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Postado em 11-10-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 11-10-2015 00:26

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Tudo muda com Cunha na corda bamba

É impressionante como certas posturas mudaram depois que ficou comprovada a inviabilidade da permanência de Eduardo Cunha na presidência da Câmara dos Deputados em razão da descoberta e rastreamento de contas secretas, suas e da família, de milhões de dólares, em bancos suíços.

O senador Aécio Neves, interessadíssimo na cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, mas lhe agradando também o impeachment exclusivo da presidente, sabe que Cunha, até pouco tempo muito seu aliado, não mais poderá comandar o processo na Câmara – e lhe acena com a hipótese de renúncia apenas ao cargo, conservando o mandato parlamentar.

No afã de manter viva a pretensão presidencial já para o semestre que vem, Aécio comete este erro que certamente lhe será cobrado numa hipotética campanha: defende a preservação de um político que está condenado aos olhos da nação e cuja “madame”, como bem lembrou Merval Pereira, da Globonews, gastou 800 mil dólares em dois anos pelo exterior.

Mal refeita desse golpe, a opinião pública ouve o vice-presidente Temer propor matéria vencida – a votação de emenda constitucional para o financiamento privado nas eleições, sonho de consumo de Cunha e de numerosa quadrilha. Deve ser-lhe útil uma PEC dessa natureza, mas o objetivo principal é adocicar a boca do, enfim, correligionário de PMDB.

A surpresa maior ficou por conta do próprio Cunha. “O meu entendimento, pelo que entendo até agora e tenho demonstrado publicamente, é que o mandato anterior não contamina o mandato atual”, ou seja, já que, se continuar presidente, é quem dá partida ao impeachment, Dilma pode ficar tranquila, porque o ex-arquiadversário não vai levar em conta a condenação do TCU.

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Comentários

rosane santana on 11 outubro, 2015 at 8:30 #

1) Um país que leva Aecio Neves a sério não pode reclamar de estar onde está. É impressionante: no Brasil, basta uma carinha bem cuidada, terno bem cortado, aliança no anelar esquerdo e, de preferência, pele clara, para todo mundo achar que o sujeito é competente e sério (bem terceiro mundo!)
2) Temer, o mordomo do filme de terror é mais do mesmo do que aí está.
3) O TCU e o TSE viraram instrumentos de manobras e interesses escusos. Pedaladas vêm desde 2001, ainda no governo de FHC. E nos estados e municípios as pedaladas são generalizadas, desde que foi implantada a lei de responsabilidade fiscal. Mas como as de Dilma são petistas e femininas…


rosane santana on 11 outubro, 2015 at 8:31 #

Observação importantíssima no item 1) ser também do sexo masculino, claro!


jader on 11 outubro, 2015 at 8:32 #

Vozes da moralidade
11/10/2015 02h00

A situação pessoal embaraçosa, com o presumido risco de perder milhões de dólares resguardados no exterior para não os perder, deve ter mexido com a frieza de Eduardo Cunha. Mas Eduardo Cunha exagera, supondo-se “execrado”. Muito ao contrário. Eduardo Cunha não está sozinho, não foi abandonado por causa de acusações. E tanto conta com fraternidades espontâneas, como dispõe de armas para produzir interessados em não o incomodar. Ou só fazê-lo em último desespero de causa.

A verdadeira atitude do PSDB, até ontem (10), de benevolência quando as provas contra Eduardo Cunha já levam a pedidos de sua cassação, provém de duas vertentes. Os taradinhos do impeachment preservam o presidente da Câmara porque esperam dele que instale a ação para a derrubada de Dilma e não têm pudor de dizê-lo. Aécio Neves não foi sugerir a Eduardo Cunha que se licenciasse coisa nenhuma, se nem disfarçou o desejo de que seja poupado para encaminhar o processo. O “aquilo” em que esses taradinhos só pensam não é aquilo, é o impeachment.

A outra vertente de proteção peessedebista a Eduardo Cunha veio dos mais velhos que ainda influem no partido. São remanescentes do governo Fernando Henrique. Ou seja, do escândalo das privatizações causado por grampos telefônicos que levaram à saída forçada de ministros e de outros do governo, comprometidos com fraudulências surpreendidas pelas gravações.

Confrontado de repente com uma pergunta sobre a origem das fitas, o general Alberto Cardoso, da Casa Militar, disse que foram encontradas sob um viaduto em Brasília. A verdade era outra. A maior parte dos procedimentos para as privatizações transcorreu no Rio, sede das empresas e do BNDES, além das extensões de ministérios também envolvidos, como Indústria e Fazenda. Tudo se passava, portanto, nos domínios territoriais e operacionais de Eduardo Cunha, presidente da Telerj, a telefônica estatal do Rio, no governo Collor e até a posse de Itamar Franco.

Logo, nada de extraordinário que, pelas investigações ou por dedução, o circuito fechado do governo Fernando Henrique desse as gravações como obra de Eduardo Cunha, que em anos recentes já fora dado como responsável por grampos em série. No seu “diário” de presidente, Fernando Henrique refere-se a Eduardo Cunha deste modo, transcrito da revista “piauí” pela Folha: “O Eduardo Cunha foi presidente da Telerj, nós o tiramos de lá no tempo do Itamar porque ele tinha trapalhadas, ele veio da época do Collor”. Esse “nós” é invenção da vaidade. Fernando Henrique estava indo para Relações Exteriores e nada teve com a exoneração rápida de Eduardo Cunha, decidida e feita por Itamar. Sem sequer considerar trapalhadas, mas, como muitas outras demissões, por ser ligado a PC Farias.

Gravações clandestinas não começam no exato momento comprometedor da conversa. Quem as instalou pode fazer coleções de conversas, personagens e assuntos. E quem sabe que gravações podem trazer-lhe complicações, diretas ou indiretas, não ousa contra o possível colecionador. A não ser quando o veja batido, esvaído, inerte. Como muitos têm esperado ver Eduardo Cunha, para lembrar-se de que são grandes defensores da moralidade. Privada e pública.

Mas não só de grampeamentos se fazem coleções biográficas. Como ex-presidente da Telerj, Eduardo Cunha sabe –e ninguém duvide de que também comprove– que a estatal dava dinheiro a políticos. Quantias fixas. Mês a mês. Por nada.

E Eduardo Cunha não só investigou. Também pagou. Se vai cobrar, ainda não se sabe.


jader on 11 outubro, 2015 at 8:34 #

Vozes da moralidade : Janio de Freitas na FSP


jader on 11 outubro, 2015 at 10:26 #

“Somos milhões de Cunha”. Onde estão os coxinhas da Av. Paulista?


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