BOA TARDE, QUE CAI EM SALVADOR


FHC na entrevista no SBT semana passada…

…e Brizola, depois da expulsão do Uruguai
e do exílio: as frases e o depois.

ARTIGO DA SEMANA

Conversas e fatos: FHC e Brizola antes e agora

Vitor Hugo Soares

A transversal e provocadora entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao jornalista Kennedy Alencar (SBT), sobre o aguçamento da crise brasileira, fatos e figuras da vida nacional, pode até não redundar em outros desdobramentos políticos e jornalísticos, em face do quiproquó em Brasília, depois da rejeição unânime das contas do governo Dilma (2014) pelo TCU. O futuro dirá…

Para mim, a conversa solta e cheia de nuances na televisão, lembrou uma situação vivida com o ex-governador Leonel Brizola, no Uruguai, em outro tempo, também de fortes turbulências e tensões, embora diferentes das atuais: Quando o falecido líder brasileiro penava seus dias de exílio. Cercado de incertezas, desconfianças, ameaças e perigos palpáveis, (às vésperas de sua expulsão do Uruguai, pela ditadura lá então vigente), foi acolhido no calor da hora, para surpresa de muitos, pelos Estados Unidos, sob o governo do presidente democrata Jimmy Carter, nos incríveis anos 70.

A lembrança bateu firme quando o entrevistador, já no final da conversa, perguntou ao ex-presidente sobre seus planos de futuro: “FHC já era”, retrucou de bate pronto o líder tucano, com aquele humor típico e fulminante, mas quase surreal e surpreendente nas circunstâncias e no ambiente da conversa.

Em relação ao gaúcho, também referência nacional do seu tempo, devo dizer que já escrevi algumas vezes sobre isso, mas peço permissão para rememorar e contextualizar o fato e comparar as situações. De Brizola, nos anos 70, na pequena província uruguaia de Durazno; e de Fernando Henrique na televisão de Sílvio Santos, em São Paulo, no passado fim de semana.

No caso que testemunhei pessoalmente, o encontro e a conversa se deram longe das câmeras, embora tenham sido trazidos à baila anos mais tarde. Durante uma entrevista de Brizola, – então candidato a presidente da República (Collor foi o eleito), na TV Aratu, na Bahia, da qual participei como repórter da sucursal do Jornal do Brasil, – quando o gaúcho, candidato do PDT, pontificava nas pesquisas eleitorais e disputava com o fundador do PT, qual dos dois passaria para o segundo turno e travaria o embate decisivo com o “caçador de Marajás das Alagoas”. O resultado foi a disputa final com Lula e o desastre que se conhece.

A conversa com Brizola, no exílio, se deu dois meses antes do ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro receber da recém implantada ditadura uruguaia, o ultimato da sua expulsão daquele país nas proximidades das fronteiras dos pampas com o Brasil.

Posso afirmar, (apesar da controversa boataria e informações carentes de apurações (ou maculadas por perversidades e ardilosas mentiras ideológicas): o líder trabalhista ainda nem imaginava que estava prestes a ir parar nos Estados Unidos. Isso na penúltima fase do doloroso êxodo do líder brasileiro, ex-governador do importante estado do Rio Grande do Sul, mas sem direito sequer a um passaporte diplomático para a arriscada viagem. As aves de rapina militares da Operação Condor, pousadas sobre todas as ditaduras da América Latina, fechando o cerco sobre ele.

Brizola parecia abatido, quase a ponto de “jogar a toalha”, quando fui encontrá-lo na estância herdada da família Goulart, por sua mulher, Dona Neusa (irmã de Jango, o presidente deposto pelo golpe de 64), no povoado de Carmen, a uns 200 quilômetros de Montevidéu. Estava com Margarida (então em A Tarde), e o também jornalista e querido amigo Paulo Cavalcante Valente (“maior e mais leal amigo de sempre de meu pai”, conforme ouvi de Neusinha), também exilado em Montevideu, que intermediou a conversa em Durazno. Paulo sim, com bons contatos nos Estados Unidos desde o new deal governo do presidente Roosevelt, um dos principais responsáveis pelas negociações que resultaram na abertura do Governo Carter para receber o exilado e perseguido brasileiro.

Foi nessa condição que encontrei Brizola. Mas pulo partes relevantes da longa conversa que tivemos, dona Neusa presente e participante, o dia inteiro e parte da madrugada, para recordar o episódio referido no começo dessas linhas. Pedi autorização a Brizola para que Margarida fizesse algumas fotos dele como recordação do encontro. Com elegância, mas firme, ele disse não. Apontando para a netinha Laila, que ensaiava os primeiros passos na sala da casa, falou:

“Brizola é passado. Fotografe a minha neta, que é o futuro”. Margarida então fez varias fotos de Laila e da casa da estância, uma delas publicada na primeira página do JB (sem crédito), quando Brizola deixou o Uruguai com destino aos Estados Unidos. Mais tarde, depois de passar po Portugal, retornaria ao Brasil, para ser e fazer ainda muitas coisas, como se sabe, incluindo ser governador do Rio de Janeiro, por duas vezes e disputar a presidência do seu País.

Lembrei isso na entrevista da TV em Salvador e Brizola retrucou ao seu jeito que cada dia faz mais falta e dá saudades. “São as contingências, baiano. As contingências”.

É isso. Quanto ao “já era” de FHC e suas contingências o futuro dirá. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

Serviço BP

O quê: Trio Irakitan – 65 Anos de sucesso
Quando: 09 e 10 (sexta e sábado)
Horário: 20h30
Onde: Café-Teatro Rubi – Sheraton da Bahia Hotel

Imperdível neste sábado, 10, a última apresentação.

O clip com a linda canção de Chaplin, em ritmo de bolero, vai dedicada a Gilson Nogueira, amigo do peito dos que pensam e fazem o BP, site blog do qual ele é colaborador e um dos pilares da primeira hora. Gilson acaba de festejar setentinha. Parabéns e toda Bossa Nova, boleros e felicidade que ele merece.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Sombra e água fresca

Eis uma aposta que se pode fazer com 100% de possibilidade de vitória: a ex-primeira-dama Fátima Mendonça não será candidata a prefeita de Andaraí, boato folclórico que circulou na imprensa.

Sendo verdadeiro que ela e o marido, Jaques Wagner, compraram “uma casinha” no município, certamente será para aproveitar os ares aprazíveis da Chapada em merecido descanso, que pode não tardar.


Sergio Matos com o reitor da UFBA e o ex-governador
Roberto Santos no lançamento da biografia.
Foto:Rosane Santana

Rosane Santana

O lançamento do livro “Vida Privada no Contexto Público”, biografia do jornalista, professor e escritor Sérgio Mattos, reuniu mais de uma centena de pessoas no Palácio da Reitoria da UFBA, na última quinta-feira (08/10) à noite. Por lá passaram ex-alunos, artistas, jornalistas, intelectuais e políticos baianos, como o ex-governador Roberto Santos e o ex-prefeito Manoel Castro. Ex-colegas do Jornal A Tarde, onde Sérgio trabalhou por três décadas, e jornalistas fundadores da Tribuna da Bahia, a exemplo de Paolo Marconi, atualmente Conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, e Sérgio Gomes também marcaram presença.

O lançamento contou também com os colegas de Mattos da UFBA, onde ele lecionou por 30 anos, como o reitor João Carlos Sales, e o arquiteto e intelectual Paulo Ormindo de Azevedo, além de intelectuais da Academia de Artes e Letras de Salvador, do qual Sérgio é membro e do Instituto do Livro, como Oleone Coelho Fontes e Luis Guilherme Tavares.

Foi ainda uma noite de reencontros com jornalistas e ex-colegas de A Tarde, especialmente de A Tarde Municípios, suplemento por ele idealizado e comandado, que foi decisivo para colocar o diário entre os dez maiores do país em circulação, nos anos 80 e 90.Enfim, uma noite de confraternização em torno da personalidade agregadora e acolhedora de Mattos, que também reuniu em torno das comemorações, seus irmãos, filhos e netos e a mulher, Denise.


Sergio Mattos:confraternização no lançamento
da biografia. Foto: Rosane Santana

out
10
Posted on 10-10-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-10-2015


Mariano, no portal de humor gráfico A Charge Online

CRÔNICA

É demais!

Gilson Nogueira

Ganhei de presente um mealheiro com o escudo do Bahia. O mimo tem o formato de uma bola de futebol de salão. Ao receber moeda fina, imediatamente, toca o hino do Esquadrão de Aço. É uma idéia genial, um gol de placa em marketing promocional, pensei, ao receber os parabéns do amigo antes da data do meu aniversário. Feito de plástico duro, o cofrinho, em branco e azul, acompanhou, como brinde, a camisa vermelha, de malha boa e fina, onde está impresso um quase neologismo para quem torce pelo time duas vezes campeão brasileiro de futebol: Tricolaço.

Inaugurei o presente, em Miami, antes de mergulhar em Surf Beach, ao sol do verão americano, de olho nos tubarões e na coreografia solitária de um casal de jovens surfistas em busca de aplausos na beira da praia.

Comemorando sete décadas de Bossa Nova, fotografei os garotos que saíram do mar como se tivessem conquistado o campeonato mundial em cima de suas pranchas. Aplaudi a dupla com um sinal de positivo, ao perceber que ela e ele haviam-me contemplado com uma exibição particular. E fui, acompanhando, com o olhar, a ousadia de uma super lancha em duelo com as ondas fiscalizadas pela polícia, Pois é, até elas, imaginei, tamanha a prontidão dos agentes da lei que, ao menor sinal de quebra de rotina, chegam junto, dispostos ao famoso mãos ao alto!!!

Voltando ao presente. Como torcedor de coração do maior time do planeta, mantenho a novidade, em destaque, na cabeceira da cama de um dos quartos, esperançoso em ver, de novo, o Bahia brilhar como brilhou nas décadas de 50, 60,70 e 80, especialmente, desde o dia em que nasceu para vencer.

Êpa! Será que algo mudou, de lá para cá? O Bahia nasceu para vencer, mesmo? Mudou, meu rei, falta, sobretudo, aos jogadores que hoje envergam o uniforme do Tricolor de Aço uma coisa chamada brio, o detalhe mágico que levou o Bahia a ser admirado em todo o mundo, independentemente do bom futebol que apresentava. Hoje, infelizmente, a caminho de uma vergonhosa classificação na Série B, resta, apenas, o encantamento pela história e as cores do clube e a esperança em ver Charles, um craque do passado, injetar na rapaziada sob seu comando a paixão que minha mais nova neta demonstra, aos 13 meses e poucos dias de nascida, quando o vovozinho injeta uma
moedinha de cinco ou dez centavos no mealheiro que toca o hino do clube.

Ela levanta os bracinhos e grita: “ Ahia, Ahia, Ahia!!! “

É demais!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP.

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