DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Marmelada judicial seria caso de povo na rua

O noticiário sobre a decisão do STF de tomar para si a prerrogativa de investigar a senadora Gleisi Hofmann (PT) foi todo ele carregado do sentimento negativo de que o fato “poderá mudar os rumos da Operação Lava-Jato”, seja pela postergação dos processos, seja pela nulidade de condenações em foro indevido.

A senadora é suspeita de ter despesas pessoais pagas pela Consist Software, que prestava serviços ao Ministério do Planejamento na gestão de seu marido, Paulo Bernardo, e a empresa ainda teria contribuído irregularmente para a campanha de Gleisi ao governo do Paraná em 2014.

Ao detectar essas informações nas investigações da Lava-Jato, o próprio juiz Moro remeteu os documentos ao STF, que agora tomou a decisão. Entendeu-se que os fatos descritos não têm relação com a corrupção na Petrobras e foram praticados em São Paulo e Brasília – além disso, a senadora tem foro especial para qualquer tipo de crime.

Ainda bem que temos uma corte suprema destinada a interpretar e defender a Constituição, e, se assim é, só nos resta acatar a maioria de ministros que viram necessidade de pôr os feitos nos seus respectivos lugares, pois aquela plêiade de homens sábios não trairia deliberadamente sua consciência jurídica.

A leitura aqui é necessariamente outra. Viva a decisão, porque agora teremos a confirmação de que existe Justiça no país, e não apenas o juiz Sérgio Moro e o ministro aposentado Joaquim Barbosa. Não podemos crer que tenham sido inócuas a criação do nosso arcabouço legal e a implantação da custosa estrutura do Poder Judiciário.

Claro que o que leva a imprensa – até a internacional – a suspeitar é o “benefício” a uma senadora do PT, profundamente ligada ao governo Dilma Rousseff, do qual foi ministra, mas a preocupação não condiz com o momento atual do país. Para ficar no campo dos símbolos, Gleisi Hoffmann, se for esta a questão, é tão passível de prisão quanto o poderoso empresário Marcelo Odebrecht.

Investigações que eventualmente venham a ser realizadas na Justiça paulista e na da capital federal, caso tenham os ingredientes que as tornem de alto interesse público, serão acompanhadas por uma nação mais atenta à realidade. Se for constatada em qualquer delas uma improvável marmelada, que a imprensa livre denuncie e o povo saias às ruas.

Negócio fechado

Por falar nisso, será que vai haver manifestações populares depois que a presidente Dilma resolveu trocar o impeachment pelo Ministério da Saúde?

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