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Postado em 29-08-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 29-08-2015 01:31


Lula em Minas:nostalgia dos palanques

ARTIGO DA SEMANA

Dia do Soldado: e Lula de novo

Vitor Hugo Soares

Terça-feira, 25 de agosto, Dia do Soldado. Desperto ao som de um dobrado que convoca à vigília e à disposição permanente ao combate, nesta data da semana que vai chegando ao fim, impactada nesta sexta-feira (28) pela entrevista do ex-presidente Lula (fundador do PT e padrinho da mandatária ocupante do Palácio do Planalto), na Rádio Itatiaia de Minas Gerais, dizendo de público, pela primeira vez, que se prepara para disputar o lugar de Dilma nas presidênciais de 2018.

Não se faz agosto sem grandes surpresas no Brasil, penso. E sigo em frente.

A execução da música, às primeiras horas da manhã da terça, vem da banda do Exército, na área do Colégio Militar, localizado bem ao fundo do prédio onde moro, no bairro Itaigara, em Salvador.

Os acordes chegam aos ouvidos acompanhados do barulho causado pelo forte e inconfundível pisar de botas no asfalto. À espaços, os gritos de palavras de ordem do grupamento de jovens recrutas que prestam serviço militar no quartel do centro de treinamento da VIª Região, onde está um dos mais gabaritados colégios de ensino secundário do Nordeste. A marcha dos soldados quebra a sonolência dos moradores do silencioso bairro de classe média da capital baiana.

“Amaldiçoado seja aquele que pensar mal dessas coisas”, repiso o ditado dos franceses. Mas sempre haverá “um fanático da objetividade jornalística” (salve Nelson Rodrigues, que nesta semana de agosto festejaria 103 anos, se vivo estivesse) para questionar: “Então, por que diabos esta salada de assuntos tão desencontrados (a extemporânea entrevista política de Lula, na emissora mineira e a marcha dos soldados na Bahia?”.

Primeiro, digo, pelos dois fatos em si e suas respectivas relevâncias. Depois, em razão dos apelos que as duas situações evocam ao jornalista “que vêm de longe”, como gostava de dizer o gaúcho Leonel Brizola. Recordo, por exemplo, de passagens marcantes, para mim, da época em que chefiava a redação da sucursal do Jornal do Brasil em Salvador, e o país ainda se debatia na luta para retomar a plenitude das liberdades democráticas, gravemente fraturadas pelo golpe que derrubou o governo legítimo de João Goulart.

Então, o Dia do Soldado metia medo, com seus comunicados e ordens do dia dos armados donos do poder, lidos nas emissoras de rádio e publicados na imprensa com direito a manchetes de oito colunas e chamada de primeira página, carregados de medos subjacentes e de ameaças mal dissimuladas.

Constato: O Dia do Soldado, neste agosto de 2015, felizmente minguou em seus estalidos políticos. Ficou restrito aos quartéis e imediações onde alcança o som dos dobrados, seus exatos e recomendáveis limites, a exemplo do que ocorreu no desfile dos recrutas em Itaigara ao amanhecer da terça-feira.

À tarde, o país já estava de olho no salão da Câmara, em Brasília. Ali transcorria a sessão da acareação da CPI da Petrobras. Frente à frente o operador Yousseff e o ex-diretor da estatal pilhada por corruptos e corruptores em ação indissociável, na definição perfeita do juiz Sérgio Moro. Tudo transmitido ao vivo e em cores para todo o país e o debate correndo acalorado, livre e solto nas redes sociais.

Quem imaginaria algo assim em um Dia do Soldado, há algumas décadas no Brasil? E a entrevista de Lula sexta-feira, em Minas, comunicando a vontade de voltar a disputar a presidência, ontem?: “Se a oposição tem pressa, que espere 2018. Ainda não sei se serei candidato, tem outras pessoas boas também (no PT). Eu vou para a disputa para que a oposição não ganhe as eleições”.

Alguma dúvida, além do correr do Petrolão e da Lava Jato? Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 29 agosto, 2015 at 4:03 #

Caro VHS

Bons tempos aqueles em que agostos eram disciplinados, só duravam 31 dias, e partiam com seus cachorros loucos.

Inflacionaram os agostos, o de Dilma parece não ter fim, assim como seus tresloucados pronunciamentos.

A ameaça de reeditar a CPMF, fazendo frente ao rombo de 80 bilhões no orçamento, desnuda de vez esta bizarra aventura petista.

Tentam o mesmo 171 de outrora sem contudo disporem do útil e nada inocente Jatene. Quem nos iludirá, agora, com promessas santas?

Agosto perdura desde janeiro, Dilma agoniza em seu berço, Lula lhe rouba as fraudas tentando cobrir as próprias vergonhas. Convivas do Planalto, tampam narizes, buscam saídas de emergência, atropelam-se na rampa.

O governo, o PT, Lula, Dilma, não estão doentes, são na verdade a doença.

A assepsia se faz urgente!

Nunca antes neste país um agosto tão fétido!


luiz alfredo motta fontana on 29 agosto, 2015 at 4:14 #

Correção:

A fraude é tão grande que fraldas foram grafadas como fraudas.


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