequências, a deduzir por alguns de seus episódios mais recentes: O jogo de barganhas no vai não vai do impeachment da presidente Dilma; as tramoias e o balança mais não cai do presidente da Câmara, Eduardo Cunha; o rebaixamento do grau de credibilidade do Brasil e as perspectivas sombrias contidas no novo relatório da agencia de risco Fitch, divulgado quinta-feira (15).

Finalmente, para ficar em apenas quatro pontos desta semana de amargas notícias, a descoberta tragicômica – para um país e uma sociedade que se debatem em busca de saídas ou de alguma luz no fim do túnel – de que o matreiro deputado José Carlos Araujo, do PSD da Bahia, é o presidente da Comissão de Ética que poderá julgar o comportamento de Cunha. Vejam, por exemplo, no Diário Oficial da União (edição de ontem, 16) a nomeação dos seus afilhados e de políticos próximos a ele em seu estado, para cargos no governo federal.

Araújo, entrevistado por telefone na Rádio Metrópole de Salvador, diz que é assim mesmo, “a praxe no Brasil” quando se trata da nomeação de aliados para cargos no governo. Sobre a “coincidência” das nomeações saírem nesta sexta-feira no DOU, atira: “Fiz as minhas indicações há uns quatro meses. O problema é que o governo da presidente Dilma é lento demais em muitas coisas, inclusive nisso (as nomeações)”. Fecha o pano no teatro mambembe.

O fato é que andava absorto no domingo, 11. Nem dei conta direito das chamadas seguidas do canal privado de televisão Globo News e do jornalista Ricardo Amorim, principalmente, no Twitter e no Facebook. Convocavam para a entrevista do procurador da República, Deltan Dallagnoll (coordenador em sua área e um dos pilares técnicos e intelectuais da Operação Lava Jato, conduzida pelo juiz Sérgio Moro). “Não percam, no segundo bloco do programa Manhattan Connection, às 23h”, diziam.

Para o jornalista, na nota estava um sinal de que nem tudo estava perdido entre o sábado e a terça-feira da volta normal às atividades. O Manhattan Connection, não custa repetir para os mais desatentos, é uma grife do canal privado de televisão Globo News, em programas de jornalismo crítico e global, ancorado, desde a ilha famosa de New York, por Lucas Mendes. Por mérito e justiça, ele recebeu esta semana, em cerimônia de arrepiar, no salão nobre da biblioteca da Universidade de Columbia, o Prêmio Maria Moors Cabott, uma das mais cobiçadas honrarias internacionais do jornalismo de verdade.

A premiação, recebida quarta-feira (14), na 77ª edição do prêmio, é um reconhecimento ao trabalho de profissionais da área para um maior e melhor entendimento e integração entre as Américas. Quase tudo o que o mineiro Lucas Mendes tem feito ao longo de seus quase 50 anos de produtiva e instigadora carreira profissional. Com a marca da originalidade no que ele faz desde que começou no Grupo Manchete. E segue realizando, no posto de coordenador executivo e âncora do Manhattan Connection, do grupo Globo.

Não me perdoaria se, por um descuido qualquer, tivesse deixado de ver, no calor da hora, a entrevista da turma do Manhattan (Mendes, Caio Blinder e Pedro Andrade, de Nova York; Diogo Mainardi, de Veneza e Ricardo Amorim, no estúdio da Globo em São Paulo, ao lado do jovem brilhante e sempre surpreendente e convincente procurador da República, o entrevistado.

É preciso reconhecer e proclamar: o programa de domingo foi de encher os olhos. A turma produziu uma receita quase à perfeição. À altura do prêmio recebido pelo mineiro cidadão do mundo, Lucas Mendes. De sua sala em Veneza, o em geral cético Diogo Mainardi, implacávele impulsivo nas críticas em outras entrevistas a convidados do programa, mal continha o entusiasmo diante das respostas do procurador da Lava Jato: seguras, informativas (técnica e didaticamente falando), diretas e sérias, mas sem expectativas românticas ou vaidades infantis. À exemplo da resposta, quando Mainardi quis saber porque a Lava Jato ainda não partiu para cima do ex-presidente Lula: “estamos apurando fatos, com cuidado e responsabilidade. A Lava Jato apura fatos, não pessoas, disse Dallagnoll.

Ainda assim, o paulistano de Veneza confessou que gostaria de estar ao lado de Ricardo Amorim, na capital paulista, “para encher de beijos o rosto do procurador Dallagnol, pelo fato dele exister e por suas brilhantes e informativas respostas”. Na verdade, um programa a ser visto e revisto.

“Nada muda a jato no Brasil, mas o procurador Daltan Dallagnol ajuda lavar a alma!”, sintetizou o Caio Blinder, na terça-feira, 13, em seu endereço no Twitter. Compartilho da opinião e parabenizo a Lucas Mendes. Pelo Moors Cabott e pelo excepcional programa de de domingo. Bravíssimo!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 17 outubro, 2015 at 12:08 #

Caro VHS

Sábados são reencontros com a alma, com o fraterno, com a sensibilidade. Teus textos são impregnados de humanismo.

Este velho poeta, cansado, que só se redime no olhar distraído, encontra nestes sábados cadinhos de uma esperança perdida no tempo.

Agora, devo confessar, tem algo na frase do douto e jovem procurador que me inquieta.

Diz ele: – “estamos apurando fatos, com cuidado e responsabilidade. A Lava Jato apura fatos, não pessoas”.

Santa assepsia!!!

Descarta as pessoas e se detém em fatos.

Fere de morte o que se espera da tal Justiça. Nada sobrevive se descartarmos as pessoas. Muito menos o julgamento justo.

Esse meninos, recém saídos de faculdades de direito, pecam pela juventude sem luzes, pecam por terem nascido e também criados em tempos pós ditadura militar. O humanismo, até mesmo o existencialismo, parece que feneceu entre os copos dos que resistiam nas madrugadas infames, entre uma prisão e outra. Onde anda Sartre? O jovem procurador ao menos leu para cumprir alguma tarefa curricular?

Caro VHS, fuja dos que se arvoram à investigar, quando eles fecham os olhos para as pessoas. Mais do que a própria ação factual, deveriam estar atentos ao caráter, ao modo de agir, ao dissimular, ao rastro humano destes piratas da vontade popular.

Em tempos que todos parecem sonhar com os puros que inexistem pela própria concepção utópica, este velho poeta corre o risco de ser considerado tolo. Mas, acredite, devemos fugir de frases como estas.

Lula é completamente nocivo, menos pelos seus atos dignos de repulsa, do que pela sua própria essência. Tosco e predador.

Que o jovem procurador encontre luz e sabedoria exatamente onde parece não estar atento.

Só faltou dizer o que eu, certa feita, ouvi de um promotor ao iniciar sua peroração em determinado juri.

Dizia o infausto: – “Neste momento dispo-me de minha personalidade para exercer meu dever de acusar!”

Horrorizado busquei, no além, forças para me conter.

Tim Tim!!!!!


Taciano Lemos de Carvalho on 17 outubro, 2015 at 16:52 #

Enquanto o procurador Deltan Dallagnoll apura roubos BILIONÁRIOS, tem procuradores que, perdidos, pedem a condenação de eleitorais que doaram R$20 (isso mesmo, vinte reais) nas eleições passadas. E doações, pela reportagem do link a seguir, legais e justificadas.

“MPE ataca a democracia e processa jovens que doaram R$20,00 na última eleição”

http://cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FPolitica%2FMPE-ataca-a-democracia-e-processa-jovens-que-doaram-R%2420-00-na-ultima-eleicao%2F4%2F34755


Jader on 17 outubro, 2015 at 18:08 #

Taciano Lemos de Carvalho on 17 outubro, 2015 at 18:39 #

O PANORAMA VISTO DA PONTE: UM HORROR!

“Ao grande capital agradaria muito o governo Dilma.2 caso o arrocho fiscal estivesse dando certo e a imposição de uma política econômica neoliberal marchasse a contento.

Mas, apesar de todo empenho do Luís Carlos Trabuco e do Roberto Setúbal, os dois maiores bancos privados ainda não determinam os humores nacionais, só mandam nas decisões da Dilma.”

http://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2015/10/o-panorama-visto-da-ponte-um-horror.html


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