out
05
Postado em 05-10-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 05-10-2015 01:01

DO EL PAIS

Javier Martín

De Lisboa

Os portugueses aprovaram neste domingo nas urnas as políticas de austeridade que a atual coalizão no Governo, a centro-direita PSD-CDS, implementou nos últimos quatro anos. Com 95,7% dos votos contados, os conservadores obtinham 37,4% dos votos, contra 32,2% dos socialistas. Com estes resultados, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que se distingue por aplicar os cortes exigidos pela Europa, renovaria seu mandato, mas não com maioria absoluta, para o qual é necessário atingir 45% dos votos.

“Em nome da coalizão estamos aqui para dizer que todas as projeções conhecidas apontam para um fato claro e é que Portugal à Frente [formada pelo PSD-CDS] obteve uma grande vitória nesta noite eleitoral”, disse o vice-presidente do PSD, Marco António Costa. O diretor de campanha dos socialistas portugueses, Duarte Cordeiro afirmou por sua parte que sua formação “não conseguiu atingir os seus objetivos”.
mais informações

Apesar da clara vitória obtida pela coalizão conservadora, o PSD-CDS fica a um passo de obter uma maioria absoluta, cerca de 45% dos votos. Do outro lado do espectro parlamentar, abaixo dos socialistas de Antonio Costa, ficam o Bloco de Esquerda, com 8,5% dos votos, e o Partido Comunista de Portugal, que alcançou 6,8% dos votos.

A vitória da coalizão de Passos Coelho é a primeira de um governo que implementou as duras receitas da troika para sair da crise. Foi o aluno aplicado da austeridade e um exemplo na boca da chanceler alemã, Angela Merkel, especialmente quando Syriza chegou ao poder na Grécia e procurou o apoio dos países do sul para renegociar a dívida. Passos Coelho se mostrou absolutamente contra qualquer perdão à Grécia e nunca apoiou os planos do antigo ministro de Finanças grego Yanis Varoufakis.

O primeiro-ministro português lembrou que as condições de resgate que tinham os gregos eram melhores que a dos portugueses e que os compromissos existiam para serem cumpridos. Num primeiro momento, foi o único que manteve uma postura tão radical, enquanto o socialista Costa apostava em uma aproximação com a Grécia.

Confirmada a vitória de Passos Coelho, seria a primeira de um político que aplicou fielmente as receitas da “troika” contra a crise

Durante esses quatro anos de Governo – três deles com a troika –, Passos Coelho reduziu o desemprego de 17,5% para 12,4%; o déficit de 7,5% para 3%, de acordo com previsões para este ano, e privatizou empresas no valor de 10 bilhões de euros, apesar de a dívida ter aumentado para 128,5% do PIB.

A vitória da dupla Passos Coelho-Paulo Portas não se apoiou em promessas nem em cortes de impostos, mas apenas na ideia de que o pior já passou e que é melhor não mudar de Governo. Eles nunca falaram do fim dos cortes, apenas de um relaxamento.

Outra opção de governo é a formação de uma coalizão com a soma dos deputados socialistas, mais os comunistas e os do Bloco de Esquerda, que foram a grande surpresa desta campanha eleitoral. Pela primeira vez na história, o Partido Comunista foi ultrapassado pelo Bloco, onde brilha a liderança de Caterina Martins e Mariana Mortágua.

A abstenção foi a maior da história, 45,6%, quatro pontos a mais do que em 2011

Sem maioria absoluta, o presidente da República desempenha um papel determinante, pois tem a capacidade de dissolver a Câmara e convocar novas eleições (depois do cumprimento de certos prazos).

O presidente Cavaco Silva afirmou na sexta-feira que não aceitaria um governo saído de pactos extraparlamentares, e ontem, depois de votar, foi mais cauteloso. “Os governos saem do voto da Assembleia da República”, mas frente a um resultado de minorias, acrescentou: “Estudamos todos os cenários. Só precisamos saber qual é o cenário que os portugueses determinaram”. Como já se sabe, um cenário no qual o partido com mais votos pode não governar.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos