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Postado em 13-09-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 13-09-2015 00:22

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Combate à corrupção dispensa privilégios

Naturalmente que considerando todas as etapas gradativas do processo histórico, o mundo evoluiu da monarquia absolutista à república presidencialista.

Na primeira, o mando do soberano era total, até sobre a vida dos súditos, e se transmitia por herança aos descendentes. Ou seja, em tese, uma só família reinava por todo o sempre.

A república veio instituir a cidadania, a igualdade de todos perante a lei, a transitoriedade do poder e a transparência, moralidade e impessoalidade da administração pública.

É sob essa forma de governo que vivemos, e por isso é providência que já demorava a solicitação da Polícia Federal para ouvir o ex-presidente Lula sobre seu papel nos fatos descritos na Operação Lava-Jato.

A corrupção, praticada secularmente nos desvãos e labirintos do poder, foi um fator da condenação do Brasil ao atraso. Levada a cabo, agora, como “política de Estado”, mostra que pode até quebrar o país. Não é pouca responsabilidade.

Portanto, se há mesmo uma consciência da nação de que é preciso mudar radicalmente esse quadro, como sugere o avanço das investigações sobre ex-ministros e ministros atuais, não há por que deixar de fora aquele que estava no topo da pirâmide.

A PF entende que “atos do governo” podem ter contribuído para que “o esquema fosse instituído” e apenas quer saber se Lula, seu governo ou o PT tiveram “vantagens” com isso.

Como convém num país republicano, ex-presidentes não gozam de foro privilegiado, o que pode vir a ser uma decepção para Lula, pois se para ele “Sarney não é uma pessoa comum”, imagine-se que conceito fará de si próprio.

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Comentários

jader on 13 setembro, 2015 at 9:28 #

Jornalismo à “Flor da pele” :

Necropsia de uma instituição
Luís Costa Pinto, no Facebook
Jaz nas telas de computadores, laptops, tablets e smartphones do país inteiro o cadáver insepulto do jornalismo tupiniquim.
Morreu em decorrência da falência de múltiplos órgãos. Nos momentos derradeiros a bile começou a irrigar a cabeça de muitos, e ali já não havia cérebro – o fígado se instalara no crânio de “jornalistas” e de seus “chefes”.

O necrológio do jornalismo brasileiro está escrito em cifras e códigos nas entrelinhas daquilo que não se perguntou, que não se escreveu e que não se analisou nos textos que informam a existência de um pedido de um delegado federal para ouvir o ex-presidente Lula no âmbito dos inquéritos da Lava-Jato.

Não acho que Lula ou qualquer outro ex-presidente, autoridade ou ex-autoridade seja intocável e não esteja passível de prestar contas do que fez. Mas tenho convicção que tudo deve seguir o rito institucional. E ser jornalista, ser imprensa, obriga a que todos se atenham aos ritos. Aos ritos.

O delegado infere, presume, supõe, crê, acha, enfim, que o esquema de corrupção ora em apuração serviu para beneficiar a sustentação política dos governos liderados por Lula. Mas será que só ele, genial, acha isso? É óbvio que, ao ouvir de forma isenta as delações, ao ler as narrativas publicadas, cada um de nós infere, supõe, crê, acha a mesma coisa. Isso é motivo para um delegado federal dirigir-se à Corte Suprema para pedir a oitiva de um ex-presidente? Descontadas as inferências, presunções, suposições, crenças, achismos, implicâncias e partidarismos, enfim, há algo realmente concreto donde se possa depreender uma orquestração criminosa promovida por Lula? E, se houvesse, não seria natural e esperado que tais demandas saíssem para conhecimento público a partir da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba – cuja competência técnica parece ser acima da média e vem sendo comprovada dia a dia com o alto percentual de confirmação de seus atos no Supremo? E não tendo Lula qualquer foro privilegiado, afinal ex-presidentes não têm foros privilegiados, por que um delegado federal de Brasília faz um pedido ao Supremo Tribunal Federal para investigar Lula se o caminho natural e próprio seria pedir isso ao juiz Sérgio Moro, que conduz os julgamentos da Lava-Jato em Curitiba?

Por que isso ocorre em Brasília? E por que vaza numa sexta-feira de manhã? E por que vaza para Época? E por que vaza para um repórter específico que já tem um contencioso com a defesa jurídica do ex-presidente em razão de outras reportagens? E por que os jornalistas que nas últimas horas ecoaram esse expediente no mínimo heterodoxo da Polícia Federal não fizeram, ainda, essas perguntas? Por que o texto original do furo em Época não traz, já, uma série de respostas a esses porquês? Por que o texto inaugural do caso, no site de Época, não põe o delegado federal respondendo se ele acha que inventou a pólvora que pode implodir de vez a biografia de Lula? Se ele crê que só ele acha tudo aquilo. E por que, sendo delegado federal, não se dirigiu a Sérgio Moro? Aliás, o juiz Moro, que fala pouco e parece sentenciar bem, poderia abrir uma exceção e se pronunciar sobre esse pedido.

A ressaca desse assaque pode ser devastadora para quem deseja ver o cadáver do ex-presidente Lula exposto, esquartejado, nos postes da Esplanada dos Ministério e participar da salga dos escombros do Sindicato dos Metalúrgicos e da sede do PT em São Paulo. E se o Ministério Público achar que esse pedido é descabido? E se, mesmo tendo seguimento no STF, os ministros da Corte decidirem que o pedido é esdrúxulo? E, pior para os advogados do quanto pior melhor: e se Lula for absolvido, inocentado? Um Lula inocentado, solto nas ruas, não seria bem pior que um Lula suspeito para quem tanto o teme? Ou para os que tanta ojeriza a ele professam e confessam numa evidente expressão de inveja biográfica? De recalque de classe?

Estamos numa República em que há lavanderias de dinheiro em escala semelhante à existência de abatedouros clandestinos de reputações.

Vivemos num país em que parte de uma imprensa que agoniza em praça pública revogou a missão de questionar, de investigar, de fazer as perguntas mais tortuosas às fontes mais amigas a fim de brilhar intensamente por fugazes 15 segundos.

E creiam: aqui grassa também a lavagem de fatos. Ela se dá quando, esgotadas as possibilidades de se demonstrar a veracidade de uma apuração, costura-se um rol de meias verdades, de inferências, de mentiras, de histórias fantásticas e outras reais, desconexas entre si, mas alinhavadas com nexo, e aí se leva a público um enredo verossímil.

Depois disso, cabe aos acusados, ou às vítimas e às suas carcaças, provar a verdade – porque as provas só são exigidas da verdade. A mentira pode ser apenas verossímil se ela servir para confirmar o que a bile quer ver confirmado a fim de atender ao comando do fígado que hoje ocupa o lugar dos cérebros na maioria das redações remanescentes.


jader on 13 setembro, 2015 at 9:29 #

Origem do texto acima :
http://tijolaco.com.br/blog/?p=29564


luis augusto on 13 setembro, 2015 at 10:14 #

E a teoria de domínio do fato? Com Dirceu veio a se confirmar.

Não sou do hepatojornalismo. Três vezes dei meu voto a Lula.

Não será nenhum tijolaço que me deixará cego.

Imagino o que o velho Brizola diria do Lula que hoje a nação vê por inteiro (até do tamanho de um prédio de quatro andares).


jader on 13 setembro, 2015 at 10:27 #

Taciano Lemos de Carvalho on 13 setembro, 2015 at 11:06 #

Luís Augusto: não é mais Tijolaço, mas, se muito, apenas um grão de areia. Tijolaço era quando Brizola escrevia. Hoje o tijolaço (com minúscula) está a serviço das boquinhas no Ministério do Trabalho e adjacências.

Quanto à teoria de “domínio do fato”, acho que já está decidida a sua aceitação. O triste é saber que nos mensalões, nos petrolões, nas empresas X, no BNDES, na Nuclebras e no escambau a quatro, há o “domínio de fato” de tenebrosas transações.

Se você encontrar os Tijolaços assinados por Brizola, verá uma diferença abissal com os tijolinhos de agora.


luiz alfredo motta fontana on 13 setembro, 2015 at 11:41 #

Em tempos loucos, em meio a revoada de incautos, Josias de Souza acende uma lamparina:

——————————————————-

“Investigação sobre Lula é desafio à criatividade
Josias de Souza 13/09/2015 04:47

Se o STF deixar a Polícia Federal investigar o Lula, das duas possíveis conclusões a que pode chegar o delegado Josélio Sousa, uma é improvável e a outra é inceitável. Ambas são um desafio à criatividade.

É improvável que a Polícia Federal do governo do PT conclua pela culpa de Lula e proclame publicamente que o morubixaba do PT nomeava e acobertava corruptos para prospectar na Petrobras benefícios para si, para o partido e para os aliados.

Lula já declarou que não sabia de nada. E as notas oficiais do PT sustentando que o tesoureiro João Vaccari é gente boa e só recebeu doações legais, declaradas à Justiça Eleitoral, tornaram a investigação da Lava Jato praticamente supérflua.

Dilma Rousseff, entre preservar o princípio de não roubar nem deixar que roubem e salvar a unidade partidária, optou pela cautela. Mantém um silêncio estratégico, para não atear fogo ao próprio mandato. Ou está impotente, como o resto dos brasileiros.

É inaceitável, porém, que o jogo de conveniências leve o governo a impor à Polícia Federal uma conclusão fantasiosa do inquérito conduzido pelo delegado Josélio. O país pode conviver com a ruína da biografia do líder popular como marco de uma era. Mas não como símbolo de uma farsa que transformaria os brasileiros em imbecis.

Nem uma democracia como a do Brasil, composta de quatro poderes —Executivo, Legislativo, Judiciário e o Dinheiro— poderia conviver historicamente com a responsabilidade de dois superescândalos sem um comando.

A aceitação da tese segundo a qual o mensalão e o petrolão foram urdidos e executados por uma máfia sem capo desobrigaria o Brasil de fazer sentido. E comprometeria definiticamente a reputação das instituições nacionais.

Entre a conclusão improvável e a inaceitável, onde chegará o inquérito conduzido pelo delegado Josélio? Nunca antes na história desse país o talento criativo para acochambrar as coisas teve um desafio tão grande.

Relator da Lava Jato no STF, o ministro Teori Zavacki talvez conclua que o Brasil ainda não está preparado para ser apresentado a si mesmo. Nessa hipótese, ele indeferirá o pedido de Josélio para interrogar a virtude presumida.”

————————————————

É preciso dizer mais?


jader on 13 setembro, 2015 at 12:55 #

Uma pergunta muito simples : Desde quando expresidente tem foro privilegiado ? prá que perguntar ao STF se pode ? Vai em frente e investiga !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Taciano Lemos de Carvalho on 13 setembro, 2015 at 15:00 #

Esse Lula é um cara de sorte (ou sabido).

Se o ministro do STF não ‘Teorizar’ excessivamente, deverá liberar a PF para ouvir o criador de Dilma, mesmo havendo políticos/parceiros com foro privilegiado sendo investigados no inquérito.

Parceiros escolhidos a dedo por Lula, diria alguém.


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