Sergio Matos:ator e espectador em relato biográfico


Livro/Resenha

Por Rosane Santana

Em “Vida Privada no Contexto Público” (Quarteto Editora 646 págs), livro que lança nesta quinta-feira (08/09), no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBa), no bairro do Canela, a partir das 17 horas, o jornalista, professor e escritor Sérgio Mattos reconstrói sua trajetória pessoal e profissional, revelando fatos e personagens significativos da história social e política da Bahia dos últimos 50 anos.O texto, onde Mattos é ator e espectador, ao mesmo tempo, é embasado por documentos e fotografias inéditos que, seguramente, vão despertar o interesse de muitos que o conhecem e o admiram, além de constituir-se em importante fonte para o entendimento da Bahia contemporânea.

Dividido em nove capítulos, o livro retrata a personalidade multifacetada de Mattos (poeta, escritor, jornalista, professor e compositor), desde sua infância no Ceará, onde nasceu, sua passagem por Recife, acompanhando as andanças do pai, um destacado funcionário da multinacional norte-americana IBM, que, no final dos anos 50,foi transferido para Salvador. No início dos anos 60, o internamento no Seminário Central da Bahia, onde conheceu e fez amizade com o futuro jornalista José de Jesus Barreto, Sérgio Mattos tomou gosto pela leitura dos clássicos e pelo cinema, aprendeu latim e aproximou-se da cúpula da Igreja Católica na Bahia, embora tenha desistido da carreira eclesiástica. A experiência resultou ainda em seu engajamento na Juventude Estudantil Católica (JEC), o início da carreira jornalística no jornal “A Semana Católica”, onde publicou as primeiras reportagens e poemas, e a participação no Grupo Amador de Teatro da Bahia (GATEB).

É na condição privilegiada de ator e espectador, que Mattos narra acontecimentos marcantes dos efervescentes anos 60, como a censura à encenação, pelo GATEB, do texto de Carlos Sarno, “Aventuras e desventuras de um estudante”, episódio que repercutiu nacionalmente e provocou greves estudantis e violentos embates entre secundaristas e as forças da repressão em Salvador.

No mesmo período, ele conta como largou um emprego seguro na IBM do Brasil, onde o pai trabalhava, contrariando toda a família, para dedicar-se ao Jornalismo, depois de aprovado no vestibular da Escola de Biblioteconomia e Comunicação da UFBA e integrar a equipe de Quintino de Carvalho, da Tribuna da Bahia, ao lado de outros destacados nomes da imprensa baiana (Tasso Franco, Ivan de Carvalho, Paolo Marconi, Pedro Formigli, Pancho Gomes, Sérgio Gomes etc).

O livro traz também interessante descrição do Rio Vermelho, nesse período, onde Mattos residiu com os pais e irmãos, e vivenciou intensamente a vida cultural e social do bairro, desde então, morada de destacados artistas, como Jenner Augusto, Jorge Amado e Caymmi, jornalistas e uma juventude participativa, típica dos Anos Rebeldes. A vivência com o mar do Rio Vermelho, nas imediações da Praia da Paciência, onde mergulhava praticamente todos os dias, seria fonte de inspiração para um de seus poemas, “Pedra dos Pássaros”, posteriormente musicado por Kareka e gravado por Lui Muritiba. Junto com os amigos e moradores do bairro, Mattos participou da fundação da Associação dos Amigos do Rio Vermelho (AMARV), até hoje atuante na defesa dos interesses do local.

No final dos anos 60, as primeiras experiências literárias seriam registradas na “Revista Experimental”, juntamente com outros jovens como Ivan Dórea Soares, Thadeu Cruz e Luiz Fernando Hupsel. Logo depois, viria o primeiro livro individual de poesia, “Nas teias do mundo”, saudado pelo cronista e escritor Guido Guerra, que escreveu a orelha. Seguiu-se, após a experiência na Tribuna da Bahia, a transferência para o Jornal A Tarde, onde implantou o “Jornal de Utilidades” – um projeto inovador à época – o casamento com a jornalista Maria Helena de Medeiros Chaves, a chegada dos filhos Paula e Rafael, a carreira no magistério superior, na Escola de Jornalismo da UFBA, onde começou a ensinar em 1975, como professor colaborador e, em 1976, foi aprovado em concurso para o quadro permanente. Dois anos depois, em 1978, conquistou uma bolsa de estudos para o mestrado e o doutorado na Universidade do Texas – uma das melhores do mundo – nos Estados Unidos –, em 1978, onde daria o pontapé inicial para transformar-se no “maior historiador da Televisão Brasileira”, com reconhecimento internacional,segundo José Marques de Mello, um dos mais respeitados teóricos da Comunicação da América Latina.


O livro: meio século de mergulho na história da Bahia e do País

A trajetória de Sérgio Mattos, narrada no livro, se confunde com importantes acontecimentos da história do jornalismo baiano, nos últimos 50 anos, especialmente do jornal A Tarde, onde trabalhou por três décadas. O domínio de todas as etapas da indústria jornalística, da produção da notícia até os processos gráficos e a distribuição, fez dele o responsável por vários projetos de sucesso, depois que retornou ao Brasil, no início dos anos 80, como o Caderno de Municípios de A Tarde, que promoveu a interiorização do jornal, contribuindo para colocá-lo entre os dez maiores do Brasil e o maior do Norte e Nordeste em circulação. Antes disso, porém, sua participação no projeto da TV Educativa na Bahia, durante o governo de João Durval, do qual foi desligado por discordar do uso político da instituição, está ricamente documentado no livro.

O desenvolvimento de sua produção literária e técnico-científica, o envolvimento em projetos culturais, como a criação da Academia de Letras e Artes de Salvador, o Instituto Baiano do Livro, as contribuições para a Faculdade de Jornalismo da UFBA, a participação e os bastidores da disputa pelo reitorado daquela instituição, nos anos 80, onde lecionou por três décadas, antes de se aposentar são atividades também documentadas no livro. Além disso, a ativa participação na criação do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Católica e em outros cursos de Jornalismo em instituições privadas, bem como o recomeço da carreira universitária na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) são narrados em linguagem simples e envolvente por Mattos, um cearense que ganhou o merecido título de Cidadão Baiano, por unanimidade da Assembleia Legislativa da Bahia, e o prestigioso reconhecimento da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), que lhe conferiu o Prêmio Maturidade Acadêmica, pelo conjunto de sua vasta produção científica – mais de 30 livros até o momento.

Rosane Santana é jornalista e pesquisadora da UFBA, especializada em mídias eletrônicas.

Vídeo postado no Facebook pelo leitor e amigo do BP que assina Vangelis.
Com agradecimentos.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)


Leão (citado na Lava Jato) com Dilma hoje no oeste da Bahia

A presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou, em entrevista a rádios locais, nesta quarta-feira (7), que o governo federal reavalia a liberação de recursos para implantação do ônibus de trânsito rápido, o Bus Rapid Transport (BRT), em Salvador. O projeto do BRT previsto na capital baiana tem um trajeto de 8,7 km, passando pelo canteiro central da Vasco da Gama, Rua Lucaia, Juracy Magalhães, Avenida ACM, até chegar ao Iguatemi.

“No que se refere ao BRT, estamos reavaliando a engenharia financeira. Porque esse ano não temos recurso para resolver tudo. Mas não abandonamos o BRT. Estamos refazendo o modelamento para que o BRT seja realidade nos próximos anos”, disse a presidente.
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Dilma estará em Barreiras, oeste do estado, a partir das 15h desta quarta-feira, para a cerimônia de entrega de 2.781 unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. O governador da Bahia em exercício, João Leão (citado na Operação Lava Jato), também estará no evento, já que o governador Rui Costa está em viagem oficial na Europa, com objetivo de atrair investimentos nas áreas de energia solar e indústria farmacêutica para o estado.

Em entrevista às rádios, a presidente ainda justificou o atraso nas obras da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol) no oeste do estado. “Todos os prazos da Fiol foram postergados por várias razões. Quando a gente fez licitação, tiveram vários questionamentos, alguns que vieram à Justiça, o que atrasou o projeto. O projeto de engenharia ainda foi alterado porque estavam difíceis as desapropriações”, disse a presidente.

A Fiol vai desde a cidade de Figueirópolis, no estado de Tocantins, à cidade de Ilhéus, no sul da Bahia. Quando estiver integrada ao Porto Sul, a ferrovia deverá permitir o escoamento da produção baiana, principalmente de grãos e minérios. O investimento previsto para as obras no estado é de cerca de R$ 6 bilhões.

BRT em Salvador
O secretário municipal de mobilidade em Salvador, Fábio Mota, informou, em julho, ao G1 que o edital de licitação do BRT de Salvador está parado aguardando repasse de R$ 300 milhões do Ministério das Cidades. A última movimentação no projeto ocorreu no mês de março, quando cinco empresas foram pré-qualificadas para disputarem a operação.

A obra do transporte na capital baiana prevê investimentos de R$ 820 milhões. Deste total, R$ 300 vêm do Governo Federal e R$ 520 milhões foram tomados de empréstimo pela prefeitura na Caixa Econômica Federal.

(Com informações do G1 Bahia)

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07

DEU NO ESTADÃO

Por Julia Affonso e Mateus Coutinho

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, usou o Twitter nesta terça-feira, 6, para criticar o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o PSDB, e o ‘comportamento dos políticos’, que, segundo ele, ‘só pensam numa coisa: no dinheiro das empresas’.

Eduardo Cunha é alvo da Lava Jato e foi denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que lhe imputa corrupção e lavagem de dinheiro. Foram três posts de Joaquim Barbosa em 8 minutos, entre 15h23 e 15h31:

“Notem o comportamento dos políticos: a) nossa economia está aos frangalhos, mas eles só pensam numa coisa: no dinheiro das empresas!”, escreveu na primeira mensagem, em alusão ao financiamento empresarial de campanha eleitoral, derrubado pelo Supremo e pela presidente Dilma Rousseff (PT).

joaquim-barbosa-cunha

Na segunda mensagem, o ex-presidente do Supremo apontou para Eduardo Cunha, embora não tenha citado seu nome. “b) contra o presidente de uma das Casas do Congresso há acusações de crimes graves, mas ele é apoiadíssimo pelo PSDB!”, disse, emendando. “Dá para levar essa gente a sério? Não dá, né?.”

O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Carlos Sampaio (SP), afirmou na tarde de segunda-feira, 5, que o partido vai aguardar mais informações quanto a existência de contas bancárias na Suíça em nome de Eduardo Cunha, além do suposto envolvimento do peemedebista em esquemas de corrupção, já denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal. “Seria leviano da minha parte afirmar que ele está envolvido. O Ministério Público ainda aguarda informações da Suíça e ele tem, por hora, o benefício da dúvida”, afirma.

Por que num País com tanta miséria empresas doam bilhões a políticos?, questiona Joaquim Barbosa
“O que a maioria dos políticos quer é: dinheiro, dinheiro, dinheiro”, acusa Joaquim Barbosa

A Suíça bloqueou valores estimados em US$ 5 milhões em contas atribuídas ao presidente da Câmara e a familiares dele. Nesta terça, o Ministério Público da Suíça negou a versão do deputado de que ele desconhece o teor das notícias veiculadas sobre suas contas no país europeu e garantiu que o parlamentar foi alertado sobre o congelamento de seu dinheiro.

“Eduardo Cunha foi informado sobre o congelamento de seus ativos”, declarou a Procuradoria-Geral da Suíça em um comunicado oficial ao Estado.

BOM DIA!!!

DO EL PAIS

Gil Alessi

De São Paulo

O PSDB conseguiu, na noite desta terça-feira, sua maior vitória contra o Governo desde que o discurso a favor do impeachment de Dilma Rousseff (PT) ganhou força dentro da oposição. Em decisão inédita na história da corte, o Tribunal Superior Eleitoral deu seguimento a ações dos tucanos que pedem a impugnação da chapa da presidenta e de seu vice, Michel Temer (PMDB), por supostas irregularidades na campanha. Na prática, em última instância, o TSE pode desde apenas multar a campanha até tirar a dupla do poder, com a cassação do diploma da presidenta e do vice —embora especialistas considerem essa última hipótese, no momento, improvável. De todo modo, a decisão fragiliza ainda mais o Governo, que corre contra o tempo para tentar barrar no Supremo Tribunal Federal a análise das contas de Dilma pelo Tribunal de Contas da União (TCU) prevista para esta quarta. O julgamento do TCU, onde há a expectativa de que as contas sejam rejeitadas, é a aposta dos oposicionistas para encurtar o mandato petista via impeachment.

A corte deu seu veredito pela abertura da ação por 5 votos a 2. Segundo o pedido protocolado pelos tucanos, a campanha petista cometeu irregularidades como abuso de poder político e econômico, uso da estrutura pública na disputa e teria recebido repasses de propina de empresas investigadas pela Operação Lava Jato. A defesa do PT sempre alegou que não houve irregularidade e que as contas já foram foram aprovadas pelo TSE no final do ano passado. Trata-se de uma Ação Impugnatória de Mandato Eletivo (AIME) que está prevista na Constituição, mas nunca tinha sido aceita até agora pelo TSE.

A possibilidade que o TSE casse a chapa Dilma-Temer já recebeu críticas até do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. Ele chegou a afirmar que o TSE não tem envergadura para cassar um mandato presidencial. Outros ministros do tribunal também já ponderaram que uma intervenção drástica como a invalidação de uma eleição só cabe se as provas forem tão contundentes que se considere que a “vontade do eleitor foi viciada”.

No início do ano a ação havia sido arquivada pela ministra Maria Thereza de Assis Moura, relatora da matéria, mas um recurso do PSDB fez o caso ser levado ao plenário do tribunal. Em 25 de agosto foi novamente interrompido após pedido de vistas (mais tempo para a análise) da ministra Luciana Lóssio. Nesta terça ela devolveu a matéria para o plenário e votou contra a ação tucana, que segundo ela não apresentou provas concretas, e se baseia quase que exclusivamente em matérias veiculadas pela imprensa. “Uma ação como essa precisa vir acompanhada por provas hábeis”, afirmou. De acordo com ela, admitir como provas “o que é noticiado na mídia sem ter acesso ao conteúdo do material (…) é deixar na mão da imprensa julgar”. Além dela, apenas a ministra Maria Thereza de Assis Moura votou contra dar provimento à ação tucana.

Caso condenados no tribunal eleitoral, a presidenta e seu vice podem recorrer à própria corte e até mesmo ao Supremo Tribunal Federal. Se o TSE invalidar os resultados das eleições em 2014 e isso prevalecer no STF, Dilma e Temer perderão o mandato. Em casos com governadores no passado, o segundo colocado nas eleições assumiu o cargo. Em caso recentes com prefeitos, foram convocadas novas eleições. Se essa segunda hipótese for a seguida, Eduardo Cunha, presidente da Câmara, assume a presidência e convoca eleições para os próximos 90 dias.
Caminho a partir de agora e TCU

Além da devassa nas contas da chapa, o TSE poderá, no seguimento da ação, solicitar informações relacionadas, por exemplo, à Lava Jato. Isso porque o PSDB anexou à ação reportagens que citavam delatores do esquema de corrupção na Petrobras que teriam dito que parte das doações oficiais de campanha feitas para Dilma eram na verdade repasse de propinas. O empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, foi um dos convocados pelo TSE para depor sobre o assunto, mas se manteve calado. Agora existe a expectativa de que o material disponível com a Polícia Federal e com o Ministério Público Federal envolvendo os colaboradores da Lava Jato seja compartilhado com o tribunal.

Enquanto digere essa derrota, o Planalto aguarda resultado da Advocacia Geral da União , que entrou com um pedido no solicitando a suspensão do julgamento no TCU até que o pedido de afastamento do relator, Augusto Nardes, seja avaliado pela corte. O Planalto tem acusado o ministro de estar politizando o processo.

out
07
Posted on 07-10-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-10-2015

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Fonte Nova é a casa de duas torcidas

Desde a Fonte Nova velha, nas décadas de 50 e 60, e a que ganhou o segundo lance de arquibancada, no governo Luís Viana Filho, o querido Estádio Otávio Mangabeira foi palco de aguerridos Ba-Vis.

A torcida rubro-negra ficava “à esquerda das cabines de rádio”, como gritavam os locutores, e a tricolor passava adiante, acomodando-se numa ponta da ferradura. Como era muito mais numerosa, tomava ainda quase toda a antiga “geral”.

Havia rusgas, havia brigas, mas a convivência era normalmente pacífica. Havia os chefes de torcida, que comandavam a massa na provocação recíproca, com fogos, bandeiras, charangas e buzinas a animar a multidão. A volta de ônibus era mista e tranquila.

A Fonte Nova, enfim, nunca foi “a casa do Bahia”, como se procura insinuar na configuração pós-arena da linguagem esportiva no Estado. As poucas glórias do Vitória nos períodos citados, ele as alcançou no – também do glossário radiofônico da época – “gigante do Norte e Nordeste”.

Por outro lado, não é procedente dizer que o estádio é “a casa do Vitória” com base numa sequência de partidas que apenas refletem uma fase eventual de superioridade técnica, podendo a balança, oportunamente, favorecer o adversário.

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07
Posted on 07-10-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-10-2015


Bruno Aziz, jornal A Tarde (BA)

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