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CRÔNICA

É demais!

Gilson Nogueira

Ganhei de presente um mealheiro com o escudo do Bahia. O mimo tem o formato de uma bola de futebol de salão. Ao receber moeda fina, imediatamente, toca o hino do Esquadrão de Aço. É uma idéia genial, um gol de placa em marketing promocional, pensei, ao receber os parabéns do amigo antes da data do meu aniversário. Feito de plástico duro, o cofrinho, em branco e azul, acompanhou, como brinde, a camisa vermelha, de malha boa e fina, onde está impresso um quase neologismo para quem torce pelo time duas vezes campeão brasileiro de futebol: Tricolaço.

Inaugurei o presente, em Miami, antes de mergulhar em Surf Beach, ao sol do verão americano, de olho nos tubarões e na coreografia solitária de um casal de jovens surfistas em busca de aplausos na beira da praia.

Comemorando sete décadas de Bossa Nova, fotografei os garotos que saíram do mar como se tivessem conquistado o campeonato mundial em cima de suas pranchas. Aplaudi a dupla com um sinal de positivo, ao perceber que ela e ele haviam-me contemplado com uma exibição particular. E fui, acompanhando, com o olhar, a ousadia de uma super lancha em duelo com as ondas fiscalizadas pela polícia, Pois é, até elas, imaginei, tamanha a prontidão dos agentes da lei que, ao menor sinal de quebra de rotina, chegam junto, dispostos ao famoso mãos ao alto!!!

Voltando ao presente. Como torcedor de coração do maior time do planeta, mantenho a novidade, em destaque, na cabeceira da cama de um dos quartos, esperançoso em ver, de novo, o Bahia brilhar como brilhou nas décadas de 50, 60,70 e 80, especialmente, desde o dia em que nasceu para vencer.

Êpa! Será que algo mudou, de lá para cá? O Bahia nasceu para vencer, mesmo? Mudou, meu rei, falta, sobretudo, aos jogadores que hoje envergam o uniforme do Tricolor de Aço uma coisa chamada brio, o detalhe mágico que levou o Bahia a ser admirado em todo o mundo, independentemente do bom futebol que apresentava. Hoje, infelizmente, a caminho de uma vergonhosa classificação na Série B, resta, apenas, o encantamento pela história e as cores do clube e a esperança em ver Charles, um craque do passado, injetar na rapaziada sob seu comando a paixão que minha mais nova neta demonstra, aos 13 meses e poucos dias de nascida, quando o vovozinho injeta uma
moedinha de cinco ou dez centavos no mealheiro que toca o hino do clube.

Ela levanta os bracinhos e grita: “ Ahia, Ahia, Ahia!!! “

É demais!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP.

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