DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Em pleito, governo ou cassação, o negócio é pedalar

“Pedalada eleitoral” hoje do conhecimento de todos, que viram a súbita reversão nas contas de luz que chegam em casa mensalmente, a redução da tarifa de energia elétrica, três anos atrás, causou um prejuízo ao setor de R$ 44 bilhões, conforme conclusão de auditoria do TCU.

O país já se valia das custosas termelétricas para sustentar a demanda prejudicada pela queda do nível das barragens de hidrelétricas, mas, ainda assim, com a tarifa menor, estimulou o aumento do consumo. O resultado foi desajuste fiscal e, segundo o TCU, mais um fator de “desequilíbrio das contas públicas”.

Não se sabe se o fato tipifica algum crime pelo qual a presidente Dilma Rousseff venha a ser processada para perda do mandato, mas, sem dúvida, foi uma medida irresponsável que afetou a competição eleitoral e pode ser tratada politicamente, embora tudo indique que vá passar batida.

A presidente está tão segura no presente momento, na sua zona de conforto espinhosa, que até se dá ao luxo de confessar crime de responsabilidade e alegar que o fez pensando no bem-estar do povo.

O governo, segundo Dilma, recorreu ao dinheiro que não lhe pertencia “para garantir que famílias tivessem acesso à casa própria”, no caso do programa habitacional, mas também para o Bolsa Família, e não teve recato para acusar de “pedaladas políticas” os adversários que querem sua cabeça.

Não foi ideia própria, mas imitação do mentor, o ex-presidente Lula, que na véspera, tendo como plateia pequenos agricultores, explicou com simplicidade que a presidente usou indevidamente recursos de bancos públicos “porque tinha de pagar coisas que não tinha dinheiro”.

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Comentários

Rosane Santana on 16 outubro, 2015 at 15:20 #

Caro Luis. Você que é um profissional honesto e com muitas fontes, procure saber dos tribunais, TCE e TCM sobre pedaladas no Brasil. Ou alguém imagina, que a cultura da gastança, desde o descobrimento, foi extinta por FHC com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que o pr´prio autor burlou. O que não pode é a mentira repetida sete mil vezes, para passar a impressão de que as pedaladas começaram com Dilma Rousseff. Aí, eu que nunca fui petista, tenho que ficar a favor do PT. O país está sendo devastado por uma onda de indignação seletiva!


jader on 16 outubro, 2015 at 16:17 #

Taciano Lemos de Carvalho on 16 outubro, 2015 at 17:22 #

Esse papo de que “tudo é pelo bem-estar do povo” faz eu lembrar de alguns enganadores em programas de TV que afirmam que todos os milhões que recolhem (extorquem) do povo “é tudo pelo bem-estar dos fieis”. O pior é que ainda tem gente que acredita nisso.


jader on 16 outubro, 2015 at 17:46 #

Carlos Volney on 16 outubro, 2015 at 22:47 #

Caro Luis Augusto, você, como sempre, consegue “acertar na mosca”. Sua análise, invariavelmente lúcida e honesta, retrata a verdadeira situação da política de nossa Pindorama.
Peço licença só para me solidarizar com o comentário da doutora Rosane. Não podemos entrar no maniqueísmo que a direita gosta e de que tanto necessitava.
Realmente, a corrupção não começou com o PT. O crime – inafiançável, a meu ver – do PT, foi a vida toda pregar “castidade” e virar o dono do “prostíbulo”.
Agora, haja indignação SELETIVA!!!!!!!!!!!!
Parece que no Brasil só tínhamos políticos honestos, ilibados…..
Mas, dizendo isto, claro que não me refiro a você.


luis augusto on 16 outubro, 2015 at 23:35 #

Não duvido de pedaladas anteriores. Apenas estou vendo os fatos atuais, e lamento que episódios passados não tenham sido levantados ou não tenham alcançado a mesma dimensão.


Rosane Santana on 17 outubro, 2015 at 0:27 #

Daí o porquê, meu caro Luis, de mesmo não sendo petista, reconhecer que a situação de crise política atual é oportunisticamente forjada, para tirar o PT do poder, aproveitando da fraqueza administrativa e política de Dilma. Um vale tudo, onde o que menos importa é o respeito à lei e à democracia.


luis augusto on 17 outubro, 2015 at 6:45 #

Ró-Ró e demais amigos, desde as primeiras abordagens do tema tenho tido esta visão, de que é oportunismo essa caça a Dilma, com todas as culpas que ela tenha.

Até chamei de “golpe institucional” num dos textos, podem pesquisar no sistema de busca do PE.

E tenho feito isso sendo, também, um crítico duro do PT, partido a que, via diversos candidatos, dei mais de 20 votos em minha vida, mesmo nunca tendo sido petista. Só em Lula foram três (2º turno de 89, 1º de 98 e 2º de 2002).

Aliás, não é por outra razão que me sinto muito à vontade para criticar sem o risco de ser confundido com um, como dizem, “coxinha”.


luiz alfredo motta fontana on 17 outubro, 2015 at 7:54 #

Caro Luís Augusto

Tenho notado o contorcionismo que afeta muitos comentários, comentaristas e articulistas.

Essa história, tola e tosca, que ao se cometer atos criminosos que anteriormente foram praticados por outros, em condições assemelhadas, torna autor impune, é hilária, é cínica, e transforma os que a aceitam em néscios de todo o gênero.


luis augusto on 17 outubro, 2015 at 10:03 #

Caro Poeta, caso eu tenha sido incluído nessa arte circense-literária a que você se refere, quero desagravar-me, pois terá sido algum mal-entendido.

Crime é crime, diferindo um do outro pela sua gravidade. Sem querer me arvorar a intérprete incontestável da realidade, apenas, muito pessoalmente, sou contra tirar Dilma para colocar no lugar esse PMDB aí ou o PSDB. Abraços.


luiz alfredo motta fontana on 17 outubro, 2015 at 11:11 #

Caro Luís

Essa a orquestração, fique Dilma, afinal não confio no porvir, fique Dilma, não tenho opção.

E Dilma, Lula, Roses, et alli vão ficando, desaforadamente, às nossa custas.

Triste país, a espera de vestais, imerso na lama do lupanar.

Caro Luís, o que se espera é que comecemos, o que não dá mais é ficarmos passivamente sendo seviciados por petistas, tucanos e peemedebistas, com a desculpa que não adianta resistir.

Comecemos, o bando é enorme, mas ficará maior se posarmos de vítimas. inertes, complacentes, para não dizer cúmplices.

Somos todos Petains?

Espero que não!


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