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Postado em 14-09-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 14-09-2015 11:39


DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (DE LISBOA)

O papa Francisco afirmou, em entrevista à Rádio Renascença, que a crise dos refugiados na Europa é “a ponta do iceberg”, criada por “um sistema sócioeconômico mau e injusto”. Mas alerta que nesta vaga de refugiados há o perigo de existirem também terroristas, que aproveitam para chegar à Europa entre os milhares em fuga.

O jornalista Manuel Vilas Boas resume a entrevista do papa à Rádio Renascença

Francisco considerou, acima de tudo, que o problema está no foco da sociedade que deixou de ser a pessoa e passou a ser o dinheiro.

“Estes refugiados fogem da guerra, da fome, mas essa é a ponta do iceberg. Por baixo está a causa e a causa é um sistema sócio-econômico mau e injusto, porque dentro de um sistema econômico, dentro de tudo, dentro do mundo – falando do problema ecológico -, dentro da sociedade , dentro da política, o centro tem de ser sempre a pessoa”, disse o papa, lembrando que 17% da população mundial detém 80% das riquezas.

“Temos que tratar as causas, onde há fome temos que criar fontes de trabalho, onde há guerra é preciso trabalhar pela paz. Hoje em dia, o mundo está em guerra contra si mesmo, uma guerra em folhetim, aos pedaços, que está destruindo a Terra, a nossa casa comum”, sublinhou.

Francisco reconheceu que “existe o perigo de inflitração” de terroristas na Europa, defendendo que quem chega ao espaço europeu deve ter um trabalho, como forma de integração.

“Tenho que reconhecer que as condições de segurança territoriais hoje em dia não são as mesmas de outros tempos porque é verdade que temos a 400 quilômetros da Sícilia uma guerrilha terrorista e muito cruel. O perigo da infiltração existe”, afirmou o papa Francisco.

No entanto, Francisco diz que “receber os migrantes é um mandamento da Bíblia (…) quando há um espaço vazio, procura-se preencher. Quando um país não tem filhos, vêm os emigrantes para o preencher”.

O papa considerou que a crise dos refugiados “é uma surpresa” para a Europa, que enfrenta o desafio de recuperar o seu papel central entre as outras nações. “A Europa tem uma cultura excecional, são séculos de cultura e isso dá bem-estar intelectual. A Europa não morreu, está ‘meio avózinha’ e é tempo de voltar a ser mãe (…) de recuperar a sua identidade”, sublinhou.

Para renovar a identidade europeia, o papa destacou o papel dos jovens e o trabalho necessário com os jovens desocupados. “Hoje é tempo de uma educação de emergência”, de ensinar ofícios aos jovens, criticando uma educação que prepara os jovens para uma vida sem problemas.

“Um mundo sem problemas é aborrecido. Um tédio. O Homem tem dentro de si a necessidade de enfrentar problemas, uma educação para não enfrentar problemas é assética. É como educar as crianças num laboratório”, disse.

Francisco considerou que a atual civilização é narcisista, e isso “combate-se com educação, com a educação dos direitos e dos deveres” na sociedade.

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