DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

O Brasil, enfim, deve algo a Calheiros

Se algum resto de máscara ainda havia para cair, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, terminou de retirá-lo hoje, com sua manobra, felizmente infrutífera, de fazer vigorar no Brasil o financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas.

Ao tentar forçar a apreciação do veto da presidente Dilma ao projeto do financiamento, Cunha não apenas chantageou o Congresso Nacional, mas revelou descaso com o STF, que o declarou inconstitucional, e comprovou que o que lhe interessa mesmo – e a seus amigos – é dinheiro.

Sucessivas vezes Cunha vem demonstrando espírito antidemocrático e determinação de moldar as leis e as práticas políticas ao feitio de seu caráter. O que surpreende é que até agora, com todas a acusações que pesam contra si, ainda não foi possível afastá-lo do cargo que desonra.

A lamentar neste episódio de hoje, em que, para fazer pressão, marcou intempestivamente uma sessão da Câmara para o mesmo horário da do Congresso em que seriam apreciados os vetos da pauta-bomba, somente o fato de que a nação fica devendo esta ao senador Renan Calheiros, que também não é grande coisa.

Os seis vetos que tinham votação prevista para hoje, incluindo o do exorbitante aumento do Judiciário, por causa do boicote de Cunha, ficaram para depois, o que estende a “preocupação” da equipe econômica com a possibilidade de que sejam derrubados e “prejudiquem” o “ajuste fiscal”.

Em contrapartida, além de denunciar publicamente os “caprichos” do presidente da Câmara, o senador Calheiros assegurou que a PEC que tramita no Senado instituindo o financiamento privado não será votada até sexta-feira. Ou seja, para a campanha de 2016 não vai dar mais para angariar “doações”.

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