OPINIÃO

Jogo pelo poder projeta disparada da inflação

Numa coisa governo e oposição são exatamente iguais: no sacrifício da população em defesa dos seus interesses, situação que poderia ser cabalmente resumida no bordão de Justo Veríssimo, personagem imortal de Chico Anysio: “O povo que se exploda”.

A conjuntura atual é elucidativa: afogando-se em problemas que ele mesmo criou, voluntariamente, com finalidade exclusivamente eleitoral, o governo quer aumentar impostos, congelar salários e reduzir os investimentos sociais.

Do outro lado, disposta a ver o circo pegar fogo, a oposição só não toma a decisão de derrubar a presidente Dilma porque está dividida – não por teses, mas pela indefinição sobre com quem mesmo ficará o poder depois da borrasca.

Tal situação, naturalmente, projeta sobra a nação um quadro de incerteza que, ao atingir plenamente a economia, espalhará mais pobreza, contribuindo para desarrumar o quadro social, com desdobramentos imprevisíveis.

É um milagre, por exemplo, que a inflação ainda não tenha disparado de verdade, levando-nos a um estágio em que o preço de uma mercadoria no fim da tarde não é mais o mesmo cobrado pela manhã, como já vivemos há menos de 30 anos.

Esse seria, de fato, o reflexo mais grave que o dia a dia do cidadão poderia sofrer, pois a inflação descontrolada é o maior inimigo do trabalhador, ao corroer salários da noite para o dia e impossibilitar a previsão do orçamento doméstico e os planos de acesso a bens.

Os economistas nos ensinam que há duas formas principais e clássicas de inflação, a de consumo, que eleva preços de acordo com a relação oferta-procura, e a de custos, determinada, obviamente, pelo aumento dos insumos de produção.

O Brasil vive ainda certo equilíbrio nesse aspecto, mas, num cenário de gravidade que tem traços cada vez mais fortes, a explosão dos preços virá de um efeito psicológico em que cada setor procura se proteger do desgaste da moeda.

É algo próximo à também conhecida inflação inercial, em que os preços sobem porque se acredita que subirão – e como a qualidade do debate em curso não indica nenhum cuidado efetivo com essa perspectiva, é possível que muito em breve estejamos a saber o que é choro e ranger de dentes.

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