ARTIGO

E agora?

Gilson Nogueira

O senador Cristovam Buarque, do PDT do Distrito Federal, em artigo publicado na edição do jornal O Globo de sábado passado, afirma que a violência urbana é uma bomba que explode como uma guerra civil de proporções gigantescas, matando quase 60 mil brasileiros por ano.

Lembrei do trecho do artigo de Buarque, sob o título As bombas maiores, ao ler matéria na edição do Globo de hoje (ontem, 26) sobre o ataque, quinta-feira, de um ex-repórter contra seus antigos colegas de trabalho, transmitido ao vivo por uma pequena emissora de televisão da Virgínia, nos Estados Unidos.

No ato, em estado de choque, ainda, como os americanos, que buscam entender o crime, lembrei dos homicídios que ocorrem em Salvador, em proporções assustadoras, e das poucas notícias a respeito de condenações dos assassinos que os praticam dia a dia, e que circulam, de ponta a ponta, na Bahia, como se estivessem invadindo aquelas cidadezinhas protegidas por um xerife dorminhoco que os filmes de faroeste reproduziam para o delírio das pessoas que amavam ver os facínoras do Velho Oeste pendurados na forca ou com o boca cheia de formiga nas terras que pertenciam aos conterrâneos de Cavalo Doido e companhia.

Independentemente de considerar O homicídio que se tornou viral, como definiu Farhad Manjoo, do New York Times, em análise sobre o assassinato, ao vivo, na TV de Roanoke, o assunto da hora, superando, em escala mundial, manchetes policiais do cotidiano, fico a imaginar, como meio mundo, o que dizer aos que perguntam-me, na rua, “ Gilsão, para onde vamos?” E, sem titubear, respondo, “ Deus é quem sabe!”, baseado na leitura da realidade, em que multiplicam-se as mortes pelo emprego de arma de fogo, na capital e no interior, semanalmente, sem que a ação policial consiga deter os marginais como gostaria por falta de condições matérias e de logística.

Além dos crimes contra a pessoa, o dinamitar constante de agências bancárias baianas faz os amantes da sétima arte, com ênfase aos que apreciam os filmes de mocinho e bandido da época do preto e branco, e que acompanham o noticiário dos veículos de comunicação da Cidade da Bahia, deduzirem, como eu: pelo visto, chegará o momento dos que moram fora da capital e nela residem, por questões de segurança, encontrarem-se, no meio do caminho, fazendo-se a mesma pergunta que um ex-colega da faculdade me fez, enquanto eu caminhava nas franjas do Oceano Atlântico: “ E aí, para onde vamos?”

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP.

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