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DE A TARDE/ COM INFORMAÇÕES DO ESTADÃO

Adriano Ceolin

O novo ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner (PT), busca combater a avaliação geral de que é um interventor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no governo da presidente Dilma Rousseff. Em conversas com auxiliares, ele tem demonstrado “incômodo” com a construção da sua imagem apenas como lulista.

Amanhã, 7, Wagner assume o lugar de Aloizio Mercadante, que volta para a o Ministério da Educação após 20 meses no comando da Casa Civil. Nesse período, ele se consolidou como “fiel escudeiro” da presidente, mas não conseguiu manter uma boa relação com o Congresso.

Wagner tem dito a auxiliares que pretende ser “um construtor de pontes” não só entre o governo e o Congresso, mas também entre as diferentes alas do PT. O novo ministro gosta de ressaltar aos mais próximos que é “lulista e dilmista, um híbrido”. “Sou amigo dos dois”, diz ele, nessas conversas.

O novo ministro também não se cansa de lembrar que sempre teve uma boa relação com Dilma quando ambos foram ministros no primeiro mandato de Lula e davam expediente dentro do Palácio do Planalto.

Entre julho de 2005 e março de 2006, Wagner foi ministro das Relações Institucionais. No mesmo período, Dilma ocupou chefia da Casa Civil. “Ele já foi coordenador político do governo. Tem uma experiência muito grande como interlocutor”, disse o ministro Aldo Rebelo, que vai ocupar o lugar de Wagner na pasta da Defesa.

Segundo ele, o estigma de lulista “não tem significado prático”. “Ninguém vai deixar de conversar com ele por isso”, complementou Aldo.

A entrada de Wagner na Casa Civil sempre foi defendida por Lula e, especialmente, por parlamentares ligados à corrente interna majoritária Construindo um Novo Brasil – grupo que atuou para Lula ser candidato em 2014. Entre eles, está o deputado José Mentor (PT-SP), que marcou presença ontem na posse de Wagner e comemorou sua nomeação para a Casa Civil.

“Agora as coisas melhoram”, disse Mentor. “Ele tem características políticas e pessoas que ajudam muito. É muito habilidoso, ouve muito mais as pessoas e é próximo de todo mundo”, concluiu o parlamentar.

Wagner também é uma nova esperança para os governadores. Ele estava à frente do governo da Bahia até o ano passado e conhece os problemas do Nordeste. “A nomeação dele é uma mudança importante para ampliar o diálogo”, disse o governador do Ceará, Camilo Santana (PT).

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Sivuca, um maioral inesquecível, na vitrola do BP!

BOA TARDE!!!

(Gilson Nogueira)

DO G1/O GLOBO

Nathalia Passarinho, Fernanda Calgaro e Laís Alegretti Do G1, em Brasília*

Líderes de partidos da oposição reagiram nesta segunda-feira (5) à decisão do governo de pedir o afastamento do ministro Augusto Nardes da relatoria e do julgamento do processo que analisa, no Tribunal de Contas da União (TCU), as contas do ano passado da presidente Dilma Rousseff. Enquanto parlamentares do PSDB e do DEM defendem a atuação de Nardes e acusam o governo de querer “ganhar tempo”, classificando de “patética” a iniciativa do Palácio do Planalto, líderes governistas defendem que declarações recentes do ministro do TCU impossibilitam a permanência dele como relator do caso.

Em entrevista coletiva no último domingo (4), os ministros Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União), José Eduardo Cardozo (Justiça), e Nelson Barbosa (Planejamento) disseram que Nardes cometeu uma irregularidade ao manifestar opinião e antecipar publicamente o voto que deverá apresentar na sessão desta quarta-feira (7) do tribunal de contas.

O ministro-chefe da AGU afirmou, na entrevista, que o regimento interno do TCU e a lei orgânica da magistratura – as quais os ministros do tribunal de contas estão submetidos – proíbem os magistrados de emitir opinião sobre processos que eles estão conduzindo.

Augusto Nardes divulgou nota após as falas dos ministros, em que diz “repudiar” as críticas do governo e explicou que disponibilizou seu relatório para os demais ministros do TCU, como manda o regimento interno.

Para o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, o governo tenta “desqualificar” o Tribunal de Contas da União.

“O governo age como um time que, vendo que está perdendo de goleada a partida, pede para mudar o juiz. Chega a ser patética essa tentativa extrema de buscar desqualificar o Tribunal de Contas da União e os pareceres técnicos elaborados com rigor e isenção”, disse o tucano.

Já líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou nesta segunda que o próprio ministro Augusto Nardes deveria se considerar impedido de exercer a função de relator do caso. “O governo está no seu papel. Ele é que teria que se declarar impedido porque, infelizmente, quebrou aquele que seria o comportamento adequado de um magistrado”, afirmou.
Chega a ser patética essa tentativa extrema de buscar desqualificar o Tribunal de Contas da União e os pareceres técnicos elaborados com rigor e isenção”
Aécio Neves (MG), senador e presidente nacional do PSDB

Humberto Costa esclareceu que não tomou conhecimento, por enquanto, de todos os argumentos do governo, mas afirmou que é “óbvio” que o comportamento do ministro foi “inteiramente inadequado”. “Ele não somente antecipou o voto, como publicamente fez críticas ao governo”, disse o senador.

Apesar de integrar a base governista, o líder do PROS na Câmara, Domingos Neto (CE), classificou de “equívoco” a decisão do governo de pedir o afastamento de Nardes. Na avaliação dele, o Palácio do Planalto politiza uma questão que é de caráter técnico.

“Eu acho um equívoco. Acho que não é um caminho correto para tentar questionar politicamente uma decisão de cunho técnico”, criticou Neto ao G1. Ele ponderou ainda que Augusto Nardes é um dos ministros com menos relação política no tribunal. “Vários outros vieram da política. Ele, não”, disse.
O posicionamento do ministro Nardes ao longo desse processo é lamentável. Nunca se politizou tanto o julgamento das contas de um presidente da República quanto agora”
Silvio Costa (PSC-PE), vice-líder do governo na Câmara dos Deputados

Na mesma linha, o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), afirma que o relatório de Augusto Nardes é “técnico”, já que traz a posição de “14 auditores concursados do TCU”.

“Parece que o governo receia que o relatório do TCU mostre com números que o valor gasto ilegalmente pela presidente para se eleger é o que ela está querendo agora, cobrar em impostos novos da sociedade brasileira”, disse Agripino, em nota divulgada à imprensa.

Já o deputado Silvio Costa (PSC-CE), um dos vice-líderes do governo na Câmara, afirma que Augusto Nardes age “a serviço da oposição” e deve ser afastado do caso.

“O posicionamento do ministro Nardes ao longo desse processo é lamentável. Nunca se politizou tanto o julgamento das contas de um presidente da República quanto agora. Ele feriu a Lei da Mistratura, porque nenhum ministro pode antecipar o seu voto”, disse ao G1.

“Desde que assumiu a relatoria, ele tem aparecido na mídia nacional dizendo que vai rejeitar essas contas. Quem primeiro fez ‘pedalada fiscal’ foi o PSDB, no governo FHC, e Nardes não está seguindo a jurisprudência do tribunal, que aprovou esse procedimento”, completou Costa.
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A senadora petista Gleisi Hoffmann (PR) defendeu a posição do governo de pedir o afastamento do ministro Augusto Nardes do julgamento das contas do governo de 2014. Ela disse que “o governo até demorou a fazer esse questionamento”.

Gleisi também afirmou que o ministro se comporta “como parlamentar da oposição” e não como “magistrado da Corte de Contas”. Em seguida, Gleisi disse que a postura de Nardes é “golpista”, pois, segundo ela, ele “tem conspirado contra o governo eleito”.

O senador tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP) usou a tribuna do plenário da Casa para criticar a decisão do governo de pedir a substituição de Nardes na relatoria do processo. Segundo ele, a intenção do Executivo é “tentar tumultuar o processo levantando acusação de arguição de suspeição quando não há nada que justifique”. De acordo com o senador, essa ação do governo está “fadada ao fracasso”.

A chamada arguição de suspeição é o processo para afastar de um caso um magistrado que se desconfie de ser parcial em um caso.

* Colaborou G1 MG

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Posted on 06-10-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-10-2015


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Dinheiro e poder geraram vistoria privatizada

Toda essa confusão envolvendo personalidades políticas e altos órgãos da República em torno da vistoria veicular tem sua origem em duas das mazelas da vida nacional: a política de loteamento de governos para atender interesses e o velho hábito de fazer o contribuinte pagar a conta da farra que deixa os cofres públicos sempre raspados.

O governador Rui Costa viu o PTN incomodado na aliança com o prefeito ACM Neto e, preocupado em compensar perdas na sua “base” na Assembleia Legislativa, atraiu-o com a oferta do Detran, órgão de grande capilaridade em toda a Bahia, com generosos cargos a serem preenchidos.

Quase simultaneamente, veio à tona no Estado a vistoria anual para os veículos com mais de cinco anos de fabricados, cobrando-se pesada taxa, que é menor nos postos oficiais, mas o freguês tem de penar em filas, e muito maior nas centenas de empresas credenciadas, que, naturalmente, muito lucram com a gigantesca frota baiana.

É uma quantidade inestimável de recursos que, em vez de ser arrecadada pela máquina pública, construirá fortunas privadas, especialmente pela alta margem de ganho presumida nas denúncias de que praticamente nada se faz nessas fiscalizações, que são em geral mero ato burocrático.

A justificativa, em si, da adoção da vistoria é um sofisma. Veículos não são, pela sua idade, necessariamente um risco para a coletividade, como o provam as centenas de milhares que circulam por aí. E seria preciso demonstrar estatisticamente, por exemplo, que “carros velhos” causam mais acidentes com “carros novos”.

Governo pode evitar erros semelhantes no futuro

Pendia sobre a cabeça do cidadão desde 2012 a portaria 2045, do Detran, pela qual já se iniciara a vistoria anual para os carros com mais dez anos, em 2014, e mais de cinco, este ano. A partir de janeiro de 2016, a cobrança se estenderia aos veículos com mais de um ano de fabricação.

O governador decidiu pela sua revogação, mas, como o jogo político prevalece nesses episódios, atribui seu ato a questionamentos do Ministério Público Estadual e de uma certa Associação Baiana de Defesa e Proteção dos Condutores de Veículos.

Entretanto, uma ação judicial proposta ao Supremo Tribunal Federal pelo deputado José Carlos Aleluia (DEM) para suspensão da vistoria já tem pareceres favoráveis da Procuradoria Geral da República e da Advocacia Geral da União.

Vê-se no fato uma tendência ao fim de exigências descabidas à sociedade, como no caso dos extintores. O ideal seria que o governo, nas suas próximas iniciativas, se antecipasse a decisões judiciais evitando a escorcha da sofrida bolsa popular

BOM DIA!!!

DO EL PAIS

Carles Geli

De Barcelona

“Não posso ser o que vê em mim. E não posso ser outra coisa em liberdade, porque em seu espelho de sorriso suave está a imagem que esmaga, o filho verdadeiro e a medida da mãe, o bom pinguim rosa vendo e vivendo e tão valente até o fim, a forma que me disse em seu desejo: honrado, carinhoso, feliz, desmaiado”. Foi o que escreveu Julio Cortázar já adulto em uma carta-poema que nunca se atreveu a enviar para sua mãe, com a qual, no entanto, manteve correspondência ininterrupta durante 30 anos.

O peso desse matriarcado é a ponta do iceberg de uma asfixia familiar insuportável, uma provável relação incestuosa com a irmã, o menor peso na sua vida e obra da viúva Aurora Bernárdez, um tratamento hormonal para o seu gigantismo, cujos efeitos colaterais converteram-no em um predador sexual quase aos 60 anos, e a morte por leucemia, sim, embora o golpe de misericórdia tenha sido a aids contraída em uma transfusão de sangue, são os aspectos principalmente freudianos do grande escritor argentino que Miguel Dalmau faz aflorar em Julio Cortázar. O cronópio fugitivo (Edhasa), volumoso (640 páginas) e um polêmico retrato do autor de O jogo da amarelinha.

Cortázar buscava em sua obra (e, por extensão, em sua vida) abandonar uma realidade que lhe parecia incompleta, saltá-la, cruzar a porta, o que explicava suas desconexões e sua tendência a ficar distraído. “Estado de paisagem: quando estou distraído, eu escapo com isso”, dizia. “Eu me limitei a colocar uma lanterna no outro lado dessa porta, seguindo as pistas que os demais biógrafos haviam abandonado”, disse Dalmau, em Barcelona, aonde o garoto Cortázar chegou com sua família em junho de 1917 e aprendeu o que eram os traumas (um galo o despertou no meio da noite e o libertou de seus pesadelos) e onde um trencadís (mosaico) do dragão de muitas cores do Park Güell gaudiniano marcou sua vida, inconscientemente, com imagens desconexas de azulejos coloridos e seu fascínio pelos caleidoscópios reais e literários.

Para Dalmau (Barcelona, 1957), autor da controversa biografia de Gil de Biedma (2004) e da completa Los Goytisolo (1999) e que investiu três anos de trabalho e a dissecação de meio século de obras sobre o autor de Historias de cronopios e de famas, o peso do gineceu argentino marcou toda a vida do escritor. “A mãe, dona Hermínia, era filha ilegítima, e tanto ela quanto a irmã de Cortázar, Ofelia, viveram dele durante toda a vida, porque o pai as abandonou rapidamente: até um mês antes de morrer, enviava cheques da Europa, mas acontece que quem teve que exercer as funções de pai de família desde muito jovem era uma criança introvertida, com problemas de gigantismo e que ficava lendo escondido no sótão o dia inteiro”, afirma o biógrafo, que não hesita em classificar o escritor como “homem bloqueado pelos tabus e um escravo da sua mãe”.

Dalmau (que não pode usar fotos nem trechos dos livros do escritor e que viu como Circe relutava a publicar a biografia) une a tudo isso um fator delicado: em 15 de outubro de 1951, Cortázar instalou-se em Paris. Oficialmente, era porque não poderia suportar a asfixia da ditadura, mas Perón estava no poder desde 1946 e havia acabado de ser publicado, naquele mesmo mês, seu primeiro livro de contos, Bestiario, que no começo vendeu apenas 65 exemplares. Em boa parte dos relatos, a figura do incesto aparece como tema característico: é um dos pesadelos mais recorrentes do Cortázar de então, vinculados, segundo Dalmau, a sua irmã Ofelia, de caráter forte, esquizofrênica como se descobriria depois e pouco fã de sua obra. Isso, segundo o estudioso, foi o “motor freudiano” do verdadeiro motivo que causou a saída precipitada do escritor do país e propiciou sua “unidade centrífuga” pelo mundo, embora “não deva ter sido uma relação ultrajante”.

O biógrafo também afirma que o peso vital e literário de Aurora Bernárdez, a primeira esposa e futura viúva do escritor (já morta) e com quem Dalmau não conversou porque “não queria que a biografia fosse sequestrada intelectualmente”, foi sempre menor do que se pensava. E, claro, não foi a fonte de inspiração da Maga, a cativante mulher-menina que coprotagoniza o mítico O jogo da amarelinha. “Não foi ela, que o rejeitou constantemente, nem foi a poetisa Alejandra Pizarnik: foi Edith Aron, e o romance refletia a explosiva reação entre ele, que era um estudioso argentino, hipersensível, racional e sem vida, com uma jovem judia dependente de grandes lojas excêntricas, alegre e bastante livre”.

A vida afetiva e sexual de Cortázar vai aflorando – intercalada com interpretações de sua vida a partir de sua obra, também dissecada – ao longo do livro, alcançando um protagonismo notável a partir de um tratamento hormonal ao qual Cortázar se submete, no final dos anos 60, para atacar um tumor, fruto do crescimento desordenado de seu corpo. Essa é a desculpa, segundo Dalmau, da mudança radical nas partes física e sexual do autor argentino, que passa de ser um homem de 1,92 metros de altura, mas sem barba e com cara de bebê, a um personagem barbudo, com cabelo cumprido, muito de acordo com a estética beatnik do momento. “Assim se encerra o intelectual retraído e monogâmico”, escreve o estudioso. A cura, com testosterona, estimulava seu apetite sexual, já suficientemente excitado pela sua relação com a lituana Ugné Karvelis, de caráter forte, culta, cheia de vida e alcoólica, que trabalhava como editora na Gallimard.

A imagem do atraente Cortázar seria fixada em fotos muito conhecidas da fotógrafa holandesa Manja Offerhaus, que também foi amante do escritor. As mulheres como objeto de desejo entraram em sua vida, mas nem assim arrumariam as coisas com Aurora nesse campo: aparentemente, Cortázar não podia ter filhos e havia passado um matrimônio em branco do ponto de vista sexual, tese que Dalmau sustenta veladamente. “Aurora não fez mais do que perpetuar o matriarcado argentino no qual o escritor sempre viveu, e que por isso quase nunca se comportou como macho alfa, mas mostrou uma sensibilidade muito desenvolvida, o que explica ter sido um escritor de tanto êxito entre as mulheres”, ratifica o biógrafo.

Em outra reviravolta, Dalmau atribui a Cortázar um safari sexual durante uma viagem no Quênia para uma conferência da Unesco. Ali, além de perseguir algumas nativas, teve um complicado romance com C.C., que o teria forçado; algo que deixou veladamente fixado em alguns poemas publicados postumamente; a violação, como nos momentos do incesto, transborda obsessivamente na produção cortaziana de meados dos anos 70, segundo Dalmau. “O tratamento muda sua atitude e seu comportamento sexual: acontece com ele, aos 60 anos, o que deveria ter acontecido aos 20, com a vantagem de que tem muita carne fresca à disposição porque é conhecido, e em todos os aspectos, um escritor atraente”. É esse Cortázar que deixa o seu amigo Mario Vargas Llosa estupefato quando lhe vai visitar em Londres porque não faz nada além de falar de sexo, drogas e não se reprime na hora de comprar revistas eróticas.

Mas algo não funciona para Cortázar: ele não se sente confortável com essa poligamia. Isso ficará refletido pelo escritor em dois níveis: na sua obra, em romances, como Livro de Manuel, ou em cartas destinadas aos amigos mais íntimos: “Vivo sozinho em uma multidão de amores”, confessará, mais de uma vez, especialmente depois da ruptura com Karvelis pelos ciúmes inevitáveis de qualquer relacionamento aberto.

Desse frenesi sexual, ele sossegará com Carol Dunlop, cuja morte em 1982 deixa um Cortázar já muito doente pela combinação leucemia-aids, por causa de uma transfusão sanguínea em 1981 com sangue contaminado da África, em um ser totalmente melancólico e afundado. “Carol havia lhe devolvido ao terreno lúdico, ao grande garoto que Cortázar sempre foi”, acredita seu biógrafo. O escritor ia sozinho, muito frequentemente, ao cemitério de Montparnasse visitar a tumba da sua companheira, e inclusive, colocava copos e pratos para ela como se estivesse viva quando comia na casa de amigos antigos em comum. A figura do escritor passa ternura e alguma lástima, apesar de que Cortázar nunca tenha sido ingênuo, especialmente no âmbito político, como aponta Dalmau. “Não tem nenhuma miopia política: não se vendeu a Moscou porque sempre foi a favor da liberdade individual, e em sua vida, só leu relatos como Apocalipsis de Solentiname”

Juan Carlos Onetti, depois de ler o relato cortaziano El perseguidor, parece que se trancou no banheiro e quebrou o espelho com um soco. Pelas mesmas razões, e talvez por outras totalmente opostas, alguns leitores da desmistificadora Julio Cortázar. O cronópio fugitivo façam o mesmo.

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