Lula e Wagner: precisa de legenda?

DO EL PAIS

F. MARREIRO / T. BEDINELLI / H. MENDONÇA / A. Benites

Quem é quem na dança das cadeiras ministerial de Dilma Rousseff para tentar conter a crise política. PMDB, partido onipresente nos Governos da democracia, eleva preço para apoiar a presidenta e amplia força com mudanças:

Marcelo Castro (PMDB-PI) – Saúde

O deputado federal de 65 anos e deputado desde 1999 é ligado ao grupo do líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani, que negociou parte da reforma ministerial com Dilma Rousseff. Ele, que é formado em medicina com pós-graduação em psiquiatria, comandará o maior Orçamento entre os ministérios. A saída do petista Arthur Chioro da pasta preocupou sua sigla e entidades ligadas à defesa do SUS, mas a escolha de Castro é considerada menos tóxica que a do deputado Manoel Junior, também cotado. Diferentemente de Junior, Castro não recebeu vultuosas doações de empresas ligadas à Saúde. Ele tem defendido sua independência lembrando que, quando relator do projeto da reforma política, não cedeu às pressões de Eduardo Cunha.
Celso Pansera (PMDB-RJ) – Ciência e Tecnologia

O gaúcho eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro é mais um da cota do acordo negociado entre o Planalto e os peemedebistas da Câmara. Pansera é ligado ao presidente da Casa, Eduardo Cunha, em tese rompido com o Governo. Deputado em primeiro mandato e formado em literatura, ganhou o noticiário neste ano ao ser acusado pelo doleiro Alberto Youssef, delator na Operação Lava Jato, como “pau mandado” de Cunha. Um dos nomes mais controversos da nova configuração, Pansera provocou comentários maldosos porque é dono de um restaurante chamado, nada menos, que Barganha.
Nilma Lino Gomes – Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos

Até agora estava no comando da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ligada à Presidência da República, que foi fundida às pastas das Mulheres e Direitos Humanos. É de Belo Horizonte, e com estudos em antropologia, sociologia e atuação do movimento negro brasileiro. A fusão das pastas sociais era outra preocupação da base de militância petista e de movimentos sociais.

Jacques Wagner (PT-BA) – Casa Civil

É a mudança de maior peso político da reforma. Até então na Defesa, é sintonizado com o ex-presidente Lula ao contrário de seu antecessor, Aloizio Mercadante, fiel aliado de Dilma Rousseff. Além de ser a ponte com Lula, a tarefa de Wagner é ajudar refazer a base de apoio parlamentar de Dilma e acabar com os ruídos de que Mercadante atuava nos bastidores para enfraquecer os aliados do PMDB. Wagner foi deputado federal pela Bahia três vezes, e governador duas vezes, até 2014. Durante o Governo Lula, foi Ministro do Trabalho e Emprego (2003), da Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (2004 -2005) e do Ministério das Relações Institucionais (2005-2006).
Ricardo Berzoini (PT-SP) – Secretaria de Governo

O quadro do PT ligado ao movimento sindical tem 55 anos e agora ocupará a Secretaria de Governo, criada com fusão da Secretaria de Relações Institucionais e a Secretaria Geral da Presidência. Até agora, Berzoini, que já presidiu o PT e é próximo de Lula, estava na pasta das Comunicações, onde prometia levar adiante projeto para regulação do mercado de mídia. No Governo Lula, ocupou Previdência Social e Trabalho. No primeiro mandato de Rousseff, comandava Relações Institucionais.

Miguel Rossetto (PT-RS) – Ministério do Trabalho e Previdência Social

Próximo de Dilma Rousseff, Rossetto é da chamada ala esquerda do PT e considerado um interlocutor dos movimentos sociais. Até agora, comandava a Secretaria-Geral da Presidência da República, que desapareceu. Na pasta que assume, uma fusão entre Trabalho e Previdência Social, terá desafios pela frente, em meio a alta do desemprego e pressões por mudanças na Previdência, principalmente vindas da Fazenda, para tentar tapar o rombo fiscal do Governo.
Aloizio Mercadante (PT-SP) – Ministério da Educação

Após troca de farpas praticamente públicas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o fiel escudeiro de Dilma Rousseff, Aloízio Mercadante, deixou o poderoso posto na Casa Civil, mas dificilmente perdeu lugar como conselheiro da presidenta. Foi-lhe oferecida uma saída honrosa: voltar à pasta da Educação, ministério que ele comandou no mandato anterior. A terceira mudança na Educação, com a saída do respeitado Renato Janine Ribeiro da pasta, provocou críticas.
Aldo Rebelo (PCdoB) – Defesa

A escolha de um comunista para o Ministério da Defesa a princípio parece estranha, mas a aposta do Governo é que o posicionamento em defesa da soberania nacional de teor desenvolvimentista credencie Rebelo para comandar os militares. Desde o Governo Lula, Rebelo é da cota ministerial do mais fiel aliado do PT, o PC do B, partido pelo qual é deputado. Rebelo já transitou em várias pastas, não sem causar polêmica. Sob Lula, esteve nas Relações Institucionais. Sob Dilma, foi nomeado ministro do Esporte, coordenou a Copa das Confederações,a Copa do Mundo de 2014 e os preparativos para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016. Até agora, estava na pasta de Ciência e Tecnologia.
Helder Barbalho (PMDB-PA) – Secretaria dos Portos

Foi deslocado do Ministério da Pesca, extinto, para a Secretaria dos Portos para não desagradar outra ala do PMDB, a do cacique Jader Barbalho (PMDB-PA), de quem é filho. Com 36 anos, foi prefeito e candidato a Governador do Pará no ano passado. É formado em administração e presidente em exercício do PMDB no Pará.
André Figueiredo (PDT-CE) – Ministério das Comunicações

A escolha de Figueiredo, deputado federal pelo Ceará eleito em 2014, faz parte do esforço do Governo de manter o PDT na base aliada. É advogado e economista e, ironicamente, ganha um cargo logo depois de liderar a bancada de seu partido para votar contra as medidas do ajuste fiscal. No Ministério do Trabalho e Emprego, foi assessor especial em 2007 e secretário executivo de 2007 a 2010.

Com informações de Afonso Benites, em Brasília, e Agência Brasil.

DO EL PAIS

Após uma série de acordos e de adiamentos do anúncio, a presidenta Dilma Rousseff acertou nesta sexta-feira sua reforma ministerial para garantir um pouco de fôlego e manter-se no cargo, a despeito da crise política e econômica. Embora tenha prometido inicialmente cortar dez dos 39 ministérios, ela reduziu oito pastas, e trabalhou a distribuição das áreas de modo a garantir apoio de parlamentares no Congresso Nacional que não queriam perder espaço e poder dentro do primeiro escalão da gestão petista. O ponto mais sensível era o espaço do PMDB nesta nova configuração. Como já era esperado, o partido do vice Michel Temer se fortalece, pois mesmo com os cortes, ganhou uma pasta a mais do que tinha até então, atingindo a marca de sete. Já o PT sai enfraquecido, com quatro ministérios a menos.

Rousseff criou dois superministérios para aglutinar outras pastas: o do Trabalho e Previdência Social (comandado pelo petista Miguel Rossetto) e a secretaria de Governo (sob a batuta de Ricardo Berzoini), que funde o Gabinete de Segurança Institucional e as secretaria de Micro e Pequena Empresa, Geral da Presidência e de Relações Institucionais. Uma outra fusão ocorreu para criar um terceiro ministério, o da Cidadania, que une três áreas essenciais para os petistas, o da Igualdade Racial, Políticas para Mulheres e Direitos Humanos, será comandado por Nilma Lino Gomes.

Além disso, as atribuições do ministério da Pesca passaram para a Agricultura e as da secretaria de Assuntos Estratégicos para o Planejamento. “As mudanças têm objetivo de fortalecer, dar maior eficiência às políticas públicas” destacou a presidenta.

A presidenta decidiu, ainda, cortar 10% de seu próprio salário, do vice-presidente e de todos os membros do primeiro escalão. Assim, os vencimentos brutos deles cairão de 30.934,70 reais para 27.841,23. Serão cortados também 3.000 dos 22.000 cargos comissionados e 30 secretarias ministeriais.

As mudanças promovidas tiveram as digitais do ex-presidente Lula. A principal delas, feita a pedido de seu mentor, e que agrada seu próprio partido, foi trocar a chefia da Casa Civil. Ela tirou Aloizio Mercadante e colocou Jaques Wagner, um político reconhecido em Brasília por sua capacidade de negociação. Mercadante era visto internamente como um criador de problemas para o Governo e até parlamentares petistas reclamavam da dificuldade em lidar com ele. Wagner, por sua vez, é visto como uma peça importante e que garante sobrevida à presidenta que se vê acuada com as pressões pelo seu impeachment. Ganha, ainda, um pequeno alento, num momento em que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, um dos que manejam melhor o impeachment como instrumento de pressão à presidenta, se vê fragilizado com as denúncias sobre suas contas no exterior. Há quem avalie que Rousseff ganhou governabilidade até o final do ano pelo menos, algo a se celebrar para um Governo que até há poucos dias parecia que seria implodido a qualquer momento.
“Ação legítima”

Nas últimas semanas, no Congresso Nacional, a presidenta estava sendo duramente criticada por “comprar” apoio cedendo cargos principalmente ao PMDB. Um grupo de 22 deputados peemedebistas chegaram a assinar um manifesto em que defendiam uma maior independência da legenda e reclamavam do “balcão de negócios” aberto pelo Governo. Na manhã desta sexta-feira, durante a divulgação das mudanças ministeriais, Rousseff disse que sua ação foi legítima de um governo de coalizão. “Tem o propósito de atualizar a base política do Governo buscando uma maioria que garanta a governabilidade”, explicou.

Com as trocas, as três alas governistas do PMDB acabaram atendidas. Os deputados garantiram as áreas de Saúde e de Ciência e Tecnologia, os senadores mantiveram a Agricultura, a Minas e Energia e Portos, enquanto que Michel Temer conseguiu manter a Aviação Civil e Turismo.

Entre as mudanças, a favor do PMDB Rousseff cedeu dois ministérios para aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um de seus principais adversários políticos nos últimos tempos. Os beneficiados foram os deputados Marcelo Castro, na Saúde, e Celso Pansera, na Ciência e Tecnologia. O segundo foi recentemente chamado de “pau-mandado” de Cunha por um dos réus da operação Lava Jato.

“O Pansera tem todas as credenciais para assumir a função e não é a acusação de um bandido que iria impedi-lo de assumir a função”, o defendeu o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani.

O ministro da Aviação Civil e um dos principais articuladores do Governo Rousseff, Eliseu Padilha (PMDB), disse que as mudanças ministeriais poderão acalmar os ânimos no Legislativo e até mesmo reduzir o afã dos oposicionistas por votar um pedido de impeachment presidencial. “Essas trocas só fortalecem o Governo no Congresso”.

Já o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, afirmou que Rousseff teve habilidade política para atrair outros partidos que antes estavam se declarando independentes e, agora, reforçaram o compromisso com a gestão Rousseff, como o PTB, que manteve Armando Monteiro no ministério do Desenvolvimento, e o PDT, que perdeu o ministério do Trabalho, mas levou o das Comunicações, com a indicação do deputado André Figueiredo.

A divulgação da reforma administrativa deveria ter ocorrido na semana passada, porém, Rousseff não conseguiu agradar todas as alas do PMDB mesmo distribuindo cargos na véspera da importante votação dos vetos presidenciais. A expectativa do Governo é economizar 200 milhões de reais com a reforma. O peso, entretanto, é mais simbólico do que econômico. Ela cede à pressão pelos cortes, feito pelo PMDB e nos protestos de rua, ao mesmo tempo em que tenta sobreviver num cenário cada vez mais penoso.

Contato Venda Pu

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

FHC: Lula se perdeu nas delícias do poder

Em entrevista a Kennedy Alencar, o irmão de Beckembauer Rivelino, FHC criticou Lula e poupou Dilma. O tucano não deve ter lido os jornais desta quinta-feira. Para FHC, o impeachment não é uma aspiração. Ele deixou claro que ainda não leu o pedido de impeachment entregue por Hélio Bicudo e Miguel Reale. “Não examinei”. Acha que para tirar Dilma do poder é preciso que o “País se junte”.

Ele disse o seguinte sobre os temas e as pessoas abaixo:

Lava jato: “Acho que está melhorando muito o Brasil”

Sérgio Moro: “É um bom juiz e tomara que tenham outros iguais a ele”

Michel Temer: “Tem compostura”

Eduardo Cunha: “Só falei com ele uma vez. Vejo que tem uma resistência fora do comum”

Renan Calheiros: “Foi meu ministro. É muito inteligente, mas às vezes abusa”

Lula: “Deixou se perder encatando pelas delícias do poder e acabou aceitando como normal o que criticava”

Dilma: “Pessoalmente, não tenho queixa da Dilma, mas não tem governado com a sabedoria necessária”

Aécio Neves: “Foi um bom governador e um candidato que defendeu com clareza as posições do PSDB”

Geraldo Alckmin: “Governa com prudência, limpeza e vai longe”

José Serra: “É o mais bem preparado de todos os políticos brasileiros, inclusive eu”

FHC: “Já era”


Cunha e Picciani na Câmara. / Lula Marques (Agência PT)

DO EL PAIS

Afonso Benites

De Brasília

O hall onde fica uma pequena cafeteria na Câmara dos Deputados costuma ser um termômetro do que está ocorrendo na Casa. Nos dias normais, está cheio de parlamentares, lobistas, servidores e repórteres. Quando algo está para estourar, fica esvaziado. A conclusão não é de um simples observador, mas de um garçom que há quase duas décadas transita por esse mesmo cafezinho. “Algo grande vem por aí”, alertou o experiente analista, na tarde desta quinta-feira. A análise dele demonstra bem o turbulento momento da crise política e, em especial, os movimentos e divisões de um protagonista, o PMDB, que ganha holofotes pelas oscilações —ora de maior tom governista, ora oposicionista—, e pelo papel de cada um de seus caciques no cenário: o vice-presidente, Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente desta Câmara, Eduardo Cunha – este último às voltas com novas denúncias contra ela na Operação Lava Jato.

É para acomodar todos esses interesses do partido, que habilmente sempre foi parte da máquina pública desde a redemocratização em 1985, que nas últimas semanas Rousseff ofereceu sete ministérios aos peemedebistas em troca de apoio no Legislativo e de, ao menos, ganhar mais tempo para se fortalecer contra as ameaças de impeachment. A ideia era, nas mudanças de pastas que serão anunciada nesta sexta-feira, contemplar todas as facções da legenda: os deputados, os senadores e o vice.

Ocorre que o movimento exarcebou a disputa entre as facções. Uma das “bombas” esperadas estourou nesta quinta-feira, minutos depois do garçom fazer essa declaração ao repórter, quando um terço da bancada dos deputados peemedebistas, 22, divulgou um manifesto digno de um partido oposicionista. No documento, os parlamentares reclamam da atitude do partido na Câmara, que se aproximou do Planalto para negociar espaço nos ministérios, e pedem uma nova relação com o Governo Dilma Rousseff (PT).

“Nosso posicionamento em plenário não dependerá desse tipo de barganha por cargos. Temos um só compromisso que é com a nossa consciência, com o Brasil, respeitando a vontade da população, expressa mais de uma vez nas pesquisas e nas ruas do nosso país”, diz trecho da nota, vinda do partido mais experiente em compor Governos de diferentes matizes. Criticam “um balcão de negócios” aberto pela liderança da bancada junto à gestão petista para garantir a aprovação de projetos governistas.

No grupo de deputados cabe tudo. Desde os pró-impeachment, que esperam ansiosamente o Congresso da sigla em novembro para votar pelo desembarque do Governo, até nomes menos óbvios, o que complica o sucesso da presidenta em sua estratégia de pacificação com a legenda. Entre os que assinaram, boa parte diz que, apesar das críticas, apoiará o pacote de ajuste fiscal e atuará para manter os vetos presidenciais que serão analisados na próxima semana. Nem todos, no entanto, garantiram que vão se opor a um eventual pedido de impeachment. É isso o que mais preocupa o Governo.

“Não podemos ter esse viciado troca-troca para sempre. Precisamos de um novo PMDB”, disse um dos signatários do manifesto, o deputado gaúcho Darcísio Perondi. “Pouco mais de 20 assinaram esse manifesto, mas sei que tem vários outros que gostariam de assinar, mas não assinaram por medo”, declarou o deputado por Mato Grosso do Sul Carlos Marun, outro que firmou o documento. Na semana passada, o deputado pernambucano Jarbas Vasconcelos, já havia feito esse alerta ao EL PAÍS, de que ao menos 30 peemedebistas migrariam facilmente da base aliada para a oposição assim que surgissem novos argumentos que justificassem essa mudança.
De críticos a aliados

Um dos pontos que chama a atenção neste documento é que não são apenas os conhecidos críticos à Rousseff ou ex-aliados de Aécio Neves (PSDB) que o assinaram, como o baiano Luício Vieira Lima ou o próprio Vasconcelos. Na lista também há parlamentares muito próximos ao vice-presidente Michel Temer, como Baleia Rossi, de São Paulo, e defensores da presidenta, como Laudívio Carvalho, de Minas Gerais.

O líder da bancada, Leonardo Picciani, do Rio de Janeiro, que ganhou força nas últimas semanas ao se tornar interlocutor direto do Planalto na reforma ministerial, amenizou as críticas e, sem citar nomes, afirmou que alguns dos signatários do manifesto recuaram de suas posições. “Já ouvi alguns deputados dizerem que não tiveram a intenção de fazer um contraponto à posição da bancada [de indicar novos ministros], mas como uma posição construtiva de posições ao país”, afirmou. Picciani disse ainda que não se sente derrotado como o articulador escolhido pelo Governo para atuar junto ao PMDB. “Tenho certeza de que o Governo conta muito mais do que dois terços [dos deputados peemedebistas], ainda somos a maioria”.

Até o início do mês passado, o PMDB era um dos defensores de que a máquina pública deveria ser reduzida. Quase em uníssono defendia a aprovação de um projeto de lei que determinava um limite de 20 ministérios (metade da atual Esplanada). Dizia que não se importava em perder postos de comando para ver essa redução concretizada. Até ensaiou um aplauso quando o Governo Rousseff anunciou que dez pastas seriam cortadas. Hoje, está dividido entre os que se engalfinham por uma vaga no primeiro escalão e entre os que ainda querem essa diminuição. No fim, para agradar a maioria, a tesoura de Rousseff nos ministérios pode ser menor do que a pretendida por ela por aqueles peemedebistas de 30 dias atrás.

BOM DIA!!!

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DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

País dispensa o exercício do fascismo

Endossamos plenamente as palavras do deputado Marcelino Galo (PT), que definiu como “manifestações fascistas” as agressões e ameaças dirigidas a João Pedro Stédile e à própria presidente Dilma e seu neto Gabriel, que acaba de completar cinco anos.

Se, no caso da família presidencial, ocorreram de longe, na visita do líder do MST a Fortaleza, uma hostilidade organizada o esperava no aeroporto, onde foi cercado e chamado de “assassino” e “traidor da pátria”, sugerindo-se ainda sua ida “para Cuba” – ações típicas de totalitarismo político.

Inspirada por mentores plenamente identificados, a cena durou alguns minutos, com um bando de militantes frenéticos, gritando e brandindo cartazes e bandeiras, num clima que poderia, a qualquer momento, derivar para a violência física.

O intelectual dos sem-terra, figura respeitável na luta pelos direitos populares, havia desembarcado sozinho para participar de um debate na Universidade Federal do Ceará, tendo sido recebido pela professora Adelaide Gonçalves. Abraçados, apenas fugiram dos agressores.

Não foi um protesto espontâneo, legítimo, de quando se encontram defensores de ideias opostas ou conflitantes. Ocorreu de madrugada, horário do voo de Stédile, revelando que seus passos estavam sendo esquadrinhados. É dessa mentalidade que menos precisamos no Brasil de hoje.

O general das bravatas de Lula

O lado humorístico do episódio faz lembrar que há seis meses o ex-presidente Lula, ante a possibilidade de queda do governo alimentada por escândalos e problemas econômicos, dizia-se pronto a brigar contra o impeachment, “sobretudo quando o Stédile botar o exército dele nas ruas”.

De forma oportunista, a declaração foi abjurada na imprensa, por diversas personalidades, como “proposta perigosa”, “intimidação” e “incitação à guerra civil”, mas aos poucos perdeu o “poder letal” e encaixou-se em seu justo lugar de mais uma das bravatas de Lula.

João Pedro Stédile é uma autoridade política, que empreende uma guerra ideológica, até que tempos melhores permitam as condições objetivas que ele tanto almeja para ver consumado seu ideal de país. Se fosse um general, pelo menos com o estado-maior estaria.

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Posted on 02-10-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-10-2015


Pelicano, no jornal A Tribuna (SP)

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Obama, durante entrevista nesta quinta-feira.
/ K. D. (EFE)

DO EL PAIS

Com semblante entristecido e mostrando em certos momentos irritação, Barack Obama condenou nesta quinta-feira o tiroteio que levou à morte de 13 pessoas em uma universidade do Oregon, na região noroeste do país. O presidente norte-americano acusou os Estados Unidos de ter “ficado insensível” diante desse tipo de acontecimento e, depois de transmitir suas condolências às famílias das vítimas, afirmou que “nossas orações já não são suficientes”.

“Eu afirmei alguns meses atrás, antes deste evento, que nossos pensamentos e orações já não são suficientes”, disse Obama. “Mais uma vez, novas famílias norte-americanas, novos pais, novas mães e novos filhos têm as suas vidas mudadas para sempre”. Enquanto os Estados Unidos digerem mais uma chacina, afirmou o presidente, “outras vítimas são obrigadas a reviver a sua dor, e outras famílias sofrem o pavor de sentir que poderiam ter sido os seus”.

Obama se mostrou visivelmente frustrado ao defender que as condolências transmitidas às famílias “não são suficientes para expressar a dor e a raiva que deveríamos estar sentindo”. O presidente convidou a população a refletir sobre como fazer com que os políticos implementem uma regulamentação definitiva do porte de armas, pois não há nada além disso que possa “prevenir que o mesmo volte a acontecer na semana que vem ou dentro de alguns meses”.

O governante norte-americano, que já admitiu mais de uma vez que o dia mais doloroso de seu mandato foi o do tiroteio na escola de Sandy Hook, lembrou também as chacinas ocorridas em Columbine, Virginia Tech, Aurora, Tucson e Charleston. “Todos os países do mundo têm cidadãos com doenças mentais, mas nós somos o único que sofre esse tipo de tiroteio todos os meses”, disse Obama, intercalando suas frases com momentos de silêncio. “Isso se tornou uma rotina, nós ficamos insensíveis”.

Segundo o jornalista da CBS Mark Knoller, o presidente falou à imprensa depois de algum tiroteio 15 vezes, contando a desta quinta-feira. “Não é possível que uma pessoa que queira fazer mal a outra encontre tanta facilidade para fazê-lo”, disse Obama. “Espero e rezarei para que não precise comparecer aqui novamente para transmitir condolências a outras famílias”.

O presidente indagou, em seu pronunciamento, por que os Estados Unidos consertam estradas quando o asfalto se danifica e promovem o socorro a vítimas de um furacão, mas consideram, ao mesmo tempo, que “a regulamentação do porte de armas é outra coisa”? Obama qualificou os tiroteios de eventos “evitáveis” e argumentou que qualquer que seja a reforma, ela ainda permitiria que aqueles que possuíssem uma arma legalmente pudessem continuar caçando ou praticando tiro. “Não faz sentido pensar que a nossa Constituição impede que façamos qualquer reforma, por menor que seja”.

A proposta de regulamentação de Obama não seguiu adiante apesar da comoção causada pela chacina de Newton, no final de 2012. Nesta quinta-feira, o presidente foi especialmente duro com seus detratores ao afirmar que “todos nós temos uma responsabilidade coletiva pela dor das famílias que perderam seus entes queridos”

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