Do garimpo de preciosidades musicais do cronista Janio Ferreira Soares ( de A Tarde e Bahia em Pauta, ou vice versa). Direto de Santo Antonio da Glória (nas vizinhanças de Paulo Afonso), nas barrancas baianas do Rio São Francisco. Viva!

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

“Dilma, nós estamos f…”.

Quem disse isso foi Lula, em sua última conversa particular com Dilma Rousseff, segundo Lauro Jardim.

Além de reclamar muito de Aloizio Mercadante, José Eduardo Cardozo e Joaquim Levy, Lula “falou da possibilidade real de impeachment e de que as investigações da Lava Jato cheguem nele”.

CRÔNICA

O sapato do menino sírio

Janio Ferreira Soares

Confesso que minha intenção era escrever algo sobre a recente perseguição que a nave Soyuz fez em busca da Estação Espacial Internacional para deixar alguns astronautas por lá, mas a imagem cinza do São Francisco bem na hora em que os dois pontos de luz cruzavam o entardecer do sertão, logo me fez lembrar das águas do Mar Mediterrâneo roçando a face pálida do pequeno Aylan. Aí eu perdi o pique.

Mais tarde, tentei relaxar vendo um jogo na TV, mas a todo instante o uniforme rubro-negro de um dos times desviava meu pensamento para as tonalidades quase semelhantes às da roupa que vestia seu frágil corpinho, coitado, ali, sozinho, completamente desmoronado na areia, como se atingido por uma dessas inexplicáveis penalidades máximas que a chuteira da insensatez de vez em quando comete na canela da gente. “Goool da Alemanha! ”.

Angustiado, resolvi então dormir, mas admito que naquela noite não consegui sequer vislumbrar a pontinha do fio do novelo de lã das ovelhas que tecem a madorna. É tanto que me levantei várias vezes e fiquei andando meio sem rumo pelo quintal, ora procurando vestígios da Soyuz e da Estação Espacial (mesmo sabendo que naquela hora a luz do sol, já no outro lado do mundo, não mais refletia suas carcaças), ora ouvindo a BBC de Londres num velho rádio de antena torta, quem sabe na esperança de confortar meu dorido coração ouvindo os versos de The Long and Winding Road, vindos diretamente da região onde eles foram gerados. Mas no lugar da voz de Paul, a única canção que rasgou a longa madrugada foi a do respeitoso silêncio do tempo, vez ou outra quebrado pelo triste lamento de uma Mãe da Lua pousada solenemente numa velha estaca de uma cerca nas proximidades de meu jardim.

Falando em mãe, nos mais de 30 dias em que eu acompanhei a minha num quarto de um hospital, ela não se cansava de relembrar fatos da minha infância, certamente para aliviar minha visível dor diante de sua iminente partida. E uma das últimas que ela me contou antes de ser entubada, foi a de quando eu tinha 3, 4 anos e ela me presenteou com um lindo par de sapatos. Aí, num domingo de roupa nova e piquenique na beira do rio, eu me afastei um pouco dela e quando voltei estava apenas com um pé calçado. Depois de muita procura, finalmente confessei que havia jogado o outro num longo canal que levava a água do rio para irrigar coqueiros e mangueiras de um sítio distante. Nesse mesmo dia, um pouco antes de dormir, ela me perguntou se eu ainda tinha o pé que ela guardou e depois me deu. “Claro que tenho, Cecília, e hoje ele mora comigo na gaveta reservada aos pirlimpimpins”, devo ter respondido, ou tive a impressão de.

Lembrei dessa história porque assim que eu vi a imagem de Aylan sendo levado nos braços do policial, a primeira coisa que me chamou a atenção foi justamente o seu sapatinho, bem semelhante ao meu. Pena que o dele vai ficar para sempre guardado na gaveta onde mora a imensa dor de seu pai e numa triste foto, que, espero, tenha a força de transformar a crueza do mundo.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.


Lula com no comício da UPA argentina:com Cristina e Sciolli

ARTIGO DA SEMANA

Lula com Cristina e a tormenta de Dilma

Vitor Hugo Soares

A quem interessar possa: Contentem-se com as desculpas e as tiradas de humor nas quase inaudíveis catilinárias das entrevistas do tímido (ou matreiro?) ministro Levy. Ou com as falas canhestras dos petistas Nelson Barbosa (Planejamento) e Aloizio Mercadante (Casa Civil). Ou, pior ainda, com as ideias desconexas e atrapalhadas da mandatária Dilma Rousseff.

É o que temos, por enquanto, nesta veloz, mas previsível, chegada à beira do despenhadeiro da economia e da política do País. Ao mesmo tempo, porque desgraça não vem só.

Não contem com a presença ou os discursos e projetos salvacionistas, de ocasião, do ex-presidente Lula, nesta semana azíaga de tormentas e dúvidas, depois da agência de classificação de riscos Standard & Poor’s ter rebaixado a nota e retirado o grau de investimento do Brasil. Um golpe severo, “você queira ou não queira, nêgo, nêga” (como no frevo O Carnaval Chegou, de Caetano Veloso). Sua Excelência, o fato, mexe negativamente na autoestima, com o mesmo grau e força positivos que a propaganda dos governos petistas emprestava às avaliações favoráveis das agências internacionais de risco até esta semana.

A quem ainda não sabe, eu conto: Exatamente na quarta-feira, 9, quando a má notícia chegou por aqui – com o impacto de um soco ou pernada no plexo de um lutador peso pesado da MMA – deixou grogue o Governo Dilma (PT) e os aglomerados políticos em volta – Lula baixava na Argentina. O ex-presidente (aparentemente em ensaios de volta) viajou para mais uma temporada de palanques em campanha eleitoral, palestras com empresários, proselitismos e “arranjos” (a palavra favorita de governantes e políticos do partido no poder no Brasil). Bem ao gosto, igualmente, do peronismo que manda há anos no país vizinho da América do Sul.

Na noite do mesmo dia, Lula foi fotografado, afagado e aplaudido por facções do Justicialismo ligadas ao clã dos Kirchner (rejeitado e condenado duramente, também, por adversários de outras correntes), no comício promovido no município de José C. Paz , a propósito da inauguração de uma espécie de UPA argentina (mini hospital para atendimento de casos de alta complexidade, que Lula criou em seu governo), instalado no coração de um bairro paupérrimo e abandonado pelo poder público nos arredores da Grande Buenos Aires.

Um cenário quase familiar, já se vê. A presidente Cristina Kirchner, seu candidato a sucessor, Daniel Sciolli, e o ex-presidente brasileiro cruzaram feericamente os arredores de Buenos Aires, bem aos moldes das superproduções marqueteiras que vimos recentemente por aqui. Lula e Sciolli de carro, Cristina de helicóptero. Um grande diretor de Hollywood não faria melhor.

“Trata-se de que os pobres não tenham de ir ao hospital, mas o hospital aos pobres”, discursou Lula para milhares de peronistas “inebriados, com suas bandeiras e até com um boneco de Néstor Kirchner de tamanho natural, que brandiam”, registrou o jornal espanhol El Pais. Nem sombra do boneco inflado de Lula por perto.

Amaldiçoado seja quem pensar mal destas coisas, diriam os irônicos franceses.

Mais tarde, do alto do palanque, o líder brasileiro, crivado de problemas e cercado de suspeitas graves em seu país, exibia um evidente ar de despreocupação e contentamento e ego inflado. De verdade, ou por mero jogo de aparências de um ator consumado.

No comício, Lula dedicou loas “ao companheiro Scioll”, mas reservou os maiores e melhores afagos para os Kirchner: “Com Kirchner enterramos a ALCA aqui em Mar del Plata. Aqui criamos a Unasul. É uma pena que Néstor não esteja aqui para ver Cristina, uma mulher realizada e vencedora. A senhora deixa a presidência como uma heroica defensora dos pobres”, disparou Lula.

No dia seguinte, em palestra em Buenos Aires, o líder brasileiro desdenhou solenemente a decisão de rebaixamento da nota de investimento no Brasil pela agência de risco. E, indiretamente, lançou farpas para a afilhada no Brasil: “Aos primeiros sintomas de uma crise começam a falar de cortes, de reduzir salários. Todas as medidas que, levadas a cabo nos anos 90, conduziram países ao empobrecimento”. E avisou, em seguida, que vai passar o resto da semana com a companheira Cristina, em campanha na Argentina.

“Sorete”, como dizia o saudoso Walmir Palma, maior e mais legendário repórter policial do centenário jornal A Tarde, das delegacias e dos melhores pontos de boemia e boa conversa da Cidade da Bahia antes da Internet , WhatsApp e telefone celular. No ar e no jeito do ex-presidente, um toque nada sutil, igualmente, do refrão da famosa canção da gaúcha Luka: “Tô nem aí”.

Ao fundo, em Buenos Aires, escuta-se o tango “Cambalache”.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Sábado é bom. Mas o sábado de setembro que começa com a´poesia musical de Sergio Ricardo e o canto das baianinha é muito melhor. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

BOM DIA

set
12


Lula durante evento em Buenos Aires. / David Fernandez (EFE)

DO EL PAIS

Gil Alessi / Marina Rossi

De São Paulo

O delegado da Polícia Federal Josélio Azevedo de Sousa quer ouvir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o possível envolvimento do petista no caso de corrupção investigado pela Lava Jato. A PF entregou na quinta-feira um relatório ao Supremo Tribuna Federal, no qual solicita a oitiva para esclarecer se ele ou seu partido foram beneficiados no esquema. Lula já é investigado pela procuradoria da República por suspeita de tráfico de influência internacional para facilitar a prestação de serviços à Odebrecht com governos estrangeiros.

Em visita a Buenos Aires desde o início da semana, Lula se disse surpreso com o pedido da PF, e afirmou ainda não ter sido notificado, de acordo com o jornal O Globo: “Para mim, não chegou nada”. Apesar do ex-presidente não ter direito a foro privilegiado, como o depoimento dos delatores que o citaram consta no inquérito que tramita no STF – envolvendo políticos com foro especial – a oitiva de Lula precisa ser autorizada pela corte.

No relatório entregue à corte, o delegado reconhece que não há provas do envolvimento direto do petista no caso, mas que a Lava Jato “não pode se furtar à luz da apuração dos fatos”. O delegado afirma que é preciso apurar se Lula foi “beneficiado pelo esquema em curso na Petrobras, obtendo vantagens para si, para seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo”. O documento afirma que até o momento nenhum delator pode precisar o envolvimento do ex-presidente no esquema: o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa se limitaram a dizer que supostamente Lula sabia da corrupção na estatal, mas eles não ofereceram evidências concretas.

Costa havia dito em sua delação premiada que achava “pouco provável que Lula não tivesse conhecimento do envolvimento dos partidos e empresas na movimentação dos valores do esquema”. No entanto, o ex-diretor disse “nunca ter tratado com o ex-presidente ou com Dilma Rousseff sobre vantagens indevidas decorrentes de contratos da Petrobras”. O relatório afirma que a mandatária não pode ser investigada pelos fatos ocorridos no período citado pelos delatores porque, de acordo com a Constituição, “o presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”.

Os delatores citados no relatório não ofereceram provas concretas do envolvimento de Lula e Dilma

O delegado também quer ouvir o presidente do PT, Rui Falcão, José Eduardo Dutra e José Sérgio Gabrielli, ex-presidentes da Petrobras, José Filippi Júnior, ex-tesoureiro das campanhas de Lula e Dilma Rousseff, e os ex-ministros Ideli Salvatti, Gilberto Carvalho e José Dirceu. Dirceu está preso desde o início de agosto na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, por suspeita de envolvimento na Lava Jato.

Agora o relator da Lava Jato no Supremo, ministro Teori Zavascki, precisa avaliar o relatório e decidir se encaminha ou não ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Caso ele opte por enviar o material, caberá a Janot decidir se Lula será ouvido ou não.

O pedido de oitiva de Lula chega em um momento delicado para a o Governo de Dilma, com o país mergulhado na recessão e o Executivo cambaleando em meio a crise política. Esta semana a agência de avaliação de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota do país para o grau especulativo, o que agrava ainda mais a situação.

set
12
Posted on 12-09-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-09-2015


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Unidade em Camaçari

Houve quem apostasse em confronto na oposição baiana por causa da disputa em Camaçari, onde o DEM tem o vereador Elinaldo, candidato declarado do prefeito ACM Neto, e José Tude, ex-prefeito, ex-deputado, que na noite de hoje se filia solenemente ao PMDB.

Mas o atrito, se houver, ainda está muito longe. Por enquanto, Neto e Geddel Vieira Lima se entendem às mil maravilhas, e pode-se até dizer que o peemedebista tem crédito, pela decisão que manteve unido o grupo em 2014, quando aceitou concorrer ao Senado.

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