out
09
Postado em 09-10-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 09-10-2015 00:30

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Cunha não pode decidir processo contra Dilma

O impeachment da presidente Dilma Rousseff, tramado há muito tempo e que agora adquire ares dramáticos, exige pelo menos uma condição para ir adiante: a aceitação do processo na Câmara dos Deputados não poderá ocorrer com o deputado Eduardo Cunha na presidência da Casa.

Da contestação desabrida ao poder, que o levou ao cargo, e da declaração explícita de que se tornara adversário do governo, desprezando a magistratura da função, Cunha hoje não passa de um político sob graves acusações, a que não responde, assim como o presidente do Senado, Renan Calheiros, que só a leniência nacional pode aceitar.

Caso se concretize a cassação do mandato da presidente pelas irregularidades que o TCU, por unanimidade, detectou em sua gestão, um monte de outros mandatários deveriam ter avaliada a permanência nas cadeiras que ocupam, pois superam a casa de 200 os congressistas submetidos a algum tipo de ação judicial.

São denúncias diversas – crimes eleitorais, corrupção administrativa, tráfico de drogas, sequestro – que adormecem em processos em variados tribunais, no mínimo colocando a classe dirigente do país sob permanente suspeição. Para mudar de verdade, não será a presidente a única a ser trocada.

Passos de um processo de “impeachment”

No princípio, foi apenas um sinal, mas dos brabos: a Câmara dos Deputados, que não votava contas de presidentes da República desde o período de Itamar Franco (1992-94), de repente, dois meses atrás, desandou a aprová-las até o governo Lula, limpando a pauta para, quando fosse o caso, apreciar de imediato as contas do primeiro mandato de Dilma Rousseff.

A pressa comporta pelo menos uma hipótese: já havia convicção formada e falseta urdida sobre o crime de responsabilidade fiscal das “pedaladas” do governo – e outras irregularidades, envolvendo mais de R$ 100 bilhões, que o Tribunal de Contas da União condenou, ontem, por unanimidade.

O laço efetivamente se aperta no pescoço da presidente, que nos últimos dias sofreu sucessivas derrotas, com a falta de quórum contínua no Congresso para votação dos vetos da “pauta-bomba”, a ação no TSE, a posição do STF sobre o julgamento no TCU e, enfim, as próprias votações perdidas na corte de contas, incluída a manutenção do relator.

Mas o fator que mais deve estar preocupando a presidente e aliados é que a “reforma ministerial” não teve o menor efeito na recomposição da base de apoio, o que não dá segurança para o quadro na Câmara em caso de avaliação de pedido de impeachment. O governo precisaria de 172 dos 513 votos para frustrar a ação, meta que, a cada dia, fica mais distante.

Avizinha-se o caos cavalgando Incitatus

Os que atiçam a caldeira que em que se transformou o Brasil parecem não avaliar o impasse em que podem jogar o país, não institucionalmente, mas do ponto de vista real, pelas incertezas e indefinições na economia e na política, afetando a vida cotidiana do cidadão – o emprego, os preços, os serviços, o equilíbrio social.

Temos uma elite governante literalmente irresponsável, porque foge de suas obrigações, como no caso da recente reforma política, em que não se tomaram as medidas necessárias, mas apenas aquelas que atendiam aos interesses de grupos e pessoas, inclusive de natureza pecuniária.

Seria melhor, como pediu romanticamente Dilma em sua incursão baiana, embora ela não mereça, “que se pensasse mais no país” no lugar de “interesses de partidos”, coisa absolutamente inevitável, possivelmente, na política de qualquer país. Com jeito de destruição romana, aproxima-se o conflito.

Be Sociable, Share!

Comentários

rosane santana on 9 outubro, 2015 at 10:58 #

Os que atiçam a caldeira, melhor dizer, sob o comando de um PSDB que perdeu de uma vez a vergonha e casou-se com a escória e os escombros da politicalha brasileira, dizendo-se porta voz da ética e da faxina moral.


rosane santana on 9 outubro, 2015 at 10:59 #

Por tudo isso, é bem melhor para o país a obediência ao calendário eleitoral.


Taciano Lemos de Carvalho on 9 outubro, 2015 at 11:21 #

Está correndo pelo WhatsApp uma imperdível imagem de Dilma falando ao celular. No texto ela diz:

—Alô! É do Procon? É que eu tive um problema com a maioria que eu comprei no Congresso…

***
Mas a presidente, na realidade, não tem razão de reclamar nada, nadinha. Afinal, ela sabia que estava indo a uma liquidação de materiais com grandes avarias, salvos de incêndio. Não havia defeito oculto. Estava tudo às claras, inclusive no anúncio das ofertas.

Comprou por que quis.


luiz alfredo motta fontana on 9 outubro, 2015 at 12:12 #

Caro Luís

Tentando entender seu ponto de vista.

Quem aniquilou, destruiu, desnudou e colocou à mostra as indecências deste governo, não foi a oposição e muito menos o povo, ou as elites.

Este governo apodreceu sozinho, Dilma é vitima de si mesma de sua incompetência temperada com sua estupidez, arrogância e estultice tosca.

Lula é o que é, um safo nos dizeres cordatos de Marco Aurélio de Mello, ou apenas o “namorado” de Rose.

Sonha com 2018, e embriaga-se a cada discurso.

Conflitos? Lula e sua gente jamais enfrentariam as ruas, os tais movimentos sociais, que supostamente ganhariam as praças armados de foices e martelos, inexistem no mundo real, apenas servem de fundo para fotos e justificam rios de incentivos às custas da viúva.

É ris[ivel es a mania de dizer que demonstram força ao interromperem o tráfego da Av. Paulista. Só causam danos e trantornos ao fluxo de coletivos.

O PSDB, por seu turno, só sobrevive palrando e fazendo pose, por obra e graça desta idiotia em insistir dividir a nação entre eles e nós.

Quantos tucanos existem de fato?
Conseguiriam preencher uma praça?

Conflito entre quem?

A questão é diversa, deve-se aceitar criminosos pelo simples fato de que o crime já existia e outros já teriam cometido?

Valha-me Deus, sempre o crime precederá o agente que o cometer. Caso contrário a conduta não estaria tipificada.

Esta, a defesa bizarra e ofensiva à mais comezinha das lógicas, é como se tenta justificar e manter Dilma, Lula e apaniguados.

Voltemos às elites.

Afora o cheiro de discurso mofado dos idos anos 60, o quie representa esta expressão?

Quais?

A única elite preservada, mimada, engorda, neste pobre pais sem futuro, é aquela composta pelos integrantes do sistemas financeiro. Com estes juros pornográficos a transferência de renda é certa e interminável, de todo o sistema produtivo, assalariados, brancos, negros, amarelos, corintianos, flamenguistas, virgens, devassos, morenos e pálidos, roqueiros ou sambistas, para o mesmo e pantagruélico duto do sistema..
O resot é perfuimsaria e distração d etolos travestidos de pensadores soiais.

Ao mais, temos uma forma original de exploração da prostituição politica, definida pela maneira acintosa com que o PMDB, qual cafetão, explora esta frágil e indecente mocinha chamada governabilidade.

Manter tudo isto, mesmo que romanticamente, para que Luís?


luiz alfredo motta fontana on 9 outubro, 2015 at 12:15 #

Errata:

“O resot é perfuimsaria e distração d etolos travestidos de pensadores soiais”
=
O resto é perfumaria e distração de tolos travestidos de pensadores sociais.


Taciano Lemos de Carvalho on 9 outubro, 2015 at 13:58 #

Impeachment: carta aberta ao eminente jurista e professor Doutor Dalmo de Abreu Dallari

http://www.tribunadainternet.com.br/impeachment-carta-aberta-ao-eminente-jurista-e-professor-doutor-dalmo-de-abreu-dallar/


luiz alfredo motta fontana on 9 outubro, 2015 at 15:01 #

Resumindo a opereta:

Que caiam todos, não temos governo, só desgoverno.

A nação está doente, os patógenos conhecemos.

Hora de colocar ao sol, ao menos o cheiro dissipa.


jader on 9 outubro, 2015 at 17:26 #

E na república tucana de SP que vive sem água , a educação agradece:
http://jornalggn.com.br/noticia/alckmin-pode-fechar-escolas-e-reprime-ato-de-estudantes


jader on 9 outubro, 2015 at 18:53 #

Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos