DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

“Impeachment” requer acordo e motivo

Apesar da tentativa desesperada do ministro Edinho Silva de dizer que Michel Temer foi “mal interpretado” na declaração sobre, digamos, a morbidez do governo Dilma Rousseff, e que o que vale é sua “postura”, a verdade é que o vice-presidente vai, passo a passo, caminhando para as teses do lado “radical” do PMDB.

Exerceu enquanto pôde a diplomacia da “estabilidade pelo bem do país”, mas, além da pressão externa capitaneada claramente pela grande mídia, cede ao cerco interno, que tem em Geddel Vieira Lima um dos articuladores, por sentir que poderá ficar isolado no partido do qual sempre foi o ponto de equilíbrio.

Mas o PMDB, se pretende chegar ao poder central, de cuja disputa abriu mão nas últimas cinco eleições, terá de dar um jeito de cassar apenas o mandato de Dilma para a assunção de Temer, porque, se for encarar um novo pleito, vai ser derrotado pelo PSDB ou por uma improvável liderança emergente que surja neste momento de crise.

Vê-se, portanto, que a empreitada – com o perdão da palavra – é difícil, pois depende de uma concordância expressiva no meio político. Não precisaria muito: se vivêssemos no parlamentarismo, Dilma não resistiria nem três dias e meio. No regime presidencialista, há de haver de base técnica para derrubá-la, não só a impopularidade.

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