DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

O impacto no turismo da velha luta política

Reclamando de certa resistência do governador Waldir Pires (1987-1989) a desenvolver grandes empreendimentos no Estado, o político e empresário Joaci Goes, na época deputado federal constituinte, desabafou discretamente numa antessala do poder: “O homem pensa que obra é coisa da ditadura”.

Talvez sem querer, o também escritor e jornalista registrava uma distinção natural e compreensível, mas fundamental, entre as forças que, no Brasil, têm alternado o poder, o que resulta, por exemplo, na presente interdição do Centro de Convenções da Bahia e na divergência quanto a seu futuro.

“Direita” significa capitalismo, livre iniciativa, formas de ganhar sempre mais dinheiro. Do outro lado, representados pela “esquerda”, estão os que trabalham para produzir riqueza e empreendem a luta política para tornar, pelo menos, mais equilibrada essa relação.

Por definição, origem e natureza, num país marcado pelo baixo desenvolvimento educacional e político, a “direita” está mais preparada que a “esquerda” para a tarefa de administrar, porque essa sempre foi sua atividade, ainda que em causa própria.

No caso de Waldir, havia o aspecto emblemático da questão: o regime militar, ao tempo que sufocava direitos e oprimia a população, dedicava-se febrilmente às megaconstruções, chamadas de “obras faraônicas”. Waldir, governador da mudança, sedento por direitos humanos e cidadania, não podia deixar de criticá-las.

O mesmo espírito, movido, na verdade, pela inaptidão, orientou o governo Jaques Wagner (2007-2014), que desprezou a vocação eminentemente turística da capital baiana e permitiu que equipamentos essenciais à atividade chegassem ao colapso, preocupando-se mais com assuntos do trato político.

Hoje, o governador Rui Costa e o prefeito ACM Neto personificam a contradição histórica. O prefeito nasceu em berço de ouro, é um homem rico, acostumado desde bem jovem ao labor empresarial. Rui, egresso das encostas pobres da Liberdade, forjou-se exatamente no lado oposto, das lutas sindicais, da briga por um tanto mais de salário no contracheque.

O impasse entre ambos contém um pouco dessa diferença. O prefeito conversa com o chamado “trade turístico”, buscando contribuições para formular as diretrizes municipais para o setor, e deseja que o Centro de Convenções permaneça na orla marítima, área de melhor acesso, perto do aeroporto e dos grandes hotéis.

O governador, possivelmente cioso de um passado de enfrentamento com as classes dominantes e com pendor para os gestos simbólicos, além de recusar o diálogo, prefere o monstro no Comércio, dentro de uma visão simpática de “revitalização” do centro histórico da cidade, a qual, com seus quase cinco séculos de existência, continua perdendo congressos, simpósios e seminários.

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